dom. ago 25th, 2019

Estilo do Ba gua

A prática de andar em círculos é uma das características fundamentais do treinamento de base e de movimentação do estilo Bagua

As origens do Ba Gua perdem-se no tempo. A referência mais antiga menciona Tung Hai Chuan de Wean Hsien, na província de Hopeh, que durante a dinastia Ching aprendeu essa arte de um taoísta nas montanhas da província de Kiangsu.

Postura Classica do Bagua

A partir desse registro existe comprovação genealógica técnica que vem até nossos dias. Essa passagem parece ser do século XVIII, porém há a possibilidade de que o presumido fundador tenha feito a classificação de uma arte já bem mais antiga, antes da sua popularização.

O mais fascinante é a história (o povo Chinês costuma ilustrar a criação dos estilos de forma romântica ou esotérica) que circula sobre o emparelhamento entre o Bagua e o Shien Yi Tchuan, Kuo-Yang-Sem, sacerdote e praticante do Shien Yi Tchuan, desafou um dia Tung, se dizendo fundador do Pakua. O combate feroz durou dois dias, após o que ninguém tinha podido tomar a vantagem. Eles então tornaram-se ótimos amigos.

Sem dúvida não é uma maneira muito bonita de se explicar como as duas artes fundiram-se, mas o que é mais estranho é que uma tal história pudesse circular nos dois estilos. No Bagua a maioria das técnicas são executadas com a palma da mão, com um movimento suave e fascinante do pulso, os movimentos são circulares sem tocar, em um raio muito curto.

A prática de andar em círculos é uma das características fundamentais do treinamento de base e de movimentação do bagua.

Os praticantes desta arte andam como que ao redor de um círculo, mantêm sua base baixa, o olhar dirigido para o centro do círculo. Periodicamente mudam a direção do movimento enquanto executam as formas características de cada “palma”.

Os deslocamentos em torno do círculo se configuram em uma estratégia de combate que procura evitar um confronto direto de força bruta com o adversário ao escapar pelos lados ou pelas suas costas.

Os aspectos internos do treinamento de baguazhang são parecidos com os do hsing-i chuan e do tai chi chuanartes marciais chinesas com a mesma fundamentação nos princípios do taoísmo.

Os diversos estilos de baguazhang têm em comum uma série de princípios básicos resumidos em um texto anônimo conhecido como Shi yao ba fa (十要八法), “As 10 Orientações” e “Os oito princípios”, expostos a seguir.

Este estilo considerado interno (NEI CHIA), baseia-se na interpretação dos trigramas do famoso livro das mutações (I CHING) e compreende basicamente oito ângulos de defesa que são treinados progressivamente e em forma circular. Contrariamente ao Shien Yi Tchuan, que desenvolve a “força vertical”, o Ba gua coloca o acento sobre a “força horizontal”.

O Shien Yi Tchuan é designado por alguns mestres como o “boxe da mente e do corpo”, pois quando nos propomos a exercitar uma parte de nosso corpo a intenção é que comanda a ação. O pensamento surge antes da atitude. Se adestrarmos nossa mente os movimentos tornar-se-ão fluidos e conscientes.

O Bagua trabalha bastante a respiração (Chi Kung) que é controlada involuntariamente ou automaticamente pelo cérebro. Se durante os exercícios usarmos a nossa vontade para controlar a respiração (Chi Kung) estaremos transferindo o ato de respirar da área inconsciente para a consciente.

Com o tempo teremos o hábito de exercer nossa vontade sobre essa função biológica essencial ao metabolismo do corpo humano. Teremos então mais saúde e controle emocional, pois em situações adversas o simples controle da respiração (Chi Kung) já proporciona redução dos riscos de colapso físico e desequilíbrio da mente. O principal nessa prática interior é direcionar a respiração (Chi Kung), controlando-a pela vontade.

A meditação é a base da ação, até que a mente e a respiração (Chi Kung) se equilibrem em coordenação para alcançar a capacidade do espírito de controlar a energia e utilizá-la para fortalecer o corpo. O resultado obtido com essa prática é a calma, o controle dos movimentos, a força, a flexibilidade. Para deter a força bruta do adversário a calma e a maleabilidade devem ser empregadas.

A filosofia contida nestas palavras podem ser bem ilustradas pela imagem do barbante amarrando a barra de ferro, da gota de água que fura a pedra, ou do bambu que se verga ante o vendaval para retornar a sua postura natural quando cessada a força que o impulsionou. No Brasil existem diversos representantes do estilo.

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