Eu não poderia deixar de escrever esse artigo a respeito de um dos filmes mais famosos do Jackie Chan: Police Story.
Esse filme fez com que o Jackie Chan fosse visto e reconhecido no mundo inteiro por conta do seu estilo “Jackie Chan” de fazer filmes. Fez tanto sucesso que, pra quem é da década de 80/90, com certeza, assistiu o filme várias vezes na Sessão da Tarde, da Rede Globo.
Jackie Chan é o protagonista do filme fazendo o papel do policial Chan Ka Kui, ou como foi traduzido no ocidente, Jackie Chan, que consegue prender um dos grandes traficantes da China, o Mr. Chu (Chor Yuen). Porém Jackie acaba indo dos seus momentos de glória para momentos de fim de carreira quando os traficantes querem se vingar dele.
Além dos traficantes, Jackie tem que lidar com o seu relacionamento com a Mei (Maggie Cheung) que acaba sendo abalado nessa história por um suposto envolvimento com uma testemunha chave, a Selina Fong (Brigitte Lin).
Contando dessa forma parece que o filme é um pouco “pesado”, ainda mais por ser uma história de policiais versus traficantes mas, acredite se quiser, tem muita comédia dentro do filme, o que deixa ele mais leve. Comédia e ação são marcas registradas do Jackie Chan.
Falando em marcas registradas, muitos atores acabam sempre fazendo os filmes de Jackie Chan. Nesse filme contamos com a presença de dois atores muito conhecidos: o Mars que faz o papel do policial Kim, e o famoso Bill Tung que faz o papel, também de outro policial, Bill Wong.
Como um filme policial dos anos 80, a história não tem grandes altos e baixos, mas prende bastante principalmente pelas cenas de luta. Aliás, os filmes do Jackie Chan são muito famosos pelas cenas de luta porque ele não utiliza dublês, e são muito impressionantes com coreografias de lutas fora do normal, com pessoas voando, quebramentos de mesas e cadeiras, etc.
No livro biográfico do Jackie Chan, Never Grow Up (2015), ele conta o quão insana foi a gravação da cena final. Pra quem não assistiu o filme, o final se passa em um shopping, e eles abusaram nas cenas com vidros. Tem um momento em que Jackie tem que descer numa especie de um poste cheio de luzes de natal e cabos e ele cai em um lugar com muito vidro (cenográfico claro!).
Em seu livro, ele conta o quão demorado foi para a montagem, a quantidade de pessoas que estavam ali para gravar aquela cena e a pressão que ele teve para fazer isso em um único take. Até porque ele também estava gravando outro filme, Heart of Dragon, dirigido pelo Sammo Hung, e ele tinha que sair de lá para outra gravação. Fora o horário do funcionamento do Shopping que não podia ser alterado por conta das gravações, ou seja, tinha que dar certo!
Naquele dia de gravação, ele conta que tudo deu muito errado, até mesmo o momento exato de gravar foi errado. Nessa hora ele não teve escapatória e ele teve medo de morrer. A cena foi feita e ele conta que na decida a mão dele queimava no atrito com o poste e chegou a ficar dormente!
A adrenalina foi tanta que ele caiu no chão e já levantou rapidamente batendo nas pessoas e logo a equipe mandou ele parar desesperadamente. Quando ele olha em volta, ele vê a equipe chorando, principalmente as atrizes Maggie Cheung e Brigitte Lin e, mesmo vendo a cara de desespero de todos, ele não se deu conta que ele estava com a mão toda cortada, sangrando e cheia de cacos de vidro.
Ele desesperadamente pega o carro e pede para o motorista levá-lo para a gravação do outro filme e ele apaga de tanta adrenalina. Ele só se deu conta do estado dele quando ele não conseguiu abrir a porta do carro sozinho.
Em resumo, acho que é um dos melhores filmes do Jackie Chan, pela história, pelo enredo, e claro, pelas ótimas e mais insanas cenas de ação do filme. Aqui no Brasil, a distribuição do filme é de responsabilidade da Sato Company e está disponível no Prime Video.
Trailer:
Referências: CHAN, Jackie; MO, Zhu. Never Grow Up. New York: Gallery Books, 2018.
Pensei muito se colocaria esse filme aqui como um review, por um lado sim vale a pena pelas lutas por outro eu já entro em um campo de falar do filme em sua profundidade, que é o que faz o filme ser tão bom e grandioso. Mas como eu sempre venho aqui jogar um pouco de reflexões aos meus leitores, resolvi publicar esse artigo afim de abrir a mente para esse filme que não é um blockbuster, e segue um pouco mais essa linha independente, e claro não deixar de falar sobre as lutas.
Esse filme é um pouco complexo e qualquer informação adicional eu fico com receio de dar spoilers do filme. No geral é uma história que tem como personagem principal a Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma chinesa, que deixou seus pais para trás e foi viver nos EUA junto com seu marido, Waymond (Ke Huy Quan). Nos EUA, eles abrem uma lavanderia e tem uma filha a Joy (Stephanie Hsu). Além disso, o filme também conta com a grande atuação de Jamie Lee Curtis de Halloween (1978) e True Lies (1994).
Mas você deve estar se perguntando “por que um enredo tão simples faz o filme ser tão grandioso?”, e é aí que o filme começa. A grande sacada do filme é que eles abordam o conceito do multiverso, mas não é aquele multiverso que vemos nos filmes da Marvel, por exemplo, mas o filme usa desse recurso para trazer novos caminhos para a narrativa e criar um lugar que tudo é possível e pode acontecer. Isso causa um certo estranhamento no começo, mas depois você entende que tudo isso tem um significado mais profundo e dá mais densidade a narrativa. É um filme que traz uma montanha russa de emoções, um filme que você ri e se emociona o tempo inteiro.
Acredito que eu consegui explicar o filme sem dar muitos spoilers. E onde entra a luta nisso tudo?
Bom nessa loucura de multiversos, claro que não podia deixar de lado o kung fu tendo a Michelle Yeoh como protagonista, sem contar que o ator que interpreta seu marido na trama, Ke Huy Quan, é coordenador de dublê, seria um grande desperdício não usar dois grandes talentos.
As cenas de luta lembram demais os filmes do Jackie Chan, muito bem sincronizadas e também utilizam objetos de cena no meio da luta, tem umas cenas que até tem referência a Matrix (1999). Mas não podemos deixar de mencionar os grandes coreógrafos do filme: Andy Le e Brian Le, que além de terem coreografado as cenas de ação, protagonizaram as principais lutas com a Michelle Yeoh.
Andy e Brian são dublês e tem um projeto chamado Martial Club, onde eles gravam muitas cenas de lutas, às vezes com muito bom humor, coreografadas por eles mesmos inspirados em clássicos dos filmes de kung fu. Para quem não sabe Andy esteve recentemente no filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis interpretando o Agente da Morte (Death Dealer).
Depois de ter colocado várias informações do filme vamos para as minhas considerações finais: Eu particularmente adorei o filme e recomendo muito. Inicialmente eu fui assistir o filme por conta da Michelle Yeoh, do Andy e do Brian Le, até porque eu já acompanho o trabalho deles há algum tempo, mas o filme me surpreendeu pela sua densidade e até em aspectos cinematográficos (isso é papo para outro lugar hahahaha) que a luta acaba sendo usada como um grande pano de fundo para o que a narrativa propõe.
Eu assisti esse filme no cinema e na época já tinha poucas sessões, ainda mais que ele não veio pra ser um grande blockbuster, mas em breve acredito que ele vai estar em algum streaming. De qualquer forma fica o trailer para vocês sentirem um pouco o filme.
Atriz, artista marcial, modelo, cantora e escritora, Juju Chan nasceu na cidade de Hong Kong, no dia 02 de Fevereiro de 1989. Ficou muito conhecida no papel da Silver Dart Shi, do Tigre e o Dragão 2: Espada do Destino (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny) e recentemente estrelando Wu Assassins no papel de Zan, ambas produções da Netflix.
Actress, martial artist, model, singer and writer, Juju Chan was born in the city of Hong Kong, on February 2, 1987.O kungfu.doc traz com exclusividade uma entrevista com a atriz, que gentilmente respondeu nossas perguntas. Confira na integra:
JuJu Chan
kungfu.doc: Quais artes marciais você praticou? Desde que idade?
Juju Chan: Comecei aos 10 anos com o judô porque essa era a escola de artes marciais mais próxima da minha casa. Conforme eu fui crescendo, eu fui aprendendo também Shotokan, Kung Fu, Tae Kwon Do, Boxe e Boxe tailandês. Depois que consegui minha faixa preta de Tae Kwon Do, fui selecionada para a Equipe de Hong Kong e comecei a competir no Tae Kwon Do, e pouco tempo depois, fui observado por uma escola Mauy Thai para entrar no clube e lutar por eles nos Campeonatos de Muay Thai.
JuJu Chan Tae Kwon DoJuJu Chan Muay Thai
kungfu.doc: Por que você começou a treinar?
Juju Chan: Eu entrei em artes marciais por causa do meu amor por filmes de ação, desde que eu era criança. Meu pai adora filmes de ação. Ele colocava um filme de ação na TV em casa quase todas as noites e, quando eu era criança, adorava copiar o que via na TV. Mas é claro que pode ser bastante perigoso para uma criança apenas copiar movimentos de artes marciais sem nenhum treinamento. Lembro-me de uma vez que estava copiando uma acrobacia que Jackie Chan estava fazendo na Hora do Rush, e quebrei o vidro da mesa de café em casa. Depois disso, meus pais me colocaram para aprender artes marciais.
kungfu.doc: Qual é a sua arma favorita nas artes marciais?
Juju Chan: Nunchaku. Eu amo como ele fluirá de acordo com o seu movimento com força e ritmo. Eu realmente amo usá-los, e realmente sinto falta deles quando estou em lugares onde não posso trazê-los.
JuJu Chan Nunchaku
kungfu.doc: Qual foi sua primeira atuação como atriz?
Juju Chan: No teatro no ensino médio.
kungfu.doc: Você teve outros empregos além de ser atriz?
Juju Chan: Já trabalhei em publicidade e programação de computadores.
kungfu.doc: Você sofreu alguma lesão durante o treinamento ou como atriz?
Juju Chan: Sim, hematomas são muito comuns. Também torci o tornozelo várias vezes durante o treinamento. E meu olho direito também se machucou algumas vezes. Já cortei algumas vezes no meu olho direito. As pessoas podem não perceber isso, mas meu olho direito é um pouco menor que o meu esquerdo. Acho que é de todos os ferimentos e impactos que tive ao longo dos anos no mesmo olho. Sempre há o risco de fazer filmes de ação e ser dublê. É por isso que é importante estar seguro. A segurança é tão importante. Além disso, quando você está cansado ou seu oponente está cansado e vê que algo não está certo, é melhor parar de treinar do que continuar, porque se você continuar e continuar e não ajustar algo ou apenas fazer uma pausa, as lesões são mais prováveis acontecer.
JuJu Chan em Tigre e o Dragão 2: Espada do Destino (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny)
Eu estava filmando “O Tigre e o Dragão 2: A espada do Destino“, quando na minha última cena, precisamos realizar uma luta de espadas. Na verdade, filmamos várias takes e a última foi muito boa. Só por segurança, o diretor decidiu fazer mais um take, e é claro que foi quando me machuquei. Talvez a outra artista estivesse cansada, não sei porquê, mas ela cortou a espada mais cedo do que antes de eu terminar meu movimento e a espada acertou bem no meu olho direito. Foi muito doloroso. Era uma espada realmente pesada que entrou direto nos meus olhos. Eu fiquei com um hematoma enorme e não consegui ver por 10 dias. Eu realmente pensei que ficaria cega, mas, felizmente, não. E, felizmente, a tomada anterior foi boa, então eles usaram a tomada anterior e eu fui mandada para o hospital. Então, dois dias depois, tivemos nossa festa de encerramento. Muitas pessoas pensaram que eu não apareceria por causa de minha lesão nos olhos. Mas fiz um tapa-olho de borboleta vermelha muito fofa para cobrir meu olho direito e entrei na festa.
kungfu.doc: Na série do Netflix “WU ASSASSINS”, qual foi sua maior dificuldade, e facilidade durante as cenas. Você usou dublês para as lutas ou fez suas próprias cenas? Qual é a sensação de ter feito esta série?
Juju Chan: Eu interpretei Zan no Wu Assassins da Netflix – uma artista marcial de elite e tenente em uma tríade, e um guarda-costas de um comandante de alto escalão.O papel foi originalmente escrito para um ator/homem. Na verdade, eu estava me preparando para fazer um outro papel, a personagem Ying Ying, se você já viu a série. O criador da série gostou do meu visual e queria as habilidades que eu podia trazer para a série. Então, ele criou um novo papel de guarda-costas feminino para o chefe da Tríade da Chinatown de São Francisco, Zan, na série para substituir o personagem masculino original de guarda-costas.
Atriz JuJu Chan ao lado dos atores Iko Uwais e Mark Dacascos em Wu Assassins
Os dois primeiros episódios já foram escritos quando eu fui escalada, então sou apenas um personagem em destaque nesses episódios. Mas Zan explode no programa no terceiro episódio com uma cena épica de luta na cozinha, e ela cresce a partir daí. Minhas cenas favoritas são a luta na cozinha no episódio 3, Zan invadindo a delegacia no episódio 8 e Zan assumindo o comando no episódio 9.
Eu faço todas as minhas próprias lutas e cenas de ação em filmes. Devo dizer que sou SEMPRE desafiada, e preciso provar para mim mesma, pelo departamento de Dublês. Eu tenho duas coisas contra mim. Primeiro, eu sou atriz e não dublê. Os coordenadores de Dublês geralmente não confiam em atores com ação. E dois, claro, eu sendo uma mulher. Você terá sorte em encontrar mais de duas dublês femininas em alguns dos maiores filmes de ação, e as coordenadoras de dublês são extremamente raras em qualquer lugar. No final, trata-se de ganhar o respeito das pessoas com quem trabalha. Com todos os trabalhos que eu estive, no final das filmagens acabei trabalhando muito de perto e bem com as equipes de dublês.
JuJu Chan no Set de Wu Assassins com Diretor Stephen e o Ator Byron Mann
De qualquer forma, é muito fácil ser dispensado por algumas pessoas quando eu quero me encarregar de minha própria ação, mas se eu não me forço para isso, minha experiência foi que eles colocaram uma dublê (ou um pequeno dublê) para fazer as lutas da atriz. E imediatamente parece genérico. Se você olhar para Jackie Chan, Sammo Hung, Donnie Yen e, claro, Bruce Lee, todos eles se encarregaram de suas próprias lutas, e todos têm uma expressão de assinatura para elas. Eu vejo a necessidade de fazer isso por mim. Eu certamente espero que, ao fazer isso, outras equipes de dublês estejam mais abertas a ouvir outras mulheres quando tiverem opiniões de ação, seja para brigar, andar a cavalo, dirigir ou qualquer outra habilidade relacionado ao papel do filme.
kungfu.doc: Quem são seus ídolos na arte marcial e no cinema?
Juju Chan:Para mim, minhas principais influências foram Donnie Yen e Jackie Chan. Eu acho que é por isso que eu faço muitos tipos de artes marciais. Antes deles, os filmes de Hong Kong eram sempre sobre o “Kung Fu Chinês” ser melhor. Mas se você olhar para Donnie Yen, suas artes marciais são muito mistas. Jackie Chan era mais sobre acrobacias e comédia, que eu certamente gostaria de explorar por mim mesma. Eu amei o fato de Jackie estar fazendo filmes americanos também. Também fui especificamente influenciada pela carreira de Michelle Yeoh. Adoro o que ela fez ao trazer as mulheres para a vanguarda da ação, não tanto no cinema chinês, que tem uma tradição de estrelas de ação femininas, mas pela maneira como ela fez isso em Hollywood. Antes dela, as “Bond girls” eram interesses amorosos ou uma inimiga. Eu amo que ela trouxe para a tela o que era na essência uma Bond feminina da China. E ela conseguiu continuar trabalhando no setor como uma mulher de ação! Espero conseguir fazer isso.
kungfu.doc: Para seus fãs brasileiros, quais são seus novos projetos e trabalhos?
Juju Chan: Tenho um filme “Hollow Point” que está agora na Fox Asia e no Netflix da Europa e do Reino Unido. E uma adaptação de quadrinhos de artes marciais, “Jiu Jitsu”, com Nicolas Cage, filmado em Cypress saindo neste verão (seria em julho aqui no Brasil).
Hollow Point Filme Jiu Jitsu JuJu Chan e Nicolas Cage com atores e o diretor
kungfu.doc: Que mensagem você gostaria de deixar ?
Juju Chan: Sempre siga seu coração e sua paixão! Como artista, você nunca desiste quando enfrenta dificuldades ou desafios. Seja positivo e rodeie-se de pessoas inspiradoras. Você vive apenas uma vez, por isso, se ser um artista é sua paixão, ninguém o impede!
Espero continuar melhorando minhas habilidades em artes marciais e adoraria interpretar um personagem legal de super-herói em filmes que possam mostrar minhas habilidades reais.
O kungfu.doc gostaria de agradecer a atriz Juju Chan pela entrevista realizada via Instagram e Email. Estamos na torcida pelos seus próximos filmes e ainda queremos ver você em um papel como super heroína.
JuJu Chan Executando ChuteJuJu Chan Tae kwon Do
Informações sobre a atriz e estrela de ação Juju Chan em suas redes sociais:
Tigre e o Dragão 2: Espada do DestinoJiu Jitsu Wu Assassins First of the DragonDan em Wu Assassins JuJu Chan e Tony JaaJuJu Chan, Diretor Stephen e Iko Uwais JuJu Chan – ITF Asia Championships