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  • Paciência e Precisão: Onde o Chá e o Kung fu se encontram

    Assim como o Tao e o Zen estão em tudo, o kung fu também está em tudo.

    O kung fu sempre foi muito conhecido por proporcionar ao praticante disciplina, foco, respeito, entre outras coisas. Isso acontece, de fato, porque ele está presente em tudo que fazemos. E não se resume somente ao nosso local de treino, ou Wu Guan (武館), mas levamos toda a filosofia para a nossa vida.

    Se pensarmos no verdadeiro significado da palavra “kung fu”, chegaremos em algo como: habilidade adquirida através de tempo e esforço.

    Uma curiosidade é que o termo Wushu (武術) na China é muito mais usado para falar da arte marcial, seja tradicional ou esportivo. O termo Kung fu (功夫) foi mundialmente difundido graças ao cinema de Hong Kong e a série “Kung fu” com David Carradine.

    Então, se pensarmos no sentido dessa habilidade conquistada, todos temos “Kung fu” em alguma área específica da vida.

    Eu comecei a observar minha rotina e tem algo que sempre está presente: o chá.

    Sou uma pessoa que sai um pouco do padrão da grande maioria das pessoas pelo mundo. Eu não tomo café. Não me pergunte o porquê. Mas café puro, coado, espresso… enfim, já provei todos os tipos e não é uma bebida que me agrada, que eu tenho o prazer em beber.

    Já o chá…

    Eu cresci tomando o chá mate. Não sei se é algo comum de famílias japonesas aqui no Brasil, mas pelo menos na minha era. Era meu companheiro no café da manhã, no café da tarde… quente, gelado…

    E, por incrível que pareça, entrando em contato com o kung fu e cultura oriental, eu cheguei no chá verde, que começou me ganhando com o amargor do banchá, depois chá de jasmim e finalmente, o chá verde propriamente dito.

    Nesse processo fui me interessando pelos diferentes tipos, apreciando o sabor de cada um deles, fazendo um curso aqui outro ali para aprender a fazer um bom chá. Porque a grande maioria acha o chá amargo, mas talvez porque não tenha feito na proporção, temperatura e tempo certo.

    Acredito que com o café aconteça a mesma coisa, mas como está mais enraizado na nossa cultura brasileira, fazer um café pode ser tão simples para a maioria das pessoas como fazer um arroz. Bom, eu sei fazer arroz, mas já café….

    O ritual de fazer chá passou a fazer parte da minha vida, da minha rotina. E apesar de eu ser bem iniciante, acredito que meu ritual entra no meu kung fu diário.

    Eu nunca fiz um curso sobre cerimônia do chá ou gongfu chá (que é um dos meus sonhos), mas eu sinto o quanto esse ritual me faz refletir sobre tantas coisas.

    Fazer chá tem um gosto diferente. É um momento de plena atenção, desde a espera pela temperatura certa da água, até o peso das folhas. E, claro, a contemplação de ver a mudança da água para a coloração do chá, às vezes um amarelo meio esverdeado ou às vezes um dourado lindo!

    E claro, degustar o chá – não tem como tomar de uma vez, você toma gole por gole. E cada gole, para mim, é estar totalmente presente no momento.

    Filosófico. Mas é isso que o chá traz pra mim. Atenção plena, o desacelerar e simplesmente estar aqui e agora, assim como o kung fu.

    A arte do chá e do kung fu são a mesma coisa. O treino não acaba no fim da aula; ele continua na rua, em casa, na vida.

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