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  • COBRA KAI – 3ª Temporada

    COBRA KAI – 3ª Temporada

    Estreou a série dia 1 de Janeiro de 2021 e em um dia eu já “maratonei” ela inteira. Sou um pouco suspeita para falar, porque eu realmente amo essa série, uma vez que os criadores tiveram a capacidade de trazer a tona um filme de sucesso dos anos 80, que em princípio você não via mais nenhum tipo de continuação, e transformar essa história em uma série.

    A primeira e a segunda temporada foram ótimas, eu realmente fiquei presa na trama, porque ela te mostra dois lados da história, é difícil de dizer quem é o mocinho e o vilão entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), e a série termina com uma luta de tirar o fôlego no colégio de Samantha (Mary Mouser) e Miguel (Xolo Maridueña).

    Então, tivemos uma janela de 1 ano e meio, mais ou menos, na expectativa de uma terceira temporada, em um cenário que você quer buscar respostas do que vai ser de Miguel, o que vai ser do Cobra Kai no comando de Kreese (Martin Kove). Confesso que minha expectativa estava bem alta, uma vez que a série me segurou tão bem em duas temporadas, e aumentou ainda mais quando já confirmaram uma 4ª Temporada.

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    Imagem Reprodução/Youtube

    Pois bem, assisti a última temporada e digo, sem sombra de dúvida, que mais uma vez eles acertaram. Conseguiram me prender de uma forma que não tinha como não ver um atrás do outro, o rumo que eles tomaram pra série achei sensacional e termina com aquele “gostinho de quero mais”. (Ainda bem que já foi confirmada mais uma temporada!)

    (Alerta de SPOILER: se você ainda não viu a série recomendo parar por aqui)

    Mas vamos para o que interessa, o que a série traz de tão bom?

    O grande lance dessa temporada que ela é um pouco mais densa que as demais, ela vai um pouco mais a fundo nos personagens e suas relações. É certo que essa temporada foca muito na origem de John Kreese, uma vez que já conhecemos a vida de Daniel, pelos filmes, e de Lawrence que foi muito trabalhada nas temporadas anteriores. Essa temporada reforça cada vez mais esse perfil meio psicopata, ou louco, de Kreese, que consegue manipular e recrutar mais jovens para o seu Dojô.

    Daniel e Johnny, por sua vez, acabam levando as consequências da luta na escola. Johnny carrega uma culpa pelo estado de saúde de Miguel, e entra em um processo para ajudá-lo a andar, o que o afasta ainda mais de seu filho Robby (Tanner Buchanan), e se encontra sem um Dojô e sem alunos.

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    Imagem Reprodução/ Netflix

    Por outro lado, Daniel entra em uma das suas piores fases da vida, os negócios vão mal, devido a um boicote dos consumidores que o culpam pelo ocorrido na escola, e ainda está em busca de Robby com intuito de ajudá-lo, uma vez que ele se torna procurado da justiça, sem contar que todos na escola o culpam também pelo ocorrido.

    Então vem um dos pontos mais fortes da temporada, a ida de Daniel para o Japão para tentar levantar seu negócio, mas é claro que ele aproveita para ir a Okinawa em busca de respostas para sua vida turbulenta. Lá ele encontra duas pessoas que o ajudaram nesse processo: Kumiko e Chozen, sendo a namorada e o grande rival de Daniel, respectivamente, no filme Karatê Kid 2. A série traz os mesmos atores para o papel fazendo essa grande surpresa para esquentar nossos corações com nostalgia.

    Outra personagem que ganha muito destaque é a Samantha, filha de Daniel, que fica com o emocional muito abalado após a luta no colégio, e também acaba carregando uma certa culpa pelo que aconteceu tanto com Miguel quanto com o Robby. Esse processo emocional da Samantha teve um espaço considerável e importante na trama. O Robby, por sua vez, foi para um reformatório e aconteceu o que era um pouco previsível, ele foi para o lado de John Kreese. Esse processo do Robby me lembra um pouco o processo de Daniel no terceiro filme que ele vai para o Cobra Kai. Será que é isso que devemos esperar para a próxima temporada?

    Uma personagem que também teve destaque foi a Tory (Peyton List), teve uma breve abordagem de sua história nessa temporada, e ela se revela como uma verdadeira líder dos Cobra Kai, tanto que Kreese vê um grande potencial nela e até a ajuda em questões pessoais para que ela siga com os treinos.

    O segundo ponto mais alto, para mim, foi a Ali (Elisabeth Shue). Sim!!! Para quem estava especulando a sua volta, ela foi confirmada na terceira temporada. Apesar de muito nostálgico vê-la novamente na série, acredito que foi uma aparição breve, não acho que ela retorne na quarta temporada. Ela veio em um momento importante da trama que é curar as feridas do passado tanto de Daniel quando de Johnny, e isso deu uma abertura muito grande para o ponto mais importante da série, a união de Daniel e Johnny contra Kreese no torneio Regional.

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    Johnny e Ali – Imagem Reprodução/Netflix

    Desde a ultima temporada eu enxergava Daniel e Johnny como o equilíbrio, e pensei nessa possibilidade deles se juntarem contra o Kreese, e foi o que exatamente aconteceu. Agora fica a pergunta para a quarta temporada, como vai ser essa união de Daniel e Johnny? E o Robby será que ele vai se arrepender antes do torneio, ou vamos ver vê-lo competindo como Cobra Kai?

    Falei tanto da trama, mas e as lutas? Bom sobre as lutas, já vi melhores em outras séries, mas sinceramente, isso não me incomoda, uma vez que a série em si me chama muito mais atenção. Essa temporada achei que tem menos treinamento, na verdade, não tem cena nenhuma de treinamento, e de lutas, bem pouco. Mas a série se mostrou tão densa nas relações entre os personagens, que o Karatê em si ficou bem em segundo plano.

    No geral, Cobra Kai vem pra mostrar que a série não sobrevive só de karatê, que dá pra explorar os personagens com uma temporada mais densa, sem perder o nível que vem mostrando desde a primeira temporada. Para mim sem dúvidas, é a melhor temporada.

  • Warrior – 1ª Temporada

    Warrior – 1ª Temporada

    Em outubro desse ano de 2020 caótico vai estrear, no canal Cinemax, a 2ª temporada de Warrior, uma série baseada nos escritos de Bruce Lee encontrados pela sua filha Shanon Lee.

    A série mal estreou em 2019 e já foi renovada para uma segunda temporada, e eu vou te dizer o porquê ela mereceu ser renovada.

    A série se passa em 1878, na Chinatown de São Francisco. Uma época de grande imigração chinesa nos EUA, uma vez que a mão de obra deles era mais barata do que a de americanos ou outros imigrantes.

    O foco central da série está em torno do personagem Ah Sahm, interpretado pelo ator Andrew Koji, um imigrante chinês que chega nos EUA e que acaba se envolvendo com a famosa Guerra de Tong da Chinatown, devido a sua grande habilidade marcial. Sim, as Guerras de Tong, ou melhor a rivalidade entre as gangues chinesas de Chinatown são bem reais e bem violentas.

    Como eu falei, as Guerras de Tong foram bem violentas e a série passa muito isso. As lutas são muito bem feitas, e tem muito sangue nos 10 episódios dessa temporada.

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    Mas o que me fascinou mais na série é que eu consegui ver muito o Bruce Lee. Eu, que particularmente gosto muito do Bruce Lee, consegui enxergar ele na série inteira, e também grandes referências de seus próprios filmes.

    Primeiro, a série tem um ar meio “western”ou, no português mais claro, um ambiente mais “velho-oeste”, isso me remeteu muito na época que Bruce Lee escreveu essa série, onde os filmes de cowboys estavam muito em alta, fora que a própria série “Kung Fu”, que o Bruce Lee tentou entrar como personagem principal tinha também essa história de kung fu misturado com o Western. Mas não posso afirmar que isso foi escrito antes ou depois da série Kung Fu, as vezes pode ter sido só uma coincidência.

    Outra referência que eu já peguei de cara na primeira cena da série foi quando o Ah Sahm desembarca nos EUA. A sua postura e a roupa é igual de Bruce Lee no filme “The Big Boss” (O Dragão Chinês – 1971). O estilo de luta é igual do Bruce Lee, e dá até gosto de ver.

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    Ah Sahm interpretado por Andrew Koji

    Agora um pequeno spoiler, o personagem Ah Sahm se envolve com uma garota loira americana, e existe a questão de um chinês estar namorando uma americana. Vi muito o relacionamento do Bruce Lee com a Linda Lee.

    Na série também tem muito a questão da prostituição e do tráfico de drogas, temas muito presentes nos filmes de Bruce Lee, mas me remeteu em particular o filme “Enter the Dragon” (Operação Dragão – 1973). Talvez o próprio Bruce Lee tirou suas inspirações das histórias de seus filmes na própria Chinatown de São Francisco com as Guerras de Tong.

    Em resumo, a série me deu um pouco de nostalgia, talvez de sentir o trabalho do Bruce Lee como se ele ainda estivesse vivo. Acho que deu para perceber como eu sou fã, ou pelo menos gosto muito do trabalho dele, mas fora isso, vale muito a pena assistir a série porque a própria história te prende pelas guerras das Tong, que eu nem detalhei muito para não dar muitos spoilers já que tem muitas reviravoltas, e também pelas cenas de ação, não tem como não gostar. A série teve um bom desfecho e deixou aquela vontade de ver uma segunda temporada.

    Assista o trailer:

  • Entrevista com Michele Santos

    Entrevista com Michele Santos

    Wushu Moderno é um esporte de alto rendimento (baseado nas arte marciais chinesas tradicionais, o kungfu). Modalidade que já esta incluída nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2022(Summer Youth Olympics), sendo temas de diversos filmes e documentários. Um dos praticantes mais conhecidos é o ator  Jet Li (Pentacampeão Chines de Wushu). 

    O blog convidou Michele Santos, atleta da Seleção Brasileira de Wushu Moderno – Taolu Esportivo para contar um pouco da sua vivência na China e sua trajetória no Wushu.

    Sabemos que o grande sonho de um atleta de Wushu Kung Fu, é um dia conhecer e treinar na China, o grande berço das artes marciais. Para a atleta Michele, este sonho foi muito além do esperado. Michele conseguiu uma bolsa de estudos na Beijing Sports University (北京体育大学), e com isto, pode fazer um mestrado em artes marciais chinesas, o Wushu.

    Acompanhe abaixo o relato da atleta e sua Vivência na China:

    Meu nome chinês é xiāo méi 萧梅。Em 2017 um dos meus ex- companheiros de Seleção Brasileira, Roque neto, que tenho com muito carinho, nos compartilhou e ajudou com a oportunidade de realizar este sonho de ir estudar na China . 

    Aprender um idioma tão difícil como o mandarim do zero, além da mudança de cultura, não é uma tarefa fácil, mas devido a nossa garra de brasileiro, não seria impossível . Incialmente me dediquei um ano para estudar e passar em provas do idioma chinês e posteriormente ingressar no mestrado de Wushu.

    E confesso que ao mesmo tempo foi estressante e desafiador. Mais com o passar do tempo a língua chinesa e o convívio transforma essa situação em algo bom e divertido, onde a cada dia é um evolução . 
    Viver na China tem muitas facilidades e situações bem confortáveis. Você pode comprar coisas e pagar de forma muito simples e rápida, com o uso da tecnologia.  Apesar de muita gente ter o conceito que chinês come comida esquisita, encontramos uma variedade de frutas, legumes, ovos, entre outras coisas com muita fartura.

    O único problema é que carne vermelha na China custa muito caro, então raramente consumimos. Hoje na China já existem várias influências de outros países, você encontra com facilidade mercados internacionais e bares. 

    Em questão de segurança, você pode transitar com tranquilidade e sem preocupações, pois roubo e assalto é rado e com isto, temos uma sensação maior de conforto e segurança. Novas amizades com pessoas do mundo inteiro, ajudam praticar e conhecer vários idiomas. 

    Mesmo sendo estudante de Wushu e representar a universidade em competições para estrangeiros, não é algo tão simples treinar nos ginásios da escola, o wushuguan (武术馆). Infelizmente a escola tem uma política muito severa de não aceitar alunos dentro desses ambientes se não for para aulas da universidade. Muitas vezes os estudantes estrangeiros e chineses, não temos aonde práticar dentro da própria escola. Ou seja, se você pensa que viver na China, esta associado com treinar Wushu facilmente, naquele tão sonhado “carpete azul”, não é bem assim!

    Mais com passar do tempo fazemos amizades com professores da escola, e vamos nos acostumando a conhecer a filosofia, métodos, e costumes e lugares. No meu caso , foi isto que aconteceu . Meu professor Duan Laoshi (段永斌), nos recebeu em uma escola fora da universidade e começou a treinar a mim e companheiros de time da seleção brasileira ( Márcio Coutinho, Gabriel Nakamura, entre outros ).

    Sou muito grata ao professor Duan (段), pois eu e meus companheiros começamos a ter uma nova concepção e entendimento de fazer Wushu . Porém, todas essas aulas são pagas no começo e com o passar do tempo os professores também nos ajudam e passam a entender sobre as dificuldades financeiras, pois treinar Wushu na china não custa barato. 

    Pela Beijing Sports já participei de várias competições e apresentações , sou muito grata a escola por oferecer esta oportunidade . E por fim, esta experiência na China tem sido algo inovador, e certamente ficará gravado na minha vida para sempre. Eu sou muita grata a Deus e as pessoas que participaram e participam desse momento na minha vida . E espero que outras pessoas possam ter cada vez mais conhecimentos e experiências como as minhas e possam realizar os seus sonhos.

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    Michele em Competição da Beijing University

    Trajetória no Wushu

    1– Por que vc começou a treinar Wushu-kung fu?

    Michele Santos : Desde da minha infância eu demonstrava interesse e aptidão por práticas esportivas. Durante minha fase escolar prátiquei vários desportos. Porém, sempre fui encantada com esportes de apresentações e alta plasticidade tais como : balé, ginástica artística , ginástica rítmica entre outros . Aos meus 15 anos de idade eu conheci o Wushu, e foi então amor à primeira vista .O motivo de eu ter escolhido e começado a treinar Wushu, foi porque dentro dele eu tinha tudo que mais me encantava e apreciava dentro de uma modalidade esportiva. E com o passar dos anos eu entendia que Wushu para mim não representava “só  esporte”… e  sim estilo e filosofia de vida , e por fim um chamado e missão destinado a mim. 

    2- Quando entrou para a Seleção Brasileira?

    MS: Eu me tornei membro da seleção brasileira de Wushu taolu no ano de 2012.

    3- Qual seu principais títulos? De todos qual o mais especial?

    MS: Eu conquistei títulos nacionais e internacionais. Sou campeã brasiliense , brasileira , 2 x campeã panamericana, 2x campeã sulamericana, 3º lugar no campeonato Internacional Brics Games e 2 participações em campeonatos mundiais. Para mim, todas minhas conquistas e derrotas tem um nível alto de importância, pois foi aonde aprendi e continuo aprendendo muitas coisas. 

    Porém, no panamericano de 2016 nos EUA, tem um significado especial para mim. Um ano atrás (2015) eu perdi meu pai. Ele era militar e faleceu voltando de missão. E naquele ano eu entrei com meu coração e mente destinado a honra tudo que ele representou e representa na minha vida de atleta e também como ser humano . Eu lembro que no pódio eu fiz um sinal de gratidão a ele . Então, este momento está registrado na minha mente com muito carinho e fidelidade ao um dos grandes semeador dos meus sonhos, meu pai .

    4- Qual a sensação de representar o seu pais em Mundial ? 

    MS:A sensação de representar um esporte de um país é um momento único, incrível e desafiador . Eu me sinto muito grata a Deus , por destinar a mim, e outros companheiros do time do Brasil esta missão. Porque através do nosso trabalho escrevemos a história do esporte no nosso país , e isso é único. Nada e ninguém pode tirar.

    5- Voce ja teve lesão? Qual o sentimento e como foi a recuperação?

    RF:Eu já tive mini lesões causadas pelo treinamento. Eu e meu treinador  (Márcio Coutinho), sempre tivemos o cuidado e discernimento do valor do preparo físico e dos métodos de  prevenção a lesão e recuperação pós treino. Mesmo sem apoio financeiro nós sempre procuramos nos orientar e tentar fazer o melhor, e isto tem me ajudado muito a me manter protegida de lesões sérias . 

    Porém, um dos piores momentos que as lesões se manifestaram foi durante meu primeiro mundial na Rússia. Meu tornozelo estava inchado e doendo muito, causado pelos nandus. Eu me sentia tão preocupada e amedrontada que contribuiu muito para desprogramar meu mental , e me levando a uma apresentação que não correspondia a quem eu queria e tinha preparado para ser naquela competição . A prevenção de lesões e algo muito importante e seria. Porém, um atleta mentalmente preparado, torna ele um  indivíduo mais qualificado e preparado para qualquer coisa, inclusive saber lidar com o medo e as dores da lesão

    6- Ja pensou em desistir do wushu?

    MS: Em algumas fases, eu já pensei em desistir da minha vida de atleta . Do wushu não, ele ja está enraizado. Em algumas momentos eu sentia que eu trabalhava, colocava tanto fisicamente e mentalmente meu esforço e muitas das vezes o felling de volta, que meu trabalho era de menos. E eu me sentia desvalorizada. E isso me fazia refletir fortemente em desistir da minha carreira de atleta . Contudo, meu elo com Deus e pessoas que trabalham comigo (técnico, alguns amigos e família ) me ajudaram a superar e trabalhar cada vez mais. Porém,  com outras perspectivas  é tentar tirar aprendizados. Ainda estou em aprendizado com isto .

    7- Na sua opinião, o que precisa para se tornar um bom atleta?

    RF:Eu acredito que ter sucesso em algo não existe uma fórmula ou receita. Ter sonhos é importante, eles nos mantém vivos , mais sonhar por sonhar pode te levar ao fracasso e desilusões . Meu conselho baseado nas minhas experiências é: construir metas e planos bem sólidos com você e com pessoas que acreditam no seu trabalho, e trabalhar fielmente nisso dia após dia . Isto com certeza te levará a bons frutos ou boas experiências.  

    8- Quais seus ídolos no wushu? 

    RF:Um dos meu grandes ídolos no Wushu, e meu técnico e companheiro de Seleção Brasileira, Márcio Coutinho . Apesar da pouca idade, meu técnico sempre foi alguém que eu poderia dar vários adjetivos incríveis. Eu sou muito grata , e espero um dia retribuir e ser como ele, para outras pessoas que vivem pelo Wushu como nós. Como atleta ele sempre me inspira a buscar o máximo de excelência tanto tecnicamente, fisicamente e como ser humano . 

    9- Qual conselho voce daria para quem esta iniciando no wushu?

    MS:Como eu citei anteriormente, um dos conselhos para as futuras gerações é: Viva o seu momento, viva os seus sonhos, mais sonhos baseados em metas e planos sólidos . E o mais importante, após traçar seus objetivos, e procurar meios de evolução/excelência constantemente (tecnicamente, fisicamente e mentalmente). Trabalhefielmente dia a pós dia. E então com certeza seus sonhos podem se tornar realidade.

    Gostaria de compartilhar uma frase bíblica que meu pai me ensinou e sempre uso ela para me fortalecer : ”combati o bom combate”. Então, as futuras gerações eu desejo que vocês trabalhem duro e façam o bom combate internamente, sua disputa é com si mesmo. Jiayou!!!

    10- Qual o seu sentimento pelo wushu?

    MS:Esta é uma pergunta um tão pouco extensa para mim… mais em resumo, o Wushu se tornou uma filosofia de vida para mim. Ao decorrer desses 13 anos, eu tenho aprendido e aplicado muitas coisas em prol do meu elo com o Wushu . Cada vez que estudo e prático o mesmo, entendo o quanto e profundo e difícil, mais isto não me desanima, e sim me torna cada vez mais inspirada para estudar e aprender.  Sou muito grata a Deus por ter me dado a oportunidade de conhecer e estar aprendendo algo tão incrível que é o Wushu .

  • Entrevista Exclusiva com a atriz Juju Chan

    Entrevista Exclusiva com a atriz Juju Chan

    Atriz, artista marcial, modelo, cantora e escritora, Juju Chan nasceu na cidade de Hong Kong, no dia 02 de Fevereiro de 1989. Ficou muito conhecida no papel da Silver Dart Shi, do Tigre e o Dragão 2: Espada do Destino (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny) e recentemente estrelando Wu Assassins no papel de Zan, ambas produções da Netflix.

    Actress, martial artist, model, singer and writer, Juju Chan was born in the city of Hong Kong, on February 2, 1987.O kungfu.doc traz com exclusividade uma entrevista com a atriz, que gentilmente respondeu nossas perguntas. Confira na integra:

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    JuJu Chan

    kungfu.doc: Quais artes marciais você praticou? Desde que idade?

    Juju Chan: Comecei aos 10 anos com o judô porque essa era a escola de artes marciais mais próxima da minha casa. Conforme eu fui crescendo, eu fui aprendendo também Shotokan, Kung Fu, Tae Kwon Do, Boxe e Boxe tailandês. Depois que consegui minha faixa preta de Tae Kwon Do, fui selecionada para a Equipe de Hong Kong e comecei a competir no Tae Kwon Do, e pouco tempo depois, fui observado por uma escola Mauy Thai para entrar no clube e lutar por eles nos Campeonatos de Muay Thai.

    kungfu.doc: Por que você começou a treinar?

    Juju Chan: Eu entrei em artes marciais por causa do meu amor por filmes de ação, desde que eu era criança. Meu pai adora filmes de ação. Ele colocava um filme de ação na TV em casa quase todas as noites e, quando eu era criança, adorava copiar o que via na TV. Mas é claro que pode ser bastante perigoso para uma criança apenas copiar movimentos de artes marciais sem nenhum treinamento. Lembro-me de uma vez que estava copiando uma acrobacia que Jackie Chan estava fazendo na Hora do Rush, e quebrei o vidro da mesa de café em casa. Depois disso, meus pais me colocaram para aprender artes marciais.

    kungfu.doc: Qual é a sua arma favorita nas artes marciais?

    Juju Chan: Nunchaku. Eu amo como ele fluirá de acordo com o seu movimento com força e ritmo. Eu realmente amo usá-los, e realmente sinto falta deles quando estou em lugares onde não posso trazê-los.

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    JuJu Chan Nunchaku

    kungfu.doc: Qual foi sua primeira atuação como atriz?

    Juju Chan: No teatro no ensino médio.

    kungfu.doc: Você teve outros empregos além de ser atriz?

    Juju Chan: Já trabalhei em publicidade e programação de computadores.

    kungfu.doc: Você sofreu alguma lesão durante o treinamento ou como atriz?


    Juju Chan: Sim, hematomas são muito comuns. Também torci o tornozelo várias vezes durante o treinamento. E meu olho direito também se machucou algumas vezes. Já cortei algumas vezes no meu olho direito. As pessoas podem não perceber isso, mas meu olho direito é um pouco menor que o meu esquerdo. Acho que é de todos os ferimentos e impactos que tive ao longo dos anos no mesmo olho.
    Sempre há o risco de fazer filmes de ação e ser dublê. É por isso que é importante estar seguro. A segurança é tão importante. Além disso, quando você está cansado ou seu oponente está cansado e vê que algo não está certo, é melhor parar de treinar do que continuar, porque se você continuar e continuar e não ajustar algo ou apenas fazer uma pausa, as lesões são mais prováveis acontecer.

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    JuJu Chan em Tigre e o Dragão 2: Espada do Destino
    (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny)

    Eu estava filmandoO Tigre e o Dragão 2: A espada do Destino“, quando na minha última cena, precisamos realizar uma luta de espadas. Na verdade, filmamos várias takes e a última foi muito boa. Só por segurança, o diretor decidiu fazer mais um take, e é claro que foi quando me machuquei. Talvez a outra artista estivesse cansada, não sei porquê, mas ela cortou a espada mais cedo do que antes de eu terminar meu movimento e a espada acertou bem no meu olho direito. Foi muito doloroso. Era uma espada realmente pesada que entrou direto nos meus olhos. Eu fiquei com um hematoma enorme e não consegui ver por 10 dias. Eu realmente pensei que ficaria cega, mas, felizmente, não. E, felizmente, a tomada anterior foi boa, então eles usaram a tomada anterior e eu fui mandada para o hospital. Então, dois dias depois, tivemos nossa festa de encerramento. Muitas pessoas pensaram que eu não apareceria por causa de minha lesão nos olhos. Mas fiz um tapa-olho de borboleta vermelha muito fofa para cobrir meu olho direito e entrei na festa.

    kungfu.doc: Na série do Netflix “WU ASSASSINS”, qual foi sua maior dificuldade, e facilidade durante as cenas. Você usou dublês para as lutas ou fez suas próprias cenas? Qual é a sensação de ter feito esta série?

    Juju Chan: Eu interpretei Zan no Wu Assassins da Netflix – uma artista marcial de elite e tenente em uma tríade, e um guarda-costas de um comandante de alto escalão.O papel foi originalmente escrito para um ator/homem. Na verdade, eu estava me preparando para fazer um outro papel, a personagem Ying Ying, se você já viu a série.
    O criador da série gostou do meu visual e queria as habilidades que eu podia trazer para a série. Então, ele criou um novo papel de guarda-costas feminino para o chefe da Tríade da Chinatown de São Francisco, Zan, na série para substituir o personagem masculino original de guarda-costas.

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    Atriz JuJu Chan ao lado dos atores Iko Uwais e Mark Dacascos em Wu Assassins


    Os dois primeiros episódios já foram escritos quando eu fui escalada, então sou apenas um personagem em destaque nesses episódios. Mas Zan explode no programa no terceiro episódio com uma cena épica de luta na cozinha, e ela cresce a partir daí. Minhas cenas favoritas são a luta na cozinha no episódio 3, Zan invadindo a delegacia no episódio 8 e Zan assumindo o comando no episódio 9.

    Eu faço todas as minhas próprias lutas e cenas de ação em filmes. Devo dizer que sou SEMPRE desafiada, e preciso provar para mim mesma, pelo departamento de Dublês. Eu tenho duas coisas contra mim. Primeiro, eu sou atriz e não dublê. Os coordenadores de Dublês geralmente não confiam em atores com ação. E dois, claro, eu sendo uma mulher. Você terá sorte em encontrar mais de duas dublês femininas em alguns dos maiores filmes de ação, e as coordenadoras de dublês são extremamente raras em qualquer lugar. No final, trata-se de ganhar o respeito das pessoas com quem trabalha. Com todos os trabalhos que eu estive, no final das filmagens acabei trabalhando muito de perto e bem com as equipes de dublês.

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    JuJu Chan no Set de Wu Assassins com Diretor Stephen e o Ator Byron Mann

    De qualquer forma, é muito fácil ser dispensado por algumas pessoas quando eu quero me encarregar de minha própria ação, mas se eu não me forço para isso, minha experiência foi que eles colocaram uma dublê (ou um pequeno dublê) para fazer as lutas da atriz. E imediatamente parece genérico. Se você olhar para Jackie Chan, Sammo Hung, Donnie Yen e, claro, Bruce Lee, todos eles se encarregaram de suas próprias lutas, e todos têm uma expressão de assinatura para elas. Eu vejo a necessidade de fazer isso por mim.
    Eu certamente espero que, ao fazer isso, outras equipes de dublês estejam mais abertas a ouvir outras mulheres quando tiverem opiniões de ação, seja para brigar, andar a cavalo, dirigir ou qualquer outra habilidade relacionado ao papel do filme.

    kungfu.doc: Quem são seus ídolos na arte marcial e no cinema?


    Juju Chan:Para mim, minhas principais influências foram Donnie Yen e Jackie Chan. Eu acho que é por isso que eu faço muitos tipos de artes marciais. Antes deles, os filmes de Hong Kong eram sempre sobre o “Kung Fu Chinês” ser melhor. Mas se você olhar para Donnie Yen, suas artes marciais são muito mistas. Jackie Chan era mais sobre acrobacias e comédia, que eu certamente gostaria de explorar por mim mesma. Eu amei o fato de Jackie estar fazendo filmes americanos também. Também fui especificamente influenciada pela carreira de Michelle Yeoh. Adoro o que ela fez ao trazer as mulheres para a vanguarda da ação, não tanto no cinema chinês, que tem uma tradição de estrelas de ação femininas, mas pela maneira como ela fez isso em Hollywood. Antes dela, as “Bond girls” eram interesses amorosos ou uma inimiga. Eu amo que ela trouxe para a tela o que era na essência uma Bond feminina da China. E ela conseguiu continuar trabalhando no setor como uma mulher de ação! Espero conseguir fazer isso.

    kungfu.doc: Para seus fãs brasileiros, quais são seus novos projetos e trabalhos?


    Juju Chan: Tenho um filme “Hollow Point” que está agora na Fox Asia e no Netflix da Europa e do Reino Unido. E uma adaptação de quadrinhos de artes marciais, “Jiu Jitsu”, com Nicolas Cage, filmado em Cypress saindo neste verão (seria em julho aqui no Brasil).

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    Hollow Point
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    Filme Jiu Jitsu JuJu Chan e Nicolas Cage com atores e o diretor

    kungfu.doc: Que mensagem você gostaria de deixar ?


    Juju Chan: Sempre siga seu coração e sua paixão! Como artista, você nunca desiste quando enfrenta dificuldades ou desafios. Seja positivo e rodeie-se de pessoas inspiradoras. Você vive apenas uma vez, por isso, se ser um artista é sua paixão, ninguém o impede!

    Espero continuar melhorando minhas habilidades em artes marciais e adoraria interpretar um personagem legal de super-herói em filmes que possam mostrar minhas habilidades reais.

    O kungfu.doc gostaria de agradecer a atriz Juju Chan pela entrevista realizada via Instagram e Email. Estamos na torcida pelos seus próximos filmes e ainda queremos ver você em um papel como super heroína.

    Informações sobre a atriz e estrela de ação Juju Chan em suas redes sociais:

    Confira algumas fotos da Atriz JuJu Chan

  • Rotina da Atleta Edineia Camargo, durante isolamento social

    Rotina da Atleta Edineia Camargo, durante isolamento social

    A disseminação do novo coronavírus (Covid-19) alterou radicalmente a rotina de atletas de alto rendimento, principalmente com o fechamento temporário de academias, parques e demais locais destinados à realização de atividades físicas

    Durante o período de isolamento social, os atletas contemplados pelo programa Bolsa Atleta, concedido pelo Governo do Estado, por intermédio da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), mantêm os treinamentos em suas residências com a ajuda de utensílios domésticos e com acompanhamento técnico à distância. 

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    Para Edineia Camargo, atleta da seleção brasileira de Kung Fu Wushu (www.cbkw.org.br), o período de isolamento, serve para reflexão a respeito da importância do esporte em sua vida. “Me fez pensar em quanto amo o que faço e nas coisas realmente importantes, como família, amigos e pequenos gestos que, na correria do dia a dia, passavam despercebidos.

    Eu nunca imaginei que passaríamos por algo dessa forma, esse momento está sendo de muita mudança. Tive que adaptar toda minha rotina, como atleta e profissional. Os treinos que eram feitos em academia estão sendo realizados em casa, é claro que não tenho a mesma estrutura. As consultas de nutricionista e psicóloga estão sendo feitas online. Estou fazendo o melhor que eu posso na realidade que tenho. O calendário esportivo da minha modalidade do primeiro semestre foram canceladas todas as competições e estou aguardando notícias sobre o segundo semestre. Não é fácil pensar que talvez ficaremos longe das competições por algum tempo. Mas esse momento deve ser de resiliência, fé, esperança e otimismo por dias melhores no esporte e no mundo.

    Sanda Edineia Camargo

    “Consigo fazer em casa treino de flexibilidade, aeróbicos (pular corda, rounds), circuitos com exercícios funcionais voltados à luta, sequências de golpes específicos da minha modalidade, o Wushu Sanda com uso de manoplas e aparadores de chutes”, completa a multicampeã sul-mato-grossense na arte marcial chinesa (Wushu/Kungfu), que ainda realiza consultas online com nutricionista e psicóloga. 

    Fonte: Lucas Castro – Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte)http://www.fundesporte.ms.gov.br/ e Atleta Edineia Camargo.

    O Kungfudoc deseja sucesso para a atleta Edineia Camargo, nesta fase de isolamento social e estamos na torcida por dias melhores para a atleta, assim como para todos no mundo.

  • Bastão de Shaolin

    Bastão de Shaolin

    Temos certeza que os monges de Shaolin são especialistas na arte do bastão, mas suas informações e registros vem em forma de lendas.

    A primeira lenda é sobre os rebeldes, conhecidos como “Turbantes Vermelhos” (紅巾起義), tentaram atacar o Mosteiro de Shaolin, mas foram impedidos de atacar pelo Jinnaluo, ou em sânscrito Vajrapani, que tornou-se um gigante armado com um bastão, que acabou espantando os rebeldes.

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    Estela de Vajrapani (Narayana) de 1517 pelo abada Wenzai. O guerreiro está segurando um bastão.

    Vajrapani é um Bodhidattva protetor de Buda, que segundo a lenda, estava reencarnado em um modesto monge que trabalhava nos fornos carregando lenha. Existe várias versões sobre essa história, e a mais antiga registrada é a estela de 1517, com autoria do abade de Wenzai (1454 – 1524), A Divindade Narayana Protege a Lei e Expõe Sua Natureza Divina (Naluoyan shen hufa shiji):

    No vigésimo-sexto dia do terceiro mês do décimo-primeiro ano (xinmao) do período Zhizheng (22 de abril de 1351), na hora si (entre 9 e 11 horas da manhã), quando o levante dos Turbantes Vermelhors  (Hongjin) em Yingzhou [na atual Anhui ocidental] acabara de se iniciar, uma multidão de saqueadores chegou no mosteiro. Havia um santo (shengxian) em Shaolin, que até então tinha trabalhado na cozinha do mosteiro. Por vários anos, ele dedicadamente carregara lenha e conduzira o fogão. Seu cabelo era desgrenhado e ele estava sempre descalço. Vestia apenas suas calças e seu tronco estava sempre descoberto. Da manhã até a noite dificilmente pronunciava uma palavra, nunca chamando atenção de seus irmãos monges. Seu sobrenome era o nome de seu local de nascimento e seu primeiro nome era desconhecido. Ele cultivava constantemente todas as atividades de iluminação (wan xing).

    No dia que os Turbantes Vermelhos chegaram no mosteiro, o bodisatva empunhava um atiçador de fogo (huogun) e se manteve magistralmente sozinho no topo do destacado da colina. Os Turbantes Vermelhos ficaram horrorizados com sua imagem e fugiram, quando, então, ele desapareceu. As pessoas procuraram por ele, mas nunca mais foi visto. Apenas, então, as pessoas se deram conta de que era um Bodisatva expondo sua natureza divina. Desde então, se tornou o protetor das leis de Shaolin (hufa) e ocupou o lugar do “espírito guardião” do mosteiro (qielan shen).

    SHAHAR, 2008, p.121
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    Vajrapani sobre o Monte Song. Acima está o Bodisatva Avalokitesvara, de quem ele é considerado a reencarnação.

    Porém, essa versão é contestada pelo historiador Tang Hao, em Shaolin quanshu mijue kaozheng (p.55-62.), em que ele conta que o ataque aconteceu em 1356, e não em 1351, e que o mosteiro foi saqueado e parcialmente destruído. Esse fato é confirmado no em duas inscrições do século XIV, onde é comemorado a reconstrução do mosteiro nos primeiros anos da dinastia Ming e também há registros de dois epitáfios de 1373, sobre dois monges de Shaolin que viveram nesse período.

    Segundo Shahar (2008, p.132), os monges budistas impunham suas técnicas de combate às divindades budistas, pois ampliava o prestígio das técnicas de combate de Shaolin. Afirmar que certo método de combate possui origem divina, equivale a garantir-lhe a existência como objeto de veneração. Shahar (2008, p.132) também destaca para o fato que as divindades marciais como o Vajrapani livram os monges de suas responsabilidades pela criação de técnicas militares. Suas lendas, em relação a tal questão, poderiam ser lidas como apologias budistas à prática da violência pelos monges.

    Mas há estudiosos que reconhecem a característica defensiva do bastão, e como seu propósito não é de ferir ou matar ninguém, eles acabam justificando a arma como preferida dos monges budistas. Segundo Shahar (2008, p.149), isso é exemplificado por Cheng Dali:

    O bastão não é um instrumento afiado e, além disso, é feito de madeira. Seu poder de matar ou ferir é muito menor que o do facão, da espada e de outras armas afiadas de metal. Evidentemente, o uso do bastão de madeira é relativamente apropriado à condição de discípulos budistas, para quem o uso das artes marciais é permitido apenas visando objetivos limitados.

    Zhongguo Wushu, p.96

    Esse argumento acaba perdendo força em algumas literaturas militares, ficções e dramas, quando os bastões passaram a ser produzidos com ferro, se tornando uma arma letal, que era capaz de levar a morte. Esses bastões foram usados até por monges budistas em operações militares, que foi descrito por Wu Shu (1611-1695) em Registro de Armas (Shoubi lu, 1678).

    A forma de bastão não era limitado somente ao mosteiro, mas o exército do período Ming tardio já via a importância da arma para o treinamento militar. O general Yu Dayou utilizava o treinamento do bastão também para introdução de outros meios de combate, como facão e lança, por exemplo.

    Há relatos que por volta de 1560, Yu Dayou fez uma visita no Templo Shaolin para avaliar as técnicas de bastão pelos monges. Foi feita uma apresentação por 10 monges, e no final o general ficou descontente com o que viu e chegou a fazer uma demonstração com a sua técnica. Os monges pediram para que ele ensinasse suas técnicas, mas ele disse que precisaria de anos para aprender. Dois monges, Zongqing e Pucong, acabaram acompanhando o general e depois de três anos retornaram para o templo para passar seus conhecimentos.

    O bastão não era só de domínio dos monges budistas, mas a literatura ficcional e as lendas populares acabaram associando isso a eles, o que não significa que eles são os únicos que dominavam a técnica na época.

    Um dos primeiros registros sobre as técnicas de combate no templo Shaolin, foi o Livro da Disciplina Eficaz (Ji Xiao Xin Shu, c. 1562) escrito no século XVI. O contexto desse registro era na época que chineses e japoneses estavam atacando o leste da China, onde o general Qi Jiguang (1528-1588) escreveu os métodos de combate mais eficientes de formas de mãos livres e armas, onde ele cita sobre o bastão de Shaolin, que acabou não desenvolvendo muito sobre elas, e acabou dando ênfase as técnicas do General Yu Dayou. Nesse manual, Qi não fala de mais nenhuma técnica de mãos livres de Shaolin, e segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011, p.48), na opinião de Stanley E. Henning, esse fato pode ser explicado de diversas maneiras: o templo de Shaolin não havia desenvolvido técnicas de combate sem armas dignas de ser mencionadas; Qi não considerou as técnicas de luta de mãos vazias de Shaolin fossem eficazes; ou ainda as técnicas de lutas sem armas de Shaolin eram as mesmas que se praticava fora do templo.

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    khakkhara

    Antes mesmo do bastão ser utilizado como arma, ele era um objeto obrigatório dos monges budistas. Porém ele era um pouco diferente, pois tinham argolas em suas pontas. Seu nome em sânscrito é khakkhara, em chinês foi traduzido como xizhang. Segundo Shahar (2008, p.150), a palavra “xi”, que significa estanho ou latão, talvez se refira ao metal com o qual as argolas eram feitas, ou uma onomatopéia referente ao som que as argolas produziam.

    Fayun (1088-1158) fez uma análise sobre o nome xizhang, e percebeu a importância do som, que seria, primeiro para ajudar a espantar animais peçonhentos, segundo para avisar o proprietário de uma casa sobre a presença de um monge, e por ultimo o bastão pode somente servir como apoio a monges velhos e doentes em suas jornadas.

    No geral, é difícil apontar suas origens, mas pode-se dizer que por ser um utensílio obrigatório de um monge, eles abaram o transformando em uma arma, mas não podemos negar que ele teve um papel muito importante na história de Shaolin e acabou influenciando várias lendas a seu respeito.

  • Ip Man (葉問) – 1893 – 1972

    Ip Man (葉問) – 1893 – 1972

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    Para quem não é do estilo Wing Chun, quando falamos do Ip Man (葉問) lembramos que ele foi o primeiro mestre de Kung Fu de Bruce Lee, há alguns que lembram dele dos filmes protagonizados pelo Donnie Yen, “O Grande Mestre”, como é conhecido no Brasil, ou apenas “Ip Man”.

    Mas Ip Man teve uma grande relevância na história do Kung Fu. Ele nasceu dia 1 de outubro de 1893, na província de Foshan, Guangdong, China. Ele é o terceiro filho de quatro irmãos. Sua infância não foi tão severa, sua era família rica e bem estruturada e ele estudou em uma escola tradicional chinesa.

    Começou a treinar Wing Chun aos 11 anos com o mestre Chan Wah Shun, se tornando o 16º e ultimo aluno. Ele treinou Ip Man por 3 anos até ter um derrame, em 1909. Após o derrame, seu mestre parou de treinar e Ip man ficou treinando com um dos alunos mais velhos de Chan, o Ng Chung-Sok (吳仲素). Foi com ele que Ip man aprendeu todas as suas técnicas e habilidades.

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    Leung Bik

    Após a morte do mestre Chan Wah Shun, aos 16 anos, Ip Man se mudou para Hong Kong e frequentou uma escola para famílias ricas e estrangeiras que moravam na cidade, a St. Stephen’s College. Ele era muito habilidoso no Wing Chun, e sempre estava envolvido em brigas com colegas de escola. Depois de uns 6 meses que ele estava em Hong Kong, um dos seus colegas de classe, o Lai, falou para Ip que o amigo do seu pai lutava kung fu e queria uma luta amigável com ele. Ip aceitou o desafio, pois na época ele achava que ninguém poderia derrotá-lo, uma vez que ele derrotava muito fácil seus colegas devido a sua habilidade, mas acabou perdendo a luta para Leung Bik. Ip ficou inconformado com a rapidez que foi derrotado, e o desafiou para um novo duelo, e acabou perdendo novamente. Depois dessa luta bem desanimado com a derrota e nunca mais falou que sabia kung fu, mas seu amigo falou que Leung Bik perguntou por ele após a luta, mas Ip estava com vergonha de voltar. Porém, Ip Man descobriu que Leung Bik havia elogiado muitos suas técnicas e que ele era filho de Leung Jan que treinou com o Chan Wah Shun, seu mestre. Ip Man acabou treinando com Leung Bik até 1911, quando Leung faleceu.

    Em 1917,  Ip Man voltou a Foshan, tinha 24 anos e se tornou policial. Apesar de não ter uma escola de artes marciais, ele ensinou Wing Chun para vários policiais, amigos e familiares.

    Entre seus alunos mais conhecidos estão Chow Kwong-yue (周光裕), Kwok Fu (富), Lun Kah (佳), Chan Chi-sun (新), Xu He-Wei (徐 和 威) e Lui Ying (應 應). O Chow era o melhor deles, mas acabou parando de praticar para se dedicar ao comércio e  Kwok Fu e Lun Kah lecionaram em Foshan e Guangdong.

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    Ip Man e seus alunos

    Ele se casou com a Cheung Wing-Sing, com que eles tiveram seus filhos: Ip Chun, Ip Ching, Ip Nga-Sum, Ip Nga-wun.

    Ip Man participou da Segunda Guerra Sino Japonesa, onde morou com o Kwok Fu, e só retornou a Foshan depois da guerra. Em 1949, começou a treinar seu filho Ip Ching, e no mesmo ano, mestre Ip, sua esposa e sua filha mais velha chegaram em Hong Kong, através de Macau, após o Partido Comunista Chinês vencer a Guerra Civil, uma vez que Ip era policial do partido de oposição.Sua esposa e filha chegaram a voltar a Foshan para resgatar suas identidades, mas a fronteira entre China e Hong Kong foi fechada e eles foram separados para sempre.

    Ip resolveu abrir uma escola de Wing Chun em Hong Kong. No inicio não foi muito bem, seus alunos ficavam alguns meses e saíam, ele chegou a se mudar algumas vezes. Mas com o tempo alguns alunos foram se graduando em Wing Chun, abriram suas próprias escolas e acabaram duelando com outros artistas marciais, e claro, as vitórias aumentam a fama de Ip man.

    Em 1955, Ip Man conhece Shanghai Po, com quem manteve um relacionamento e teve um filho, o Ip Siu-wah. Como ele não havia se separado de Cheung, Po era como se fosse sua amante, e mesmo Ip não a apresentou formalmente a seus filhos, em 1962, quando eles foram a Hong Kong. Cheung morreu em 1960 em decorrência de um câncer, assim como Po, em 1968.

    Em 1967,  surgiu a Associação Atlética de Ving Tsun ( Wing Chun) (詠 春 體育 會) feita por Ip e seus alunos, com o objetivo de ajudar Ip Man a enfrentar as dificuldades financeira, pois, segundo relatos, Ip havia se endividado pelo seu vício em ópio.

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    Ip Man e Bruce Lee

    Ip Man morreu em 2 de dezembro de 1972, de câncer de garganta, sete meses antes da morte de Bruce Lee. Seu grande legado sem dúvida foi o Wing Chun, deixando vários alunos de grande destaque, são eles: Leung Sheung, Lok Yiu, Chu Shong-tin, Wong Shun Leung, Siu Yuk Men, Bruce Lee, Moy Yat, Ho Kam Ming, Chow Tze Chuen, Victor Kan, seu sobrinho Lo Man Kam e Leung Ting. Em Foshan existe um museu sobre o Mestre Ip com muitos artefatos da sua vida.

    A CGTN fez uma pequena entrevista com Leung Ting confira:

  • Jeet Kune Do

    Jeet Kune Do

    Absorva o que for útil, rejeita o que for inútil. Acrescente o que é especificamente seu. O homem, criador individual, é sempre mais importante que qualquer estilo ou sistema estabelecido.

    Bruce Lee

    Essa frase fala muito bem o que é o estilo de Bruce Lee, o Jeet Kune Do. E antes de falar sobre a parte técnica, é legal entender que Bruce era muito ligado as filosofias Taoístas, que falam basicamente de viver o momento, de simplicidade e mover-se conforme o fluxo.

    Dessa filosofia vemos claramente a famosa frase de ser como a água.

    Quando lemos o livro, o Tao do Jeet Kune Do, a presença da filosofia é muito clara.  Ele traz a luta como arte de revelação da alma, de expressão, assim como ele coloca muito a questão de meditação para ter uma mente vazia para luta, e a observação da técnica e dos movimentos dá a entender muito de estar presente no momento, estar focado.

    Engraçado falar do estilo de Bruce Lee, pois ele era contra estilos. Ele não era a favor de estilos por achar que isso deixava a pessoa engessada naquilo como se fosse lei, mas acreditava que havia outras possibilidades de ataque e defesa que podiam ser exploradas. Para ele, as lutas era algo que não se pode prever, por tanto o artista marcial tem que deixar fluir. Um exemplo claro do seu estilo de luta é que não tem uma posição de guarda fixa, ela varia de acordo com as necessidades. Bruce considerava o JKD como um laboratório de pesquisa.

    Não inventei um “novo estilo”, composto, modificado ou não, definido de forma distinta, além do método “este” ou “aquele”. Pelo contrário, espero libertar meus seguidores do apego a estilos, padrões ou moldes. Lembre-se de que Jeet Kune Do é apenas um nome usado, um espelho para ver “nós mesmos”. . . Jeet Kune Do não é uma instituição organizada da qual alguém possa ser membro. Ou você entende ou não, e é isso. Não há mistério sobre o meu estilo. Meus movimentos são simples, diretos e não clássicos. A parte extraordinária está na sua simplicidade. Todo movimento no Jeet Kune Do é tão por si só. Não há nada artificial nisso. Eu sempre acredito que o caminho mais fácil é o caminho certo. Jeet Kune Do é simplesmente a expressão direta dos sentimentos de uma pessoa com o mínimo de movimentos e energia. Quanto mais próximo do verdadeiro modo de Kung Fu, menos desperdício de expressão existe. Finalmente, um homem de Jeet Kune Do que diz que Jeet Kune Do é exclusivamente Jeet Kune Do simplesmente não está com ele. Ele ainda está pendurado em sua resistência de fechamento automático, neste caso ancorado ao padrão reacionário, e naturalmente ainda está vinculado a outro padrão modificado e pode se mover dentro de seus limites. Ele não digeriu o simples fato de que a verdade existe fora de todos os moldes; padrão e consciência nunca são exclusivos. Mais uma vez, deixe-me lembrá-lo que Jeet Kune Do é apenas um nome usado, um barco para atravessar alguém, e uma vez atravessado deve ser descartado e não ser carregado nas costas.

    Lee, Bruce (Setembro 1971)”Liberate Yourself From Classical Karate”, BlackBelt Magazine, Rainbow Publications, inc., vol.9 no. 9, p.24.

    O principio do Jeet Kune Do é a arte de interceptar punhos, Bruce Lee queria que seus alunos fossem mais rápidos que o agressor. Logo, no momento que o agressor se aproximar para atacar, é o momento perfeito para se interceptar o movimento.

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    Fonte: Treasures of Bruce Lee: The Official Story Of The Legendary Martial Artist – Paul Bowman (2013)

    O jeito de lutar de Bruce Lee, se é que podemos chamar assim, tinha fundamentos em Wing Chun, que foi a sua base de arte marcial, e esgrima que ajudaram a compor as técnicas de ataque enquanto defende. Esses dois estilos de luta ajudaram a criar conceitos de “parar o golpe e parar o chute” e “esquivar e socar simultaneamente”. Nesse estilo de luta também tem o arremesso, agarramento e imobilizações que vem de seus estudos sobre judô e jiu jitsu.

    Da esgrima também vem os trabalhos de pés, quando ele faz a movimentação frente e trás. Já as trocas na movimentação dos pés, que ele trabalha com muita leveza, são inspirados no boxe de Muhammad Ali. Além disso, Bruce usa muito uma postura do boxe em que ele fica com o pé e a mão direita a frente (southpaw horse stance), no filme “Vôo do Dragao” é possível ver muito isso, os jabs e cruzados vem da mão da frente com muitos chutes laterais.

    Além disso, Bruce Lee usa muito o chute oblíquo para interceptação de ataques ao invés de utilizar um o bloqueio de chute utilizando a perna mais alta. Nos ataques ele abusava de chutes nas canelas, joelhos coxas e barrigas, que vem do Savate, que segundo ele, são pontos mais próximos do pé o que deixa o ataque mais rápido e são mais difíceis de defender. Isso se enquadra na economia de movimentos que ele priorizava, pois segundo Bruce Lee, o simples funciona melhor, e é nesse momento que encontramos mais eficiência no ataque, com ataques rápidos, diretos e com muita força, até mesmo explosivos.

    Bruce Lee usa muito a questão dos ritmos, há relatos que ele já colocou até música para treino de ritmos. O ritmo do JKD é similar a esgrima ocidental, com ritmo irregular, meio tempo, um tempo e meio ou três tempos e meio.

    Mas para executar tudo que falamos anteriormente é preciso condicionamento físico. Para Bruce Lee o condicionamento é de extrema importância para que gaste o mínimo de energia e não tenha movimentos perdidos. O condicionamento também ajuda em uma maior eficiência para ataque rápidos e uma maior movimentação de pés.

    O Jeet Kune Do é muito relacionado ao MMA, pois o estilo de Bruce Lee não deixa de ser o que vemos nas lutas da atualidade. Alguns o consideram como o pai do MMA, mas não podemos negar que Bruce Lee foi um grande visionário na década de 70, por entender e estudar um estilo de luta que praticamente combinasse todos os estilos.

  • Bruce Lee – A Revolução no Cinema das Artes Marciais

    Bruce Lee – A Revolução no Cinema das Artes Marciais

    Como vimos nos artigos anteriores, o caminho de Bruce Lee no cinema não foi fácil, principalmente uma carreira nos EUA, mas ele ainda não desistiu da vida do cinema, e seu amigo James Coburn sugeriu que ele tentasse a carreira na Ásia. Ele fechou contrato com a produtora Golden Harvest de Raymond Chow (apesar de ser o mesmo nome não tem parentesco com a Ruby Chow), e em 1971 começou a carreira de sucesso dele. Na época ele fechou contrato para fazer 3 filmes, e seu plano era emplacar no cinema asiático e depois retornar para o cinema americano e fazer um filme de grande sucesso.

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    James Coburn e Bruce Lee

    A Golden Harvest era uma produtora pequena na época, e estava começando, e como não tinha recursos suficientes, Bruce Lee acabou apostando na produtora, pois a falta de recursos foi uma vantagem, já que tinha uma grande autonomia para rodar seus filmes. Ele podia interferir na direção, edição para fazer um filme que fosse do seu gosto, valorizando principalmente as cenas de luta.

    O primeiro filme foi “The Big Boss” (1971), ou O Dragão Chinês. A história é sobre um jovem, Cheng Chao, que sai da sua terra natal e vai para para a casa de seus tios para trabalhar em uma fábrica de gelo. Porém o dono é ligado a traficantes de drogas e mulheres. Cheng Chao e seus primos tentam acabar com a quadrilha lutando kung fu.

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    Bruce Lee nos bastidores

    O filme fez muito sucesso na época, com cenas de lutas jamais vistos no cinemas. Críticas o colocavam como o maior ator de artes marciais já visto. O filme bateu recordes milionários na Tailândia, Cingapura e Hong Kong. Ele se tornou a estrela dos filmes asiáticos.

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    Bruce Lee no filme “O Dragão Chinês”
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    Bruce Lee e Linda, a direita, na estreia do filme “O Dragão Chinês”, com Raymond Chow à esquerda

    Em 1972, veio o segundo sucesso de sua carreira, “Fist of Fury”, ou A fúria do Dragão, ou Chinese Connection, nos EUA. A história se passa em Xangai, em 1908, e Bruce Lee interpreta Chen, que junto com seus amigos enfrentam os japoneses que sempre ficam os insultando. O filme era totalmente focado na rivalidade entre China e Japão. Foi sucesso de bilheteria também, e o filme conta com muitas cenas de luta, que foi o que agradou o público.

    Foi nesse filme que começaram os desentendimentos, principalmente com os produtores da Golden Harvest. Ele pedia para repetir as cenas várias vezes e chegava a orientar os atores para explicar a maneira correta, na sua visão, de como aplicar o golpe.

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    Raymond Chow e Bruce Lee discutindo idéias para um novo filme
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    Bruce Lee no filme “A Fúria do Dragão”

    Há relatos que sua fama foi tão grande que lutadores, entre amadores e profissionais, iam até o set de filmagem para pedir um duelo e dizem que ele até pedia para gravar a luta para parecer real. E eram tantos que queriam desafiá-lo, que ele chegou a andar com guarda costas. Não sabemos até que ponto isso é verídico.

    No mesmo ano de Fist of Fury, saiu “The Way of the Dragon”, Vôo do Dragão, nessa produção Bruce chegou a discutir com os produtores da Golden Harvest. Ele queria ser diretor e roteirista. Seu desejo foi cumprido e ele foi diretor do filme, criou o roteiro e coreografou todas as cenas de luta. Na história, Tang Lung (Bruce Lee) vai até Roma para ajudar um amigo que está sendo ameaçado pela máfia local.

    Bruce chamou seu aluno, Chuck Norris, para fazer o personagem Colt, que era um dos gângsters. E quis gravar “a” luta em um dos lugares mais famosos de Roma. A cena de luta foi gravada em 3 dias, mas graças a perfeição de Bruce Lee, a cena se tornou um clássico nos filmes de kung fu. A qualidade técnica de ambos era impressionante, que a cada corte eles eram muito aplaudidos.

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    Bruce Lee e Chuck Norris

    Apesar de ser sucesso na Ásia, Bruce ainda queria chegar aos cinemas americanos.  Em entrevista para o jornal The South China Post, falou que havia muitas pessoas que queria se aproveitar da imagem dele e que chegou a recusar um convite para participar da máfia chinesa.

    Ainda sem ter um espaço no cinema americano, ele começou uma nova produção “Game of Death”, Jogo da Morte, nesse filme Bruce Lee seria Billy Lo, que teria que salvar sua namorada de gângsters. Mas para salvá-la ele teria que entrar em uma torre, tipo um pagode com cinco pavimentos, cada um deles tinha um lutador diferente com tipos de lutas diferentes: karatê, wing chun e esgrima por exemplo.

    O ultimo lutador era o aluno dele e jogador de basquete Kareem Abdul – Jabbar. Devido ao perfeccionismo de Bruce, as cenas com Kareem demoraram 10 dias. O filme em si demorou meses para ser feito e acabou não sendo finalizado por Bruce devido a sua morte. Para aproveitar o tempo gravado, e também um pouco da sua fama, principalmente após a sua morte, finalizaram o filme com outros atores que se pareciam com ele, um deles foi o Yuen Biao.

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    Bruce Lee e Kareem Abdul Jabar

    Como  a fama de Bruce já estava ecoando nos EUA, dois executivos da Warner, Fred Weintraub  e Peter Heller, procuraram Bruce Lee durante as gravações de Game of Death, para um projeto em Hollywood, o “Enter the Dragon”, ou “Operação Dragão”. Bruce aceitou o trabalho, voltou para os EUA para finalmente fazer o tão sonhado filme de produção americana.

    As gravações começaram em janeiro de 1973, mas o Bruce Lee faltou duas semanas no set com a desculpa que ele estava repensando melhor no roteiro. Ele entregou para o diretor, Robert Clouse, sequencias de lutas e até a posição da câmera para registrar essas cenas.

    A história é sobre uma vingança de um lutador do Templo de Shaolin pelo assassinato de sua irmã. Ele acaba indo para uma fortaleza cheia de bandidos em uma ilha e acaba enfrentando um a um.

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    Bruce Lee nos bastidores do filme “Operação Dragão”
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    Bruce Lee foi uma peça fundamental nas filmagens, principalmente na luta dos espelhos, ele trabalhou muito no movimento das câmeras para fazer as cenas de luta. Esse filme realmente fez ele se tornar uma lenda.

    O filme rendeu 100 milhões de dólares, sendo que ele nem custou 1 milhão.

    Em abril de 1973 acabou as gravações do “Enter the Dragon”, e em 10 de maio ele começou apresentar sinais que sua saúde não estava legal, se queixava de dores de cabeça com frequência.

    Ele havia voltado para Hong Kong para terminar as gravações de Game of Death, dentro da sala de edição ele se sentiu mal e desmaiou. Foi levado para o hospital Baptist de Hong Kong e chegou a entrar em coma, mas se recuperou dias depois.

    Com a vida intenção de gravação e treinamento, ele chegou a perder 6kg, além disso fumava haxixe e tomava muitos analgésicos, pois dizia que amenizava o stress.

    Bruce fez uma bateria de exames em Los Angeles e viram que ele tinha um acúmulo de fluido no cérebro devido a uma convulsão que ele teve antes de entrar em coma e receitou um remédio para epilepsia.

    Bruce estava ansioso e bem irritado para terminar as edições do filme Enter the Dragon, a Warner já tinha planos para estreia, algumas propostas de filmes e até entrevistas na TV marcadas.

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    Bruce Lee no filme Operação Dragão

    Bruce voltou para Hong Kong para terminar as gravações de Game of Death. Em junho teve outro desmaio em um restaurante com produtores da Golden Harvest, e foi diagnosticado como stress. Ele voltou aos trabalhos vendo roteiros e coreografando cenas de luta.

    20 de julho de 1973, Bruce Lee marcou um Raymond Chow uma reunião em um restaurante e  foi ate a casa da atriz Betty Ting Pei. Havia boatos que eles tinham um caso, uma vez que sempre andavam juntos.

    Ele sentiu uma forte dor de cabeça e tomou o remedio Equagesic e resolveu se deitar. Betty tentaram acordar sem sucesso e foi levado para o Hospital Queen Elizabeth, e as 22h30 foi confirmado sua morte. A causa da morte foi edema cerebral aguda devido a uma reação alérgica ao medicamento.

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    Steve McQueen prestando condolências ao túmulo de Bruce Lee (Bettmann/Getty Images) Fonte: https://www.foxnews.com/entertainment/bruce-lee-may-have-died-from-a-heat-stroke-new-book-claims

    Sua morte foi noticiada em todos os jornais de Hong Kong, uns dando ênfase por ser jovem e estar no auge da fama, outros dando destaque por ter morrido na casa de sua suposta amante.

    Mais de 50 mil pessoas compareceram ao funeral dele em Hong Kong, mas ele foi enterrado em Seattle, EUA, no dia 31 de julho.

    A causa da morte sempre foi motivo de investigações, uns dizem que foi overdose de remédios ou drogas, como haxixe e cocaína. Outros dizem que ele foi assassinado pela mafia chinesa uma vez que ele não se juntou ao grupo, outros até associam a morte por haver muitos inimigos que não gostavam de sua postura com relação as artes marciais.

    O filme Enter the Dragon foi lançado em agosto de 1973. Esse filme foi o maior sucesso de bilheteria que o Bruce Lee teve.

  • Bruce Lee – A vida nos EUA e a busca pela fama

    Bruce Lee – A vida nos EUA e a busca pela fama

    No último artigo, vimos que Bruce foi para os EUA para um nova vida, longe das confusões nas ruas de Hong Kong.

    Mas na sua ida aos EUA, o que muitos não sabem, é que ele foi com pouco dinheiro, e para resolver esse problema ele chegou a dar aulas de Cha Cha Cha no navio, na primeira classe. Ao contrário de muitas histórias, ele não foi sozinho, ele foi com seu irmão Peter e chegou a ficar na casa da sua irmã Agnes, em São Francisco, que lhe deu casa e trabalho.

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    Bruce Lee com o uniforme do exército

    Ele chegou a se alistar no exército, mas foi reprovado no exame médico, e acabou indo para Seattle. Lá ele procurou a amiga de seu pai, Ruby Chow, e acabou trabalhando como garçom em seu restaurante.

    Como ele sempre foi muito indisciplinado nos estudos, ele acabou se matriculando no Edison Technical College, para terminar o colegial.

    Em 1961, em uma apresentação, Bruce Lee conheceu um lutador de Judo que se impressionou com as suas habilidades, Jesse Glover. Ele foi o seu primeiro aluno que não era chinês. Isso atraiu muitos alunos de várias raças e etnias.

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    Bruce treinando a primeira turma na década de 60, em Seattle

    Bruce ficou conhecido e começou a a aparecer na TV local e nos jornais. No início ele não tinha local próprio e nem uniforme, então dava aulas em uma garagem. Depois ele abriu sua própria escola de artes marciais, a Lee Jun Fan Kung Fu Institute, e também deu aulas na Universidade de Washington onde se matriculou no curso de filosofia. Ele gostava de ler e isso iria aprimorar sua bagagem como professor de kung fu.

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    Bruce e alguns alunos da Universidade de Washington

    Muitas pessoas frequentavam as aulas, e uma delas chamou a atenção dele, a Linda Emery, também estudante de filosofia, por quem ele acabou se apaixonando. Começaram a namorar em outubro de 1963.

    Na mesma época ele escreveu o primeiro Livro Chinese Kung fu, “The Philosophic Art of Self Defense“, o livro teve poucas tiragens e tinha várias formas de vários estilos de Kung fu.

    Ele queria sair do restaurante, e logo pediu Linda em casamento, a contra gosto da mãe dela, e juntaram dinheiro e foram para Oakland. Casaram em 17 de agosto de 1964.

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    Bruce e seus alunos na Jun Fan Gung Fu Institute

    Abriu uma academia na cidade que logo fez sucesso. Ele preferia dar aulas particulares e não em grupo, mas na época foi muito rentável para ele a aulas em grupo. A academia recebeu pessoas de vários tipos: negros, brancos, asiáticos, estudantes, pequenos empresários, adolescentes e idosos. Isso incomodou a comunidade chinesa do local, que defendia que não podia se ensinar uma arte milenar oriental para não chineses. Começaram a telefonar para Bruce Lee com ameaças e até abordá-lo na rua.

    Ele não ensinava o kung fu tradicional. Ele ensinava uma mistura de técnicas que envolve wing chun, boxe, jiu jitsu, karatê, boxe tailandês.

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    Demonstrando o soco de uma polegada no Campeonato do Ed Parker

    Em Agosto 1964, foi participar de um torneio de Karatê do mestre Ed Parker, em Long Beach. Ele fez a apresentação do soco de uma polegada que impressionou todo mundo.

    Mais ou menos nessa época que ocorreu a história entre Bruce Lee e Wong Jack Man, que vocês podem conferir nesse link.

    Bruce Lee ficou famoso após esse evento e foi convidado pelo produtor de TV William Dozier a assinar com o 20th Century Fox para fazer o seriado “O Filho de Charlie Chan”

    O seriado não deu certo e Bruce foi atuar do lado de Van Williams no seriado Besouro Verde. Foi um grande sucesso e ele virou astro da série com golpes “mirabolantes” de kung fu, que eram inéditas na época. Bruce e Linda mudaram para Los Angeles, onde tiveram Brandon Lee, dia 1 de fevereiro de 1965.

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    Van Williams e Bruce Lee em uma foto publicitária para Besouro Verde

    Antes o casal queria viver com o que ganhavam na academia, e a Linda até pensou em abrir franquias no país, mas o Bruce se empolgou com a vida da tv e do cinema. Porém em julho de 1967, Besouro Verde foi cancelado.

    Abriu uma academia em Los Angeles, sem placa em Chinatown. Conseguiu mais alunos devido a sua fama, e muitos alunos famosos também, como Steve Mc Queen, James Coburn, Lee Marvin e James Garner, Joe Lewis, Chuck Norris, Bob Wall. Kareem Abdul -Jabbar e Roman Polanski tiveram aulas particulares.

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    Bruce Lee como Kato em Besouro Verde

    Bruce chegou a receber uma proposta para dar aulas em uma academia chamada “Kato’s Self Defense School“, mas ele recusou. No documentário Bruce Lee in His Own Words, ele disse:

    Achava divertido fazer o personagem, mas dar aulas numa escola com esse nome seria sabotar minha arte

    Bruce teve dificuldades em conseguir papéis em programas de TV devido a sua origem. No seriado Kung Fu, ele foi fazer testes por indicação, todos gostaram muito da sua atuação, mas acabaram chamando David Carradine pois os produtores da série achavam que se colocassem um chinês para o papel, o público não se identificaria com o personagem e não teria audiência. Isso gerou uma grande revolta, e ele até cogitou a voltar para Hong Kong, onde a série Besouro Verde também fazia sucesso, mas Linda o convenceu a ficar e continuar dirigindo as 3 academias que ele tinha, em LA, Oakland e Seattle.

    Ele passou dois anos tentando entrar na TV e no cinema sem sucesso. As dívidas começaram a aumentar já que não estavam dando mais lucro, ele chegou a ficar deprimido e emagrecer.

    Em 19 de abril de 1969 nasce Shannon, a segunda filha do casal.

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    Bruce, Linda e seus dois filhos, na década de 70

    Em 1970 a situação econômica ficou ainda pior para eles. Bruce Lee resolveu voltar a treinar, mas em uma intensidade maior. Em um dos treinos machucou as costas grave mente levantando um haltere. A lesão atingiu o 4 nervo sacral.Bruce ficou 6 meses no hospital de repouso, e nessa época de reflexão que ele começou a esboçar seu estilo de luta: Jeet Kune Do

    Bruce Lee compilou todas as suas anotações, que foram feitas aos longo de sua vida, com relação a luta, condicionamento físico, além de citações filosóficas budistas, taoístas e de autoconhecimento. Infelizmente o livro “O Tao do Jeet Kune Do” só foi lançado em 1975, anos após a sua morte.

    O desejo de Bruce Lee é o que o livro fosse  um guia e um registro de sua forma de pensar. A base do estilo é aprender a lutar com simplicidade, seu livro mostra como se deve lutar de uma maneira mais funcional.

    Depois da sua recuperação, ele voltou ao ritmo de treinos intensivos. Há relatos que ele se alongava vendo TV e treinava com halteres enquanto lia um livro. Bruce chegou a pesar 63kg com 1,71m.

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    Quando Bruce se mudou para a Califórnia e estava definindo seu corpo físico

    Continua…