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  • Cobra Kai – 5ª Temporada

    Cobra Kai – 5ª Temporada

    Finalmente saiu a 5ª Temporada e claro que já maratonamos e aqui pode conter spoilers!

    A quarta temporada deixou muitas brechas como o caso da Tory por ter ganhado o torneio por meio de suborno dos árbitros, o Miguel que foi atrás do pai dele e, claro, como ficou o dojo do Daniel e do Johnny pós vitória de Terry no torneio. Não podemos esquecer que Kreese acaba sendo preso por armação de Terry para poder tomar conta de todos os negócios do Cobra Kai.

    A nova temporada mostra como se tornou esse novo império do Cobra Kai comandado pelo Terry Silver e ainda trazendo novos personagens, como lutadores do mestre coreano de Terry para ajudar nessa expansão. Em resumo, é isso que traz a nova temporada, que também acaba solucionando todos os problemas deixados na última. Aliás foram muitas informações para apenas 10 capítulos de mais ou menos 40 minutos, porém ele não deixou grandes problemas para uma eventual 6ª Temporada.

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    Foto: Neflix

    Não foi ruim, muito pelo contrário, me deixou com vontade de ver sempre o próximo episódio. Foi tudo muito denso onde todos os personagens enfrentaram seus próprios demônios. Temos alguns destaques para a Sam que vem enfrentando problemas desde o episódio da escola, Kreese que mergulha também em suas questões junto a psicóloga da penitenciária, Daniel que revive o seu passado mais obscuro ao lado de Terry, Miguel que vai em busca do pai após uma decepção com o Johnny que vinha fazendo esse papel, e o próprio Johnny que tem que lidar com um lado paterno que ele não teve com o seu primeiro filho e agora contornar essa situação com Miguel e Robby sendo praticamente irmãos. Esses só foram alguns exemplos, porque cada personagem teve seu conflito e pontos de reflexão bem profundos, então se você espera uma temporada com mais luta, sinto lhe informar que o karatê virou um grande coadjuvante. (mas ainda tem cenas de luta, fique tranquilo.)

    Com esse cenário, se não renovassem para uma nova temporada não me deixaria surpresa. Até porque manter um padrão alto por muitas temporadas é uma tarefa difícil, mas acho que Cobra Kai soube fazer isso muito bem.

    Eu particularmente não vejo muitas perspectivas da série continuar e eu vou explicar o porquê com spoilers.

    O grande vilão da série sem dúvida foi Terry, desde o filme do Karatê Kid você percebe que ele, sem dúvidas, foi o cara mais louco e insano que passou por Daniel-san na trilogia. Com a prisão de Terry nessa temporada, você não tem mais nenhuma perspectiva ou força para se contrapor ao Daniel, por exemplo. Com a queda de Terry, cai o Cobra Kai, a não ser que Kreese volte a assumir, mas é voltar para algo que já aconteceu, ainda mais que Daniel e Johnny são amigos e aliados e não tem mais o que construir.

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    Foto: Neflix

    A série ganhou muito com as aparições dos personagens do filme original, tanto que os últimos dois personagens que faltavam aparecer na série são Jessica, interpretada pela Robyn Lively, e Mike Barnes, interpretado por Sean Kanan, ambos personagens do terceiro filme. Jessica foi amiga de Daniel e na série ela entra como prima de Amanda, o que acaba fazendo uma conexão de como eles se conheceram. E Mike é uma dos alunos de Terry, e que, por incrível que pareça, ele não entra como um vilão da história, mas sim como um cara que se arrepende dessa aliança que teve com Terry no passado, então ele vem para ajudar o Daniel.

    Eu gostou muito do retorno do Chozen, acho que ele cresceu muito na temporada, e ele vem para ser o “fiel escudeiro” de Daniel. Nessa temporada eles acabam comentando muitas questões que eles tiveram no passado e eles se acertam muito bem, deixando o que passou para trás.

    A esposa de Daniel, Amanda, foi muito importante na série, fez uma articulação muito legal para juntar as forças contra Terry e foi um grande suporte para o Daniel trazendo as raízes do Miyagi nos momentos mais difíceis do protagonista.

    Esse núcleo de Daniel, Amanda, Chozen, Johnny e Carmen ficou muito consolidado, muito unido. Foi legal de ver a amizade deles e é muito improvável que haja alguma ruptura entre Daniel e Johnny para uma nova temporada. O mais interessante na série é que Daniel sempre se acha o certo, sempre evitando conflitos mas essa temporada deu um grande chacoalhão nele, assim como Johnny dessa vez adota posturas mais ponderadas, vem buscando ajustar as coisas na sua família, chega até dar conselhos construtivos para Daniel e Miguel, por incrível que pareça, e é um personagem que finalmente deixou as mágoas para trás, se permitindo ser feliz.

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    Foto:Netflix

    O núcleo amoroso misturado com uma rivalidade eterna de Sam, Miguel, Robby e Tory finalmente se resolveu, ainda mais com Miguel e Robby fazendo as pazes porque praticamente viraram irmãos.

    A história do Miguel e o pai dele foi muito breve e rápida, não achei que agregou muito a história, se não tivesse, não faria diferença. E depois de ver a temporada, vi como uma forma de mostrar a resolução de uma possível ponta solta da série caso não seja renovada.

    No geral, a 5ª temporada traz muito o amadurecimento dos personagens, mas não deixa de ter seu lado mais leve principalmente com as cenas de Johnny Lawrence nesse processo de ter o controle da sua vida. Se for uma temporada de encerramento, acredito que ele deu um destino e um desfecho para os personagens e para aqueles que não ficaram muito claro, acho que a imaginação pode dar conta do final. Mas se confirmar uma nova temporada, dá pra ter uma continuação, porém Cobra Kai vai ter que surpreender.

  • Cobra Kai – 4ª Temporada

    Cobra Kai – 4ª Temporada

    Acho que eu cheguei bem atrasada para escrever essa crítica da temporada certo? Mas como perdi o timing de fazer esse post, acho que eu achei uma nova oportunidade de escrever, ainda mais com a chegada da 5ª temporada na Netflix dia 9 de setembro.

    O que eu vou fazer é um comentário dessa temporada, que pode conter alguns spoilers, e também vai ser um jeito de recapitular o que assistimos e estarmos mais preparados para a nova temporada.

    Bom acho que a maior expectativa dessa temporada foi a união de forças dos protagonistas da série, Johnny (William Zabka) e Daniel(Ralph Macchio). E claro que o “grande fio” dessa temporada foi a relação dos dois. Na verdade, eu considero essa temporada mais densa, muito focada nas questões e relações dos personagens.

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    Fonte: Netflix

    Voltamos aos protagonistas. Quem achou que ia ser fácil a relação dos dois, se enganou. Era muito nítido que não ia ser fácil. Logo no primeiro episódio vemos que o estilo dos dois é muito diferente e os alunos ficam bem confusos no que eles devem fazer. É legal que ao longo da temporada eles conseguem achar um caminho interessante de ambos experimentarem o estilo do outro como uma forma de entendimento, e assim eles fizeram com os próprios alunos. Quem era do miyagi-do foi treinar com o Johnny e vice e versa. Mas nesse ponto começa a se desenhar um ruptura entre os personagens e uma grande evolução de alguns deles.

    Nessa troca de alunos Daniel se aproxima muito do Miguel(Xolo Maridueña), que é considerado um filho para o Johnny, e ao mesmo tempo a Sam (Mary Mouser) vê no Johnny um ponto de vista totalmente diferente do seu pai, que sempre foi o seu conselheiro. Nessa hora ja se desenvolve um ciúme de ambos e acabam rompendo essa união e cada um continua com seus alunos.

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    Fonte: Netflix

    Sam e Miguel voltam a namorar e também tem suas crises na temporada. Sam ainda está muito perturbada pelos acontecimentos com Tory (Peyton List) nas duas ultimas temporadas e com sentimento de vingança. Isso acaba atrapalhando um pouco a relação dos dois personagens. Essa situação com a Tory também influencia muito na relação de Sam com seus pais, sentindo cada vez mais a necessidade de se impor e sair um pouco da proteção deles e a relação dela com Johnny contribui muito com isso. Em contra partida Johnny e Miguel tem a relação bem abalada ao longo da série pela aproximação de Daniel e Miguel. Assim como Sam, Miguel vê um novo ponto de vista, que ele não precisa ser um “bad-ass” e que existe um equilíbrio nas coisas. E Daniel entra como papel paternal que Miguel não teve, que Johnny estava tentando construir, uma vez que ele não teve o mesmo êxito com o seu filho Robby (Tanner Buchanan).

    Robby se volta contra todos principalmente com Sam que decidiu viver o seu amor por Miguel. Então acaba se rendendo ao Cobra Kai, por achar que está no seu próprio caminho. John Kreese (Martin Kove) e Tory foram muito importantes nessa influência. Robby teve um papel muito importante em dois arcos da série: ensinar o Miyagi-Do para o Cobra Kai, mostrando todas as fragilidades do estilo aos adversários, assim como ele foi uma especie de tutor para um personagem importante, o Kenny, com uma temática muito atual que é o Bullying.

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    Fonte: https://tinyurl.com/2p89pbn7

    Kenny (Dallas Dupree Young) é um garoto nerd, que na verdade tenta conquistar seu espaço em todos os núcleos da série. Ele sofre Bullying na escola, sendo atacado pelo filho de Daniel-san, o Anthony (Griffin Santopietro), que só quer provar que ele é o valente para os seus amigos. E é muito interessante o filho de um dos personagens que sofreu bullying e que é totalmente contra ser o “valentão”. Também Kenny sofre quando ele entra no Cobra Kai, quando os alunos, principalmente os que saíram do Cobra Kai, descobrem que ele entrou na escola adversária. Essa luta por sobreviver em vários grupos cria um personagem totalmente revoltado, que provavelmente vai ser muito importante para a próxima temporada.

    Tory também teve seus “perrengues” ao longo da série. Desde a temporada passada vimos que ela tem sérios problemas familiares, a Amanda(Courtney Henggeler), esposa de Daniel, entra como um papel fundamental de trazer um acolhimento para a Tory, mas também com o intuito de acabar com a “guerra” entre Sam e Tory que se intensifica nessa temporada.

    Não podemos deixar de mencionar dois personagens que foram esquecidos na terceira temporada e que agora voltaram, talvez para uma breve aparição: Aisha (Nichole Brown) e Arraia (Paul Walter Hauser). Eles que foram tão importantes na segunda temporada, principalmente no incidente da escola, e na terceira eles simplesmente sumiram. Mas nessa temporada eles apareceram, talvez porque os fãs devem ter se perguntado onde eles estavam. Aisha aparece como conselheira dessa nova fase de Sam, e o Arraia, aparece depois de ter sido liberado da condicional após o incidente e também é uma peça fundamental para o desfecho de Kreese nessa temporada.

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    fonte: https://tinyurl.com/4x2af5dz

    E por fim, temos sempre a sessão nostalgia com os filmes clássicos de Karatê Kid, e nessa temporada temos o retorno de Terry (Thomas Ian Griffith), o grande vilão do terceiro filme. Para quem não lembra, Terry foi ums dos professores mais loucos de Cobra Kai e foi exatamente ele que treinou o Daniel San. Mas Terry volta nessa temporada outra pessoa. Rico, fora do universo de lutas, e segundo ele fez terapia para superar a má fase, mas John Kreese vai atrás dele para voltar a dar aulas, e consegue despertar o lado ganancioso de Terry. Então ja deu pra perceber qual é o grande conflito de Kreese e Terry né?

    Bom acho que falei muito, e também deu pra relembrar bastante da temporada. No geral essa temporada focou bastante no crescimento e amadurecimento dos personagens. Como sempre a luta fica no plano de fundo, mas como disse no crítica da temporada anterior, isso não me incomoda em nada. O que mais tem me prendido na série é como eles conseguem, de forma criativa e muito boa, trazer essa nostalgia dos personagens clássicos e encaixar em um enredo que para mim não é nem um pouco cansativo. Tem muita coisa que dá pra contar e eles estão fazendo isso de uma forma muito criativa dentro do universo do Karatê Kid.