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  • Cobra Kai – 5ª Temporada

    Cobra Kai – 5ª Temporada

    Finalmente saiu a 5ª Temporada e claro que já maratonamos e aqui pode conter spoilers!

    A quarta temporada deixou muitas brechas como o caso da Tory por ter ganhado o torneio por meio de suborno dos árbitros, o Miguel que foi atrás do pai dele e, claro, como ficou o dojo do Daniel e do Johnny pós vitória de Terry no torneio. Não podemos esquecer que Kreese acaba sendo preso por armação de Terry para poder tomar conta de todos os negócios do Cobra Kai.

    A nova temporada mostra como se tornou esse novo império do Cobra Kai comandado pelo Terry Silver e ainda trazendo novos personagens, como lutadores do mestre coreano de Terry para ajudar nessa expansão. Em resumo, é isso que traz a nova temporada, que também acaba solucionando todos os problemas deixados na última. Aliás foram muitas informações para apenas 10 capítulos de mais ou menos 40 minutos, porém ele não deixou grandes problemas para uma eventual 6ª Temporada.

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    Foto: Neflix

    Não foi ruim, muito pelo contrário, me deixou com vontade de ver sempre o próximo episódio. Foi tudo muito denso onde todos os personagens enfrentaram seus próprios demônios. Temos alguns destaques para a Sam que vem enfrentando problemas desde o episódio da escola, Kreese que mergulha também em suas questões junto a psicóloga da penitenciária, Daniel que revive o seu passado mais obscuro ao lado de Terry, Miguel que vai em busca do pai após uma decepção com o Johnny que vinha fazendo esse papel, e o próprio Johnny que tem que lidar com um lado paterno que ele não teve com o seu primeiro filho e agora contornar essa situação com Miguel e Robby sendo praticamente irmãos. Esses só foram alguns exemplos, porque cada personagem teve seu conflito e pontos de reflexão bem profundos, então se você espera uma temporada com mais luta, sinto lhe informar que o karatê virou um grande coadjuvante. (mas ainda tem cenas de luta, fique tranquilo.)

    Com esse cenário, se não renovassem para uma nova temporada não me deixaria surpresa. Até porque manter um padrão alto por muitas temporadas é uma tarefa difícil, mas acho que Cobra Kai soube fazer isso muito bem.

    Eu particularmente não vejo muitas perspectivas da série continuar e eu vou explicar o porquê com spoilers.

    O grande vilão da série sem dúvida foi Terry, desde o filme do Karatê Kid você percebe que ele, sem dúvidas, foi o cara mais louco e insano que passou por Daniel-san na trilogia. Com a prisão de Terry nessa temporada, você não tem mais nenhuma perspectiva ou força para se contrapor ao Daniel, por exemplo. Com a queda de Terry, cai o Cobra Kai, a não ser que Kreese volte a assumir, mas é voltar para algo que já aconteceu, ainda mais que Daniel e Johnny são amigos e aliados e não tem mais o que construir.

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    Foto: Neflix

    A série ganhou muito com as aparições dos personagens do filme original, tanto que os últimos dois personagens que faltavam aparecer na série são Jessica, interpretada pela Robyn Lively, e Mike Barnes, interpretado por Sean Kanan, ambos personagens do terceiro filme. Jessica foi amiga de Daniel e na série ela entra como prima de Amanda, o que acaba fazendo uma conexão de como eles se conheceram. E Mike é uma dos alunos de Terry, e que, por incrível que pareça, ele não entra como um vilão da história, mas sim como um cara que se arrepende dessa aliança que teve com Terry no passado, então ele vem para ajudar o Daniel.

    Eu gostou muito do retorno do Chozen, acho que ele cresceu muito na temporada, e ele vem para ser o “fiel escudeiro” de Daniel. Nessa temporada eles acabam comentando muitas questões que eles tiveram no passado e eles se acertam muito bem, deixando o que passou para trás.

    A esposa de Daniel, Amanda, foi muito importante na série, fez uma articulação muito legal para juntar as forças contra Terry e foi um grande suporte para o Daniel trazendo as raízes do Miyagi nos momentos mais difíceis do protagonista.

    Esse núcleo de Daniel, Amanda, Chozen, Johnny e Carmen ficou muito consolidado, muito unido. Foi legal de ver a amizade deles e é muito improvável que haja alguma ruptura entre Daniel e Johnny para uma nova temporada. O mais interessante na série é que Daniel sempre se acha o certo, sempre evitando conflitos mas essa temporada deu um grande chacoalhão nele, assim como Johnny dessa vez adota posturas mais ponderadas, vem buscando ajustar as coisas na sua família, chega até dar conselhos construtivos para Daniel e Miguel, por incrível que pareça, e é um personagem que finalmente deixou as mágoas para trás, se permitindo ser feliz.

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    Foto:Netflix

    O núcleo amoroso misturado com uma rivalidade eterna de Sam, Miguel, Robby e Tory finalmente se resolveu, ainda mais com Miguel e Robby fazendo as pazes porque praticamente viraram irmãos.

    A história do Miguel e o pai dele foi muito breve e rápida, não achei que agregou muito a história, se não tivesse, não faria diferença. E depois de ver a temporada, vi como uma forma de mostrar a resolução de uma possível ponta solta da série caso não seja renovada.

    No geral, a 5ª temporada traz muito o amadurecimento dos personagens, mas não deixa de ter seu lado mais leve principalmente com as cenas de Johnny Lawrence nesse processo de ter o controle da sua vida. Se for uma temporada de encerramento, acredito que ele deu um destino e um desfecho para os personagens e para aqueles que não ficaram muito claro, acho que a imaginação pode dar conta do final. Mas se confirmar uma nova temporada, dá pra ter uma continuação, porém Cobra Kai vai ter que surpreender.

  • Cobra Kai – 4ª Temporada

    Cobra Kai – 4ª Temporada

    Acho que eu cheguei bem atrasada para escrever essa crítica da temporada certo? Mas como perdi o timing de fazer esse post, acho que eu achei uma nova oportunidade de escrever, ainda mais com a chegada da 5ª temporada na Netflix dia 9 de setembro.

    O que eu vou fazer é um comentário dessa temporada, que pode conter alguns spoilers, e também vai ser um jeito de recapitular o que assistimos e estarmos mais preparados para a nova temporada.

    Bom acho que a maior expectativa dessa temporada foi a união de forças dos protagonistas da série, Johnny (William Zabka) e Daniel(Ralph Macchio). E claro que o “grande fio” dessa temporada foi a relação dos dois. Na verdade, eu considero essa temporada mais densa, muito focada nas questões e relações dos personagens.

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    Fonte: Netflix

    Voltamos aos protagonistas. Quem achou que ia ser fácil a relação dos dois, se enganou. Era muito nítido que não ia ser fácil. Logo no primeiro episódio vemos que o estilo dos dois é muito diferente e os alunos ficam bem confusos no que eles devem fazer. É legal que ao longo da temporada eles conseguem achar um caminho interessante de ambos experimentarem o estilo do outro como uma forma de entendimento, e assim eles fizeram com os próprios alunos. Quem era do miyagi-do foi treinar com o Johnny e vice e versa. Mas nesse ponto começa a se desenhar um ruptura entre os personagens e uma grande evolução de alguns deles.

    Nessa troca de alunos Daniel se aproxima muito do Miguel(Xolo Maridueña), que é considerado um filho para o Johnny, e ao mesmo tempo a Sam (Mary Mouser) vê no Johnny um ponto de vista totalmente diferente do seu pai, que sempre foi o seu conselheiro. Nessa hora ja se desenvolve um ciúme de ambos e acabam rompendo essa união e cada um continua com seus alunos.

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    Fonte: Netflix

    Sam e Miguel voltam a namorar e também tem suas crises na temporada. Sam ainda está muito perturbada pelos acontecimentos com Tory (Peyton List) nas duas ultimas temporadas e com sentimento de vingança. Isso acaba atrapalhando um pouco a relação dos dois personagens. Essa situação com a Tory também influencia muito na relação de Sam com seus pais, sentindo cada vez mais a necessidade de se impor e sair um pouco da proteção deles e a relação dela com Johnny contribui muito com isso. Em contra partida Johnny e Miguel tem a relação bem abalada ao longo da série pela aproximação de Daniel e Miguel. Assim como Sam, Miguel vê um novo ponto de vista, que ele não precisa ser um “bad-ass” e que existe um equilíbrio nas coisas. E Daniel entra como papel paternal que Miguel não teve, que Johnny estava tentando construir, uma vez que ele não teve o mesmo êxito com o seu filho Robby (Tanner Buchanan).

    Robby se volta contra todos principalmente com Sam que decidiu viver o seu amor por Miguel. Então acaba se rendendo ao Cobra Kai, por achar que está no seu próprio caminho. John Kreese (Martin Kove) e Tory foram muito importantes nessa influência. Robby teve um papel muito importante em dois arcos da série: ensinar o Miyagi-Do para o Cobra Kai, mostrando todas as fragilidades do estilo aos adversários, assim como ele foi uma especie de tutor para um personagem importante, o Kenny, com uma temática muito atual que é o Bullying.

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    Fonte: https://tinyurl.com/2p89pbn7

    Kenny (Dallas Dupree Young) é um garoto nerd, que na verdade tenta conquistar seu espaço em todos os núcleos da série. Ele sofre Bullying na escola, sendo atacado pelo filho de Daniel-san, o Anthony (Griffin Santopietro), que só quer provar que ele é o valente para os seus amigos. E é muito interessante o filho de um dos personagens que sofreu bullying e que é totalmente contra ser o “valentão”. Também Kenny sofre quando ele entra no Cobra Kai, quando os alunos, principalmente os que saíram do Cobra Kai, descobrem que ele entrou na escola adversária. Essa luta por sobreviver em vários grupos cria um personagem totalmente revoltado, que provavelmente vai ser muito importante para a próxima temporada.

    Tory também teve seus “perrengues” ao longo da série. Desde a temporada passada vimos que ela tem sérios problemas familiares, a Amanda(Courtney Henggeler), esposa de Daniel, entra como um papel fundamental de trazer um acolhimento para a Tory, mas também com o intuito de acabar com a “guerra” entre Sam e Tory que se intensifica nessa temporada.

    Não podemos deixar de mencionar dois personagens que foram esquecidos na terceira temporada e que agora voltaram, talvez para uma breve aparição: Aisha (Nichole Brown) e Arraia (Paul Walter Hauser). Eles que foram tão importantes na segunda temporada, principalmente no incidente da escola, e na terceira eles simplesmente sumiram. Mas nessa temporada eles apareceram, talvez porque os fãs devem ter se perguntado onde eles estavam. Aisha aparece como conselheira dessa nova fase de Sam, e o Arraia, aparece depois de ter sido liberado da condicional após o incidente e também é uma peça fundamental para o desfecho de Kreese nessa temporada.

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    fonte: https://tinyurl.com/4x2af5dz

    E por fim, temos sempre a sessão nostalgia com os filmes clássicos de Karatê Kid, e nessa temporada temos o retorno de Terry (Thomas Ian Griffith), o grande vilão do terceiro filme. Para quem não lembra, Terry foi ums dos professores mais loucos de Cobra Kai e foi exatamente ele que treinou o Daniel San. Mas Terry volta nessa temporada outra pessoa. Rico, fora do universo de lutas, e segundo ele fez terapia para superar a má fase, mas John Kreese vai atrás dele para voltar a dar aulas, e consegue despertar o lado ganancioso de Terry. Então ja deu pra perceber qual é o grande conflito de Kreese e Terry né?

    Bom acho que falei muito, e também deu pra relembrar bastante da temporada. No geral essa temporada focou bastante no crescimento e amadurecimento dos personagens. Como sempre a luta fica no plano de fundo, mas como disse no crítica da temporada anterior, isso não me incomoda em nada. O que mais tem me prendido na série é como eles conseguem, de forma criativa e muito boa, trazer essa nostalgia dos personagens clássicos e encaixar em um enredo que para mim não é nem um pouco cansativo. Tem muita coisa que dá pra contar e eles estão fazendo isso de uma forma muito criativa dentro do universo do Karatê Kid.

  • O Grande Dragão Branco

    O Grande Dragão Branco

    Finalmente chagamos a época de ouro dos filmes de artes marciais, onde grandes atores de artes marciais foram revelados. Sim! Estamos falando da década de 80 e um dos grandes nomes da época foi Jean Claude Van Damme.

    Hoje não vou falar do filme que o revelou como um ator de filmes de artes marciais, mas sim de um grande sucesso, e sou muito suspeita de falar desse filme, que é “O Grande Dragão Branco”, ou “Bloodsport“, de 1988.

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    Jean Claude Van Damme – Fonte: IMDB

    Esse filme é baseado em fatos reais da vida de Frank Dux, interpretado pelo Van Damme, que é um militar americano que decide disputar um torneio super secreto e ilegal em Hong Kong, o Kumite. Esse torneio reúne os maiores lutadores de todo o mundo e a regra é que “não há regras”. Nesse torneio tudo pode, até a morte.

    Nessa trama toda nos deparamos com personagens chaves, que são os policiais que estão atrás do Dux que acabou fugindo do exército para participar do torneio. A repórter que quer tirar informações do evento para escrever sua matéria. Temos também o mestre de Dux, o Sr. Tanaka, que protagoniza uma das melhores partes do filme, na minha opinião. E claro, o grande vilão do filme o Chong Li, interpretado por ninguém menos que o Bolo Yeung, quem não se lembra dele no filme Operação Dragão com o Bruce Lee? Ah! E temos o Jackson, o amigo que o Frank Dux fez no torneio, é relevante? é…. mas eu particularmente não gosto dele.

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    Bolo Yeung – Fonte: IMDB

    Bom, história e personagens apresentados… agora vamos para as partes relevantes!

    Primeiro de tudo temos que destacar os filmes de artes marciais dessa época são totalmente “raiz”. Por que? Porque são realmente os atores que estão fazendo as cenas de luta sem efeito especial nenhum. E o mais importante sem pessoas voando e nenhuma “magia”, como está tendo nos filmes de hoje. E claro que temos que destacar que o Jean Claude Van-Damme vem do Karatê e do Kickboxing e a gente consegue ver isso no filme pela sua postura, pela sua habilidade em fazer os movimentos e os próprios chutes dele que são bem característicos, bem marcados e definidos. Bolo Yeung também tem sua experiencia em artes marciais, isso é fato, só foi meio difícil descobrir o que ele praticou mas é bem provável que seja Kung Fu.

    Como todo filme de artes marciais dos anos 70/80 temos as cenas de treinamento clássicas, e como eu sempre falo, são as melhores! Frank Dux protagoniza ótimas cenas com seu Sensei, Mr. Tanaka. Como sempre é naquele cenário no fundo da casa do mestre, onde o aluno apanha pra caramba e a gente consegue ver a grande evolução. E é claro que não podia deixar de faltar a cena para mostrar o alongamento em espacate que o Van Damme sempre tem. É clichê, mas é um clássico.

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    Fonte: IMDB

    No quesito lutas, acho que elas são muito bem coreografadas, até demais, mas isso não me incomoda, eu enxergo a luta nesses filmes mais fiéis ao real do que muitos filmes de hoje em dia que tem as pessoas voando, por exemplo. Eu sou um pouco suspeita, na verdade muito suspeita, porque eu gosto do estilo de filme dessa época. Como falei anteriormente, foi uma época importante para os filmes de artes marciais, tanto que realmente deu um boom nesse gênero. E quem ocidentalizou isso nos anos 70 foi o Bruce Lee, então considero esse período muito importante para a construção desse gênero de filme e que reflete até os dias de hoje.

    O Grande Dragão Branco pode não ter o melhor roteiro ou as melhores atuações mas pra mim ele é um filme excelente, um clássico que eu ja vi milhões de vezes e não canso. Gosto do Van Damme, gosto das lutas, gosto da trilha sonora e claro que toda a ambientação em Hong Kong junto com a trilha sonora nos anos 80 é muito nostálgico e realmente me remete aos filmes de Bruce Lee.

    Atualmente o filme se encontra na Apple Tv e na Amazon Prime somente para locação. Abaixo está o trailer para vocês sentirem o gostinho de como é o filme.

  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Pensei muito se colocaria esse filme aqui como um review, por um lado sim vale a pena pelas lutas por outro eu já entro em um campo de falar do filme em sua profundidade, que é o que faz o filme ser tão bom e grandioso. Mas como eu sempre venho aqui jogar um pouco de reflexões aos meus leitores, resolvi publicar esse artigo afim de abrir a mente para esse filme que não é um blockbuster, e segue um pouco mais essa linha independente, e claro não deixar de falar sobre as lutas.

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    Fonte: Columbus Monthly – https://tinyurl.com/msjxayxp

    Esse filme é um pouco complexo e qualquer informação adicional eu fico com receio de dar spoilers do filme. No geral é uma história que tem como personagem principal a Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma chinesa, que deixou seus pais para trás e foi viver nos EUA junto com seu marido, Waymond (Ke Huy Quan). Nos EUA, eles abrem uma lavanderia e tem uma filha a Joy (Stephanie Hsu). Além disso, o filme também conta com a grande atuação de Jamie Lee Curtis de Halloween (1978) e True Lies (1994).

    Mas você deve estar se perguntando “por que um enredo tão simples faz o filme ser tão grandioso?”, e é aí que o filme começa. A grande sacada do filme é que eles abordam o conceito do multiverso, mas não é aquele multiverso que vemos nos filmes da Marvel, por exemplo, mas o filme usa desse recurso para trazer novos caminhos para a narrativa e criar um lugar que tudo é possível e pode acontecer. Isso causa um certo estranhamento no começo, mas depois você entende que tudo isso tem um significado mais profundo e dá mais densidade a narrativa. É um filme que traz uma montanha russa de emoções, um filme que você ri e se emociona o tempo inteiro.

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    Fonte: BuzzFeed.News – https://tinyurl.com/2chyrxx2

    Acredito que eu consegui explicar o filme sem dar muitos spoilers. E onde entra a luta nisso tudo?

    Bom nessa loucura de multiversos, claro que não podia deixar de lado o kung fu tendo a Michelle Yeoh como protagonista, sem contar que o ator que interpreta seu marido na trama, Ke Huy Quan, é coordenador de dublê, seria um grande desperdício não usar dois grandes talentos.

    As cenas de luta lembram demais os filmes do Jackie Chan, muito bem sincronizadas e também utilizam objetos de cena no meio da luta, tem umas cenas que até tem referência a Matrix (1999). Mas não podemos deixar de mencionar os grandes coreógrafos do filme: Andy Le e Brian Le, que além de terem coreografado as cenas de ação, protagonizaram as principais lutas com a Michelle Yeoh.

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    Brian Le, Michelle Yeoh e Andy Le
    Fonte: Entertainment – https://tinyurl.com/3r89b4sr

    Andy e Brian são dublês e tem um projeto chamado Martial Club, onde eles gravam muitas cenas de lutas, às vezes com muito bom humor, coreografadas por eles mesmos inspirados em clássicos dos filmes de kung fu. Para quem não sabe Andy esteve recentemente no filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis interpretando o Agente da Morte (Death Dealer).

    Depois de ter colocado várias informações do filme vamos para as minhas considerações finais: Eu particularmente adorei o filme e recomendo muito. Inicialmente eu fui assistir o filme por conta da Michelle Yeoh, do Andy e do Brian Le, até porque eu já acompanho o trabalho deles há algum tempo, mas o filme me surpreendeu pela sua densidade e até em aspectos cinematográficos (isso é papo para outro lugar hahahaha) que a luta acaba sendo usada como um grande pano de fundo para o que a narrativa propõe.

    Eu assisti esse filme no cinema e na época já tinha poucas sessões, ainda mais que ele não veio pra ser um grande blockbuster, mas em breve acredito que ele vai estar em algum streaming. De qualquer forma fica o trailer para vocês sentirem um pouco o filme.

  • Bodhidharma e o Templo Shaolin

    Bodhidharma e o Templo Shaolin

    O que eu vou propor hoje é sair “um pouco da caixinha” como eu sempre proponho e mostrar um outro lado sobre a relação de Bodhidharma e as artes marciais de Shaolin. Achei algumas informações importantes que acho válido escrever um artigo só sobre isso.

    Primeiros de tudo temos que enfatizar aqui que muitas fontes ignoram a história das artes marciais antes da chegada de Bodhidharma no Templo Shaolin. Acredito que o Templo teve sim sua grande contribuição e participação nas artes marciais, mas temos que levar em consideração que foi um tempo de muitas guerras e é muito provável o desenvolvimento de lutas nessa época, e nem os templos estavam isentos nisso.

    Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011, p.41) O Livro de Wei (Weishu) diz que vários templos foram confiscado armas, e um historiado chinês chamado Kang Gewu diz que os monges praticavam jiao li como esporte. Isso desmente a crença que os monges desconheciam sobre as artes marciais antes de Bodhidharma.

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    Bodhidharma caminha sobre um caule lançado nas águas do rio Yangtzé (Estela de Shaolin, 1624)

    Bodhidharma era um monge indiano que foi para China, no monte Song, na região de Louyang nos anos de 480 e foi ele quem introduziu o budismo Chan no país de 480- 520. Algumas obras mencionam que eles esteve na região como Registro dos Mosteiros Budistas em Luoyang (Luoyang qielan ji) de 547 e também nos Registros Preciosos das Transmissões do Dharma(chuanfa baoji), que foi escrita 2 séculos após a sua chegada, e nessa obra ele fala sobre o templo ser um lugar de meditação e onde ele formou seus discípulos do budismo Chan. Porém nenhum deles cita a relação do monge com as artes marciais.

    No Registros Preciosos das Transmissões do Dharma também conta uma história famosa em que um dos discípulos de Bodhidharma, o Huike, amputa o próprio braço e dá ao monge para provar o desapego e em resposta ele foi levada a iluminação. Na obra Registro da Transmissão da Lâmpada do Período Jing (JIng de Chuangdeng lu), de 1004, acabou romantizando essa história.

    O grande motivo de várias histórias serem atribuídas ao Bodhidharma é que os escritores chineses tem o hábito de atribuir escritos a figuras lendárias. Nesse caso, muitos textos atribuídos ao monge foram escritos anos ou até mesmo séculos após a sua morte, e muitos deles estão relacionados com Qi Gong e artes marciais. Alguns dos textos atribuídos a ele são: Metamorfose de Tendões (Yi Jin Jing), Dezoito Mãos de Luohan (Shi Ba Luo Han), Limpeza da Medula Óssea (Xishui Jing), por exemplo.

    Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011, p.44), existe uma lenda para a atribuição desses textos, onde Bodhidharma deixou uma caixa de ferro com todas as suas obras com seus discípulos antes de ir embora, e a única obra que teria sobrevivido é a Metamorfose de Tendões (Yi Jin Jing), que na verdade foi escrita por um monge taoísta Zhongheng do Monte Tiantai em 1624, onde ele escreveu dois prefácios que acabou falsamente atribuído aos famosos generais Li Jing (517-649) da dinastia Tang e Niu Gao (1087-1147) da dinastia Song. Mas já foi comprovado por historiadores de artes marciais que esse livro é uma mistura de lenda e fatos históricos.

    Diante de todos esses fatos é difícil achar alguma relação dele com o Kung Fu, por exemplo. Mas é fato que ele sim esteve no Templo Shaolin para levar o Budismo Chan para a China. Além dos escritos no próprio templo tem a presença de algumas estelas (pedras com escritos) que mostram a relação do monge com o Templo Shaolin. A mais antiga é de 728 e a de 798 relata o episódio com o Huike.

    A obra Registro da Transmissão da Lâmpada do Período Jing é citada na estela de Shaolin:

    Depois que nove anos se passaram Bodhidharma quis retornar ao oeste, para a Índia. Então, ele comandou seus discípulos, dizendo: “o tempo está próximo; cada um de vocês deveria dizer que alcançou”

    Nesse momento, o discípulo Daofu respondeu: “Como eu vejo, a função do Tao consiste em não se ligar em escrituras e não ser parte das escrituras”.

    O mestre respondeu: “você alcançou a minha pele”

    A freira Zongchi disse: “Meu entendimento, agora, é de que isso é algo como a alegria de ver a terra búdica de Akshobhya: reconhecível a primeira vista, não reconhecível a segunda vista.”

    O mestre respondeu: “você alcançou a minha carne”

    Dayou disse: “Os quatro elementos são, na raiz, vazios, e os cinco skandhas não tem existência; do meu ponto de vista, não há um único darma que possa ser alcançado”

    O mestre respondeu: ” você alcançou meus ossos”.

    Finalmente, Huike, depois de fazer uma prostração, apenas permaneceu em seu lugar. O mestre falou: “Você alcançou a minha medula.”

    Segundo Shahar(2011, p.12), nesse texto a expressão “você alcançou a minha medula” foi para expressar metaforicamente que ele atingiu a essência dos ensinamentos, e que mais tarde isso ganharia uma interpretação totalmente diferente como na tentativa de associar Bodhidharma a arte marcial de Shaolin associando a “medula” com o nome de uma manual secreto – O Clássico da Limpeza da Medula (Xisui Jin) – que o Bodhidharma supostamente teria dado ao seu discípulo. Nessa obra contém as ginásticas secretas que permaneceu em segredo por mais de um milênio, e no século VII ele ressurgiu milagrosamente para influenciar as artes marciais.

    A devoção ao Bodhidharma era tão grande no mosteiro de Shaolin que em 1125, época que o budismo Chan estava ganhando mais popularidade, construíram um templo à 800 metros do mosteiro em sua homenagem. No templo você pode encontrar uma grande pedra com a imagem do monge gravada, pois acredita-se que ele ficou 9 anos meditando na caverna que sua sombra ficou impressa na pedra.

    Em resumo, Bodhidharma só esteve no Templo Shaolin para levar o Budismo Chan, o que acaba enfraquecendo a história que muitos conhecem sobre ele ter influenciado nas artes marciais. Ele pode ter influenciado de alguma forma? Pode! Quem sabe outros textos e evidências não sejam achados para nos provar o contrário? Mas eu não estou aqui para dizer o que é certo ou errado, mas sim para te mostrar o outro lado da história.

  • Taky Kimura e o Grande Legado do Jun Fan Gung Fu

    Taky Kimura e o Grande Legado do Jun Fan Gung Fu

    Recentemente recebi um comentário de um de nossos leitores aqui do nosso site, e ele perguntava o que havia acontecido com a academia e os alunos de Bruce Lee. Eu achei a pergunta muito legal, até porque acho que acabei ignorando esse fato todo esse tempo conhecendo a história de Bruce Lee. Ok, ele nasceu na China, foi para os EUA, montou a sua academia, criou seu estilo de luta, foi para o Cinema e faleceu.

    E realmente olhando para essa “ordem cronológica” existe uma ponta solta, o que aconteceu com a sua academia, o Jun Fan Gung Fu Institute, e seus alunos?

    A primeira pessoa que veio na minha cabeça foi Dan Inosanto, e de primeira foi nele que eu pensei que continuou seu legado, acho que é o nome mais conhecido na verdade. Mas na hora eu fui buscar se a escola dele tinha o mesmo nome da escola de Bruce Lee, e não tinha. Enfim, fui buscar pelo nome da escola, e já estava esperando encontrar escolas pequenas que podem ter se apropriado do nome, até para tentar vender o Jeet Kune Do “mais fácil”. Sim, tem muitas pessoas que dizem ensinar Jeet Kune Do, cuidado para não cair nessa, pesquisem bem a origem de todo esse conhecimento, até onde sei poucos no mundo são realmente certificados, enfim… vamos parar com a polêmica…

    Voltando as minhas buscas eu achei uma página no Facebook e acabei entrando no site dessa página. Lendo, vi que sim, era realmente o site da academia e, sim, ela existe! O grande responsável pela academia é o Taky Kimura.

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    Taky Kimura

    Taky Kimura nasceu em 12 de março de 1924, em Clallam Bay, Washington, EUA. Ele era descendente de japoneses, e ele e sua família logo foram colocados em campo interno durante a segunda guerra mundial, porque eles eram japoneses, mesmo ele sendo um cidadão americano.

    Nós argumentamos com eles porque o sistema educacional nos disse que somos iguais perante a constituição. Mas então (quando a guerra veio) tudo de repente mudou e fomos colocamos em campos internos, mesmo que a gente fosse cidadãos. o Serviço de seletiva  nos colocou numa categoria 4y, que era uma classificação extraterrestre , e eles nos falaram que tinham boatos que eles iam nos pegar e nos levar para uma ilha assim que eles pudessem se livrar de nós. De qualquer forma, eles nos colocaram em um campo.

    Taky Kimura

    No pós guerra, Taky conseguiu sair desse campo e foi em busca de trabalho, mas não conseguia um trabalho descente com o sentimento anti-japoneses do povo americano, isso o deixou desmoralizado e sem motivação. E foi nessa época, em 1959, que ele conheceu Bruce Lee. Ele, na época, tinha 18 anos e era cheio de energia, enquanto Taky tinha 36 anos e estava mentalmente devastado, mas Bruce começou a anima-lo, incentivando-o a comprar roupas novas para ele se sentir mais humano, uma vez que Taky ficava todo mal vestido e sem ânimo nenhum. Bruce o incentivou em tantas coisas, que Taky começou a se sentir melhor e logo se tornaram grandes amigos, tanto que ele foi padrinho de casamento de Bruce e Linda Lee.

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    Taky, Bruce e Linda Lee

    Taky assim que conheceu Bruce, já começou a treinar com ele se tornando um dos primeiros alunos de Bruce Lee nos EUA, ao lado de Jesse Glover, James DeMile, Ed Hart, Skipp Ellsworth e LeRoy Garcia. Taky foi aluno e assistente de Lee e juntos eles praticavam e treinavam muito.

    Bruce tinha um respeito muito grande por Taky, principalmente por sua moral, e desde 1964, Taky é instrutor do Jun Fan Gung Fu Institute em Seattle. Na verdade, ele foi o primeiro instrutor da academia de Lee, e foi ele que assumiu a academia quando Bruce decidiu ir para a California tentar a carreira como ator. Bruce chegou a chamá-lo para ir com ele, mas Taky decidiu ficar e se dedicar a academia.

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    Taky e Bruce

    Taky nunca aceitou alguma compensação por seu trabalho em nome do Bruce Lee, e, além de ter ter carregado o caixão após a morte de Bruce, ele cuidou muito discretamente de seu túmulo por 30 anos. Isso demonstra muito a relação muito profunda que eles tinham um pelo outro. Ele é um homem muito respeitado na comunidade de Bruce Lee, e é um exemplo muito positivo do impacto da filosofia de Bruce Lee. Tanto que Taky e mais duas pessoas no mundo foram pessoalmente certificadas por Bruce Lee para ensinar sua arte marcial, o Jun Fan Gung Fu e o Jeet Kune Do. As outras pessoas são Dan Inosanto e James Yimm Lee (Nenhuma relação com Bruce Lee).

    Infelizmente, Taky kimura morreu em sua casa dia 7 de janeiro de 2021, aos 96 anos, e deixou alguns instrutores certificados de Jun Fan Gung Fu, e um deles é seu filho Andy Kimura, que ainda dá aula no Jun Fan Gung Fu, em Seattle.

    Abaixo fica um vídeo de um mini documentário sobre Taky Kimura. E agradeço o nosso leitor pelo insight de trazer um tema diferente para o nosso site!

  • Jet Li (李连杰)

    Jet Li (李连杰)

    Jet Li, ou Li Lianjie (nome de batismo), nasceu dia 26 de Abril de 1963, em Beijing na China. Ele era o caçula de cinco filhos, e a vida de sua família não foi fácil depois da morte de seu pai, quando ele tinha dois anos.

    Em 1971, quando tinha oito anos ele se matriculou na escola Beijing Amateur Sports, onde começou a estudar Wushu em um programa de verão. Ele foi um dos poucos estudantes que continuaram o treino depois desse programa, e nessa época já era visível o talento que ele tinha para artes marciais, seus treinadores Li Junfeng e Wu bin foram os que mais se esforçaram para ajudar a aprimorar suas técnicas. Jet li atingiu um nível tão bom, que aos nove anos ele ganhou um prêmio de excelência no Campeonato Nacional de Wushu. Devido sua grande habilidade e velocidade no Wushu, seu apelido virou Jet, e que acabou dando origem ao seu nome artístico.

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    Jet Li e o Time de Wushu

    Wu Bin teve um papel importante para a vida de Li, pois após a morte do pai, ele e sua família viveram na pobreza, e Bim chegou a comprar carne para o Jet Li e para a família, até porque a alimentação era muito importante na vida de um atleta.

    Em 1974, ele ganhou seu primeiro campeonato nacional, e acabou fazendo uma turnê mundial para fazer algumas apresentações, e uma delas é muito conhecida onde ele se apresenta para o Presidente Richard Nixon, na Casa Branca dos EUA. O presidente dos EUA até o chama para ser seu guarda costas pessoal, e o pedido foi negado por Li.

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    Jet Li e Presidente dos EUA Richard Nixon

    Quando ele tinha doze anos ele sofre um pequeno acidente em um campeonato, os Jogos Nacionais da China, cortando sua cabeça com o seu Facão (Dao), mas isso não impediu que ele ficasse em primeiro lugar. Ele era muito talentoso a ponto de ganhar um título, em 1979,  de Campeão Nacional de Wushu na China.

    Meu primeiro lugar me causou uma grande sensação porque eu era muito jovem. Eu tinha 12 anos, e os outros dois medalhistas tinham entre 20 e 30 anos. Durante a cerimônia de premiação, enquanto eu estava no topo do pódio, eu era ainda pequeno do que o segundo e o terceiro lugar. Deve ter sido uma visão e tanto.

    Jet Li China’s Internet Celebrity

    Alguns estilos de wushu que o Jet Li é especialista: Chang Quan (punho longo do Norte) e Fanzinquán. Outros estilos e acabou estudando como Baguazhang, taijiquan, Xing Yi Quan, Zui Quan (Estilo do Bêbado), Ying Zhao Quan (Garra de águia)e Tanglangquan (Louva-a-deus). Ele também tem grande habilidades em algumas armas como Sanjiegun (bastão de 3 seções), Gun (Bastão longo de Wushu), Dao (Facão), jian (espada reta).

    Aos 18 anos, Jet li decidiu se aposentar do Wushu, depois de uma lesão no joelho, mas ele continuou sendo assistente de treinador do time de Beijin de Wushu por alguns anos.

    Li decide seguir sua carreira no cinema, e em 1982, saiu o filme Shaolin Temple, e foi um sucesso na China, e logo ele já virou um astro. O filme fez tanto sucesso que ele acabou filmando mais duas sequências. Em 1986, ele se aventurou em dirigir um filme, o Born to Defend (Nascido para Vencer), mas não fez muito sucesso.

    Em 1987, Jet li se casa com a estrela do filme Kids from Shaolin, e também membro o time de wushu de Beijing, Huang Qiuyan, com quem teve duas filhas, mas se divorciaram em 1990.

    Em 1988, ele decidiu ir para os EUA para tentar uma carreira de sucesso no país, mas ele conseguiu nenhum grande papel, até porque ele não tinha um inglês muito bom. Jet Li acaba indo para Hong Kong, e nessa época os filmes de  kung fu estavam no auge, e ele consegue um grande papel, em 1991, em Once Upon A Time in China (Era uma vez na China) interpretando o Wong Fei Hung e nos filmes do Fong Sai-Yuk.

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    Jet Li como Fong Sai Yuk (1993)

    Outros filmes muito conhecidos desse período foram Tai Chi Master (Batalha de Honra – 1993); Fist of Legend (Lutar ou Morrer – 1994) que foi um remake do clássico do Bruce Lee, Fist of Fury (Dragão Chinês); e claro que tem muitos outros títulos que para uma fã como eu já vi vários, mas tentei deixar os mais relevantes.

    No meio da década de 90, foi um período conturbado para o cinema chinês, essa influência negativa no cinema veio da má fase da economia asiática e também de algumas coisas da China Comunista.  Isso deixou Jet Li cansado preparado para se aposentar. Ele acabou focando bastante na sua vida espiritual estudando Budismo Tibetano, mas seu mentor disse para ele continuar no seu trabalho.

    Logo Jet Li conseguiu um papel em um filme americano, Lethal Weapon 4 (Máquina Mortífera 4), para interpretar o vilão do filme, com Mel Gibson e Danny Glover no elenco. Nessa época, ele se mudou para Los Angeles e faz um intensivo de inglês para fazer o filme. Foi o grande salto na carreira do Jet Li, que ficou muito conhecido na América, e muitos dizem que ele foi o grande destaque do filme. Seu próximo sucesso americano foi Romeo Must Die (Romeu Tem que Morrer), uma adaptação urbana da obra de Shakespeare, Romeu e Julieta. Jet Li foi muito elogiado pela revista Time, e o filme arrecadou $100 milhões.

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    Jet Li com Danny Glover e Mel Gibson em Máquina Mortífera 4 (1998)

    Em 1999, ele se casa com Nina Li, uma atriz de Hong Kong, com quem teve mais duas filhas. E em uma entrevista ele disse que recusou o papel de Li Mu Bai, que foi dado ao Chow Yun-Fat, do sucesso Crouching Tiger, Hidden Dragon (O Tigre e o Dragão), pois ele havia prometido para a sua esposa que não aceitaria nenhum trabalho quando ela engravidasse. Além desse trabalho, ele recusou outros papeis como interpretar o Seraph na trilogia de Matrix, pois ele acreditava que o papel não precisaria das suas habilidade e que o filme já era icônico e impressionante para colocar o nome dele no elenco. O nome de Li também estava no elenco do remake de The Green Hornet, para interpretar Kato, nos anos 2000, mas houve mudanças de estúdio em 2001, e quando o filme foi pra frente isso era só em 2011 e o papel já ficou com o ator Jay Chou.

    Depois do nascimento da sua filha, Jet Li já viajou para Paris para gravar Kiss of the Dragon(O Beijo do Dragão), onde ele interpreta um policial que luta contra a corrupção na polícia francesa. Esse filme foi dirigido e produzido por Luc Besson com Bridget Fonda no elenco. Foi outro grande sucesso de ação, porém Jet Li postou uma nota falando que a classificação indicativa do filme era alta e não era apropriado para crianças, e que o próximo filme, The One (O Confronto) seria mais indicado para a família.

    The One chegou em 2001 e não foi muito bem aceito pela crítica. Nesse filme Jet Li interpretava dois personagens, um era bom e outro era o “do mal”. Depois desse filme, ele volta para a China para fazer o filme Hero (Herói), que saiu em 2002, do diretor Zhang Yi Mou, interpretando o papel de um guerreiro na China antiga. O filme fez muito sucesso, chegando a ganhar $17.8 milhões na primeira semana, um record para um filme asiático. Além disso, o filme concorreu concorreu ao Oscar de Filme estrangeiro em 2003.

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    Jet Li em Herói (2002)

    Em 2003, depois do sucesso de Hero, Jet Li deu a voz e também fez algumas cenas de luta para o jogo do PlayStation 2, Rise to Honor e também participou do filme Cradle 2 the Grave (Contra o Tempo), do mesmo produtor de Romeu Must Die (Romeu tem que Morrer), e em 2005, fez o filme Unleashed (Cão de Briga).

    Jet Li é muito ligado com a espiritualidade, medita pelo menos 1 hora por dia, e ele sempre olhou seu trabalho como uma forma de mostrar a filosofia do budismo pelas artes marciais para os americanos. Mas em uma entrevista para o Men’s Health, ele disse que estava triste que as pessoas só davam importância para as lutas.

    Sempre que eu trabalho nos EUA, as pessoas mais jovem falam ‘Yeah Jet Li! Você chuta (bunda), blá, blá, blá’. Às vezes me sinto triste, porque eu só mostrei para eles que artes marciais machucam pessoas. Eu não tive a oportunidade de mostrar para eles que a coisa mais importante não é chuta (a bunda) de pessoas. Se você entende a cultura ocidental e oriental, você vai entender o equilíbrio do Yin-Yang. Talvez voce cresça. A arte marcial tem três níveis, o primeiro é físico, fazendo seu corpo uma arma; o segundo é usando a psicologia para ajudar nas batalhas; e o terceiro é alcançar a paz interior.

    Jet Li

    A espiritualidade é tão presente em Jet Li que ele chegou a passar 3 meses no Tibet estudando Budismo. E uma entrevista ele conta que não teme a morte e que pensamentos como esse fazem com que viver o presente seja mais precioso. Esse fortalecimento espiritual faz com que ele também consiga lidar bem com o sucesso e o fracasso.

    Jet Li estava nas Ilhas Maldivas quando houve uma tsunami no sul da Ásia, em dezembro de 2004. Ele e sua filha de quatro anos estavam no lobby do hotel quando a onda veio. Ele acabou machucando seu pé quando ele tentava correr para se salvarem. Logo depois ele posto uma mensagem falando que ele estava bem e incentivou as pessoas a ajudarem os sobreviventes da tsunami.

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    Jet Li em o Mestre das Armas (2006)

    Em 2006, ele foi estrela do filme Fearless (O Mestre das Armas), interpretando o famoso Huo Yuanjia e nessa época ele falou que seria seu último filme de Wushu. O filme foi um sucesso de bilheteria nos EUA chegando em segundo lugar no primeiro final de semana.

    Eu entrei no cinema de artes marciais quando eu tinha apenas 16 anos. Eu acho que eu provei minha habilidade nesse campo e não faria sentido para mim continuar por mais 5 ou 10 anos. Huo Yuanjia é a conclusão para a minha vida como uma estrela de artes marciais.

    Jet Li

    Apesar de declarar seu o seu último filme de Wushu, ele disse que continuaria fazendo filmes de outros gêneros. Ele planejou continuar atuando em filmes de artes marciais onde ele lidaria mais com questões de religião e filosofia.

    Em 2007, ele fez o filme War com o Jason Statham, mas foi um fracasso de bilheteria nos EUA, comparado com grandes sucessos como Kiss of the Dragon, Unleashed, e até mesmo Fearless. No final desse ano ele retornou para a China e participou do filme The Warlords com o Andy Lau e Takeshi Kaneshiro, um filme mais denso e dramático onde ele recebeu o prêmio de melhor ator no Hong Kong Film Award.

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    Jackie Chan e Jet Li nos bastidores de O Reino Proibido (2008)

    Jackie Chan e Jet Li finalmente fazem um filme juntos em 2008, The Forbidden Kingdom (O Reino Proibido), baseado na lenda chinesa do Rei Macaco. Também nesse ano ele fez o vilão, Imperador Han, no filme The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (A Múmia: a Tumba do dragão Imperador) ao lado de Michelle Yeoh e Brendan Fraser.

    Longe dos dos cinemas, em 2009, Jet Li lançou seu programa de exercícios físicos chamado Wuji. Esse programa é uma mistura de artes marciais, yoga e pilates. Em 2011, ele e Jack Ma criaram o Taiji Zen, um programa online combinando o Taijiquan e práticas de meditação.

    Depois de uma janela sem aparecer nos cinemas, Jet Li aparece nos cinemas com o filme The Expendables (Os Mercenários), em 2010, com um grande elenco dos filmes de ação. Esse filme ganhou sequência em 2012 e 2014. Na China, em 2011, ainda participou de algumas produções de Wuxia (um tipo de gênero de filme que envolve fantasia e artes marciais) como The Sorcerer and the White Snake e Flying Swords of Dragon Gate . Uma das suas últimas produções recentes é o Live-Action de Mulan, que estreou em 2020 na Disney, onde ele interpreta o imperador da China.

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    Jet Li (direita)

    Uma das últimas noticias que chocaram os fãs foi uma foto publicada em 2018, em que o ator parece muito debilitado e envelhecido. Na verdade ele sofre de hipertireoidismo desde 2010, uma doença que pode acelerar seu coração mesmo em repouso e mudar o metabolismo do corpo. Devido a isso ele não pode exercícios físicos excessivos. Mas, segundo ele, seu sumiço nos cinemas não foi por conta de sua doença, mas por conta de seus trabalhos filantrópicos, onde ele é muito engajado.

  • Kung Fu Origens: Idade de Aço – Idade Moderna

    Kung Fu Origens: Idade de Aço – Idade Moderna

    No nosso último artigo (se não conferiu, pode clicar aqui), falamos sobre a pré história até a idade de ferro, na dinastia Qin, com o início do shoupo(boxe) e juedi(wrestling) na China.

    Continuaremos nossa história com a dinastia Han(207 BCE – 220CE), e nesse período a China estava travando várias batalhas contra os Hunos, que eram uma tribo do norte da China. Eles utilizavam um facão de um fio, que era muito superior a espada de dois fios do exército chinês, mas mesmo com essa desvantagem, o exército de Han conseguiu derrotar os hunos, e acabaram se apropriando dessa arma, o facão, que foi muito superior nas batalhas.

    Um termo muito popular na época para artes marciais era o wuyi. Esse termo incluía: tiro com arco, cavalaria, levantamento de peso, boxe, wrestling, combate desarmado, luta com armas e sparring.

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    Imperador Wu

    Os mais populares eram o shoupo(boxe) e o juedi(wrestling), e quem ajudou nessa popularidade foi o Imperador Wu(141 – 87 a.C), que era praticante de juedi e organizava competições que atraía muitos espectadores. O shoupo era praticado com short, não utilizavam luvas e não tinham regras muito seguras. O juedi era mais seguro, os competidores não podiam golpear ou chutar e ainda ganhavam pontos jogando o oponente no chão.

    Nessa época, os mestres da espada era muito populares e respeitados, e não era só restrito aos homens, mulheres também eram muito habilidosas nessa arte. As técnicas de espada eram passada como se fossem em taoulus (katis), e as donzelas da época faziam performances com esses taolus como sem fossem uma dança, mas também havia disputas entre artistas marciais muito bem treinados.

    A dinastia Han contribuiu muito para as informações que temos hoje sobre o Kung Fu. Foram escritos vários documentos nessa época com táticas de guerra, textos sobre espada, métodos de tiro, e houve alguns escritos sobre o shoupo, mas, infelizmente, esses textos não foram encontrados, e esses métodos foram conhecidos por outras fontes. Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011), o historiador Ma Mingda fala que na dinastia Han, o shoupo incluía 4 elementos básicos da luta sem armas: golpear com as mãos (da), chutar (ti), derrubar (shuai) e controlar as articulações (na).

    Em 1973, foi encontrado na província de Hunan, uma pintura em seda, datada da dinastia Han, que mostra pessoas fazendo uma série de exercício. Não se sabe ao certo o significado dessas imagens, uns falam que é um manual de kung fu, outros falam que é um exercício de ginástica (dao yin).

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    L0036007 Daoyin tu – chart for leading and guiding people in exercise
    Credit: Wellcome Library, London. Wellcome Images
    images@wellcome.ac.uk
    http://wellcomeimages.org
    Daoyin tu – chart for leading and guiding people in exercise for improving health and treatment of pain, containing animal postures such as bear walk. This is a reconstruction of a ‘Guiding and Pulling Chart’ excavated from the Mawangdui Tomb 3 (sealed in 168BC) in the former kingdom of Changsha. The original is in the Hunan Provincial Museum, Changsha, China.
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    20th Century Published: –

    Copyrighted work available under Creative Commons Attribution only licence CC BY 4.0 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

    No período de 220-280 d.C, acaba a dinastia Han e começa o Período de Três Reinos, e é considerado um dos períodos mais sangrentos da China, e também foi marcada por uma era taoísa e pela expansão do budismo.

    Nessa época, o shoupo era praticado por todos os níveis da sociedade, e até grande pensadores tinham interesse nas artes marciais. Taolus de armas e mãos foram criados com o intuito das técnicas não serem esquecidas, mas havia uma grande diferença entre as formas para lutas e demonstrações.

    Mais ou menos nessa época que Bodhidharma veio da Índia para a China para espalhar o budismo, e em 527CE, ele chegou no Templo Shaolin, onde ele acabou influenciando no desenvolvimento do Kung Fu Shaolin. Isso foi um marco, pois antes a arte marcial era um senso comum, todos conheciam mas não era separado por tipos ou estilos. Depois do surgimento do Kung Fu Shaolin, as coisas ficaram mais um pouco mais organizadas, e começou a separar varias escolas de lutas por estilos, como Taijiquan, Baguá, Louva-a-Deus, etc.

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    Bodhidharma

    Entramos na Dinastia Tang (618-906 CE), e foi nesse período que a China foi unificada novamente. Nessa época, eles começaram a fazer exames imperiais para selecionar guerreiros para os altos cargos, com graduações de distritos e províncias para nível nacional. As modalidades inclusas nessa prova eram cavalaria, luta no solo, técnicas de lança, uso de várias armas, arquearia, levantamento de peso e estratégias militares.

    Shoupo e juedi continuaram populares, mas surgiu uma nova modalidade de wrestling, o xiangpu ou jueli. Nessa técnica eles lutavam com uma tanga e um elástico no cabelo. Essa modalidade pode ter contribuído com a origem do sumô japonês.

    Na Dinastia Song (960-1279 CE) foi marcado pelo surgimento de escolas e faculdade de artes marciais. Um dos imperadores era muito habilidoso em kung fu Shaolin, então ele incentivou que as pessoas fossem praticar artes marciais. O kung fu era conhecido nessa época como wuyi, e muitos clubes de artes marciais foram criados, muitos artistas marciais experientes viajavam para fazer demonstrações públicas de suas técnicas. O mais interessante é que a maioria desses artistas eram mulheres, e acabou surgindo um termo para elas, nu zhan.

    Grand Classic of Martial Arts” (traduzindo, O grande Classico de Artes Marciais), foi escrito nesse período, contendo estratégias e treinamentos militares, e também contava histórias de batalhas importantes antes da Dinastia Song.

    Chega um momento da história da China que eles são governados por mongóis, na dinastia Yuan (1260-1368 CE), e uma das medidas tomadas foi a proibição da prática de artes marciais e da posse de armas. Mas uma modalidade de wrestling, de origem mongol, o Zuojiao, ficou popular na China. Os praticantes de artes marciais chineses acabaram treinando secretamente ou eles colocavam suas técnicas em show ou em dramas, sem muita marcialidade, o que acabou ajudando a preservar as técnicas.

    Na Dinastia Ming (1368-1644 CE), além do termo wuyi, o kung fu também era conhecido como quanfa (técnicas de punho). Nessa época as técnicas de demonstração e as técnicas marciais começaram a ficar mais distintas. Os generais do exército faziam competição de lutas entre soldados e os profissionais de kung fu faziam apresentações com técnicas mais “floreadas”.

    Nesse período surgiu vários estilos de kung fu, como Taiju, fundado pelo primeiro imperador Song, Garra de águia fundada pelo famoso general Yue Fei e Louva a deus fundado por um mestre shaolin Wang Lang, e também foi nesse período que foi dividido pela primeira fez entre estilos internos e externos.

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    General Yue Fei

    As artes marciais chinesas se expandiram para o Japão, quando o mestre Chen Yuan Bian, em 1619, foi ensinar o kung fu shaolin, que acabou dando base para o jiu jitsu, que foi um precursor do judo.

    Os manchus dominaram a China na Dinastia Qing (1644–1911 CE), e para eles as artes marciais chinesas tinham que estar no exército e não entre a população, e muitos generais manchus eram grandes mestres de kung fu. Então as artes marciais acabaram ficando em academias e clubes, e acabou surgindo o conceito que conhecemos hoje, onde as técnicas nessas escolas eram lutas individuais e sem armas e os taolus eram para saúde e demonstração.

    Foi um período de grande crescimento para os estilos internos como o Taijiquan, muito praticado no norte da China, e também do estilo Baguá, muito praticado pelos guardas imperiais e Xing Yi. Ja na parte sul da China prevaleceu o Kung Fu Shaolin, sendo que o mosteiro de Fujian acabou sendo um centro de revolução contra o governo manchu. O exército manchu destruiu o monastério e fez com que vários mestres se dispersassem pela China, sul da Ásia e pela América.

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    Revolução de Xinhai (1911)

    A revolução de 1911 acabou com a maior dinastia da China e muitos discípulos de Shaolin participaram dessa revolução. Nesse período da dominância dos manchus, muitas organizações foram montadas e uma delas foi a famosa Jin Wu Athletic Association, do Huo Yuanjia.

    Em 1926, o governo de Kuomintang mudou o termo wushu para guoshu, que passou a ter forma muito floreadas de demonstração. Quando o governo comunista substituiu o governo, foi feita uma grande campanha para resgatar os grande períodos das artes marciais chinesas, que passou a ser chamada de wushu novamente. Nessa época foi feito comitês nacionais, e até distritais para promover o wushu, fizeram escolas e faculdades especializadas, muitos times de wushu viajaram o mundo para fazer demonstrações e foram publicados vários livros com muitos conteúdos sobre wushu, assim como foram criados vários torneios nacionais e internacionais. Segundo Kit (2002), uma das grandes contribuições do governo chinês foi a restauração do Templo Shaolin que atrai praticantes do mundo todo.

  • Kung Fu Origens: Pré História – Idade de Ferro

    Kung Fu Origens: Pré História – Idade de Ferro

    O termo Kung Fu não é um registro muito comum nas escritas históricas, ele é um termo mais moderno e utilizado no século 20. Nas escritas históricas tem mais de 40 termos que fazem referência ao Kung Fu, e o mais comum deles é o “Wushu” e “Wuyi“, sendo esse último mais utilizado pois sua tradução literal se aproxima mais a palavra arte marcial.

    Já é de conhecimento que o homem pré histórico usava um pedaço de pau para se defender ou até mesmo caçar. Na China, por exemplo, na província de Yunnan, e também em outros locais, foi encontrado pinturas pré históricas que retratam a luta de homens com animais.

    Há registros na China de armas feitas de pedras como facas e pontas de lança, mais ou menos do período paleolítico. Já no período Neolítico, há estudos que as armas já foram aprimoradas, utilizando além de pedra, ossos, e ainda mais afiadas. Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011), na província de Yuannan, existem pinturas rupestres do Neolítico que representam caçadas nas quais se pode observar técnicas específicas de ataque, como atacar a partir de uma posição superior (zha) e atacara a partir de uma posição frontal (ci).

    Na província de Shanxi, foi encontrado indícios de uso de pedra polida  para ataque a distância, há mais ou menos 700 mil anos. Essas armas eram feiras com pedras de rios e vulcões, e algumas armas eram feitas dessas pedras amarradas em cordas que podiam até ser amarradas no braço para ser mais fácil de se achada.

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    Balestra

    Depois que essa arma caiu em desuso, veio o arco e flecha e há relatos que ela foi antecessora da balestra, um tipo de arco que atirava pedras. foi encontrado na jazida arqueológica de Miaotigou (província de Henan ), alguns resto que parecem ser de balestras.

    Com o passar do tempo as armas de caça não são suficientes para a batalha, por essa razão começa a ter o desenvolvimento de armas militares: lanças, armas de arremesso, martelos de guerra, bastão, escudo.

    Nessa época não havia escola dedicadas ao treinamento, mas esses conhecimentos eram passados de geração para geração. Nos períodos que não havia luta eles faziam  danças baseadas nos movimentos de luta, os taolus podem ter vindo dessa época.

    Nas dinastias Hsia (2070 AEC – 1600 AEC) e Shang (1600 AEC-1046 AEC) as armas eram feitas de cobre e bronze. Nessa época surgiu algumas armas que conhecemos hoje, como facão chinês (da dao), lança, adaga, e equipamentos de guerra como capacetes. As primeira escolas de artes marciais apareceram nessa época com o ensino de arco e flecha, que será bem popular e importante nas dinastias seguintes. Nessa época também houve o surgimento dos carros  de combate, que eram puxados por dois ou 4 cavalos. 

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    Carros de Guerra

    Na dinastia Zhou (1046 AEC – 256 AEC), com o aumento de treinamento militar, foi criado rotinas para treinar os soldados, e algumas delas eram acompanhadas de músicas, criando um estilo de dança militar (wu wu). Nessa época o Kung Fu era conhecido pelos termos quanyong (luta de punho) e shoupo (combate de mãos), e foi desenvolvido um sistema sofisticado com filosofias profundas, como  yin-yang, baguá e wu-xing.

    Durante o período de guerra (480-221 BCE) vários governos deram muita importância para as artes marciais, tanto que houve uma estreita relação entre o treinamento marcial e intelectual. Confúcio, por exemplo, achava importante que quem fosse da área acadêmica, também fizesse o treinamento marcial. Essa relação é bem presente no livro, que foi escrito nessa época, “A arte da Guerra” de Sun Tzu, que, para quem não conhece, fala sobre estratégias de combate e que hoje é muito utilizado no mundo dos negócios.

    Técnicas conhecidas como jiji (técnicas de luta) e xiangpo (combate interno), e tiro com o arco e lutas com cavalo foram essenciais para a formação marcial. Mas as artes marciais não era exclusivo de elites, classes mais baixas também tiveram acessos, tanto que em algumas pesquisas do historiador chinês Kang Gewu, que houve uma revolta em 841 a.C, e nesses relatos há indício de lutas armadas por pessoas comuns.

    No período da Primavera e do Outono(722 – 481 AEC), quando a China foi dividida em pequenos reinos, foi caracterizado pelo aumento da alfabetização, e também o ferro tornou-se mais barato e mais abundante que o estanho (material utilizado para a fabricação de bronze), possibilitando a criação das primeiras armas de ferro como: espada de dois gumes, facas, lanças e também acessórios militares como os capacetes. 

    E por fim, entramos na dinastia Qin (221 – 206 AEC), um período muito controverso, pois foi muito focado na busca da imortalidade. Qin Shi Huang, primeiro imperador da dinastia Qin e que deu inicio a um governo militar, foi responsável por unificar toda a China com o seu exército bem treinado derrubando todas as muralhas e exércitos, e acabando com o feudalismo. Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011), ordenou a destruição de todas as armas que a população possuía e seu envio para a capital para que fossem derretidas e transformadas em sinos e estátuas de bronze. Foi um governo muito rígido e burocrático, e segundo Antunes (2014), ele promoveu a primeira grande queima de livros e escritos da história da China, na tentativa de extinguir a diversidade cultural . Nessa época que foi construída a Grande Muralha, afim de delimitar as conquistas dele. Uma curiosidade, é que os Guerreiros de Terracota é justamente o exército do Imperador Huang, que foram feitos para serem enterrados junto com seu túmulo, no intuito de protegê-lo na sua vida pós morte.

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    Guerreiros de Terracota

    Ele acabou introduzindo as modalidades de shoupo (boxe) e juedi (wrestling), em que  os competidores lutavam um um lugar cercado, como esporte militar oficial nas cerimônias.  Essas duas modalidades podem ter contribuído para o inicio do boxe e do wrestling no mundo.

    Após essa dinastia Qin, entraremos na dinastia Han e na idade do Aço, onde as técnicas de artes marciais começam a ficar mais parecidas com o Kung Fu que conhecemos hoje, mas deixarei esse assunto para um novo artigo!

  • Warrior – 2ª Temporada

    Warrior – 2ª Temporada

    Assistimos a segunda temporada de Warrior, e para ser bem franca eu demorei um pouquinho pra engatar nessa temporada, e eu vou te explicar o porquê.

    Mas antes, já vou deixar bem claro que pode ser que contenha alguns Spoilers, então se não assistiu e não se importar, boa leitura!

    Por que eu demorei um pouco para entrar na história? Bom, essa temporada vem um pouquinho mais densa, explorando um pouco mais alguns personagens e focando bastante em duas questões: de um lado os Hop Wei atrás de um ópio mais barato e de outro os Long Zii atrás de aumentar uma certa influência e fazer novas alianças. Logicamente uma Tong visando acabar com a outra. Mas esse processo pra mim foi meio arrastado, muito diálogo e negociação, para mim esse processo podia ser mais dinâmico.

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    Imagem Reprodução/ Cinemax

    Sobre o aprofundamento de personagens, alguns ganharam muito espaço na série: Ah Toy, Penny Blake, Dan Leary, Bill O’Hara.

    Ah Toy (Olivia Cheng), a dona do bordel de Chinatown, vem com uma força absurda, principalmente se mostrando como uma justiceira em favor dos chineses, é claro, ao lado de Ah Sahm(Andrew Koji), com quem aprofunda mais a relação nessa temporada. Ela também acaba se envolvendo com uma nova personagem, a Nellie Davenport (Miranda Raison), que a ajuda nas questões de resgate de mulheres chinesas, que eram escravas sexuais nos EUA. A personagem de Nellie foi inspirada em Donaldina Cameron que combateu o tráfico de mulheres chinesas. Quem se interessar e quiser se aprofundar mais na história tem um artigo interessante sobre o assunto aqui.

    Já Penny Blake(Joanna Vanderham) vem bem diferente da primeira temporada, de uma moça vulnerável para uma mais durona, cheia de responsabilidades depois de assumir a fábrica do seu falecido pai. Essa carga aumenta diante de conflitos com seu próprio marido, o prefeito Samuel Blake (Christian Mckay), principalmente em assuntos sobre a mão de obra Chinesa.

    Dan Leary (Dean S. Jagger) ganha destaque no combate à mão de obra chinesa. Ele vai queimando fábricas que compactuam com isso, na intenção de tentar favorecer a mão de obra do povo irlandês. Ele acaba se relacionando com a irmã de Penny, Sophie Mercer (Céline Buckens), mas essa relação acaba tumultuando bastante os rumos da trama. O mais interessante que Dan se coloca no final da segunda temporada como representante do Partido dos trabalhadores da California, fazendo uma grande alusão a um ativista importante anti-chinês, Denis Kearney. Um artigo muito legal sobre essa história você encontra aqui.

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    Imagem Reprodução / Cinemax

    Já o policial O’Hara (Kieran Bew) é outro que acaba manipulando e tumultuando a trama, é um personagem que dá um pouco de raiva, ainda mais que ele acaba se enrolando com os chineses e nessa temporada ele acaba usando da força policial para limpar a bagunça que ele fez. O’Hara entra num grande conflito com o seu parceiro de trabalho, Richard Lee (Tom Weston Jones), uma vez que Lee vai descobrindo todas as tramas de seu parceiro.

    No quesito ação, essa série não deixa a desejar. As cenas de luta, principalmente protagonizadas por Ah Sahm, são excepcionais. E claro uma luta ou outra você consegue perceber um toque de Bruce Lee nos seus movimentos.

    Um personagem que ganhou destaque, principalmente nas lutas, foi o Hong (Chen Tang). Ele se juntou ao elenco nessa segunda temporada para se integrar a Tong dos Hop Wei. No começo confesso que “não botava muita fé” no personagem, ele é um pouco esquisito e evasivo, mas quando ele começou a lutar eu fiquei realmente impressionada com as habilidades dele.

    Sem dúvida nenhuma o penúltimo episódio, “Enter the Dragon”, é o melhor dessa temporada. Tem muita luta, muito sangue, e ele retrata um período histórico sobre o massacre em Chinatown, logicamente ele não é fiel aos fatos, mas ele traz uma realidade que aconteceu mais de uma vez nessa época de imigração chinesa nos EUA. Outro artigo interessante sobre o assunto para quem tiver interesse, você encontra aqui.

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    Imagem Reprodução/Cinemax

    Nesse episódio sem dúvidas Ah Sahm foi coroado como Bruce Lee na série, principalmente na luta com o nunchaku, onde ele reproduz todos os trejeitos da lenda das artes marciais.

    No geral, a série é sim muito boa, apesar de alguns deslizes eu acho que ela merece sim uma continuação, não só pelas cenas de luta, mas também pelo seu contexto histórico. Por parte do Cinemax não tem mais continuação, mesmo a série deixando alguns ganchos para uma possível terceira temporada, mas por mudanças estratégicas e não por falta de audiência. Mas com a ida da série para a HBO Max, a produtora executiva Shannon Lee, mantêm uma certa esperança de continuação, como ela fala em entrevista ao site Den of Geek:

    Estamos em tempos incertos, mas eu espero que assim que a 2ª temporada for concluída no Cinemax, eles irão lançá-lo para as plataformas da HBO e eu espero que o programa alcance um público muito maior e que haja demandas para uma terceira temporada.

    O Ator Andrew Koji também concorda:

    Bem, obviamente, com o clima atual, é muito menos certo, tudo o que sabemos é se os fãs fazem barulho o suficiente e nos ajudam fazendo aquele barulho, isso está em nossas intenções de encerrar esse show como eu acho que deveria. Não apenas para o show, a história, para os fãs, mas para a lenda Bruce Lee. Acho que merece um final conclusivo.

    O que nos resta é torcer para que a série continue! Atualmente série pode ser vista aqui no Brasil na HBOMax, Netflix e AmazonPrime.