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  • O Tigre e o Dragão

    O Tigre e o Dragão

    Aproveitando que há rumores de uma possível série do universo do Tigre e o Dragão, nada melhor do que escrever o que achamos do filme dirigido por Ang Lee.

    O filme começa com o Mestre Li Mu Bai (Chow Yun-Fat) encontrando a Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) anunciando a sua aposentadoria e pedindo para que ela presenteie um grande amigo dele, Sr. Te (Sihung Lung) com a espada Destino Verde, que acompanhou toda a jornada de Li Mu Bai. É importante destacar que é uma espada totalmente poderosa com um corte extremamente afiado. Logo que a espada chega nas mãos do Sr. Te, ela já é roubada, e assim começa a saga de Li Mu Bai e Yu Shu Lien para descobrir quem roubou e, assim, recuperar a espada.

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    O que faz o filme fascinante são os cenários lindos e a fotografia consegue explorar muito bem isso. Os locais escolhidos para produzir grande cenários como o deserto, a floresta de bambu, a montanha de Wudang, até mesmo a reprodução dos palácios em Beijing, nos dão a dimensão do quão grande e diversificada é a China. A riqueza de detalhes que caracterizam uma China antiga, a arquitetura e até mesmo o figurino fazem toda a diferença.

    E o principal: as lutas são muito boas e muito bem coreografadas. O legal desse filme é que mostra, bem por cima, que existem estilos de kung fu, e o mais legal é que as lutas não ficam só com a espada; eles diversificam com facão, lança e até armas, digamos que, mais exóticas como o Pudao e Espada Orelha de Tigre.

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    Além disso, a trama conta com a história de amor entre os protagonistas do filme, no caso Li Mu Bai e Yu Shu Lien. Acho interessante como eles abordam esse romance nas pequenas conversas que eles têm e nos olhares. É tudo muito sutil e leve, o que torna a história mais poética.

    Outro ponto a se destacar é a atriz Zhang Ziyi, que faz o papel de Jen na trama. Ela tem um papel muito importante e também faz uma grande atuação, uma vez que ela fez pouquíssimos trabalhos antes do filme, diferente de Chow Yun-Fat e Michelle Yeoh, que são grandes nomes do cinema chinês. Esse filme, com certeza, deu uma grande visibilidade à atriz para outros filmes como Hora do Rush 2, Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Memórias de uma Gueixa.

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    A história parece ser bem simples, mas o enredo combinado com com os cenários, lutas e até a trilha sonora fazem você se envolver com o filme. Não é à toa que ele venceu quatro categorias no Oscar de 2001, sendo eles: Melhor filme estrangeiro, Melhor Fotografia, Melhor direção de Arte e Melhor Trilha Sonora Original.

    É muito legal um filme do gênero Wuxia ser reconhecido internacionalmente abrindo muitas portas para o cinema chinês. Para quem não sabe, esse gênero significa justamente histórias com artes marciais, fantasia e heroísmo.

    Em resumo, O Tigre e o Dragão é um ótimo filme, talvez um dos melhores que eu já vi desse gênero. Para quem ainda não assistiu e ficou curioso, fica aqui o trailer do filme.

  • Bons Companheiros

    Bons Companheiros

    Depois de um bom tempo longe dos cinemas brasileiros, Jackie Chan volta com um novo filme, carregado de drama, comédia e muitas homenagens.

    Bons Companheiros (Ride On) traz a história do Mestre Luo, interpretado pelo Jackie Chan, que é um dublê que já teve muito sucesso na sua carreira, e hoje, digamos, é fracassado e cheio de dívidas. Além disso, Luo se vê numa situação em que ele pode perder seu cavalo para um leilão para cobrir uma de suas dívidas. Ele acaba recorrendo à sua filha, uma jovem estudante de Direito, que ele não via há 6 anos. Mas sua vida muda quando ele e seu cavalo de estimação acabam viralizando na internet com uma luta que os dois se envolvem com cobradores de dívidas.

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    Fonte: IMDB

    Vendo sua carreira crescer novamente e sua filha se reaproximando, Luo terá que escolher entre sua carreira como dublê ou sua família.

    Se você está procurando um filme para chorar, essa é a melhor escolha! Brincadeiras a parte é um filme muito emocionante. Primeiro porque tem o drama familiar do personagem de Jackie Chan, e segundo porque tem o drama dele e do cavalo de estimação, mostrando uma grande sensibilidade e carinho entre os dois.

    Mas acredito que seja ainda mais emocionante para quem é fã do ator, porque o filme relembra muito a carreira de Jackie Chan. Eu senti uma mistura de ficção com a vida real dele. No filme são mostradas cenas de filmes reais do Jackie Chan, como sendo cenas de filmes onde o personagem atuou como dublê. As cenas pós créditos do filme, com os erros de gravação, ele se machucando, enfim, são mostradas no filme e o personagem se emociona muito.

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    Fonte: IMDB

    Isso pra mim, como fã, pesou muito porque mostrou como ele era muito bom no que fazia, o quanto ele se doou para o filme, e isso foi uma verdadeira homenagem. Sem contar que o filme tem vários Easter Eggs de muitos trabalhos que ele já fez. Alguns deles são do Mestre Invencível (Drunken Master – 1978), First Strike (1996), O Grande Desafio (Gorgeous – 1999), Operação Condor (1991), Quem sou eu? (1998), entre outros.

    O filme também conta com grande atores que já trabalharam com o Jackie em outros filmes como o Wu Jing, Yu Rongguang, Shi Yanneng, Andy On.

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    Wu Jing à direita. Fonte: IMDB

    Apesar do filme ter muito drama, tem sua parte de comédia e lutas no estilo Jackie Chan, que é uma grande característica nos filmes do ator. As lutas continuam com pessoas voando, cadeiras e mesas sendo utilizadas, mas não têm mais aquela emoção como antigamente até porque o Jackie Chan já tem idade e não tem mais condições de fazer altas cenas de luta.

    No final mostra que o filme foi feito como uma homenagem aos dublês, mas pra mim, além disso, foi uma grande homenagem à carreira de Jackie Chan.

    O filme estreia nos cinemas brasileiros dia 12 de outubro de 2023.

  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Pensei muito se colocaria esse filme aqui como um review, por um lado sim vale a pena pelas lutas por outro eu já entro em um campo de falar do filme em sua profundidade, que é o que faz o filme ser tão bom e grandioso. Mas como eu sempre venho aqui jogar um pouco de reflexões aos meus leitores, resolvi publicar esse artigo afim de abrir a mente para esse filme que não é um blockbuster, e segue um pouco mais essa linha independente, e claro não deixar de falar sobre as lutas.

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    Fonte: Columbus Monthly – https://tinyurl.com/msjxayxp

    Esse filme é um pouco complexo e qualquer informação adicional eu fico com receio de dar spoilers do filme. No geral é uma história que tem como personagem principal a Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma chinesa, que deixou seus pais para trás e foi viver nos EUA junto com seu marido, Waymond (Ke Huy Quan). Nos EUA, eles abrem uma lavanderia e tem uma filha a Joy (Stephanie Hsu). Além disso, o filme também conta com a grande atuação de Jamie Lee Curtis de Halloween (1978) e True Lies (1994).

    Mas você deve estar se perguntando “por que um enredo tão simples faz o filme ser tão grandioso?”, e é aí que o filme começa. A grande sacada do filme é que eles abordam o conceito do multiverso, mas não é aquele multiverso que vemos nos filmes da Marvel, por exemplo, mas o filme usa desse recurso para trazer novos caminhos para a narrativa e criar um lugar que tudo é possível e pode acontecer. Isso causa um certo estranhamento no começo, mas depois você entende que tudo isso tem um significado mais profundo e dá mais densidade a narrativa. É um filme que traz uma montanha russa de emoções, um filme que você ri e se emociona o tempo inteiro.

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    Fonte: BuzzFeed.News – https://tinyurl.com/2chyrxx2

    Acredito que eu consegui explicar o filme sem dar muitos spoilers. E onde entra a luta nisso tudo?

    Bom nessa loucura de multiversos, claro que não podia deixar de lado o kung fu tendo a Michelle Yeoh como protagonista, sem contar que o ator que interpreta seu marido na trama, Ke Huy Quan, é coordenador de dublê, seria um grande desperdício não usar dois grandes talentos.

    As cenas de luta lembram demais os filmes do Jackie Chan, muito bem sincronizadas e também utilizam objetos de cena no meio da luta, tem umas cenas que até tem referência a Matrix (1999). Mas não podemos deixar de mencionar os grandes coreógrafos do filme: Andy Le e Brian Le, que além de terem coreografado as cenas de ação, protagonizaram as principais lutas com a Michelle Yeoh.

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    Brian Le, Michelle Yeoh e Andy Le
    Fonte: Entertainment – https://tinyurl.com/3r89b4sr

    Andy e Brian são dublês e tem um projeto chamado Martial Club, onde eles gravam muitas cenas de lutas, às vezes com muito bom humor, coreografadas por eles mesmos inspirados em clássicos dos filmes de kung fu. Para quem não sabe Andy esteve recentemente no filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis interpretando o Agente da Morte (Death Dealer).

    Depois de ter colocado várias informações do filme vamos para as minhas considerações finais: Eu particularmente adorei o filme e recomendo muito. Inicialmente eu fui assistir o filme por conta da Michelle Yeoh, do Andy e do Brian Le, até porque eu já acompanho o trabalho deles há algum tempo, mas o filme me surpreendeu pela sua densidade e até em aspectos cinematográficos (isso é papo para outro lugar hahahaha) que a luta acaba sendo usada como um grande pano de fundo para o que a narrativa propõe.

    Eu assisti esse filme no cinema e na época já tinha poucas sessões, ainda mais que ele não veio pra ser um grande blockbuster, mas em breve acredito que ele vai estar em algum streaming. De qualquer forma fica o trailer para vocês sentirem um pouco o filme.

  • Câmara 36 de Shaolin

    Câmara 36 de Shaolin

    Um dos filmes mais importantes os estúdios Shaw Brothers, se não o mais importante, a Câmara 36 de Shaolin vem para mudar um pouco o estilos de filmes de kung fu da época. 

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    Lançado em 1978, a Câmara 36 de Shaolin conta a história de San-Te (Gordon Liu), uma lenda na história das artes marciais, que foi para o Templo Shaolin após seus amigos e familiares serem mortos pelo exército Manchu. Afim de buscar vingança, San Te tem que passar por 35 câmaras para aprender todas as técnicas de kung fu e virar monge. 

    Eis que vem algumas contradições do filme, um monge que busca vingança e quer ensinar kung fu para a população, o que vai contra as leis do mosteiro. Algumas coisas ficam em aberto, talvez o foco mesmo é nas artes marciais. Mas isso é o de menos, se comparado com o que o filme foi para época.

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    Em termos das artes marciais, ele não deixa a desejar. Acredito que nenhum outro filme de kung fu, talvez ele seja o primeiro, a mostrar um elenco, em sua maior parte, de monges, mostrando um pouco de como que é o Templo Shaolin e como é o seu treinamento, que na época ninguém sabia sobre, contribuiu muito para que ele se tornasse um dos maiores filmes de kung fu.

    A maior parte da história se passa no mosteiro, e é, sem dúvidas, a melhor parte. Ele é carregado de persistência e superação de um personagem que não sabia absolutamente nada de artes marciais. A cada câmara que San Te passa, você fica curioso para saber quais os desafios que ele vai encontrar pela frente. 

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    De uma maneira geral, a Câmara 36 de Shaolin é um filme indispensável para quem gosta de kung fu. A parte das lutas, como sempre, muito bem feitas e o personagem de Gordon Liu te cativa de alguma forma. Não é a toa que é um dos principais personagens da carreira do ator.

    Assista ao trailer:

    FICHA TÉCNICA:
    Título: A Câmara 36 de Shaolin
    Título Original: The 36th Chamber of Shaolin/ Shao Lin san shi liu fang/ Disciples of Master Killer/ Master Killer/ Shaolin Master Killer
    Ano: 1978
    Diretor: Lau Kar-leung
    Elenco: Gordon Liu, Lo Lieh, John Cheung, Norman Chu, Chia Yung Liu
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Drama, Histórico

  • O Mestre Invencível

    O Mestre Invencível

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    Wong Fei Hung, interpretado pelo Jackie Chan, é um jovem desobediente e indisciplinado. Como punição, Wong Fei Hung é enviado pelo seu pai para ser treinado pelo seu tio So Hi, um mestre conhecido por incapacitar seus alunos.

    Porém,Wong Fei Hung mal sabe que seu tio é um velho bêbado. No começo ele não dá muito crédito ao ele, mas depois a história vai desenrolando em uma grande relação entre os dois, até que Wong aprende uma grande técnica milenar, o estilo do bêbado.

    Com o mesmo elenco do grande sucesso “O Punho de Serpente”, o Mestre Invencível alavancou a carreira do Jackie Chan, principalmente por apresentar uma grande habilidade nas artes marciais e por seu lado cômico. Um filme de grande sucesso, que abordou muito a relação do mestre com o seu discípulo, que inspirou outros filmes de artes marciais americanos, como foi o grande clássico, Karatê Kid.

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    É um ótimo filme para quem gosta do kung fu clássico, sem efeitos. Quando eu digo sem efeitos, é sem pessoas voando ou magia. Apesar de ser uma comédia, é um filme gostoso de ver, com ótima cenas de luta, coreografadas por Woo-ping. Por mais que sejam combinadas, as lutas são muito bem encaixadas, e nos abrem portas para pensarmos em outras possibilidades de utilizar as técnicas e sair um poucos dos socos e chutes tradicionais. Claro! Filme é ficção, mas nos inspira a treinar de um modo diferente. 🙂

    As cenas dos treinamentos, para mim, é uma das melhores partes do filme. É de inspirar qualquer professor kung fu a fazer o mesmo com seus alunos (rs). Poucos filmes de kung fu tem cenas de treinamento como esses. Pensando bem, os filmes mais clássicos do Jackie Chan tem um pouco essa característica de mostrar os treinamentos.

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    E por fim, não menos importante… na verdade o mais importante, é o filme nos mostrar o Estilo do Bêbado. Um estilo que exige flexibilidade, caracterizado pela imprevisibilidade e pelas acrobacias. E até onde eu sei, só tem alguns taolus (ou katis) difundidos em algumas academias aqui no Brasil, para quem se interessar.


    Confira o Trailer:

    FICHA TÉCNICA:
    Título: O Mestre Invencível
    Título Original: Drunken Master
    Ano: 1978
    Diretor: Woo-ping Yuen
    Elenco: Jackie Chan, Siu Tien Yuen, Jang Lee Hwang, Kau Lam, Dean Shek
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Comédia

  • Lição Fundamental do Filme Herói para a Vida

    Lição Fundamental do Filme Herói para a Vida

    O filme Heroi além de mostrar a essência da arte marcial e cultura chinesa, também nos ensina grandes lições para a vida

    Uma das grandes cenas do filme é a luta entre o personagem “Céu” (DonnieYen) ” e o “Sem Nome” (Jet Li) . Antes de iniciar a batalha os personagens pedem a um ancião que estava por perto para tocar uma musica, enquanto eles iriam duelar. 

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    Cena do inicio da batalha entre “Céu” X “Sem Nome” 

    Enquanto a música inicia, diante de um brilhante cenário, ambos fecham os olhos, e iniciam a luta, porém somente na mente. 

    Ambos ficam por vários minutos com os olhos fechados, mas com a mente aberta em duelo, até que a música para e o combate inicia na prática, onde o guerreiro “Sem Nome” (Jet Li) vence o oponente de forma rápida e com a mente limpa e sem preocupações. 

    Com isto, podemos traçar um paralelo desta batalha mental com o que acontece em um treino de artes marciais. 

    A cada aula que inicia em uma academia/escola, os praticantes chegam com diversos conflitos, como estresse, ansiedade, atrasos, nersosismo, entre outros decorrentes do ambiente de trabalho ou por questões familiares. 

    Como no filme, antes de iniciar a aula, as pessoas parecem travar uma batalha enorme em sua mente, devido ao fato de virem de outro ambiente, estar em fora de sintonia, e por muitas vezes carregam consigo para todos os lugares os conflitos gerados e não resolvidos do dia, parecem simplesmente não desligar.  

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    Batalha entre os personagens de Donnie Yen (Céu) e Jet Li (Sem Nome) 

    Se esquecem da parte fundamental nas artes marciais, esvaziar a mente, como diria “Bruce Lee”, não é mesmo! Pois somente esvaziando a mente, podemos acalmar e iniciar algo com produtividade. 

    O mundo hoje em dia, competitivo, moderno e estressante, faz com que nossa mente esteja sempre ligada, porém, se conseguirmos com calma ajustar o nosso corpo, respiração e principalmente esvaziar mente, conseguiremos como no filme dominar as nossas batalhas mentais da vida. 

    Confira nossa matéria sobre o filme Herói