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  • Karate Kid Legends

    Karate Kid Legends

    Assistimos ao filme depois de muitas expectativas, até porque tinha muitas pontas soltas de como iriam conectar essas histórias, umas vez que temos o Sr. Han ( Jackie Chan) e Daniel LaRusso (Ralph Macchio) com histórias e universos diferentes. Sempre que eu vou com essa expectativa alta, muitas das vezes eu acabo saindo decepcionada, mas dessa vez foi diferente, e vou te dizer o porquê.

    Já digo que esse artigo pode conter spoilers!

    Primeiro, o filme começa já conectando as duas histórias do Karate Kid de Jackie Chan de 2010, com a grande e primeira franquia de Karate Kid com Daniel San e Sr. Miyagi (Pat Morita). Originalmente, acredito eu, que o Karate Kid de 2010 era pra ser mais um remake. Claro que com personagens e ambientes diferentes, mas a história é basicamente a mesma. Eles conectaram de uma maneira um pouco forçada, respirei fundo e deixei a história me levar.

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    A história começa em Beijing, numa escola de kung fu do próprio Sr. Han, e temos as referências do filme de 2010 do famoso “Tira casaco, bota casaco”, que virou um método de ensino dele. E ja temos a apresentação do personagem protagonista dessa história que é o Li Fong, interpretado pelo Ben Wang.

    Assim começa a mesma história que todos nós ja conhecemos e muito: um jovem que tem que se mudar e se adaptar a um novo local enfrentando o bullying, se envolvendo como uma garota e tendo a arte marcial como sua grande aliada nessa saga. Nessa história, Li Fong já tem conhecimento em artes marciais, no caso kung fu, que ele treinou com o Sr. Han. Ele vai para Nova Iorque com a sua mãe e lá ele conhece Mia (Sadie Stanley) e seu pai Victor (Joshua Jackson).

    O que me chamou a atenção nesse filme é que, apesar de você ter a presença de dois grandes nomes que é Jackie Chan e o Ralph Macchio, o tempo de tela deles é bem pequeno comparado ao do protagonista interpretado pelo Ben Wang. Apesar de sentir que a história tem suas semelhanças com os outros filmes, você consegue enxergar uma nova história que é o próprio conflito do protagonista, dele como artista marcial, e também em uma nova situação que é ele como mestre.

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    Nessa história, Li Fong vira amigo de Victor que é o dono de uma Pizzaria, antigo lutador de boxe e deve dinheiro. E a partir do momento que Li Fong o ajuda a lutar contra os cobradores dessa dívida, acaba recebendo um pedido de Victor para treiná-lo e vencer um torneio de Boxe para pagar suas dívidas. Assim como todo filme de arte marcial, temos as cenas de treinamento que eu achei mais sofisticadas e mais realistas do que “tirar o casaco” ou “pintar a cerca”.

    Um dos pontos importantes, para nós principalmente, são as cenas de luta. São impecáveis. Já na primeira luta de Li Fong eu vi claramente o estilo do Jackie Chan ali, utilizando objetos da cena na luta e as esquivas bem características dele. Com toda a certeza o Jackie Chan teve uma grande participação na coreografia dessas lutas. Isso é um ponto extremamente positivo porque, se pegamos as lutas da série Cobra Kai, elas não chegam nem aos pés desse filme. Sem contar que o ator Ben Wang é muito bom, foi uma ótima escolha tanto quanto artista marcial como ator, ele tem muito carisma.

    Agora vamos falar sobre a participação dos astros das sagas, coloco no plural porque pra mim foram dois universos. Eu acho que o filme é muito mais do Jackie Chan do que Ralph Macchio. Falo isso pelo tempo de tela, o Ralph Macchio aparece bem menos do que o Jackie Chan que aparece do começo até o fim. Acredito que seja por conta da relação dele com o próprio Li Fong. Eu senti isso no cinema, porque tinham pessoas da geração Cobra Kai que estranharam a ausência do Daniel-san, e quando ele apareceu ficaram mais aliviados.

    Achei isso um ponto positivo e negativo ao mesmo tempo, porque estamos lidando com duas gerações. As pessoas dessa geração vão muito pelo Cobra Kai (Netflix), e podem se frustrar um pouco com o filme por estar meio distante da série e, provavelmente essas pessoas não assistiram ao filme de 2010, e nem conhecem o trabalho Jackie Chan. Por outro lado, temos a geração que conhece o Jackie Chan e sabem do sucesso dos filmes dele dos anos 80 e 90 e também é a mesma geração do primeiro filme de Karate Kid. Esse é o grande lado positivo porque ele consegue unir duas gerações que curtem artes marciais e essa saga. Acredito que Cobra Kai já fez essa junção mas colocar o Jackie Chan é atrair um público mais nichado.

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    Voltando ao filme, Daniel LaRusso aparece porque Li Fong precisa participar de um campeonato de rua, digamos assim, para ajudar seu amigo Victor a pagar suas dívidas, e também lutar com seu rival no filme que é lutador de karate e, por isso, ele precisa aprender a luta. Nessa hora achei estranho, porque não ficou muito claro para mim que era um campeonato de Karate, ainda mais porque o estilo de lutar do Li Fong estava bem mesclado. Enfim, Sr. Han vai atrás do Daniel, para que ele ensine Li Fong a lutar. Nessa hora achei bem legal os treinamentos com visões diferentes de técnicas.

    Nessa hora achei tudo muito rápido. De repente Li Fong tem que lutar, as cenas de treinamento são rápidas, já vem o campeonato e o filme acaba! Nessa hora, a minha reação foi: “mas já?”. Eu fiquei com aquele “gostinho de quero mais”. Acho que por isso tive a sensação que Ralph Macchio apareceu pouco.

    Mas, no geral, o filme é muito bom, é nostálgico pelos atores e pelas pequenas referências que o filme traz. Ao mesmo tempo é uma trama que envolve porque ele sai um pouco do óbvio da franquia e traz novos conflitos. Fora as lutas que são muito boas e essa puxada para o lado do kung fu me cativou muito (risos). Não sei se terá continuações, o filme se resolve e não deixa pontas soltas. E espero que eles não repitam o mesmo erro que fizeram na última temporada de Cobra Kai, de tentar fazer um filme colocando elementos que não tem nada a ver com a história.

    Para quem ainda não viu o filme segue o trailer para ficarem com vontade de assistir.

  • Cobra Kai – 6ª Temporada

    Cobra Kai – 6ª Temporada

    Eu resolvi juntar as três partes para dar um veredito geral, porque quando assisti às duas primeiras partes eu confesso que me decepcionei um pouco, mas a última parte conseguiu salvar o fechamento dessa série.

    Bom, vamos “começar pelo começo”… E já deixo bem claro que contém alguns spoilers.

    Quando eu fiz minha crítica a respeito da 5ª temporada, eu achava que o final já havia dado um desfecho para a história, e que se houvesse uma nova temporada, eles tinham que me surpreender. Infelizmente, achei que a 6ª temporada estragou um pouco tudo que eles construíram até então.

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    Acho que começou mal, fugiu totalmente do que as outras temporadas mostraram. Primeiro eles contaram essa história da personagem da Kim Da-Eun (Alicia Hannah-Kim), que conheceu o John Kreese (Martin Kove) quando era pequena, e colocam um mestre que parece o Pai Mei de Kill Bill. Nessa hora achei que forçaram demais. Entendo que a proposta era ter um novo núcleo pra entrar em combate com o Miyagi-Do, uma vez que Cobra Kai em teoria acabou. Mas achei meio esquisito, porque para mim remeteu mais ao Tae Kwon Do do que o Karatê, não que eu seja expert no assunto das duas artes marciais, mas pra mim remeteu a isso. Me lembrou até o filme que fizeram do Karate Kid com o Jackie Chan, o título era karatê mas falavam de kung fu. Enfim…

    Colocaram um torneio mundial de karatê, o Sekai Taikai, para movimentar a trama. Eles tinham que unir a equipe de Daniel San e da Kim com o Kreese de alguma forma, porque sem isso não tem o que desenvolver, uma vez que o Cobra Kai acabou e todos os personagens estavam se dando bem.

    Chegamos ao torneio, que se passa em Barcelona e, com ele vieram os problemas. Primeiro, o torneio veio com umas provas para acumular pontos sem pé nem cabeça. É como se disputassem provas com luta, achei que não teve muito sentido, saiu um pouco fora dos torneios de luta. E uma coisa que eu quero destacar é que existe uma equipe brasileira nesse torneio e eles mesclaram os movimentos de Karatê e Capoeira, acho que não precisavam fazer isso.

    Outro ponto é o enredo do Daniel San (Ralph Macchio) descobrindo que o Sr. Miyagi já participou do torneio e da suposta conduta do seu mestre. Isso é algo que não me convenceu, não é a primeira vez que Daniel questiona seu Mestre e seus ensinamentos, e repetir esse assunto a cada temporada que passa se tornou muito cansativo, assim como a crise que a personagem Tory Nichols (Peyton List) de ficar com Miyagi-do ou Cobra Kai.

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    Acho que o pior ponto é o retorno do Terry Silver (Thomas Ian Griffith). Na penultima temporada, Terry foi preso e o desfecho dele foi muito claro. Mas nessa temporada ele volta com a desculpa que conseguiu sair da prisão para tentar uma vingança que, para mim, ficou muito batido.

    Agora vamos começar a ver o lado bom da história…

    Houve a apresentação de personagens novos, mesmo que breves, mas que renderam boas coreografias, como a personagem de Zara (Rayna Vallandingham) e o Kwon (Brandon H. Lee). E também teve um ator que eu gosto muito e que está sempre nos filmes de artes marciais que é o Lewis Tan, que faz o Sensei Wolf.

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    Mas a parte boa não se resumiu somente a esses personagens, acredito que o que salvou a temporada sem dúvida foi a última parte da série que coloca Johnny Lawrence (William Zabka) em evidência. Afinal, a série é basicamente sobre ele e o Cobra Kai.

    Em resumo, a série fez uma confusão toda para deixar que o Johnny Lawrence fizesse uma luta final contra o Sensei Wolf. Ficou claro que é um momento de libertação e reconciliação com o próprio passado de Johnny. Como se ele voltasse para aquela luta, em 1984, em que perde para o Daniel LaRusso. É possível perceber como a autoestima dele é muito abalada com relação a esse evento. Nos últimos capítulos, conseguiram construir uma narrativa que a gente entende que foi muito traumático e como o karatê era importante pra ele.

    A parte legal é o Johnny chamar o próprio Daniel para treiná-lo. Foi um momento de muito respeito dos dois e reconhecimento que seu rival do passado poderia ajudá-lo a enfrentar seu inimigo sem perder a essência dele. E claro que já sabemos o resultado final. Foi um ótimo desfecho para o personagem, que merecia essa libertação do passado que ele carregou durante todas essas temporadas.

    E sobre os outros personagens, foi basicamente mais do mesmo. Os mesmos dramas e conflitos sem muitas novidades.

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    No geral, acho que eles poderiam ter parado na quinta temporada tranquilamente. Achei que as outras temporadas me deixaram com mais expectativas de saber o que ia acontecer com a história.

    A série acaba, mas em breve um filme do Karatê Kid será lançado com o Jackie Chan e o Ralph Macchio. Até achei que iam dar algum gancho na série, mas pelo visto vai ser algo independente. Será que vem uma nova saga? Como eles irão conectar esses dois personagens? Será que eles irão acertar mais do que o último filme que falava de kung fu e o título era karatê?

    Isso saberemos em breve.

  • Cobra Kai – 5ª Temporada

    Cobra Kai – 5ª Temporada

    Finalmente saiu a 5ª Temporada e claro que já maratonamos e aqui pode conter spoilers!

    A quarta temporada deixou muitas brechas como o caso da Tory por ter ganhado o torneio por meio de suborno dos árbitros, o Miguel que foi atrás do pai dele e, claro, como ficou o dojo do Daniel e do Johnny pós vitória de Terry no torneio. Não podemos esquecer que Kreese acaba sendo preso por armação de Terry para poder tomar conta de todos os negócios do Cobra Kai.

    A nova temporada mostra como se tornou esse novo império do Cobra Kai comandado pelo Terry Silver e ainda trazendo novos personagens, como lutadores do mestre coreano de Terry para ajudar nessa expansão. Em resumo, é isso que traz a nova temporada, que também acaba solucionando todos os problemas deixados na última. Aliás foram muitas informações para apenas 10 capítulos de mais ou menos 40 minutos, porém ele não deixou grandes problemas para uma eventual 6ª Temporada.

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    Foto: Neflix

    Não foi ruim, muito pelo contrário, me deixou com vontade de ver sempre o próximo episódio. Foi tudo muito denso onde todos os personagens enfrentaram seus próprios demônios. Temos alguns destaques para a Sam que vem enfrentando problemas desde o episódio da escola, Kreese que mergulha também em suas questões junto a psicóloga da penitenciária, Daniel que revive o seu passado mais obscuro ao lado de Terry, Miguel que vai em busca do pai após uma decepção com o Johnny que vinha fazendo esse papel, e o próprio Johnny que tem que lidar com um lado paterno que ele não teve com o seu primeiro filho e agora contornar essa situação com Miguel e Robby sendo praticamente irmãos. Esses só foram alguns exemplos, porque cada personagem teve seu conflito e pontos de reflexão bem profundos, então se você espera uma temporada com mais luta, sinto lhe informar que o karatê virou um grande coadjuvante. (mas ainda tem cenas de luta, fique tranquilo.)

    Com esse cenário, se não renovassem para uma nova temporada não me deixaria surpresa. Até porque manter um padrão alto por muitas temporadas é uma tarefa difícil, mas acho que Cobra Kai soube fazer isso muito bem.

    Eu particularmente não vejo muitas perspectivas da série continuar e eu vou explicar o porquê com spoilers.

    O grande vilão da série sem dúvida foi Terry, desde o filme do Karatê Kid você percebe que ele, sem dúvidas, foi o cara mais louco e insano que passou por Daniel-san na trilogia. Com a prisão de Terry nessa temporada, você não tem mais nenhuma perspectiva ou força para se contrapor ao Daniel, por exemplo. Com a queda de Terry, cai o Cobra Kai, a não ser que Kreese volte a assumir, mas é voltar para algo que já aconteceu, ainda mais que Daniel e Johnny são amigos e aliados e não tem mais o que construir.

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    Foto: Neflix

    A série ganhou muito com as aparições dos personagens do filme original, tanto que os últimos dois personagens que faltavam aparecer na série são Jessica, interpretada pela Robyn Lively, e Mike Barnes, interpretado por Sean Kanan, ambos personagens do terceiro filme. Jessica foi amiga de Daniel e na série ela entra como prima de Amanda, o que acaba fazendo uma conexão de como eles se conheceram. E Mike é uma dos alunos de Terry, e que, por incrível que pareça, ele não entra como um vilão da história, mas sim como um cara que se arrepende dessa aliança que teve com Terry no passado, então ele vem para ajudar o Daniel.

    Eu gostou muito do retorno do Chozen, acho que ele cresceu muito na temporada, e ele vem para ser o “fiel escudeiro” de Daniel. Nessa temporada eles acabam comentando muitas questões que eles tiveram no passado e eles se acertam muito bem, deixando o que passou para trás.

    A esposa de Daniel, Amanda, foi muito importante na série, fez uma articulação muito legal para juntar as forças contra Terry e foi um grande suporte para o Daniel trazendo as raízes do Miyagi nos momentos mais difíceis do protagonista.

    Esse núcleo de Daniel, Amanda, Chozen, Johnny e Carmen ficou muito consolidado, muito unido. Foi legal de ver a amizade deles e é muito improvável que haja alguma ruptura entre Daniel e Johnny para uma nova temporada. O mais interessante na série é que Daniel sempre se acha o certo, sempre evitando conflitos mas essa temporada deu um grande chacoalhão nele, assim como Johnny dessa vez adota posturas mais ponderadas, vem buscando ajustar as coisas na sua família, chega até dar conselhos construtivos para Daniel e Miguel, por incrível que pareça, e é um personagem que finalmente deixou as mágoas para trás, se permitindo ser feliz.

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    Foto:Netflix

    O núcleo amoroso misturado com uma rivalidade eterna de Sam, Miguel, Robby e Tory finalmente se resolveu, ainda mais com Miguel e Robby fazendo as pazes porque praticamente viraram irmãos.

    A história do Miguel e o pai dele foi muito breve e rápida, não achei que agregou muito a história, se não tivesse, não faria diferença. E depois de ver a temporada, vi como uma forma de mostrar a resolução de uma possível ponta solta da série caso não seja renovada.

    No geral, a 5ª temporada traz muito o amadurecimento dos personagens, mas não deixa de ter seu lado mais leve principalmente com as cenas de Johnny Lawrence nesse processo de ter o controle da sua vida. Se for uma temporada de encerramento, acredito que ele deu um destino e um desfecho para os personagens e para aqueles que não ficaram muito claro, acho que a imaginação pode dar conta do final. Mas se confirmar uma nova temporada, dá pra ter uma continuação, porém Cobra Kai vai ter que surpreender.

  • Cobra Kai – 4ª Temporada

    Cobra Kai – 4ª Temporada

    Acho que eu cheguei bem atrasada para escrever essa crítica da temporada certo? Mas como perdi o timing de fazer esse post, acho que eu achei uma nova oportunidade de escrever, ainda mais com a chegada da 5ª temporada na Netflix dia 9 de setembro.

    O que eu vou fazer é um comentário dessa temporada, que pode conter alguns spoilers, e também vai ser um jeito de recapitular o que assistimos e estarmos mais preparados para a nova temporada.

    Bom acho que a maior expectativa dessa temporada foi a união de forças dos protagonistas da série, Johnny (William Zabka) e Daniel(Ralph Macchio). E claro que o “grande fio” dessa temporada foi a relação dos dois. Na verdade, eu considero essa temporada mais densa, muito focada nas questões e relações dos personagens.

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    Fonte: Netflix

    Voltamos aos protagonistas. Quem achou que ia ser fácil a relação dos dois, se enganou. Era muito nítido que não ia ser fácil. Logo no primeiro episódio vemos que o estilo dos dois é muito diferente e os alunos ficam bem confusos no que eles devem fazer. É legal que ao longo da temporada eles conseguem achar um caminho interessante de ambos experimentarem o estilo do outro como uma forma de entendimento, e assim eles fizeram com os próprios alunos. Quem era do miyagi-do foi treinar com o Johnny e vice e versa. Mas nesse ponto começa a se desenhar um ruptura entre os personagens e uma grande evolução de alguns deles.

    Nessa troca de alunos Daniel se aproxima muito do Miguel(Xolo Maridueña), que é considerado um filho para o Johnny, e ao mesmo tempo a Sam (Mary Mouser) vê no Johnny um ponto de vista totalmente diferente do seu pai, que sempre foi o seu conselheiro. Nessa hora ja se desenvolve um ciúme de ambos e acabam rompendo essa união e cada um continua com seus alunos.

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    Fonte: Netflix

    Sam e Miguel voltam a namorar e também tem suas crises na temporada. Sam ainda está muito perturbada pelos acontecimentos com Tory (Peyton List) nas duas ultimas temporadas e com sentimento de vingança. Isso acaba atrapalhando um pouco a relação dos dois personagens. Essa situação com a Tory também influencia muito na relação de Sam com seus pais, sentindo cada vez mais a necessidade de se impor e sair um pouco da proteção deles e a relação dela com Johnny contribui muito com isso. Em contra partida Johnny e Miguel tem a relação bem abalada ao longo da série pela aproximação de Daniel e Miguel. Assim como Sam, Miguel vê um novo ponto de vista, que ele não precisa ser um “bad-ass” e que existe um equilíbrio nas coisas. E Daniel entra como papel paternal que Miguel não teve, que Johnny estava tentando construir, uma vez que ele não teve o mesmo êxito com o seu filho Robby (Tanner Buchanan).

    Robby se volta contra todos principalmente com Sam que decidiu viver o seu amor por Miguel. Então acaba se rendendo ao Cobra Kai, por achar que está no seu próprio caminho. John Kreese (Martin Kove) e Tory foram muito importantes nessa influência. Robby teve um papel muito importante em dois arcos da série: ensinar o Miyagi-Do para o Cobra Kai, mostrando todas as fragilidades do estilo aos adversários, assim como ele foi uma especie de tutor para um personagem importante, o Kenny, com uma temática muito atual que é o Bullying.

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    Fonte: https://tinyurl.com/2p89pbn7

    Kenny (Dallas Dupree Young) é um garoto nerd, que na verdade tenta conquistar seu espaço em todos os núcleos da série. Ele sofre Bullying na escola, sendo atacado pelo filho de Daniel-san, o Anthony (Griffin Santopietro), que só quer provar que ele é o valente para os seus amigos. E é muito interessante o filho de um dos personagens que sofreu bullying e que é totalmente contra ser o “valentão”. Também Kenny sofre quando ele entra no Cobra Kai, quando os alunos, principalmente os que saíram do Cobra Kai, descobrem que ele entrou na escola adversária. Essa luta por sobreviver em vários grupos cria um personagem totalmente revoltado, que provavelmente vai ser muito importante para a próxima temporada.

    Tory também teve seus “perrengues” ao longo da série. Desde a temporada passada vimos que ela tem sérios problemas familiares, a Amanda(Courtney Henggeler), esposa de Daniel, entra como um papel fundamental de trazer um acolhimento para a Tory, mas também com o intuito de acabar com a “guerra” entre Sam e Tory que se intensifica nessa temporada.

    Não podemos deixar de mencionar dois personagens que foram esquecidos na terceira temporada e que agora voltaram, talvez para uma breve aparição: Aisha (Nichole Brown) e Arraia (Paul Walter Hauser). Eles que foram tão importantes na segunda temporada, principalmente no incidente da escola, e na terceira eles simplesmente sumiram. Mas nessa temporada eles apareceram, talvez porque os fãs devem ter se perguntado onde eles estavam. Aisha aparece como conselheira dessa nova fase de Sam, e o Arraia, aparece depois de ter sido liberado da condicional após o incidente e também é uma peça fundamental para o desfecho de Kreese nessa temporada.

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    fonte: https://tinyurl.com/4x2af5dz

    E por fim, temos sempre a sessão nostalgia com os filmes clássicos de Karatê Kid, e nessa temporada temos o retorno de Terry (Thomas Ian Griffith), o grande vilão do terceiro filme. Para quem não lembra, Terry foi ums dos professores mais loucos de Cobra Kai e foi exatamente ele que treinou o Daniel San. Mas Terry volta nessa temporada outra pessoa. Rico, fora do universo de lutas, e segundo ele fez terapia para superar a má fase, mas John Kreese vai atrás dele para voltar a dar aulas, e consegue despertar o lado ganancioso de Terry. Então ja deu pra perceber qual é o grande conflito de Kreese e Terry né?

    Bom acho que falei muito, e também deu pra relembrar bastante da temporada. No geral essa temporada focou bastante no crescimento e amadurecimento dos personagens. Como sempre a luta fica no plano de fundo, mas como disse no crítica da temporada anterior, isso não me incomoda em nada. O que mais tem me prendido na série é como eles conseguem, de forma criativa e muito boa, trazer essa nostalgia dos personagens clássicos e encaixar em um enredo que para mim não é nem um pouco cansativo. Tem muita coisa que dá pra contar e eles estão fazendo isso de uma forma muito criativa dentro do universo do Karatê Kid.

  • COBRA KAI – 3ª Temporada

    COBRA KAI – 3ª Temporada

    Estreou a série dia 1 de Janeiro de 2021 e em um dia eu já “maratonei” ela inteira. Sou um pouco suspeita para falar, porque eu realmente amo essa série, uma vez que os criadores tiveram a capacidade de trazer a tona um filme de sucesso dos anos 80, que em princípio você não via mais nenhum tipo de continuação, e transformar essa história em uma série.

    A primeira e a segunda temporada foram ótimas, eu realmente fiquei presa na trama, porque ela te mostra dois lados da história, é difícil de dizer quem é o mocinho e o vilão entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), e a série termina com uma luta de tirar o fôlego no colégio de Samantha (Mary Mouser) e Miguel (Xolo Maridueña).

    Então, tivemos uma janela de 1 ano e meio, mais ou menos, na expectativa de uma terceira temporada, em um cenário que você quer buscar respostas do que vai ser de Miguel, o que vai ser do Cobra Kai no comando de Kreese (Martin Kove). Confesso que minha expectativa estava bem alta, uma vez que a série me segurou tão bem em duas temporadas, e aumentou ainda mais quando já confirmaram uma 4ª Temporada.

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    Imagem Reprodução/Youtube

    Pois bem, assisti a última temporada e digo, sem sombra de dúvida, que mais uma vez eles acertaram. Conseguiram me prender de uma forma que não tinha como não ver um atrás do outro, o rumo que eles tomaram pra série achei sensacional e termina com aquele “gostinho de quero mais”. (Ainda bem que já foi confirmada mais uma temporada!)

    (Alerta de SPOILER: se você ainda não viu a série recomendo parar por aqui)

    Mas vamos para o que interessa, o que a série traz de tão bom?

    O grande lance dessa temporada que ela é um pouco mais densa que as demais, ela vai um pouco mais a fundo nos personagens e suas relações. É certo que essa temporada foca muito na origem de John Kreese, uma vez que já conhecemos a vida de Daniel, pelos filmes, e de Lawrence que foi muito trabalhada nas temporadas anteriores. Essa temporada reforça cada vez mais esse perfil meio psicopata, ou louco, de Kreese, que consegue manipular e recrutar mais jovens para o seu Dojô.

    Daniel e Johnny, por sua vez, acabam levando as consequências da luta na escola. Johnny carrega uma culpa pelo estado de saúde de Miguel, e entra em um processo para ajudá-lo a andar, o que o afasta ainda mais de seu filho Robby (Tanner Buchanan), e se encontra sem um Dojô e sem alunos.

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    Imagem Reprodução/ Netflix

    Por outro lado, Daniel entra em uma das suas piores fases da vida, os negócios vão mal, devido a um boicote dos consumidores que o culpam pelo ocorrido na escola, e ainda está em busca de Robby com intuito de ajudá-lo, uma vez que ele se torna procurado da justiça, sem contar que todos na escola o culpam também pelo ocorrido.

    Então vem um dos pontos mais fortes da temporada, a ida de Daniel para o Japão para tentar levantar seu negócio, mas é claro que ele aproveita para ir a Okinawa em busca de respostas para sua vida turbulenta. Lá ele encontra duas pessoas que o ajudaram nesse processo: Kumiko e Chozen, sendo a namorada e o grande rival de Daniel, respectivamente, no filme Karatê Kid 2. A série traz os mesmos atores para o papel fazendo essa grande surpresa para esquentar nossos corações com nostalgia.

    Outra personagem que ganha muito destaque é a Samantha, filha de Daniel, que fica com o emocional muito abalado após a luta no colégio, e também acaba carregando uma certa culpa pelo que aconteceu tanto com Miguel quanto com o Robby. Esse processo emocional da Samantha teve um espaço considerável e importante na trama. O Robby, por sua vez, foi para um reformatório e aconteceu o que era um pouco previsível, ele foi para o lado de John Kreese. Esse processo do Robby me lembra um pouco o processo de Daniel no terceiro filme que ele vai para o Cobra Kai. Será que é isso que devemos esperar para a próxima temporada?

    Uma personagem que também teve destaque foi a Tory (Peyton List), teve uma breve abordagem de sua história nessa temporada, e ela se revela como uma verdadeira líder dos Cobra Kai, tanto que Kreese vê um grande potencial nela e até a ajuda em questões pessoais para que ela siga com os treinos.

    O segundo ponto mais alto, para mim, foi a Ali (Elisabeth Shue). Sim!!! Para quem estava especulando a sua volta, ela foi confirmada na terceira temporada. Apesar de muito nostálgico vê-la novamente na série, acredito que foi uma aparição breve, não acho que ela retorne na quarta temporada. Ela veio em um momento importante da trama que é curar as feridas do passado tanto de Daniel quando de Johnny, e isso deu uma abertura muito grande para o ponto mais importante da série, a união de Daniel e Johnny contra Kreese no torneio Regional.

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    Johnny e Ali – Imagem Reprodução/Netflix

    Desde a ultima temporada eu enxergava Daniel e Johnny como o equilíbrio, e pensei nessa possibilidade deles se juntarem contra o Kreese, e foi o que exatamente aconteceu. Agora fica a pergunta para a quarta temporada, como vai ser essa união de Daniel e Johnny? E o Robby será que ele vai se arrepender antes do torneio, ou vamos ver vê-lo competindo como Cobra Kai?

    Falei tanto da trama, mas e as lutas? Bom sobre as lutas, já vi melhores em outras séries, mas sinceramente, isso não me incomoda, uma vez que a série em si me chama muito mais atenção. Essa temporada achei que tem menos treinamento, na verdade, não tem cena nenhuma de treinamento, e de lutas, bem pouco. Mas a série se mostrou tão densa nas relações entre os personagens, que o Karatê em si ficou bem em segundo plano.

    No geral, Cobra Kai vem pra mostrar que a série não sobrevive só de karatê, que dá pra explorar os personagens com uma temporada mais densa, sem perder o nível que vem mostrando desde a primeira temporada. Para mim sem dúvidas, é a melhor temporada.

  • COBRA KAI – 1ª e 2ª Temporada

    COBRA KAI – 1ª e 2ª Temporada

    Sim, nosso site é sobre kung fu, e sim, esse seriado é sobre karatê, mas como amantes das artes marciais, não podemos ignorar o fato que o filme “Karatê Kid” foi um clássico dos anos 80.

    Qual filme que transforma um menino que sofria bullying em um grande lutador de Karatê, ainda mais ensinado por um Mestre pouco convencional? Qual mestre que ensina seu discípulo a lutar encerando o chão ou pintando a cerca? Pois bem, é por essas pequenas coisas que acho que esse filme marcou tanto, principalmente pelo golpe final.

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    Luta Final – Karatê Kid (1984)

    Após esse filme, vieram mais três continuações não tão boas quanto o primeiro, sendo dois deles com o Ralph Macchio, o Daniel LaRusso, e o último Karatê Kid foi com, além do Mestre Miyagi (Pat Morita), Hilary Swank, que seria uma “sucessora” do Daniel – San, mas a sua audiência não foi muito boa.

    Continuações são muito difíceis, tem que ser algo muito planejado que iguale ao nível ou supere o anterior. Isso também acontece com o reboot, no caso do Karatê Kid de 2010, com o Jackie Chan. Foi muito legal porque tinha a ver com Kung Fu, mas também foi muita gafe colocar o nome de Karatê Kid se no filme todo o que é falado é sobre Kung Fu. Talvez nem considero muito esse filme como um reboot, apesar da história ser muito parecida.

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    Reboot – Karatê Kid (2010)

    Mas, Cobra Kai veio para quebrar todas essas continuações e reboots. Confesso que eu fui sem expectativas nenhuma e sem dúvida foi melhor do que eu esperava.

    A história se passa 30 anos após a luta entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), e como aquele torneio de karatê de All Valley, em 1984, impactou na vida de cada um deles de alguma forma. A relação de ambos fica mais “estremecida” com a volta de Cobra Kai, e isso sem dúvidas se reflete em todas as pessoas ao redor.

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    Johnny Lawrence e Daniel LaRusso em Cobra Kai

    Alguns elementos interessantes da série no geral é a introdução de novos personagens e o aprofundamento das relações entre eles, o ponto de vista de Johnny Lawrence sobre os fatos e o mais legal são os ensinamentos e filosofias das duas escolas. Tem muitos flashbacks na série, isso já da uma grande nostalgia, além das músicas terem uma “pegada” mais anos 80, mesmo sendo uma série bem atual.

    A primeira temporada foca muito nos personagens, na apresentação e no contexto nos dias de hoje, mas também tem sua porcentagem de luta, que não deixa a desejar, é muito boa e muito bem coreografada por sinal! A segunda temporada vem 100% focado na rivalidade entre Daniel LaRusso e Johnny Lawrence e no karatê. É uma temporada carregada de ótimas lutas e muito treinamento!

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    No geral Cobra Kai é, sem dúvidas, a melhor continuação que Karatê Kid poderia ter! Conseguiram construir uma história que te prende a cada episódio e que não é cansativa. Os flashbacks aparecem no tempo certo e ver Daniel e Johnny como os “Senseis” e ver a dificuldade de ensinar e não ter a mesma expertise que seus respectivos professores, foi uma ótima sacada.

    E claro, a segunda temporada termina com várias pontas abertas e muita vontade de saber o que vai acontecer na terceira temporada, já confirmada e prevista para 2020.

    Para quem tiver interesse, a primeira e segunda temporada está disponível na Netflix.