Chegou a hora de falar sobre o Bruce Lee, esse símbolo das artes marciais. A história dele é muito rica, e em poucos anos de vida ele deixou um grande legado e transformou a história das artes marciais no cinema e no mundo!
Separamos a história da vida dele em algumas partes, e hoje falaremos sobre a infância dele até a chegada aos EUA.
Bruce Lee nasceu em 27 de Novembro de 1940 em São Francisco, EUA. Seu pai, Lee Hoi Chuen, era famoso ator da ópera chinesa, e ele estava em turnê pelos EUA. Seu nome em chinês era Li Jun Fan (李振藩 ).
Porém ele teve vários nomes, primeiro um nome feminino, Sai-fon (細鳳). A mãe de Bruce Lee havia perdido o primeiro filho no nascimento, e segundo superstições é um péssimo sinal. Adotaram uma menina chamada Phoebe, e logo em seguida tiveram o primeiro bebe biológico, Peter. Com a vinda de Bruce, o segundo bebe biológico do casal, devido a superstição, deveria vir uma menina, por isso colocaram um nome feminino para despistar os deuses. Mas logo em seguida foi batizado de Li Jun Fan. O nome Bruce Lee foi dado por uma enfermeira do hospital, a Mary Glover, e foi batizado assim segundo as leis americanas. E por fim Lee Xiaolong (李小龍; Xiaolong significa “pequeno dragão”), que seria seu nome artístico.
Aos 4 anos já acompanhava o pai nos seus trabalhos e começou a gostar de atuar. Aos 6 anos fez uma participação no filme “The Birth of a Mankind“. Aos 18 anos já tinha feito mais de 20 filmes chineses.
Uma das aparições de Bruce no cinema na década de 50
Na adolescência, Bruce bagunçava muito na sala de aula, incomodava professores e gostava de uma luta com os colegas no pátio do colégio. Lutas contra alunos de outras escolas aconteciam nas ruas de Hong Kong. Várias vezes os pais de Bruce foram chamados na delegacia, mas isso não o intimidava e organizava mais lutas. Os principais rivais de Bruce eram alunos de uma escola britânica, uma vez que chineses e britânicos não se entendiam desde as guerras comerciais no século 19, quando a rainha se instalou em Hong Kong.
Aos 13 anos, depois de ser transferido para várias escolas devido as suas confusões, resolve treinar sério com o mestre de Wing Chun, Ip Man. O estilo tem como características movimentos rápidos e econômicos e contundentes, e com esse estilo, ele aprendeu a se defender de golpes potentes e a curta distância.
Em entrevista a um canal de TV americano, e inserida no documentário “Bruce Lee in His Own Words“, Bruce Lee deu a seguinte declaração sobre a sua infância:
Da infância à adolescência, fui um cara bem problemático. Era extremamente agressivo, sem paciência. Aí, aos 13 anos, depois de passar um tempo brigando contra gangues, decidi aprender como me proteger. Muito do que aprendi sobre artes marciais foi nesse período com o mestre Ip, quando comecei a moldar meu estilo de luta. Aprendi a neutralizar a energia e a força de um oponente. Tudo isso deve ser feito, me ensinou o mestre, com precisão, sem se deixar levar pela fúria e pela afobação.
Bruce Lee campeão de Cha Cha (1958)
Para aprimorar o equilíbrio e os movimentos do corpo, ele começou a dançar Cha-Cha-Cha. Ele também estava interessando em uma dançarina, a Pearl Cho. Em 1958, ele ganhou o trofeu Crow Colony Cha-Cha Dancing Championship. Também praticou Boxe e chegou a participar de um campeonato onde venceu o tri campeão Gary Elms, da escola britânica.
Bruce Lee indo para os EUA
Em abril 1959, os pais de Bruce o mandaram para São Francisco, EUA, sua cidade natal, para fugir um pouco da sua vida conturbada, envolvida por brigas. Isso não deixa de ser verdade, mas também há relatos que, por ter nascido nos EUA, se ele se alistasse no exército americano, ganharia a cidadania. Como na época os EUA era um “país da oportunidade”, principalmente após a segunda guerra mundial, Bruce Lee era um homem ambicioso, e seus pais viram sua ida de uma forma bem positiva.
Vimos na matéria sobre Huo Yuanjia, que sua família praticava o estilo Mizongyi, e ele mesmo popularizou o estilo em 1901, no período em que a China estava sendo dominada por tropas imperialistas. Mas como é esse estilo? Quais suas características?
Mizongyi (迷蹤藝), também conhecido como Mizongquan (迷蹤拳) ou Yanqingquan (燕青拳), é um estilo de kung fu que traz muita agilidade, mobilidade e movimentos que enganam o oponente, com pés que se entrelaçam com chutes variados e muitos saltos.
É um estilo externo com influências do estilo interno. No aspecto externo, tem características da família dos Punhos Longos e do Shaolin do Norte, no aspecto interno, tem influencias do Tai Chi Chuan e Baguazhang.
É possível identificar a influencia do estilo Shaolin do Norte na versatilidade dos seus ataques. A grande mobilidade do estilo gasta muita energia, e com a influencia dos estilos internos ele consegue compensar isso.
A técnica mais conhecida do Mizongyi é o Fa Jing, que é uma descarga de energia explosiva que vem do estilo interno de Hsing I ao estilo Chen de Tai Chi combinado com o encaixe do estilo externo de Punhos Longos de Shaolin. Essa combinação traz a capacidade de gerar força rápida e flexível a qualquer distancia através de uma produção de energia eficiente de vários lugares do corpo. Os chutes e socos são rápidos no impacto, que trazem força e potência. Esse estilo não é recomendado para quem tem problemas cardíacos, e recomenda-se que o praticante tenha um nível técnico intermediário para aprender o estilo em sua essência.
Além de ser ume estilo com auto defesa muito eficaz, muitos utilizam o aprendizado do estilo para fortalecer o sistema imunológico, uma vez que que ele tem vários benefícios medicinais.
O estilo se popularizou a partir de 1901, com o Mestre Huo Yuanjia. Dizem que seu pai, Huo Endi, era sucessor da 6ª geração do estilo. Nos dias atuais, o estilo se tornou raro e não tão popular como os outros estilos, mas foi mostrado brevemente no filme “Fearless”(2006), do Jet Li, onde conta a história de Huo Yuanjia.
O Grão mestre Ye Yu Ting comandou o estilo no século XX até sua morte em 1962, aos 70 anos. Na década de 60, seus alunos, Chi Hung Marr, Raymond K. Wong e Johnny Lee foram para os EUA, Hawaii e Canadá para ensinar o sistema.
Na Inglaterra, o sistema continuou sendo ensinado como base em alguns estilos como Hsing I Ch’uan dentro da tradição Yue Jia Ba Shao. Nessa linhagem o estilo Mizong era ensinado mais para as crianças, pois os aspectos técnicos internos são menos sofisticados, ou mais externos, do que o Hsing I.
Sobre quem fundou o estilo, há registro que foi criado por Yue Fei, mas pesquisando sobre o assunto não achei evidências que ele foi o criador do estilo.
Não se sabe ao certo de onde veio, mas todas as versões aqui colocadas são apenas algumas das várias histórias que tentam explicar a sua origem. Porém, as pessoas que montam a várias linhagens chegam em um ponto em comum: Mestre Sun Tong, nascido na província de Shandong, em 1722.
Uma das histórias, dizem que o estilo Mizongyi foi criado por um monge no Templo Shaolin chamado Lu Junyi, que uniu as técnicas de Shaolin com o Neigong. Diz a lenda que o monge era muito habilidoso, mas em contra partida ele não queria treinar nenhum discípulo. Porém um jovem, Yan Qing, foi trabalhar na casa de Lu e começou a espioná-lo e treinar secretamente. Até que um dia durante o trabalho, ele e seus companheiros foram atacados por bandidos, e Yu teve que defender a todos. Depois do episódio, Lu acabou o aceitando como discípulo. Esse estilo acabou sendo chamado de Yanquinquan, em sua homenagem, pelos vários seguidores que ele conseguiu. Mas logo mudaram o nome para Mizongquan, ou seita secreta do boxe, quando viram que Lu Junyi e Yan Quan estavam sendo perseguidos pelas autoridades. Nesta fuga, há relatos que, para não serem capturados, eles levaram as tropas em labirintos e trilhas falsas. Devido a esse evento que surgiu o nome Mizongyi, que significa “Punho da Trilha Perdida”, mas também tem uma alusão das características do estilo, que tem movimentos que enganam o oponente.
Outra versão diz que o monge shaolin Qin Naluo observou uma luta entre macaquinhos e se impressionou com a fluidez dos movimentos, chamando o estilo de Nizong Quan “punho tribais de animais”, e acabou se tornando Mizong Quan devido a pronuncia.
Outra lenda diz que dois guerreiros da dinastia Tang chamados de Yan Qing, que não é o mesmo da história anterior, e Chen Zhijing, foram parar o templo Shaolin e dentro do mosteiro desenvolveram o estilo que chamaram de Mizong Quan, ou “seita secreta do Boxe”
Atualmente, um dos principais nomes do estilo é Huo Jinghong. Ela começou a praticar com cinco anos de idade, e é bisneta de Huo Yuanjia. Um texto interessante sobre a vida da Huo Jinghong está neste link.
A TV chinesa CGTN publicou em maio de 2019 uma breve matéria sobre ela, que vocês podem conferir em texto aqui ou no vídeo abaixo.
Não leu a matéria sobre o mestre Huo Yuanjia? Clique na matéria abaixo que ela pode te interessar!
Huo é símbolo de patriotismo e nacionalismo chinês desde o inicio do século XX, por desafiar combatentes estrangeiros no momento que a china estava sendo dominada por potências imperialistas, mas não se sabe se eles de fato lutaram.
Huo Yuanjia
Huo Yuanjia nasceu em 1868, na vila Xiaonanhe, que hoje é município de Tianjin, é o quarto filho de 10 filhos. Seu pai Huo Endi (霍恩第), trabalhava com agricultura e, às vezes, fazia escolta de caravanas comerciais para a Manchuria e voltava. Ele praticava o estilo Mizongquan ( 秘宗拳), mais conhecido hoje como Mizongyi (秘宗义).
Ele era um menino fraco e propenso a pegar doenças. Há relatos que ele teve asma e contraiu icterícia. Devido a saúde frágil, seu pai não quis treiná-lo, então contratou um professor particular do Japão chamado Chen Xeng-Ho, em contra partida ele aprendeu o estilo marcial da família. Mas Huo não deixou de lado seu gosto pelas artes marciais e começou a observar o pai de dia e treinando com o Chen a noite, e acabou se tornando adepto.
Em 1980 venceu sua primeira luta contra um lutador de Henan que desafiou sua família. Primeiro, seu irmão perdeu a luta, então Huo lutou e venceu com muita ousadia. Seu pai viu que ele estava apto a treinar, e aceitou como seu aluno que acabou superando seus irmãos em habilidade. Foi o começo da construção de uma grande reputação entre os artistas marciais.
Há uma história que ele se juntou ao seu pai no trabalho de escolta de caravanas, e uma das escoltas de um grupo de monges, eles foram atacados por bandidos. Huo lutou contra o chefe da quadrilha e venceu. Sua vitória se espalhou e aumentou sua fama.
Huo Yuanjia
Em 1896 se mudou para Tianjin, participava de lutas organizadas e fazia bicos, como porteiro, vendedor de lenha e como cobrador de um jovem comerciante Nong Jinsun (农劲荪), ele negociava ervas e medicamentos chineses. Os dois tiveram uma amizade forte e de longa data. Nesse período ele conhece seu discípulo mais famoso Liu Zhensheng (刘振声) e começa a ter contato com a política nacional.
Há historias que, em 1898, o Huo ajudou o Wang Zhengyi (王正宜), também conhecido como Dadaowangwu (大刀 王 五), que esteve envolvido na Rebelião dos Boxers. Wang era um comerciante muçulmano especialista em artes marciais, e era amigo de Tan Sitong (谭嗣同) que, após o fracasso da reforma dos 100 dias, foi executado e sua cabeça foi colocada em exibição. Wang, por sua vez, havia fugido para Pequim na época e acabou encontrando Huo Yuanjia, que se deram muito bem imediatamente. Huo ajudou ele voltar a Pequim furtivamente para pegar a cabeça de Tan para ser enterrada de forma descente. Depois, em 1900, Wang se uniu a Rebelião dos Boxers contra as Forças da Aliança das Oito Nações e foi morto em Pequim.
Enquanto isso, a fama de Huo se espalhou. Em 1901 (alguns lugares falam 1902), um homem forte russo estava circulando em Tianjin, desafiando combatentes chineses e os chamando de “Os doentes da Ásia”. Dizem que Huo aceitou a luta, mas o russo supostamente recuou alegando ser apenas um showman e acabou fazendo uma carta de desculpas no jornal, mas essa carta nunca foi encontrada.
Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) lutando contra Hercules O’Brian
Em 1909, o boxeador inglês Hercules O’Brien, publicou insultos nos jornais de Shanghai, chamando os chineses de fracos. Huo foi para Shanghai para uma luta com o boxeador e depois negociações consideráveis sobre as regras da luta, os termos da luta foram acertados. De acordo com alguns relatos, O’Brien deixou a cidade preocupado com a reputação de Huo e, aparentemente, a luta nunca ocorreu.Outros dizem que a luta chegou a acontecer e que O’Brien perdeu a luta. Essa luta foi uma inspiração para os Chineses que começaram a questionar esse domínio imperial.
Aproveitando a sua fama, com a ajuda de investidores, incluindo seu amigo Nong Jinsun, Huo abriu a Sociedade Atlética Jing Wu. (精 武 体操 学校 mudou mais tarde para 精 武 体育 会)com o intuito de ensinar defesa pessoal e aprimorar a saude e bem estar. Ele atraiu muitos estudantes, bem como a atenção de algumas das principais figuras da China. Ele teve apoio de amigos como Song Jiaoren e Sun Yat-sen (孙中山) que elogiou a escola e disse que “Para tornar um país forte, todos devem praticar as artes marciais.” (欲使 国 强 , 非人 人 习武) ele até enfeitou a escola com sua caligrafia (como era) inscrevendo as palavras para espírito marcial (尚武精神) e dando-a como um presente para o clube.
Huo yuanjia morreu em 1910, aos 42 anos. E ao contrário do filme “Fearless”, com Jet Li, Huo deixou a esposa, e cinco filhos, sendo dois homens, Huo Dongzhang (霍東章) e Huo Dongge (霍東閣), e três meninas, Huo Dongru (霍東茹), Huo Dongling (霍東玲) e Huo Dongqin (霍東琴).
Sua morte é cercada por histórias. Como Huo sofria de icterícia e tuberculose, ele começou fazer um tratamento com um médico japonês, que era membro da Associação japonesa de Judô de Shanghai. Há histórias que o médico convidou Huo para uma competição, onde seu aluno, Liu Zhensheng, competiu com um praticante de Judo. Ninguém sabe quem ganhou mas sabem que houve uma briga e que membros da equipe de Judô ficaram feridos, incluindo instrutores.
Parece que essa confusão influenciou um pouco na morte de uma das personalidades mais importantes da China, pois, segundo o historiador e aluno de Huo, Chen Gongzhe, que depois que ele começou a fazer o tratamento com esse médico, sua saúde piorou. Foi receitado um remédio para sua saúde, mas sua saúde foi piorando. Huo foi internado no Hospital da Cruz Vermelha de Shanghai, onde morreu 2 semanas depois. A morte de Huo Yuanjia levantou especulações sobre envenenamento sendo a causa da morte.
Em 1989, o túmulo de Huo e de sua esposa foram levados para outro lugar, e foram encontrados pontos pretos nos ossos da pélvis. Os ossos foram levados para a perícia de Tianjin que confirmaram a presença de arsênico. Mas é dificil dizer se foi por envenenamento ou se por prescrição de remédios, uma vez que o trióxido de arsênico foi usado na medicina chinesa por 2400 anos.
Outras versões dizem que Huo derrotou o chefe da associação japonesa na competição, e no banquete de comemoração da noite, Huo ficou doente repentinamente, tossindo muito. Logo em seguida ele foi levado a um hospital japonês, onde recebeu “um remédio errado”, que ocasionou sua morte.
Nunca saberemos ao certo a causa da morte, mas a versão de ser envenenado por japoneses persiste entre as várias versões, tanto que foi mostrada no filme “Fearless“.
Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) sentindo os efeitos após ser envenenado
A associação Jing Wu foi deixada para seus filhos, Huo Dongzhang e Huo Dongge.
Históricamente, Huo Yuanjia teve um papel extremamente importante na China, é como se fosse um herói chinês que “bateu de frente” com as potências estrangeiras que dominavam o país, aumentando um sentimento mais patriótico, uma busca de identidade.
Na cultura, o primeiro filme a citar Huo Yuanjia foi “Legend of a Fighter“, de 1982, com a história de um menino fraco, cujo pai recusou de ensinar kung fu devido a sua condição física. O pai, então, chama um professor japones para educar seu filho sem saber que ele é um mestre em artes marciais. O menino acaba aprendendo luta por oito anos até que ele precisa utilizar suas habilidades para defender o pai doente.
Cena do filme Fist of Legend
Outro filme que tem relação com os eventos após a sua morte é o Fist of Fury (1972) de Bruce Lee e o remake Fist of Legend (1994) com Jet Li. O personagem principal é um dos alunos de Huo Yuanjia, Chen Zhen. E por fim, retratando a sua vida, o filme que Fearless (2006), já citado aqui, que conta uma parte mais fantasiosa de sua história. Algumas informações, como a morte da família de Huo, renderam algumas polêmicas e familiares processaram Jet Li e tentaram impedir sua distribuição.
Se quiserem saber o que achamos do filme Fearless, clique aqui!
Eu sempre fico em busca de noticias e artigos sobre Kung Fu, e também só sigo coisas relacionadas ao assunto no Instagram, Facebook, Youtube, enfim, tudo isso para que eu possa estar sempre atualizada e também acrescentar um pouco mais de conhecimento no meu repertório.
Não sei se já perceberam, mas a internet tem uns “robozinhos” que sabem nossos interesses, e acabam nos mostrando links relacionados. Um desses links foi um perfil no Instagram chamado “kungfukicksfilm”. Abri o perfil e vi que era sobre um documentário de filmes de kung fu.
Cinco Venenos de Shaolin (1978) Lo Meng, à direita
Eu que amo os filmes do gênero, já fiquei interessada no que poderia ter, ainda mais que no documentário apareceriam nomes como Sammo Hung (“Enter the Fat Dragon“), Lo Meng (“Five Deadly Venons“), Ju Ju Chan (“Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny“), Chin Siu-Ho (“Tai Chi Master“), enfim…Só nomes de peso. Ia ter uma Premiere na Australia em Agosto (2019), mas como sou uma reles mortal, claro que eu não conseguiria ir. Então resolvi esperar porque uma hora esse documentário ia chegar em algum lugar ou no Youtube.
Tai Chi Master (1993) – Chin Siu-Ho e Jet Li
Agora em dezembro, quando estava vendo se colocaram mais filmes de kung fu no catálogo da Netflix, apareceu esse documentário. No começo achei que não era o mesmo, mas sim, era o documentário que eu havia visto no Instagram por acaso.
Comecei a assistir e, como não tinha visto o trailer, achei que fosse um documentário sobre os principais filmes de Kung Fu e suas produções. Porém estava extremamente enganada, o filme me surpreendeu, e ele mostra o quanto esse gênero de filme influenciou desde os filmes de hoje até na cultura de outros países como na dança do Hip Hop e no Parkour.
O documentário começa com um contexto econômico da China na década de 60 e de como o cinema foi importante para a China, uma vez que era uma colônia britânica, e coloca a Shaw Brothers Studio como precursora desse gênero, mas também não deixa de lado a importância que o estúdio Golden Harvest teve.
E claro, não podemos de deixar de dar destaque ao Bruce Lee. No filme mostra a importância que ele teve para os filmes de artes marciais assim como ele acabou divulgando uma arte que até então ninguém no ocidente conhecia. Um dos trechos do filme mostra que o próprio David Carradine não sabia o que era Kung Fu antes de fazer a série “Kung Fu“.
Bruce Lee
Além do Bruce Lee, outro ator fundamental para a revolução no cinema, sem dúvidas, foi o Jackie Chan, introduzindo uma nova era com cenas de ação extremamente arriscadas e perigosas. O documentário traz também alguns filmes americanos que foram importantes trouxeram o Kung Fu a tona, após ter uma pequena crise no gênero na década de 90, como Matrix e o Tigre e o Dragão.
Em linhas gerais, esse documentário é ótimo para mostrar como os filmes de kung fu fazem sucesso até hoje. Ele te dá um contexto histórico tanto da China quanto do mundo e consegue te dar um panorama de como esse gênero influenciou e ainda influencia a cultura no mundo todo.
Obs: agora em 2026, esse documentário já saiu do catálogo da Netflix, e está no PrimeVideo. Mas de tempos em tempos isso pode mudar!
O Tai Chi (Tai Chi) bola Qigong era um conhecimento comum tanto nas artes marciais chinesas quanto nas sociedades leigas. No entanto, sua popularidade foi limitada devido ao sigilo das técnicas de treinamento e quase desapareceu completamente nas últimas décadas.
Cada estilo de arte marcial mantinha em segredo suas próprias técnicas de treinamento de bola e as passava apenas para estudantes de confiança. Na sociedade marcial, o treinamento especial de taigong de bola era considerado crucial para levar os artistas marciais a um nível muito mais alto, tanto na condição física quanto na manifestação de energia (qi) na batalha. Esse treinamento também ensina habilidades de adesão, neutralização e detecção da intenção de um oponente em combate corpo a corpo.
Taichi Qigong Ball
Atualmente, a maioria das pessoas está familiarizada com o treinamento de das bolas medicinais, aquelas duas bolas do tamanho de pingue-pongue na palma da mão, que é reconhecida como uma das maneiras mais eficazes de melhorar a circulação do qi (energia), especialmente para os pulmões. e coração. Além disso, através deste tipo de treinamento, a condição da artrite das mãos pode ser remediada de forma eficaz. Agora é hora de trazer de volta esse treinamento tradicional e incorporá-lo a todos os estilos marciais.
As bolas de Taiji usadas nas artes marciais têm tamanhos diferentes e são feitas de uma variedade de materiais. O tamanho pode variar do tamanho de uma bola parecida com a de futebol, até aquelas bolas em formato de pingue-pongue. Existem desde bolas leves até bolas pesadas para o tipo de treinamento. Esse tipo de treinamento com bola é mais comumente praticado nas artes marciais externas chinesas, que enfatizam mais o condicionamento físico do que a circulação de energia (Chi).
Bola de Taichi/Qigong Yin Yang
Inicialmente os treinos devem começar com as mãos vazias, depois uma bola de plástico leve, até chegar em uma bola pesada para treino e fortalecimento.
O nome original do treinamento é bola de qigong Taichi “yin-yan”. Embora os métodos de treinamento sejam diferentes de um estilo para outro, a principal teoria do treinamento e os objetivos gerais são os mesmos. Os objetivos gerais de treinamento do treinamento de taigong de taiji ball são:
Fortalecer o tronco físico, especialmente a coluna vertebral e a região lombar.
Condicione os músculos, tendões e ligamentos necessários para o combate.
Gradualmente, desenvolva e circular a energia (chi).
História Bola de Taichi/Qigong Yin Yang
Ninguém sabe quando e como se originou. No entanto, logicamente, pode-se supor que quando os artistas marciais perceberam que as bolas (movimentos em círculos) era a chave crucial para neutralizar o poder rígido, eles começaram a procurar maneiras de treinar. Eles procuraram um objeto para ajudá-los a desenvolver e alcançar esse sentimento. Os objetos redondos foram adotados. Os estilos marciais internos, comparados às artes externas, provavelmente contribuíram mais para o desenvolvimento do treinamento com bola taiji, devido à ênfase significativa dos próprios movimentos circulares do Taichi.
“A prática da bola também oferece treinamento de força e alívio do estresse. Como o qigong Taichi da bola é uma combinação da prática de qigong interno (nei dan) e externo (wai dan), os benefícios para a saúde do qigong Taichi da bola podem ser divididos em duas partes, o lado interno e externo.
Benefícios Internos
Treine a mente para um nível mais alto de concentração e foco.
Melhorar o metabolismo do corpo e construir um nível abundante de qi.
Aprender a usar a mente para conduzir o qi para sua circulação a um nível mais suave.
Melhorar a circulação geral, para que a sensação de sensibilidade possa ser significativamente aumentada.
Aumentar o espírito de vitalidade.
Benefícios Externos
Fortalecer o corpo físico (ossos, ligamentos, tendões e músculos.)
Estabelecer uma raiz firme, equilíbrio e capacidade de centralização e fortalecer as três principais articulações das pernas.
Afrouxando e exercitando as articulações.
Melhorar a circulação do qi nos órgãos internos.
Melhorar a coordenação da mente, sentimento e corpo.
Sim, nosso site é sobre kung fu, e sim, esse seriado é sobre karatê, mas como amantes das artes marciais, não podemos ignorar o fato que o filme “Karatê Kid” foi um clássico dos anos 80.
Qual filme que transforma um menino que sofria bullying em um grande lutador de Karatê, ainda mais ensinado por um Mestre pouco convencional? Qual mestre que ensina seu discípulo a lutar encerando o chão ou pintando a cerca? Pois bem, é por essas pequenas coisas que acho que esse filme marcou tanto, principalmente pelo golpe final.
Luta Final – Karatê Kid (1984)
Após esse filme, vieram mais três continuações não tão boas quanto o primeiro, sendo dois deles com o Ralph Macchio, o Daniel LaRusso, e o último Karatê Kid foi com, além do Mestre Miyagi (Pat Morita), Hilary Swank, que seria uma “sucessora” do Daniel – San, mas a sua audiência não foi muito boa.
Continuações são muito difíceis, tem que ser algo muito planejado que iguale ao nível ou supere o anterior. Isso também acontece com o reboot, no caso do Karatê Kid de 2010, com o Jackie Chan. Foi muito legal porque tinha a ver com Kung Fu, mas também foi muita gafe colocar o nome de Karatê Kid se no filme todo o que é falado é sobre Kung Fu. Talvez nem considero muito esse filme como um reboot, apesar da história ser muito parecida.
Reboot – Karatê Kid (2010)
Mas, Cobra Kai veio para quebrar todas essas continuações e reboots. Confesso que eu fui sem expectativas nenhuma e sem dúvida foi melhor do que eu esperava.
A história se passa 30 anos após a luta entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), e como aquele torneio de karatê de All Valley, em 1984, impactou na vida de cada um deles de alguma forma. A relação de ambos fica mais “estremecida” com a volta de Cobra Kai, e isso sem dúvidas se reflete em todas as pessoas ao redor.
Johnny Lawrence e Daniel LaRusso em Cobra Kai
Alguns elementos interessantes da série no geral é a introdução de novos personagens e o aprofundamento das relações entre eles, o ponto de vista de Johnny Lawrence sobre os fatos e o mais legal são os ensinamentos e filosofias das duas escolas. Tem muitos flashbacks na série, isso já da uma grande nostalgia, além das músicas terem uma “pegada” mais anos 80, mesmo sendo uma série bem atual.
A primeira temporada foca muito nos personagens, na apresentação e no contexto nos dias de hoje, mas também tem sua porcentagem de luta, que não deixa a desejar, é muito boa e muito bem coreografada por sinal! A segunda temporada vem 100% focado na rivalidade entre Daniel LaRusso e Johnny Lawrence e no karatê. É uma temporada carregada de ótimas lutas e muito treinamento!
No geral Cobra Kai é, sem dúvidas, a melhor continuação que Karatê Kid poderia ter! Conseguiram construir uma história que te prende a cada episódio e que não é cansativa. Os flashbacks aparecem no tempo certo e ver Daniel e Johnny como os “Senseis” e ver a dificuldade de ensinar e não ter a mesma expertise que seus respectivos professores, foi uma ótima sacada.
E claro, a segunda temporada termina com várias pontas abertas e muita vontade de saber o que vai acontecer na terceira temporada, já confirmada e prevista para 2020.
Para quem tiver interesse, a primeira e segunda temporada está disponível na Netflix.
O Wushu Moderno é um esporte de alto rendimento (baseado nas arte marciais chinesas tradicionais, o kungfu). Modalidade que luta para virar esporte olímpico, sendo temas de diversos filmes e documentários. Um dos praticantes mais conhecidos é o ator Jet Li (Pentacampeão Chines de Wushu).
O blog convidou Rafael Viana, atleta da Seleção Brasileira para contar um pouco de sua trajetória no wushu.
1- Por que vc começou a treinar Wushu-kung fu?
Rafael Viana: Comecei a treinar Wushu com 12 anos. Um dos motivos é que eu estava acima do peso para minha idade, então havia uma pressão de meus pais para se procurar um esporte. Mas a principal inspiração mesmo para procurar o Wushu e não outro esporte estava em animações de lutas japoneas, como Naruto por exemplo. Queria muito fazer algo parecido (risos)
2- Quando entrou para a Seleção Brasileira?
RF: Meu primeiro treino na seleção Brasileira foi em 2009. Porém fui convocado para o primeiro campeonato internacional apenas em 2012 para o Panamericano no México na categoria de Nanquan Juvenil, como reserva.
3- Qual seu principais títulos? De todos qual o mais especial?
RF:Meus principais títulos foram, com certeza, o Sulamericano no Uruguai de 2017 em Nandao e o Panamericano em 2018 em todas categorias que compito. Cada um desses campeonatos foram marcos importantes de minha evolução no Wushu, seja na execução de um nandu ou na performance geral do Taolu. Sabe quando você sente que subiu um degrau muito importante em sua evolução? Foi esse o sentimento que me veio após esses dois campeonatos. Contudo, queria citar também o Universiade, no ano de 2017. Foi minha primeira competição com atletas de altíssimo nível, atletas inclusive com títulos mundiais. Esse campeonato me proporcionou uma experiência única. Ver nandus nível C, performances que chegam perto de 2.70 abrem a mente de uma forma absurda e te faz querer melhorar ainda mais. Então, esse campeonato também, apesar de não ter conquistado um título, foi um dos mais especiais em minha carreira.
4- Qual a sensação de representar o seu pais em seu primeiro Mundial ?
RF:Bom, a sensação não é só de grande responsabilidade, mas de orgulho de representar seu país internacionalmente. A força e destaque dos países americanos vem crescendo aos poucos frente às grandes potências no esporte, e eu espero fazer minha parte com um resultado positivo. Estou trabalhando duro para isso!
5- Voce ja teve lesão? Qual o sentimento e como foi a recuperação?
RF:Já sim, várias. Se tem algo que te deixa angustiado, frustrado, ansioso e triste no esporte é lesão. Principalmente porque geralmente elas aparecem no momento em que você menos desejaria que ela aparecesse. Mas não tem jeito, a paciência e a calma tem quer ser achada de alguma forma, principalmente porque a maioria das lesões tendem a ser por sobrecarga de treino. Busque ajuda médica e a reabilitação necessária. Não ignore o problema. O descanso e reabilitação do membro injuriado é necessário. Porém, nunca parei de treinar mesmo lesionado. Sempre aproveitei esses momentos para treinar outras partes que eu não focava tanto, sem forçar a lesão, claro. Focava em treinar principalmente yan shen (olhar determinado), algo extremamente necessário para performance em um taolu.
6- Ja pensou em desistir do wushu?
RF:Pensar em desistir nunca. Sempre fui muito pragmático e fiel sobre as decisões em minha vida. Cheguei a questionar se era o que eu realmente queria, quando eu entrei em um cursinho para prestar vestibular. Foi uma autoreflexão de 20 minutos, em que decidi continuar, mesmo com uma grande grande carga horária dali para frente. Desde então, nunca mais me veio esse questionamento em minha cabeça, até agora (risos).
7- Na sua opinião, o que precisa para se tornar um bom atleta?
RF:Bom, isso não é algo tão simples para se dizer. Cada atleta possui seu estilo, seus trejeitos, sua forma de encarar aquilo que aparece em sua frente. Não existe uma fórmula pronta. Pessoalmente, acho que o que torna alguém bom no que faz é com certeza determinação, o foco, paciência e resiliência. Muita resiliência. Saber lidar com todas adversidades e sempre se adaptar a elas, da melhor forma possível, para sempre continuar evoluindo. Acho que isso te levará a algum lugar que te deixe feliz.
Outro ponto muito importante que torna alguém um bom atleta é sua conduta frente ao mundo. Não digo de forma cartesiana, de cumprir regras. Mas no sentindo de sempre respeitar o próximo, independente de cor, raça, gênero, condição social ou nacionalidade. O Wu De, o código de ética no Wushu, é algo impressindível. Sempre a favor do respeito, harmonia e do amor. Nunca acima de alguém. Sem isso, por mais que você tenha tudo aquilo que eu citei anteriormente, você nunca será um bom atleta.
Rafael e Mestre Thomaz Chan
8- Quais seus ídolos no wushu?
RF:Bom, o ídolo a ser falado aqui, com certeza, é meu mestre, Thomaz Chan. Além de referência na questão técnica, ele sempre foi uma referência naquilo que comentei antes, o Wu De. Muito do que sou agora foi fruto de seus conhecimentos e experiências que absorvi dele. Até hoje me recordo do ano de 2010, ainda bem jovem com 16 anos. Não havia sido convocado para a seleção brasileira aquele ano e por isso estava decepcionado comigo mesmo. Foi apenas uma frase: “Tenha paciência, treine forte que os frutos serão colhidos”. Até hoje, a cada conquista que tenho, essa frase me volta à cabeça (risos). Com certeza, ele é a principal referência que eu tenho no esporte.
9- Qual conselho voce daria para quem esta iniciando no wushu?
RF:Iniciar Wushu, observando meus poucos alunos que já tive, é algo sempre muito ambíguo. Há uma ansiedade e felicidade em sempre aprender coisas novas e legais acompanhada de um pouco de tristeza e angústia quando há a comparação com atletas de alto nível, principalmente para aqueles que entram com vontade de competir. Portanto, o primeiro conselho que dou para quem inicia o wushu é sempre deixar muito claro quais são seus objetivos no esporte. Só isso já pode previnir muitas frustrações (risos). O segundo conselho é paciência. O wushu é um dos esportes mais complexos que eu conheço. Há uma infinidade de capacidades que o atleta deve ter para se obter um alto rendimento. O terceiro e último conselho, para aqueles que desejam entrar no ambiente competitivo, é que tenham resiliência e perseverança. As dificuldades serão inúmeras, afinal nem mesmo os atletas de ponta no país encontram todos os recursos mínimos para a prática. Além disso, é impossível viver apenas do esporte. Contudo, o Brasil está cada vez mais capacitado tecnicamente no ensino. Muito já mudou nos últimos dez anos para melhor, e se é algo você deseja, você tem o necessário para ser competitivo lá fora. Então sempre busque as melhores fontes para se aperfeiçoar, mesmo à distancia, e não desista daquilo que você ama.
10- Qual o seu sentimento pelo wushu?
RF:Meu sentimento pelo wushu são todos os possíveis. Encaro treinar wushu como uma criança gamer encara um video game. É onde encontro lazer, amigos, desafios e conquistas. Acho que poucas coisas conseguem te dar tantos sentimentos como o wushu. Eu realmente amo este esporte.
Frase favorita
RF:“Cresceremos do concreto.” Para variar esta é uma frase de uma animação japonesa de esporte. O time mais fraco, do protagonista, é taxado pelo atacante do principal time da liga como um concreto, onde sementes jamais se tornariam frutos. O protagonista, então, o respondeu com essa frase. Acho que essa frase se aproxima muito da minha historia de vida. Por escolher um curso com alta carga horária muitos diziam que eu não poderia me tornar um bom atleta. Em outras palavras, a medicina, curso que eu escolhi, seria o concreto, e o wushu a semente que jamais cresceria. Pois bem, estou crescendo do concreto!
A Netflix veio com uma proposta de fazer uma série onde envolve misticismo, artes marciais e máfia chinesa. E realmente cumpriram com a proposta!
Diferente de todos os gêneros da plataforma, “Wu Assassins” trouxe uma história que se passa em Chinatown de São Francisco. Um chef de cozinha, Kai Jin, interpretado por Iko Uwais (Star Wars – O Despertar da Força), foi escolhido para ser um Wu Assassin, ou um assassino de Wu. Diz a historia que cinco pessoas foram corrompidas pelos poderes elementais de Wu Xing, que são representados pelo fogo, água, terra, madeira e metal. Eles lutaram contra a China deixando milhares de mortos. Até que 1000 monges se sacrificaram para dar o poder para um escolhido para conseguir detê-los. Esse poder foi colocado em uma peça chamada fragmento dos monges.
Assim começa a história, uma busca para destruir os portadores do Wu Xing, e paralelamente a isso, Kai conta com um grupo de amigos que de alguma forma estão envolvidos com a Máfia Chinesa chamada de Tríade, liderada pelo Uncle Six, interpretado por Byron Mann.
Ying Ying (Celia Au) e Kai (Iko Uwais )
Contando a história dessa maneira, parece tudo muito confuso, e é sim muito confuso! Falando da história, é tudo muito “raso”. As coisas acontecem de repente, como a mentora Ying Ying, interpretada pela Celia Au, vir do nada e falar que o Kai é o escolhido, sem contar que ela não me convenceu pela sua interpretação. Talvez ela queria passar uma imagem de durona, autoritária, para dar aquela idéia que ele tem que cumprir essa missão, mas não me convenceu.
A maneira como foi mostrada sobre a origem do Wu Assassins e sobre os Wu Xings foi bem raso. Isso tudo poderia ser contado de outra forma, e a mentora, para mim, não foi relevante. Tanto que chegou em um ponto da série que saber sobre a existência dos Wu Xings não me incomodava, até aparecer a mentora, essa parte achei desnecessário na trama. Muitos elementos da história apareciam e iam embora sem muita explicação.
Em um certo ponto da história, o misticismo e a máfia acabam se juntando e há grandes reviravoltas na trama, isso fez com que eu continuasse a ver a série
Falando sobre luta, o filme não deixa a desejar! O primeiro episódio já começa com um “tapa na cara” de muita ação, com cenas de luta muito bem coreografadas. O ator que interpreta o Kai luta muito bem e sua agilidade impressiona. No lado feminino, contamos com a Ju Ju Chan que não deixa a desejar, ela dá um show em habilidade e agilidade. Na série, o termo “homem não luta com mulher”, não existe. Teve muita luta, sim, de homens contra mulheres, e não deixaram a desejar, foi de igual pra igual.
No geral, a Netflix entrega o proposto, como eu falei no começo um filme de artes marciais com misticismo e máfia chinesa. O mais legal do filme é o elenco principal em sua maioria ser de origem asiática em solo americano. Tem uma parte que fala muito do estereótipo, como por exemplo, chineses só comerem comidas chinesas, e também fala do reconhecimento de outros povos como americanos. E claro, não podemos deixar de falar que a série conta com a participação de Mark Dacascos, um ator e artista marcial, que ficou muito conhecido pelos seus filme de ação na década de 90.
O final da série dá a entender que pode ter uma possível segunda temporada, mas se não for renovada pela Netflix, a história teve seu desfecho. Se tiver a segunda espero que melhorem no quesito roteiro.
Pra quem gosta de muita ação, Wu Assassins entrega o prometido, e não fica um capítulo sem lutas. No geral, é uma série divertida, mas não espere muito dela. Para quem interessar, a primeira temporada está disponível na Netflix.
Não são poucas as pessoas que ao se depararem com o Sanda competitivo pela primeira vez, fazem aquele olhar de que tem algo faltando (ou sobrando) por ali. Conversando com diversas dessas pessoas, ao longo do tempo, acabei identificando que o espanto ocorre por dois motivos básicos, elas esperam encontrar os vôos e os chutes mirabolantes dos filmes de kung fu, e também esperam identificar a aplicação das formas em toda a sua pompa e plasticidade. Como não encontraram esses elementos, pelo menos a olho nu, se frustram! Tal fato não é de se admirar, muito menos de se condenar, considerando que a forma pela qual a grande maioria tem contato com as artes marciais é a via materiais de qualidade histórico-científica bastante duvidosa e de baixa qualidade. Sendo assim, tentarei, obviamente, sem a mínima pretensão de encerrar um tema tão complexo, contribuir com alguma luz sobre essa questão que chamo jocosamente de “boxificação” do kung fu, e também sobre sua esportivização, a partir de dois tópicos: histórico e técnico.
Primeiramente, dentro da questão histórica, é preciso esclarecer que tais fenômenos não são recentes, criados para adequar o Wushu ao MMA ou para concorrer com o Muay Thai, mas é sim efeito de um processo histórico que, segundo o Sifu David Ross, em seu artigo intitulado “Kung Fu and Western Boxing”, começa antes mesmo do primeiro registro escrito sobre Boxe ocidental na China, intitulado “The Technique of western Boxing”, publicado em 1920, em Shangai. O amálgama, de acordo com o autor, começa já nos primeiros contatos do ocidente com a China, durante dinastia Qing (1644-1912). Mais tarde, dando alguns saltos na linha do tempo, durante advento da china nacionalista (1912–1949), temos o início de uma movimentação mais acentuada em direção à esportivização do Sanda. Nesse período, ocorrem em toda a China competições entre centenas de participantes em diversas regiões da China, onde os melhores colocados eram selecionados para assumirem cargos nos institutos de artes marciais locais. Esses institutos tinham como objetivo organizar as artes marciais chinesas, tornando-as patrimônio nacional. Uma das edições mais famosas do evento ocorreu na província de Hangzhou, no ano de 1929, que de acordo com Yosaku, no artigo Masters of IMA, contou com a participação de 240 lutadores. Importante salientar que era possível observar referências do Boxe ocidental em muitos desses lutadores, o que teria gerado protestos por parte de alguns participantes.
Prática de técnicas de combate com luvas, no famoso Instituto de Artes Marciais de Nanjing, China, 1930.
Mais adiante, na década de 40, ocorreriam grandes combates entre lutadores chineses e estrangeiros na cidade de Shangai. Segundo Gigi Oh e Gene Ching, em um desses eventos, mestre Cai Longyun, com apenas 14 anos, ganharia destaque internacional, derrotando um lutador russo nas regras do boxe ocidental, incluindo luvas fechadas e ringue com cordas. Já entre os anos 60-80, temos o desenvolvimento e a fundação da equipe de Sanda de Beijing, pelo mestre Zhang Wenguang, que também foi responsável pelos primeiros estudos e pela organização das regras internacionais de Sanda, com características muito próximas das competições de hoje. Logo em seguida, começam as edições dos Campeonatos Mundiais de Wushu e a consolidação internacional do Sanda como a forma oficial de combate competitivo do Wushu padronizado. Importante salientar que os mestres Cai e Zhang, entre muitos outros que também construíram elos entre o Boxe ocidental e o Kung fu, eram especialistas em estilos tradicionais como Huaquan e Chanquan, alicerces do Wushu nortista contemporâneo. A importância da atuação desses professores transcendeu o tempo, permeando as escolas tradicionais e as estruturas desportivas do Wushu padronizado como um todo. Legados que ainda vivem!
Acima: Mestre Cai Longyun, especialista nos estilos Huaquan e Taijiquan, em uma de suas lutas em Shangai, China, década de 40. Abaixo: luta da categoria feminina no 14° Mundial de Wushu, Rússia, 2017.
E quanto as aplicações do Taolu dentro da competição de Sanda; elas podem acontecer ou não? Bem, nessa parte vou tomar a liberdade de trazer uma opinião pessoal, embasada nas experiências que vivi ao longo desses mais de 20 anos dentro das artes marciais chinesas. As possibilidades existem, mas devido a todas as transformações sofridas ao longo de séculos, como citado anteriormente, unidas as necessidades e adaptações impostas pelas competições modernas, não são percebidas tão facilmente a olho nu e não acontecem com a frequência que os apreciadores de um bom filme de kung fu e que os praticantes mais tradicionalistas gostariam de ver. Desta forma, sintetizei de maneira bem objetiva algumas considerações que acho importante a respeito das possibilidades de aplicação tradicional dentro da estrutura do Sanda moderno. Existe uma aplicação direta, onde temos um caráter mais externo, que são as técnicas de luta propriamente ditas, podendo ser observadas, principalmente, no contexto das projeções, uma vez que o Taolu é repleto de técnicas de quedas. E existe a aplicação indireta, onde estão inseridas questões como o condicionamento físico e mental, abrangendo desde a melhoria da concentração, até a melhoria da agilidade, criatividade e resistência do lutador. Entretanto, apesar de todas as possibilidades que as formas podem oferecer no processo de preparação interna e externa do atleta, elas parecem, com o passar do tempo, ter ficado restritas aos ambientes tradicionais de ensino, e cada vez menos utilizadas pelos sistemas de graduação modernizados. Isto pode ser observado claramente nos currículos de formação de professores e alunos de diversas instituições ao redor do mundo, onde os programas são desenvolvidos sem a exigência de conhecimentos em técnicas tradicionais como o Taolu.
Mestre Zhang Wenguang (no centro), fundador da equipe de Wushu Sanda de Beijing, com alguns de seus alunos, entre os anos 1979-80. Todos Especialistas em Taolu.
Dado o exposto, podemos concluir que
o Sanda como modalidade esportiva evoluiu de tal maneira que o treinamento das
formas, apesar de ter o potencial de ser um diferencial no desenvolvimento do
atleta, ficou restrito aos professores que optam por utilizá-lo dentro de uma
didática particular. Além disso, parece que a alta demanda por atletas
treinados especificamente para competições vem influenciando as graduações, as
regras e o jogo do Sanda, distanciando o Wushu de suas raízes tradicionais, que
devido a um longo tempo de formação, acaba por fugir dos processos dinâmicos e
extremamente específicos exigidos em um treinamento esportivo moderno. Sendo
assim, para aqueles que apostam em uma futura reunificação do Sanda com seus
aspectos técnicos mais clássicos, como vem acontecendo com o Taolu, parece que
não deve acontecer tão breve. Pelo contrário, parece se tornar algo cada vez
mais distante, levando em conta a especificidade exigida para se chegar a altos
patamares do esporte, contrapondo o caráter generalista dos métodos antigos.
Porém, apesar da modernização do Sanda ser uma discussão polêmica, com linhas
de pensamento e opiniões diversas, não se pode negar que a modalidade é mais
uma das infinitas faces do Wushu, que por sua vez carrega na sua essência um
histórico e constante transformar-se. Uma arte a ser repensada constantemente,
como fizeram os antigos mestres. Sempre fora da zona de conforto.
Os 5 venenos de Shaolin conta uma história de um mestre, do “Clã dos cinco venenos”, que treinou 5 pessoas que não se conheciam, cada uma com um estilo diferente, sendo eles: Centopéia, Cobra, Escorpião, Lagarto e Sapo.
Como ele está muito doente e prestes a morrer, ele pede para que o último discípulo dele descubra quem são essas pessoas, pois eles foram treinados com máscaras, e elimine quem está utilizando o estilo para o mal.
Como sempre, a Shaw Brother consegue fazer um filme com ótimas cenas de luta, aquele velho estilo de sempre, ataques e defesas muito bem encaixados e sincronizados, perfeitos até demais, mas é legal de ver como são bem coreografadas. Porém, senti o filme com cenas mais violentas que o de costume. Quando eu digo violentas, é violentas para a época.
Além das boas coreografias da época, que são marca dos filmes da Shaw Brothers, o filme conta com um diferencial, você se envolve com a trama do filme. Ele constrói uma narrativa, onde você tem vontade de ver e desvendar quem são as 5 pessoas e quais delas querem fazer o mal. Fora isso, eles desenvolvem mais os personagens e constroem uma relação entre eles durante o filme. Diferente dos demais filmes que é sempre o mestre que treina o discípulo que está em busca de vingança.
No geral, “Os Cinco Venenos de Shaolin” consegue explicar o porquê ele é um clássico no gênero e consegue atingir os amantes de filmes de artes marciais e os que estão apenas afim de ver uma boa história.
Uma curiosidade para quem gosta do filme e do Kill Bill, Quentin Tarantino usou como grande referência este filme para criar o grupo “Deadly Viper Assassination Squad”.
FICHA TÉCNICA: Título: Os Cinco Venenos de Shaolin Título Original: The Five Venons/ The Five Deadly Venons Ano: 1978 Diretor: Chang Cheh Elenco: Chiang Sheng, Sun Chien, Philip Kwok, Lo Mang, Wei Pei, Lu Feng, Wang Lung-Wei, Ku Feng Gênero: Artes Marciais, Ação, Drama