Autor: Saissu

  • Huo Yuanjia (霍元甲) – 1860 – 1910

    Huo Yuanjia (霍元甲) – 1860 – 1910

    Huo é símbolo de patriotismo e nacionalismo chinês desde o inicio do século XX, por desafiar combatentes estrangeiros no momento que a china estava sendo dominada por potências imperialistas, mas não se sabe se eles de fato lutaram.

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    Huo Yuanjia

    Huo Yuanjia nasceu em 1868, na vila Xiaonanhe, que hoje é município de Tianjin, é o quarto filho de 10 filhos. Seu pai Huo Endi (霍恩第), trabalhava com agricultura e, às vezes, fazia escolta de caravanas comerciais para a Manchuria e voltava. Ele praticava o estilo Mizongquan ( 秘宗拳), mais conhecido hoje como Mizongyi (秘宗义).

    Ele era um menino fraco e propenso a pegar doenças. Há relatos que ele teve asma e contraiu icterícia. Devido a saúde frágil, seu pai não quis treiná-lo, então contratou um professor particular do Japão chamado Chen Xeng-Ho, em contra partida ele aprendeu o estilo marcial da família. Mas Huo não deixou de lado seu gosto pelas artes marciais e começou a observar o pai de dia e treinando com o Chen a noite, e acabou se tornando adepto.

    Em 1980 venceu sua primeira luta contra um lutador de Henan que desafiou sua família. Primeiro, seu irmão perdeu a luta, então Huo lutou e venceu com muita ousadia. Seu pai viu que ele estava apto a treinar, e aceitou como seu aluno que acabou superando seus irmãos em habilidade. Foi o começo da construção de uma grande reputação entre os artistas marciais.

    Há uma história que ele se juntou ao seu pai no trabalho de escolta de caravanas, e uma das escoltas de um grupo de monges, eles foram atacados por bandidos. Huo lutou contra o chefe da quadrilha e venceu. Sua vitória se espalhou e aumentou sua fama.

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    Huo Yuanjia

    Em 1896 se mudou para Tianjin, participava de lutas organizadas e fazia bicos, como porteiro, vendedor de lenha e como cobrador de um jovem comerciante Nong Jinsun (农劲荪), ele negociava ervas e medicamentos chineses. Os dois tiveram uma amizade forte e de longa data. Nesse período ele conhece seu discípulo mais famoso Liu Zhensheng (刘振声) e começa a ter contato com a política nacional.

    Há historias que, em 1898, o Huo ajudou o Wang Zhengyi (王正宜), também conhecido como Dadaowangwu (大刀 王 五), que esteve envolvido na Rebelião dos Boxers. Wang era um comerciante muçulmano especialista em artes marciais, e era amigo de Tan Sitong (谭嗣同) que, após o fracasso da reforma dos 100 dias, foi executado e sua cabeça foi colocada em exibição. Wang, por sua vez, havia fugido para Pequim na época e acabou encontrando Huo Yuanjia, que se deram muito bem imediatamente. Huo ajudou ele voltar a Pequim furtivamente para pegar a cabeça de Tan para ser enterrada de forma descente. Depois, em 1900, Wang se uniu a Rebelião dos Boxers contra as Forças da Aliança das Oito Nações e foi morto em Pequim.

    Enquanto isso, a fama de Huo se espalhou. Em 1901 (alguns lugares falam 1902), um homem forte russo estava circulando em Tianjin, desafiando combatentes chineses e os chamando de “Os doentes da Ásia”. Dizem que Huo aceitou a luta, mas o russo supostamente recuou alegando ser apenas um showman e acabou fazendo uma carta de desculpas no jornal, mas essa carta nunca foi encontrada.

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    Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) lutando contra Hercules O’Brian

    Em 1909, o boxeador inglês Hercules O’Brien, publicou insultos nos jornais de Shanghai, chamando os chineses de fracos. Huo foi para Shanghai para uma luta com o boxeador e depois negociações consideráveis sobre as regras da luta, os termos da luta foram acertados. De acordo com alguns relatos, O’Brien deixou a cidade preocupado com a reputação de Huo e, aparentemente, a luta nunca ocorreu.Outros dizem que a luta chegou a acontecer e que O’Brien perdeu a luta. Essa luta foi uma inspiração para os Chineses que começaram a questionar esse domínio imperial.

    Aproveitando a sua fama, com a ajuda de investidores, incluindo seu amigo Nong Jinsun, Huo abriu a Sociedade Atlética Jing Wu. (精 武 体操 学校 mudou mais tarde para 精 武 体育 会)com o intuito de ensinar defesa pessoal e aprimorar a saude e bem estar. Ele atraiu muitos estudantes, bem como a atenção de algumas das principais figuras da China. Ele teve apoio de amigos como Song Jiaoren e Sun Yat-sen (孙中山) que elogiou a escola e disse que “Para tornar um país forte, todos devem praticar as artes marciais.” (欲使 国 强 , 非人 人 习武) ele até enfeitou a escola com sua caligrafia (como era) inscrevendo as palavras para espírito marcial (尚武精神) e dando-a como um presente para o clube.

    Huo yuanjia morreu em 1910, aos 42 anos. E ao contrário do filme “Fearless”, com Jet Li, Huo deixou a esposa, e cinco filhos, sendo dois homens, Huo Dongzhang (霍東章) e Huo Dongge (霍東閣), e três meninas, Huo Dongru (霍東茹), Huo Dongling (霍東玲) e Huo Dongqin (霍東琴).

    Sua morte é cercada por histórias. Como Huo sofria de icterícia e tuberculose, ele começou fazer um tratamento com um médico japonês, que era membro da Associação japonesa de Judô de Shanghai. Há histórias que o médico convidou Huo para uma competição, onde seu aluno, Liu Zhensheng, competiu com um praticante de Judo. Ninguém sabe quem ganhou mas sabem que houve uma briga e que membros da equipe de Judô ficaram feridos, incluindo instrutores.

    Parece que essa confusão influenciou um pouco na morte de uma das personalidades mais importantes da China, pois, segundo o historiador e aluno de Huo, Chen Gongzhe, que depois que ele começou a fazer o tratamento com esse médico, sua saúde piorou. Foi receitado um remédio para sua saúde, mas sua saúde foi piorando. Huo foi internado no Hospital da Cruz Vermelha de Shanghai, onde morreu 2 semanas depois. A morte de Huo Yuanjia levantou especulações sobre envenenamento sendo a causa da morte.

    Em 1989, o túmulo de Huo e de sua esposa foram levados para outro lugar, e foram encontrados pontos pretos nos ossos da pélvis. Os ossos foram levados para a perícia de Tianjin que confirmaram a presença de arsênico. Mas é dificil dizer se foi por envenenamento ou se por prescrição de remédios, uma vez que o trióxido de arsênico foi usado na medicina chinesa por 2400 anos. 

    Outras versões dizem que Huo derrotou o chefe da associação japonesa na competição, e no banquete de comemoração da noite, Huo ficou doente repentinamente, tossindo muito. Logo em seguida ele foi levado a um hospital japonês, onde recebeu “um remédio errado”, que ocasionou sua morte.

    Nunca saberemos ao certo a causa da morte, mas a versão de ser envenenado por japoneses persiste entre as várias versões, tanto que foi mostrada no filme “Fearless“.

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    Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) sentindo os efeitos após ser envenenado

    A associação Jing Wu foi deixada para seus filhos, Huo Dongzhang e Huo Dongge.

    Históricamente, Huo Yuanjia teve um papel extremamente importante na China, é como se fosse um herói chinês que “bateu de frente” com as potências estrangeiras que dominavam o país, aumentando um sentimento mais patriótico, uma busca de identidade.

    Na cultura, o primeiro filme a citar Huo Yuanjia foi “Legend of a Fighter“, de 1982, com a história de um menino fraco, cujo pai recusou de ensinar kung fu devido a sua condição física. O pai, então, chama um professor japones para educar seu filho sem saber que ele é um mestre em artes marciais. O menino acaba aprendendo luta por oito anos até que ele precisa utilizar suas habilidades para defender o pai doente.

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    Cena do filme Fist of Legend

    Outro filme que tem relação com os eventos após a sua morte é o Fist of Fury (1972) de Bruce Lee e o remake Fist of Legend (1994) com Jet Li. O personagem principal é um dos alunos de Huo Yuanjia, Chen Zhen. E por fim, retratando a sua vida, o filme que Fearless (2006), já citado aqui, que conta uma parte mais fantasiosa de sua história. Algumas informações, como a morte da família de Huo, renderam algumas polêmicas e familiares processaram Jet Li e tentaram impedir sua distribuição.

    Se quiserem saber o que achamos do filme Fearless, clique aqui!

  • Documentário – “Iron Fists and Kung Fu Kicks”

    Documentário – “Iron Fists and Kung Fu Kicks”

    Eu sempre fico em busca de noticias e artigos sobre Kung Fu, e também só sigo coisas relacionadas ao assunto no Instagram, Facebook, Youtube, enfim, tudo isso para que eu possa estar sempre atualizada e também acrescentar um pouco mais de conhecimento no meu repertório.

    Não sei se já perceberam, mas a internet tem uns “robozinhos” que sabem nossos interesses, e acabam nos mostrando links relacionados. Um desses links foi um perfil no Instagram chamado “kungfukicksfilm”. Abri o perfil e vi que era sobre um documentário de filmes de kung fu.

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    Cinco Venenos de Shaolin (1978) Lo Meng, à direita

    Eu que amo os filmes do gênero, já fiquei interessada no que poderia ter, ainda mais que no documentário apareceriam nomes como Sammo Hung (“Enter the Fat Dragon“), Lo Meng (“Five Deadly Venons“), Ju Ju Chan (“Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny“), Chin Siu-Ho (“Tai Chi Master“), enfim…Só nomes de peso. Ia ter uma Premiere na Australia em Agosto (2019), mas como sou uma reles mortal, claro que eu não conseguiria ir. Então resolvi esperar porque uma hora esse documentário ia chegar em algum lugar ou no Youtube.

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    Tai Chi Master (1993) – Chin Siu-Ho e Jet Li

    Agora em dezembro, quando estava vendo se colocaram mais filmes de kung fu no catálogo da Netflix, apareceu esse documentário. No começo achei que não era o mesmo, mas sim, era o documentário que eu havia visto no Instagram por acaso.

    Comecei a assistir e, como não tinha visto o trailer, achei que fosse um documentário sobre os principais filmes de Kung Fu e suas produções. Porém estava extremamente enganada, o filme me surpreendeu, e ele mostra o quanto esse gênero de filme influenciou desde os filmes de hoje até na cultura de outros países como na dança do Hip Hop e no Parkour.

    O documentário começa com um contexto econômico da China na década de 60 e de como o cinema foi importante para a China, uma vez que era uma colônia britânica, e coloca a Shaw Brothers Studio como precursora desse gênero, mas também não deixa de lado a importância que o estúdio Golden Harvest teve.

    E claro, não podemos de deixar de dar destaque ao Bruce Lee. No filme mostra a importância que ele teve para os filmes de artes marciais assim como ele acabou divulgando uma arte que até então ninguém no ocidente conhecia. Um dos trechos do filme mostra que o próprio David Carradine não sabia o que era Kung Fu antes de fazer a série “Kung Fu“.

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    Bruce Lee

    Além do Bruce Lee, outro ator fundamental para a revolução no cinema, sem dúvidas, foi o Jackie Chan, introduzindo uma nova era com cenas de ação extremamente arriscadas e perigosas. O documentário traz também alguns filmes americanos que foram importantes trouxeram o Kung Fu a tona, após ter uma pequena crise no gênero na década de 90, como Matrix e o Tigre e o Dragão.

    Em linhas gerais, esse documentário é ótimo para mostrar como os filmes de kung fu fazem sucesso até hoje. Ele te dá um contexto histórico tanto da China quanto do mundo e consegue te dar um panorama de como esse gênero influenciou e ainda influencia a cultura no mundo todo.

    Obs: agora em 2026, esse documentário já saiu do catálogo da Netflix, e está no PrimeVideo. Mas de tempos em tempos isso pode mudar!

    Assista o Trailer:

  • COBRA KAI – 1ª e 2ª Temporada

    COBRA KAI – 1ª e 2ª Temporada

    Sim, nosso site é sobre kung fu, e sim, esse seriado é sobre karatê, mas como amantes das artes marciais, não podemos ignorar o fato que o filme “Karatê Kid” foi um clássico dos anos 80.

    Qual filme que transforma um menino que sofria bullying em um grande lutador de Karatê, ainda mais ensinado por um Mestre pouco convencional? Qual mestre que ensina seu discípulo a lutar encerando o chão ou pintando a cerca? Pois bem, é por essas pequenas coisas que acho que esse filme marcou tanto, principalmente pelo golpe final.

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    Luta Final – Karatê Kid (1984)

    Após esse filme, vieram mais três continuações não tão boas quanto o primeiro, sendo dois deles com o Ralph Macchio, o Daniel LaRusso, e o último Karatê Kid foi com, além do Mestre Miyagi (Pat Morita), Hilary Swank, que seria uma “sucessora” do Daniel – San, mas a sua audiência não foi muito boa.

    Continuações são muito difíceis, tem que ser algo muito planejado que iguale ao nível ou supere o anterior. Isso também acontece com o reboot, no caso do Karatê Kid de 2010, com o Jackie Chan. Foi muito legal porque tinha a ver com Kung Fu, mas também foi muita gafe colocar o nome de Karatê Kid se no filme todo o que é falado é sobre Kung Fu. Talvez nem considero muito esse filme como um reboot, apesar da história ser muito parecida.

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    Reboot – Karatê Kid (2010)

    Mas, Cobra Kai veio para quebrar todas essas continuações e reboots. Confesso que eu fui sem expectativas nenhuma e sem dúvida foi melhor do que eu esperava.

    A história se passa 30 anos após a luta entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), e como aquele torneio de karatê de All Valley, em 1984, impactou na vida de cada um deles de alguma forma. A relação de ambos fica mais “estremecida” com a volta de Cobra Kai, e isso sem dúvidas se reflete em todas as pessoas ao redor.

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    Johnny Lawrence e Daniel LaRusso em Cobra Kai

    Alguns elementos interessantes da série no geral é a introdução de novos personagens e o aprofundamento das relações entre eles, o ponto de vista de Johnny Lawrence sobre os fatos e o mais legal são os ensinamentos e filosofias das duas escolas. Tem muitos flashbacks na série, isso já da uma grande nostalgia, além das músicas terem uma “pegada” mais anos 80, mesmo sendo uma série bem atual.

    A primeira temporada foca muito nos personagens, na apresentação e no contexto nos dias de hoje, mas também tem sua porcentagem de luta, que não deixa a desejar, é muito boa e muito bem coreografada por sinal! A segunda temporada vem 100% focado na rivalidade entre Daniel LaRusso e Johnny Lawrence e no karatê. É uma temporada carregada de ótimas lutas e muito treinamento!

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    No geral Cobra Kai é, sem dúvidas, a melhor continuação que Karatê Kid poderia ter! Conseguiram construir uma história que te prende a cada episódio e que não é cansativa. Os flashbacks aparecem no tempo certo e ver Daniel e Johnny como os “Senseis” e ver a dificuldade de ensinar e não ter a mesma expertise que seus respectivos professores, foi uma ótima sacada.

    E claro, a segunda temporada termina com várias pontas abertas e muita vontade de saber o que vai acontecer na terceira temporada, já confirmada e prevista para 2020.

    Para quem tiver interesse, a primeira e segunda temporada está disponível na Netflix.

  • Wu Assassins – 1ª Temporada

    Wu Assassins – 1ª Temporada

    A Netflix veio com uma proposta de fazer uma série onde envolve misticismo, artes marciais e máfia chinesa. E realmente cumpriram com a proposta!

    Diferente de todos os gêneros da plataforma, “Wu Assassins” trouxe uma história que se passa em Chinatown de São Francisco. Um chef de cozinha, Kai Jin, interpretado por Iko Uwais (Star Wars – O Despertar da Força), foi escolhido para ser um Wu Assassin, ou um assassino de Wu. Diz a historia que cinco pessoas foram corrompidas pelos poderes elementais de Wu Xing, que são representados pelo fogo, água, terra, madeira e metal. Eles lutaram contra a China deixando milhares de mortos. Até que 1000 monges se sacrificaram para dar o poder para um escolhido para conseguir detê-los. Esse poder foi colocado em uma peça chamada fragmento dos monges.

    Assim começa a história, uma busca para destruir os portadores do Wu Xing, e paralelamente a isso, Kai conta com um grupo de amigos que de alguma forma estão envolvidos com a Máfia Chinesa chamada de Tríade, liderada pelo Uncle Six, interpretado por Byron Mann.

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    Ying Ying (Celia Au) e Kai (Iko Uwais )

    Contando a história dessa maneira, parece tudo muito confuso, e é sim muito confuso! Falando da história, é tudo muito “raso”. As coisas acontecem de repente, como a mentora Ying Ying, interpretada pela Celia Au, vir do nada e falar que o Kai é o escolhido, sem contar que ela não me convenceu pela sua interpretação. Talvez ela queria passar uma imagem de durona, autoritária, para dar aquela idéia que ele tem que cumprir essa missão, mas não me convenceu.

    A maneira como foi mostrada sobre a origem do Wu Assassins e sobre os Wu Xings foi bem raso. Isso tudo poderia ser contado de outra forma, e a mentora, para mim, não foi relevante. Tanto que chegou em um ponto da série que saber sobre a existência dos Wu Xings não me incomodava, até aparecer a mentora, essa parte achei desnecessário na trama. Muitos elementos da história apareciam e iam embora sem muita explicação.

    Em um certo ponto da história, o misticismo e a máfia acabam se juntando e há grandes reviravoltas na trama, isso fez com que eu continuasse a ver a série

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    Falando sobre luta, o filme não deixa a desejar! O primeiro episódio já começa com um “tapa na cara” de muita ação, com cenas de luta muito bem coreografadas. O ator que interpreta o Kai luta muito bem e sua agilidade impressiona. No lado feminino, contamos com a Ju Ju Chan que não deixa a desejar, ela dá um show em habilidade e agilidade. Na série, o termo “homem não luta com mulher”, não existe. Teve muita luta, sim, de homens contra mulheres, e não deixaram a desejar, foi de igual pra igual.

    No geral, a Netflix entrega o proposto, como eu falei no começo um filme de artes marciais com misticismo e máfia chinesa. O mais legal do filme é o elenco principal em sua maioria ser de origem asiática em solo americano. Tem uma parte que fala muito do estereótipo, como por exemplo, chineses só comerem comidas chinesas, e também fala do reconhecimento de outros povos como americanos. E claro, não podemos deixar de falar que a série conta com a participação de Mark Dacascos, um ator e artista marcial, que ficou muito conhecido pelos seus filme de ação na década de 90.

    Wu Assasins crítica destaque

    O final da série dá a entender que pode ter uma possível segunda temporada, mas se não for renovada pela Netflix, a história teve seu desfecho. Se tiver a segunda espero que melhorem no quesito roteiro.

    Pra quem gosta de muita ação, Wu Assassins entrega o prometido, e não fica um capítulo sem lutas. No geral, é uma série divertida, mas não espere muito dela. Para quem interessar, a primeira temporada está disponível na Netflix.

    Trailer:

  • Os Cinco Venenos de Shaolin

    Os Cinco Venenos de Shaolin

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    Os 5 venenos de Shaolin conta uma história de um mestre, do “Clã dos cinco venenos”, que treinou 5 pessoas que não se conheciam, cada uma com um estilo diferente, sendo eles: Centopéia, Cobra, Escorpião, Lagarto e Sapo.

    Como ele está muito doente e prestes a morrer, ele pede para que o último discípulo dele descubra quem são essas pessoas, pois eles foram treinados com máscaras, e elimine quem está utilizando o estilo para o mal.

    Como sempre, a Shaw Brother consegue fazer um filme com ótimas cenas de luta, aquele velho estilo de sempre, ataques e defesas muito bem encaixados e sincronizados, perfeitos até demais, mas é legal de ver como são bem coreografadas. Porém, senti o filme com cenas mais violentas que o de costume. Quando eu digo violentas, é violentas para a época.

    Além das boas coreografias da época, que são marca dos filmes da Shaw Brothers, o filme conta com um diferencial, você se envolve com a trama do filme. Ele constrói uma narrativa, onde você tem vontade de ver e desvendar quem são as 5 pessoas e quais delas querem fazer o mal. Fora isso, eles desenvolvem mais os personagens e constroem uma relação entre eles durante o filme. Diferente dos demais filmes que é sempre o mestre que treina o discípulo que está em busca de vingança.

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    No geral, “Os Cinco Venenos de Shaolin” consegue explicar o porquê ele é um clássico no gênero e consegue atingir os amantes de filmes de artes marciais e os que estão apenas afim de ver uma boa história.

    Uma curiosidade para quem gosta do filme e do Kill Bill, Quentin Tarantino usou como grande referência este filme para criar o grupo “Deadly Viper Assassination Squad”.

    FICHA TÉCNICA:
    Título: Os Cinco Venenos de Shaolin
    Título Original: The Five Venons/ The Five Deadly Venons
    Ano: 1978
    Diretor: Chang Cheh
    Elenco: Chiang Sheng, Sun Chien, Philip Kwok, Lo Mang, Wei Pei, Lu Feng, Wang Lung-Wei, Ku Feng
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Drama

  • Wong Jack Man vs. Bruce Lee, a verdadeira história por trás dessa luta

    Wong Jack Man vs. Bruce Lee, a verdadeira história por trás dessa luta

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    Wong Jack Man

    Como é de conhecimento por todos, ou pelo menos pela maioria, o Wong Jack Man morreu no dia 26 de dezembro de 2018. Ele residia na cidade de São Francisco – Califórnia, e era mestre de Taijiquan, Xingyiquan e do estilo Shaolin do Norte.

    Infelizmente ele não era lembrado por ser um dos representantes das artes tradicionais chinesas na América, mas sim pela sua luta com o Bruce Lee. E hoje falaremos um pouco sobre a mitologia por trás dessa história.

    A luta aconteceu no final de outubro de 1964, na academia do Bruce Lee com apenas sete testemunhas. Mas existe vários mitos envolvendo essa luta, e tentarei ir desmistificando no decorrer do texto.

    Um parênteses antes de começar, recentemente saiu um filme sobre essa luta, “Birth of the Dragon” (2017), ou em português, “A origem do dragão”. O filme se contextualiza nesse acontecimento, mas foge muito da realidade. Isso é um assunto que posso me aprofundar depois em um review do filme.

    Voltando aos fatos, um dos maiores mitos na história que envolve Bruce Lee, é que ele foi duramente criticado pelos artistas marciais de Chinatown de São Francisco, por ensinar kung fu para os ocidentais, por isso mandaram Wong Jack Man para lutar com ele. A história se contradiz, pois Bruce Lee foi para São Francisco em 1959, uma vez que por três décadas, dois mestres já lecionavam na região, o Lau Bun e Ty Wong. Em 1930, Lau Bun fundou a primeira academia na América, a Hung Sing. 

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    Lau Bun (esq.) e Ty Wong (dir.)

    Para quem não sabe, Bruce Lee nasceu em São Francisco, Califórnia, em 1940, mas cresceu em Hong Kong. Ele retornou para os EUA em 1959. O período da sua adolescência, ele treinou com o mestre de Wing Chun, Ip Man. Lembrando que ele não chegou a finalizar todas as técnicas com o mestre Ip.

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    Lau Bun e alunos avançados

    Lau Bun e Ty Wong eram muito disciplinados e não permitiam que seus alunos brigassem na rua ou desafiassem outras academias. Isso era normal em Hong Kong e foi muito presente na vida de Bruce Lee. 

    Além disso Lau Bun e Ty Wong tiveram muitos alunos ocidentais. Um dos alunos mais conhecidos era o Al Novak, um veterano de guerra que treinou com o Ty Wong, e anos mais tarde entrou o Noel O’Brien, um adolescente irlandês. Com Lau Bun treinou um havaiano, Cliffors Kamaga, e ele não fazia nenhuma oposição ao seu aluno mais graduado Bing Chan, que aceitava alunos de todos os tipos.

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    Ty Wong (centro), Noel O’Brien (acima, dir.)

    Em 1965, um mestre de kung fu respeitados em Los Angeles, deu uma entrevista para a revista Black Belt Magazine, onde ele falava explicitamente que ele estava aceitando qualquer tipo de aluno para aprender com ele.

    Claro que a quantidade de ocidentais que treinavam com Bruce Lee era muito maior, mas já podemos descartar a teoria que lecionar para “estrangeiros” naquela época era proibido. Outra parte que não faz muito sentido é que se Lau Bun e Ty Wong tinham problemas com o Bruce Lee, por que eles mandariam um outro artista marcial lutar por eles? Eles tinham condições de lutar, não?

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    Bruce Lee e seus alunos de Oakland

    Eis que surge um ponto crucial que contribuiu para todas as tensões e e nas várias histórias que envolvem Bruce Lee, a sua personalidade.

    Em 1959, assim que Bruce Lee chegou em São Francisco, ele foi até a academia de Lau Bun, e segundo o um aluno graduado Sam Louie, Bruce Lee fez algumas demonstrações e tentou falar que Wing Chun era melhor. Lau Bun o expulsou de sua academia. 

    Em 1963, Bruce Lee publicou seu primeiro livro “Chinese Gong Fu – The Philosophical Art of Self-Defense“, com a ajuda de James Lee (não tinham parentesco). James era um operário, que tinha uma reputação quando jovem de ser um lutador de rua e body builder. Naquela época ele já olhava de outra forma para as artes marciais, desenvolveu seu próprio equipamento de treino, treinos modernos na sua gararem e publicou vários livros sobre o assunto. Ele foi responsável em apresentar Bruce Lee para outros artistas marciais inovadores como o americano pioneiro do Karatê Kenpo, Ed Parker. 

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    Em Novembro 1963, na escola de kenpo do Ralph Castro: Bruce Lee, Ed Parker e James Lee.

    No livro, Bruce Lee já começa a compartilhar um pouco das suas idéias sobre as artes marciais. O problema que ele causa uma tensão quando, no capítulo “Diferenças nos estilos de Kung Fu “, ele começa a “desmontar” algumas técnicas e as fotos de estudo de caso são justamente do livro to Ty Wong, publicado em 1961. Nesse capitulo, Bruce Lee começa a distinguir o que ele chama de “Sistema superior”, que no caso é o dele, e os sistemas que ele julga como “Sistemas mais lentos”, que seria do Ty Wong, que foi apresentado no livro, e de outros mais “tradicionais”, como o de Lau Bun. Ty Wong, claro, não gostou nada disso e o chamou de “Dissidente com maus modos”. 

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    Livro: Comparação entre os estilos de Ty Wong e Bruce Lee

    Na mesma época que o livro foi publicado, Wong Jack Man veio para Chinatown. Foi o primeiro a trazer o estilo Shaolin do Norte, e já ficou popular na região por sua dedicação sua alta habilidade. Como todos estavam impressionados com o Wong Jack Man na época, o pessoal de Chinatown acabou evitando um pouco o Bruce Lee.

    Em 1964, Bruce começou a fazer demonstrações em palestras para grandes públicos, ele chamava seus pensamentos de “brigas de ruas científicas”. Ele demonstrava outros estilos, e explicava o porquê eles não funcionavam em um briga de rua. O estilo que ele mais demonstrava e depois criticava era justamente o estilo Shaolin do Norte.

    O estopim foi em Agosto de 1964, no torneiro de Karatê de Ed Parker, Long Beach Tournament. Ele começou a criticar os outros estilos, e até chegou a falar como o Mabu, ou postura do cavalo, era ineficaz. Apesar de ser um evento que sempre foi lembrado como um marco positivo, metade do público presente não viu a apresentação com bons olhos. Muitos acharam Bruce Lee arrogante, e ele se achava superior aos demais. Depois de algumas semanas ele chegou a fazer duras críticas para Lau Bun e Ty Wong no Sun Sing Theatre, no coração de Chinatown de São Francisco, onde os dois mestres eram altamente respeitados. 

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    Demonstração do Bruce Lee no Torneio de Long Beach de Karatê do Ed Parker.

    Motivos para um duelo, conseguimos reunir vários, mas onde entra Wong Jack Man dessa história?

    Existem duas teorias para essa luta: a primeira é que Wong Jack Man queria promover sua academia de Kung fu e se apropriou dessa situação de tensão para esse duelo, que claro, ia ser uma grande luta. Um jovem que estava desafiando e provocando os estilo tradicionais, contra um artista marcial de grande habilidade que virou sensação de Chinatown. Segundo David Chin, um praticante de Tai Chi na época, Wong Jack Man havia dito algo parecido na época. Mas a outra teoria que é mais falada por fontes locais na época é que simplesmente levaram Wong Jack Man para lutar.

    No dia da luta, ao todo tinha nove pessoas: Bruce Lee e Wong Jack Man; as testemunhas de Bruce Lee, sua esposa Linda Lee e seu amigo James Lee; as testemunhas de Wong Jack Man, David Chin e Chan “Bald Head” Keung (Ambos frequentavam a academia Ghee Yau Seah, uma espécie de clube de Tai Chi)  e atrás deles havia três pessoas, que segundo Wong Jack Man, foi somente para fazer bagunça.

    Segundo David Chin, a luta não durou mais que sete minutos. Apesar de David Chin e Linda Lee estarem de lados opostos, ambos tem um relato parecido:  a luta foi rápida, furiosa e longe de ser cinematográfica. Bruce Lee já deu um primeiro golpe e lutou para ver o oponente longe, e rapidamente já se viu cansado. Mas em um dos avanços de Bruce Lee, Wong tropeçou em um degrau e caiu.

    Logo Bruce Lee foi para cima e gritou se ele se rendia. Sem ter como sair, Wong não teve escolha a não ser se render. Até os dias de hoje Wong Jack Man não fala sobre o assunto, Logo depois da luta veio os exageros em cima do que aconteceu, como Wong ter feito uma Headlock no Bruce enquanto os policiais não chegavam, Bruce bater a cabeça de Wong na parede, e claro no filme “A origem do dragão“, falar que a a luta durou 20 minutos (??!!!!). Nos jornais locais,começaram as noticias a respeito da luta em que Bruce Lee e Wong Jack Man negam começar ou perder a luta.

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    Essa luta serviu para que Bruce Lee refletisse a respeito de suas técnicas e condicionamentos, foi aí que ele começou a formar o seu novo sistema de luta, o Jeet Kune Do. No sistema ele pegou uma base do Wing Chun, esgrima, boxe, além de outras artes mariciais e tem uma abordagem bem filosófica. Apesar de David Chin estar do lado oposto de Bruce Lee, ele fez a seguinte declaração: “As coisas que Bruce estava dizendo naquela época eram verdadeiras. Eu discordei dele na época, mas ele estava certo”. Não é a toa que Bruce Lee é um artista marcial fora de série, apesar de sua arrogância, ele estudou afundo as artes marciais e pegou tudo que as outras artes marciais tem de melhor e trouxe isso para o combate real. 

  • Câmara 36 de Shaolin

    Câmara 36 de Shaolin

    Um dos filmes mais importantes os estúdios Shaw Brothers, se não o mais importante, a Câmara 36 de Shaolin vem para mudar um pouco o estilos de filmes de kung fu da época. 

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    Lançado em 1978, a Câmara 36 de Shaolin conta a história de San-Te (Gordon Liu), uma lenda na história das artes marciais, que foi para o Templo Shaolin após seus amigos e familiares serem mortos pelo exército Manchu. Afim de buscar vingança, San Te tem que passar por 35 câmaras para aprender todas as técnicas de kung fu e virar monge. 

    Eis que vem algumas contradições do filme, um monge que busca vingança e quer ensinar kung fu para a população, o que vai contra as leis do mosteiro. Algumas coisas ficam em aberto, talvez o foco mesmo é nas artes marciais. Mas isso é o de menos, se comparado com o que o filme foi para época.

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    Em termos das artes marciais, ele não deixa a desejar. Acredito que nenhum outro filme de kung fu, talvez ele seja o primeiro, a mostrar um elenco, em sua maior parte, de monges, mostrando um pouco de como que é o Templo Shaolin e como é o seu treinamento, que na época ninguém sabia sobre, contribuiu muito para que ele se tornasse um dos maiores filmes de kung fu.

    A maior parte da história se passa no mosteiro, e é, sem dúvidas, a melhor parte. Ele é carregado de persistência e superação de um personagem que não sabia absolutamente nada de artes marciais. A cada câmara que San Te passa, você fica curioso para saber quais os desafios que ele vai encontrar pela frente. 

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    De uma maneira geral, a Câmara 36 de Shaolin é um filme indispensável para quem gosta de kung fu. A parte das lutas, como sempre, muito bem feitas e o personagem de Gordon Liu te cativa de alguma forma. Não é a toa que é um dos principais personagens da carreira do ator.

    Assista ao trailer:

    FICHA TÉCNICA:
    Título: A Câmara 36 de Shaolin
    Título Original: The 36th Chamber of Shaolin/ Shao Lin san shi liu fang/ Disciples of Master Killer/ Master Killer/ Shaolin Master Killer
    Ano: 1978
    Diretor: Lau Kar-leung
    Elenco: Gordon Liu, Lo Lieh, John Cheung, Norman Chu, Chia Yung Liu
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Drama, Histórico

  • Templo Shaolin – Origem

    Templo Shaolin – Origem

    Para entender um pouco da história do templo, podemos começar a entender o significado de seu nome. 

    Shaolin = Shao se refere ao Monte Shaoshi e Lin se refere a pequena floresta que tem em torno do templo. O nome já nos diz mais ou menos a sua localização.

    Localizado na província de Henan, o Monte Shaoshi é uma das montanhas que fazem parte do Monte Song, e que teve uma grande importância religiosa. O monte foi um local de peregrinação taoísta, e com a chegada do budismo na China, os missionários perceberam o potencial do local.

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    Monte Song

    O budismo cresceu muito no país e teve muitos financiadores. O primeiro foi Xiaowen (reinado de 471-499), em 495 d.C, que transferiu a capital da sua dinastia para Luoyang, local próximo de onde foi construído o Templo Shaolin, e deu fundos para o monge indiano Batuo, também conhecido como Fotuo, construir o templo. 

    Mas teve uma figura que se destacou nessa história, e ajudou muito a aumentar o carisma do Templo Shaolin: o monge Bodhidharma.

    Há muitas histórias a respeito dele, e apesar de ser considerado um dos fundadores e doutrinadores da escola Chan, muitos historiadores  o consideram como uma lenda. 

    Bodhidharma
    BodhidharmaUkiyo-e woodblock print by Tsukioka Yoshitoshi, 1887.

    Relatos sobre a vida e obra do Bodhidharma são muito contraditórios. Algumas obras citam que o monge teria 150 anos e que viria da Pérsia(Irã). As obras relacionadas a ele misturam muita realidade com ficção, algumas com prefácios falsamente atribuídos a generais. No geral, a maioria deles só relacionam o monge com o budismo.

    A história mais conhecida sobre o monge é que ele passou nove anos meditando em uma caverna em absoluto silêncio, e ensinou seus discípulos uma série de exercícios, o qi gong,  que contribuíram para melhorar as habilidades marciais dos monges. Porém, as obras que relacionariam o Bodhidharma às artes marciais foram escritas anos ou séculos após a sua morte.

    Agora, como as artes marciais começaram em um templo budista, podemos abordar em um próximo tópico. 

  • O Mestre Invencível

    O Mestre Invencível

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    Wong Fei Hung, interpretado pelo Jackie Chan, é um jovem desobediente e indisciplinado. Como punição, Wong Fei Hung é enviado pelo seu pai para ser treinado pelo seu tio So Hi, um mestre conhecido por incapacitar seus alunos.

    Porém,Wong Fei Hung mal sabe que seu tio é um velho bêbado. No começo ele não dá muito crédito ao ele, mas depois a história vai desenrolando em uma grande relação entre os dois, até que Wong aprende uma grande técnica milenar, o estilo do bêbado.

    Com o mesmo elenco do grande sucesso “O Punho de Serpente”, o Mestre Invencível alavancou a carreira do Jackie Chan, principalmente por apresentar uma grande habilidade nas artes marciais e por seu lado cômico. Um filme de grande sucesso, que abordou muito a relação do mestre com o seu discípulo, que inspirou outros filmes de artes marciais americanos, como foi o grande clássico, Karatê Kid.

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    É um ótimo filme para quem gosta do kung fu clássico, sem efeitos. Quando eu digo sem efeitos, é sem pessoas voando ou magia. Apesar de ser uma comédia, é um filme gostoso de ver, com ótima cenas de luta, coreografadas por Woo-ping. Por mais que sejam combinadas, as lutas são muito bem encaixadas, e nos abrem portas para pensarmos em outras possibilidades de utilizar as técnicas e sair um poucos dos socos e chutes tradicionais. Claro! Filme é ficção, mas nos inspira a treinar de um modo diferente. 🙂

    As cenas dos treinamentos, para mim, é uma das melhores partes do filme. É de inspirar qualquer professor kung fu a fazer o mesmo com seus alunos (rs). Poucos filmes de kung fu tem cenas de treinamento como esses. Pensando bem, os filmes mais clássicos do Jackie Chan tem um pouco essa característica de mostrar os treinamentos.

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    E por fim, não menos importante… na verdade o mais importante, é o filme nos mostrar o Estilo do Bêbado. Um estilo que exige flexibilidade, caracterizado pela imprevisibilidade e pelas acrobacias. E até onde eu sei, só tem alguns taolus (ou katis) difundidos em algumas academias aqui no Brasil, para quem se interessar.


    Confira o Trailer:

    FICHA TÉCNICA:
    Título: O Mestre Invencível
    Título Original: Drunken Master
    Ano: 1978
    Diretor: Woo-ping Yuen
    Elenco: Jackie Chan, Siu Tien Yuen, Jang Lee Hwang, Kau Lam, Dean Shek
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Comédia

  • O Mestre das Armas

    O Mestre das Armas

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    Estrelado por Jet Li, “O Mestre das Armas” foi considerado, em 2006, como o último filme de artes marciais de do ator.

    O filme conta a história de um grande mestre de kung fu da China, Huo Yuanjia. Após potências estrangeiras dominarem o país e chamarem os chineses de “Doentes da Ásia”, Huo Yuanjia decidiu lutar com quatro lutadores, em um torneio organizado pela Câmara do Comércio Estrangeiro, afim de honrar a reputação e elevar a auto-estima dos chineses. Mas antes de se tornar um grande de mestre da China, ele passa por algo muito maior, ser mestre de si mesmo. 

    Para quem gosta de kung fu, comparado com o filme Herói, O Mestre das Armas tem cenas de lutas mais voltadas para o estilo tradicional. Podemos perceber em uma das cenas de luta que um dos oponentes de Huo Yuanjia utiliza o estilo Hung Gar, além de muitas técnicas de Qin-na. A presença de pessoas “voando” no filme é quase zero comparado com o Herói.

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    Além de cenas luta entre estilos de kung fu, as lutas contra os estrangeiros envolvendo técnicas de mãos livre, lança, espada e san tie kwan, não deixam a desejar. Vemos kung fu contra boxe, esgrima e karatê. É interessante ver como as duas artes distintas se dão juntas. Claro que não é um super parâmetro, pois é uma luta combinada. Mas já dá para ter uma noção de pontos fortes e fracos de cada estilo.

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    Karatê vs Kung fu

    O filme também conta com um ótimo cenário, cada detalhe muito bem pensado, assim como o figurino, e principalmente os clássicos cabelos com longas tranças.

    Mas o que mais me chamou a atenção em todo o filme foi a história. O Jet Li, além de um grande artista marcial, é um ótimo ator! Acho a história bem densa, existe um drama muito grande com o personagem Huo Yuanjia. É uma trajetória de descoberta de valores e o real significado do kung fu, e o Jet Li consegue passar isso muito bem. Tem muitos pontos do filme que realmente te colocam em uma reflexão, não só no kung fu, mas na vida.

    De um modo geral, O Mestre das Armas é um ótimo filme para fãs de lutas mais clássicas de kung fu, conta, mesmo que de maneira mais sucinta, a história de um grande mestre de kung fu da China e o mais legal, ele te traz para várias reflexões que podem muito bem serem aplicadas no dia a dia. 

    FICHA TÉCNICA:
    Título: O Mestre das Armas
    Título Original: Fearless
    Ano: 2006
    Diretor: Ronny Yu
    Elenco: Jet Li, Collin Chou, Shido Nakamura, Yong Dong, Betty Sun
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Drama