Categoria: Biografia

  • O cinema e a divulgação do Kung fu no mundo

    O cinema e a divulgação do Kung fu no mundo

    Os filmes de ação com cenas de lutas espetaculares que vemos hoje são dessa forma graças aos filmes de Kung fu.

    Sim, os filmes de kung fu contribuíram e muito para a cultura que vemos hoje, seja nos filmes, na divulgação do kung fu pelo mundo, na própria cultura chinesa e também, segundo o documentário “Iron Fists Kung fu Kicks” (2019), contribuíram com o Hip Hop e o Parkour. Aliás, esse artigo tem uma grande base nesse documentário, que eu acho fantástico, e que vale a pena a gente detalhar um pouco mais os pontos para entender a importância dos filmes chineses.

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    Run Run Shaw, ao centro. Foto: The New York Times.

    Vamos começar lá na década de 60, em Hong Kong, quando o famoso estúdio Shaw Brothers, liderado por Run Run Shaw, começou a fazer seus filmes baseados nas famosas Óperas de Pequim, mais precisamente na Ópera Huangmei, que era um dos cinco principais gêneros de ópera chinesa. O filme The Love Eterne (1963) é basicamente uma ópera filmada. Os filmes tinham coreografias muito plásticas, a divulgação da cultura chinesa era muito forte e fazia muito sucesso. Vale destacar que atores famosos e reconhecidos como Jackie Chan, Sammo Hung, Yuen Biao são pessoas que vieram da Ópera de Pequim.

    O gênero Wuxia veio mais para frente quando o foco começou a ser filmes de ação mas, mesmo assim, as lutas eram pensadas mais na sua plasticidade do que em ser realista, tanto que você consegue ver ritmo nas lutas e acrobacias. Os arquétipos das óperas também estão presentes nos filmes, como o herói sempre aparece limpo e o vilão com uma maquiagem mais carregada ou nas poses dramáticas e trilhas sonoras com gongo, por exemplo.

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    The Love Eterne (1963). Foto: Mubi.

    A grande virada veio no final da década de 60, quando o diretor Chang Cheh, famoso por grandes clássicos como “Os 5 Venenos de Shaolin (Five Deadly Venons) – 1978“, queria deixar o filme mais realista e violento com mais sangue e deixar de lado aquelas coreografias mais “dançantes”. E também queria focar bastante no homem, na sua força e musculatura. Por isso, é muito comum ver nos filmes os treinamentos e lutas de homens sem camisa.

    Mas também vamos puxar um pouco para a história que Hong Kong passava nessa época, mais precisamente em 1967, de muita violência e dos grandes protestos contra domínio colonial britânico. Então esse sentimento de revolta e violência fomentou e casou muito com essa mudança no cinema chinês.

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    Os filmes passaram a ter mais sangue e valorizar a musculatura masculina. Filme 5 Venenos de Shaolin. Foto: Rotten Tomatoes.

    Paralelamente, na década de 60, temos Bruce Lee tentando se inserir na TV e no cinema nos EUA. Temos que destacar que o cinema nos EUA, na época, era totalmente dominado por pessoas brancas e não tinha muitos filmes de luta, uma vez que o gênero que dominava era o Faroeste. E quando havia a presença de orientais, estes eram interpretados por brancos muito estereotipados.

    Bruce Lee tentou vários papeis que foram recusados, até conseguir se inserir na série “Besouro Verde”, onde ele era o ajudante do protagonista. Apesar de ser coadjuvante, o personagem de Bruce Lee, Kato, fez muito sucesso por sua performance que nunca tinha sido vista antes. Na Ásia, o sucesso era tão grande que a série passou a se chamar “The Kato Show“. Há histórias que as câmeras não conseguiam captar a velocidade do seu movimento, logo ele tinha que fazer os movimentos mais lentos. Vale destacar que houve um “Crossover” da série Besouro Verde com a clássica série de Batman, onde eles vão para Gothan City lutar contra Batman e Robin mas, no fim, acabam se unindo.

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    Bruce Lee, à direita, como Kato. Foto: Uol.
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    Crossover de Besouro Verde e Batman. Foto: Veja.

    Voltando à trajetória de Bruce Lee, houve um fato muito importante e determinante na história que foi a série Kung fu. Bruce fez o teste para a série, foi muito elogiado mas não conseguiu o papel por ser chinês. Até porque, a série ia ser exibida no horário nobre e, infelizmente, havia um forte preconceito. Esse papel foi passado para um ator branco, David Carradine, que não tinha tido contato nenhum com as artes marciais. Segundo os produtores, ele passava uma imagem mais calma e contemplativa para um monge.

    A série, para quem não conhece, conta a história de Kwai Chang Caine (David Carradine), um monge Shaolin que, após vingar o assassinato do seu mestre, foge para o velho oeste americano atrás de seu meio irmão Danny Caine. Há histórias que a idéia da série, originalmente, foi escrita por Bruce Lee, mas os produtores da série negam. Mas anos depois a sua filha Shannon Lee, recuperou os os roteiros escritos pelo pai e produziu a série “Warrior” (2019).

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    Bruce Lee e Raymond Chow. Foto: Reprodução.

    Frustrado com Hollywood, Bruce Lee volta para Hong Kong e fecha contrato com a Golden Harvest, de Raymond Chow, que já tinha sido um executivo de confiança da Shaw Brothers. O foco das duas produtoras era bem diferente, a Shaw Brothers focava em quantidade, mas a Golden Harvest queria lançar uma estrela. Isso foi determinante para o fechamento de contrato de Bruce Lee com a produtora, pois ele teria participação nos lucros do filme, diferente do outro estúdio que os atores recebiam salário fixo sem bonificação.

    Após fechamento de contrato, a carreira de ouro de Bruce Lee começa com um filme revolucionário da época, “The Big Boss” (1971), com cenas de luta que nunca tinham sido vistas no cinema, consagrando-o como a estrela dos filmes asiáticos. Depois veio “Fist of Fury” (1972), uma grande crítica ao preconceito contra os chineses, enaltecendo o nacionalismo chinês. Os filmes de Bruce Lee conversavam com a população oprimida e isso fez com que eles fizessem cada vez mais sucesso. Foi uma mudança de filmes clássicos com coreografias muito plásticas para um estilo de luta muito mais real.

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    Bruce Lee em “The Big Boss”(1971)

    Mas o primeiro grande sucesso nos EUA não foi o filme de Bruce Lee, foi o filme “5 Dedos da morte” (1972) com Lo Lieh, com muita violência e sangue. Com esse filme, começou a despertar o interesse e curiosidade do ocidental pelas artes marciais. Só um ano depois, Bruce Lee estourou mundialmente com o filme “Operação Dragão”. Foi sucesso de bilheteria e um fenômeno global, o que levou à grande fama de Bruce Lee. Porém, infelizmente, ele faleceu seis dias antes da estreia do filme em Hong Kong e 1 mês antes da estreia nos EUA, fazendo com que ele tivesse uma fama póstuma.

    Por outro lado, esse filme fez com que o kung fu ficasse no auge mundialmente. Academias foram abertas no mundo todo e, claro, não podia ser diferente no Brasil. Graças ao filme, o kung fu foi amplamente divulgado por aqui e começamos a construir nossa história nessa época.

    O cinema ficou órfão de Bruce Lee e isso fez com que vários sósias surgissem, além de histórias bizarras que Bruce Lee tinha mudado de cara, enfim, tudo para continuar essa febre que foi Bruce Lee e o Kung Fu. E uma vertente muito importante na história foi o surgimento de filmes de artes marciais com atores negros. Como Bruce Lee era visto como símbolo de resistência contra a opressão e o sistema, a comunidade negra se sentiu muito conectada. O astro desses filmes foi Jim Kelly que treinou com Bruce Lee e também participou de Operação Dragão. Mas também tiveram outros nomes, como Ron van Clief, e protagonistas mulheres como Tamara Dobson e Jeannie Bell.

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    Jim Kelly, THREE THE HARD WAY, Allied Artists, 1974, I.V. jimkelly. Foto: IMDB

    Voltando para Hong Kong, nos anos 70 surge um nome muito importante que é Lau Kar-Leung, um grande artista marcial, ator e coreógrafo de cenas de luta. Ele quis mudar o cinema chinês e fazer filmes em que as pessoas de fato praticassem kung fu. Nessa época, surgiram grandes clássicos dos filmes que conhecemos hoje, inclusive um filme de grande sucesso que é “Câmara 36 de Shaolin” (1978), que fez Gordon Liu se tornar um ícone do gênero.

    Apesar desses filmes não retratarem uma luta, digamos que real, com coreografias muito bem encaixadas, é legal pensar na plasticidade do movimento e ver a autenticidade de cada estilo. Perceber como cada estilo se comporta em uma luta, a movimentação, os punhos. Essa é a grande magia do cinema no kung fu.

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    Gordon Liu em “Câmara 36 de Shaolin”. Foto: Reprodução.

    Em paralelo a esses filmes nascia uma estrela que é Jackie Chan. Em sua biografia, ele conta um pouco dessa trajetória, principalmente após o falecimento de Bruce Lee. E muitos produtores esperavam que ele reproduzisse o jeito de Bruce Lee, a forma de lutar e se expressar. O produtor Lo Wei , com quem ele tinha contrato, tentou essa transformação de Jackie Chan no filme “New Fist of Fury” (1976), mas foi um fracasso. Foi aí que ele foi emprestado para outro estúdio, se juntou com o diretor Yuen Woo-ping e, em 1978, fez dois grandes clássicos da sua carreira: “Snake in the Eagle’s Shadow (Punhos de Serpente)” e “Drunken Master (O Mestre Invencível)”. Foi nesses dois filmes que ele se lançou no gênero de Kung Fu Comédia. Quando o contrato com Lo Wei estava para acabar, a Golden Harvest já entrou em contato e ofereceu a Jackie Chan uma proposta para dirigir seus filmes e um orçamento gigante. E assim nasceram grandes clássicos como “Projeto A” e “Police Story“.

    Na década de 80, Jackie Chan revolucionou o cinema pelas lutas, usando objetos de cena, acrobacias e cenas perigosas que ele mesmo fazia, ou seja, ele não tinha dublê. Isso lhe rendeu muitos machucados, partes do corpo quebradas e muitas idas ao hospital. Esse novo estilo de luta que Jackie Chan trouxe e também a mudança desse cenário de estúdio fechado e cenários plásticos para um local mais urbano, fez com que a Shaw Brothers perdesse a relevância. Em 1985, ela encerra a produção de filmes focando a produção em um canal de TV, a TVB.

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    Jackie Chan em “Police Story”. Foto: Reprodução.

    Nessa época houve um boom de filmes de artes marciais. Jackie Chan, Sammo Hung, Yuen Biao, Michelle Yeoh, Chow Yun-Fat eram nomes fortes do cinema oriental, mas surgiram grandes nomes ocidentais como Cinthia Rothrock e o próprio Jean-Claude Van Damme, responsável pelo grande clássico “Bloodsport” (o Grande Dragão Branco) (1988).

    Na década de 90, houve uma crise no cinema em Hong Kong. Apesar de um nome grande, como Jet Li, surgir nessa época, aquela produção desenfreada dos filmes reduziu muito. Mas isso ocorreu por vários fatores como a repetição das fórmulas dos filmes e as produções ficaram “mais do mesmo”. Teve uma explosão de pirataria na época e também uma concorrência com Hollywood, onde os blockbusters na época estavam chamando mais atenção que o cinema local. Fora isso, em 1997 aconteceram dois fatores: uma crise financeira asiática e também a devolução de Hong Kong para a China. Nesse momento, os principais compradores de filmes, como Coreia do Sul, Taiwan e Sudestes Asiático pararam de importar filmes e houve uma instabilidade e tensão, que fez com que os astros e produtores de filmes fossem para os EUA.

    Foi aí que nasceu uma grande parceria, Yuen Woo Ping, aquele que foi diretor dos primeiros filmes de sucesso de Jackie Chan, fez a coreografia do filme Matrix (1999). Foi um filme de grande sucesso que transformou a forma de luta do cinema ocidental. Os americanos não sabiam muito bem filmar essas cenas de luta então usava-se muitos cortes rápidos para esconder que o ator não sabia fazer. Yuen Woo Ping exigiu que os atores treinassem e tivessem contato com o kung fu pelo menos 6 meses antes para que pudessem fazer a luta mais real possível. Além disso, ele levou para os EUA a técnica Wire-fu, que é a luta com cabos, onde os atores podiam “flutuar” e desferir golpes com planos mais abertos, uma herança dos filmes de Wuxia dos anos 60 e 70, da Shaw Brothers. No filme conseguimos ver algumas referências a filmes chineses como as cenas de treinamento e, principalmente, existe uma referência a Bruce Lee, quando Neo tem uma postura corporal e faz o gesto com a mão chamando Morpheus.

    Morpheus (Laurence Fishburne) e Neo (Keanu Reeves) em Matrix. Foto: Medium.

    Matrix abriu ainda mais as portas para os filmes de kung fu e, um ano depois, em 2000, veio o filme “O Tigre e o Dragão“, também coreografado por Yuen Woo Ping. Ele venceu quatro Oscars, sendo eles: Melhor filme estrangeiro, Melhor Fotografia, Melhor direção de Arte e Melhor Trilha Sonora Original. Essa foi a primeira vez na história que um filme chinês foi visto e valorizado por Hollywood.

    Depois disso, os filmes de luta e ação estão cada vez mais refinados. Muitos filmes ainda utilizam dublês e coreógrafos de Hong Kong para as cenas de lutas. Hoje em dia é muito comum ter cenas com coreografias rápidas, utilização de artigos da cena nas lutas, golpes cada vez mais agressivos e desafiadores. Mas isso, com certeza, se deve muito à trajetória do filme chinês para o mundo do cinema. E não só para o cinema, mas para a divulgação da cultura chinesa para o mundo. Toda a narrativa construída em torno do kung fu, divulgando sua história pelos filmes, fez com que o Templo Shaolin se tornasse o templo mais famoso do mundo. Não pela sua vertente religiosa, mas por ser imortalizado pela cultura pop.

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  • Frank Dux

    Frank Dux

    Um dos meus filmes favoritos, que também foi um filme de artes marciais de sucesso nos anos 80, é O Grande Dragão Branco (Bloodsport). É aquele filme que você sabe o que vai acontecer nos mínimos detalhes de cada cena, sabe os diálogos…. Como uma boa amante de filmes de artes marciais, isso acontece comigo direto.

    E uma coisa curiosa, acredito que todos que assistiram viram isso no final do filme, é que ele se baseia numa história real de Frank Dux, o ninja americano. Fui atrás de informações para confirmar a veracidade do filme, a cara real dos personagens retratados no filme e até mesmo saber como foi o torneio mais secreto, o Kumite.

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    Frank Dux e Jean-Claude Van Damme

    Investigando mais a fundo a vida de Frank Dux, comecei a perceber que vários sites apontaram controvérsias a respeito de histórias contadas por ele. Alguns sites apontaram provas contundentes que Frank Dux sempre mentiu. Vou tentar resumir aqui algumas histórias mais relevantes e fazer alguns contrapontos do filme.

    Mas primeiro, vamos fazer um breve resumo a respeito de sua história, ou pelo menos da sua origem. Ele nasceu em Abril de 1956, em Toronto, no Canadá. Quando ele tinha uns 7 anos, ele mudou para a Califórnia com a família. Agora vamos para algumas controvérsias.

    Mestre Senzo Tanaka

    No filme, Dux acaba invadindo uma casa que seria do seu mestre Senzo Tanaka. Dux é descoberto e acaba sendo treinado pelo mestre. Na história contada por Frank Dux, aos 16 anos ele foi levado para Masuda, no Japão, para treinar ninjutsu com, segundo ele, Senzo “Tiger” Tanaka, que foi um professor muito famoso da 40ª geração de decendentes de ninjas. A ideia da invasão retratada no filme foi ideia do produtor, segundo ele.

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    Roy Chiao que interpreta Senzo Tanaka em Bloodsport

    Em uma das entrevistas feita por John Johnson, do Los Angeles Times, ele comenta com Frank Dux que não achou nenhum registro em livros ou com especialistas de artes marciais a respeito de Senzo Tanaka. Dux responde que não sabia do paradeiro dele e se ele ainda estava vivo, mas anos depois ele muda a sua versão e diz que o último desejo de Tanaka era que ele competisse no Kumite. Em 2017, Dux diz que achou a certidão de óbito de Tanaka, e nela constava que ele havia morrido em Los Angeles em 1975, mas em 2016 acaba dando outras informações alegando que ele morreu no Japão. Até hoje não há registro de que ele realmente existiu.

    John Johnson também comenta com Frank Dux que o seu mestre tem o mesmo nome do comandante ninja do romance de James Bond de Ian Fleming, You Only Live Twice, mas rebatendo o comentário, Dux alega que o autor costuma basear seus personagens em pessoas reais.

    Vale destacar que na época que o filme Bloodsport saiu nos cinemas, em 1988, Dux abriu sua primeira academia de artes marciais em Los Angeles, Califórnia, e ele ensinou seu próprio estilo de luta, o Dux Ryu Ninjutsu, que foi baseado, segundo ele, nos princípios básicos do Koga Ninja de Ko-ryū.

    Carreira Militar e no Serviço Secreto da CIA

    Frank Dux serviu na Reserva de Fuzileiros Navais dos EUA de 1975 a 1981. Ele diz que foi para missões no sudeste asiático e chegou a receber uma medalha de honra. Além disso, ele alega ter sido recrutado pelo diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), William J. Casey, para trabalhar como agente secreto.

    Isso foi até contato em um livro escrito por Dux, The Secret Man, onde ele conta algumas missões como destruir um depósito de combustível na Nicarágua e uma fábrica de armas químicas no Iraque. Esse livro teve o prefácio escrito pelo Tenente Comandante Larry Simmons, que alegou, após a publicação do livro, que foi enganado, pois seu agente literário, o mesmo de Dux, pediu para ele escrever um prefácio genérico para o livro. Simmons também saiu em uma foto com Dux onde ele apresentava o livro. Na sua legenda Dux alega estar conversando sobre negócios com o líder da SEAL, mas foi desmentida também por Simmons, que acusa Dux de ser um vigarista.

    O filme retrata que ele era um valioso agente que fugiu do serviço militar para competir no torneio. Tanto que foi perseguido por dois agentes da policia para impedir que competisse. Mas não existe nenhum registro que ele era um agente da CIA. E os dois agentes que o perseguiram no filme, foi idéia do produtor, segundo Dux.

    Kumite

    E o Kumite? Será que realmente existiu esse campeonato? Ao que tudo indica, não.

    Quando Frank Dux supostamente competiu nesse torneio, ele foi realizado originalmente nas Bahamas em 1975. O interessante é que o torneio é secreto, mas após a sua vitória, Frank Dux disse que foi autorizado a dar detalhes do campeonato até para divulgar o evento para novos competidores. Mas voltando às Bahamas, primeira questão controversa na história é que o próprio ministro dos esportes do país, o Kenneth Wilson disse que seria impossível manter secreta uma competição nessa magnitude.

    Outro ponto a ser questionado é o troféu que Dux havia ganhado no torneio. Segundo John Johnson, do Los Angeles Times, ele comprou o troféu em uma loja. Além disso, Dux afirma que ele não tem mais a espada que ele ganhou na cerimônia, porque ele vendeu para tentar salvar órfãos de um barco pirata nas Filipinas.

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    Cenas do Kumite no filme Bloodsport – Bolo Yeung (Chong Li) e Jean-Claude Van Damme (Frank Dux)

    Dux chegou a indicar um homem que conheceu no Kumite, chamado Richard Robinson, para provar que realmente ele esteve no torneio. Robinson chegou a confirmar a participação de Frank Dux no evento, mas depois de descobrirem que ele e Dux estudaram juntos, Robinson disse: “Tudo bem, não sei o que dizer… Frank era um amigo meu quando eu estava em Los Angeles”. Toda essa história deu a entender que Frank Dux solicitou que Richard Robinson mentisse.

    Com tantas evidências, fica difícil dizer que Frank Dux realmente participou de um Kumite, e toda essa história não passa de uma ficção criada por ele mesmo. Pode ser que ele tenha sido campeão em algum torneio e quebrado alguns recordes, mas é difícil provar.

    Vale destacar que toda essa história só entrou em conhecimento público após John Stewart publicar um artigo sobre Frank Dux e o Kumite na revista Black Belt, em 1980. Porém o próprio autor do artigo se disse arrependido, em 1988, por ter sido ingênuo em acreditar em Dux e também por tantas questões que foram levantadas, indicando informações falsas a respeito do lutador e do torneio.

    Verdade ou não, essa história rendeu um bom roteiro para um grande clássico de filmes de artes marciais dos anos 80.

  • Bodhidharma e o Templo Shaolin

    Bodhidharma e o Templo Shaolin

    O que eu vou propor hoje é sair “um pouco da caixinha” como eu sempre proponho e mostrar um outro lado sobre a relação de Bodhidharma e as artes marciais de Shaolin. Achei algumas informações importantes que acho válido escrever um artigo só sobre isso.

    Primeiros de tudo temos que enfatizar aqui que muitas fontes ignoram a história das artes marciais antes da chegada de Bodhidharma no Templo Shaolin. Acredito que o Templo teve sim sua grande contribuição e participação nas artes marciais, mas temos que levar em consideração que foi um tempo de muitas guerras e é muito provável o desenvolvimento de lutas nessa época, e nem os templos estavam isentos nisso.

    Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011, p.41) O Livro de Wei (Weishu) diz que vários templos foram confiscado armas, e um historiado chinês chamado Kang Gewu diz que os monges praticavam jiao li como esporte. Isso desmente a crença que os monges desconheciam sobre as artes marciais antes de Bodhidharma.

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    Bodhidharma caminha sobre um caule lançado nas águas do rio Yangtzé (Estela de Shaolin, 1624)

    Bodhidharma era um monge indiano que foi para China, no monte Song, na região de Louyang nos anos de 480 e foi ele quem introduziu o budismo Chan no país de 480- 520. Algumas obras mencionam que eles esteve na região como Registro dos Mosteiros Budistas em Luoyang (Luoyang qielan ji) de 547 e também nos Registros Preciosos das Transmissões do Dharma(chuanfa baoji), que foi escrita 2 séculos após a sua chegada, e nessa obra ele fala sobre o templo ser um lugar de meditação e onde ele formou seus discípulos do budismo Chan. Porém nenhum deles cita a relação do monge com as artes marciais.

    No Registros Preciosos das Transmissões do Dharma também conta uma história famosa em que um dos discípulos de Bodhidharma, o Huike, amputa o próprio braço e dá ao monge para provar o desapego e em resposta ele foi levada a iluminação. Na obra Registro da Transmissão da Lâmpada do Período Jing (JIng de Chuangdeng lu), de 1004, acabou romantizando essa história.

    O grande motivo de várias histórias serem atribuídas ao Bodhidharma é que os escritores chineses tem o hábito de atribuir escritos a figuras lendárias. Nesse caso, muitos textos atribuídos ao monge foram escritos anos ou até mesmo séculos após a sua morte, e muitos deles estão relacionados com Qi Gong e artes marciais. Alguns dos textos atribuídos a ele são: Metamorfose de Tendões (Yi Jin Jing), Dezoito Mãos de Luohan (Shi Ba Luo Han), Limpeza da Medula Óssea (Xishui Jing), por exemplo.

    Segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011, p.44), existe uma lenda para a atribuição desses textos, onde Bodhidharma deixou uma caixa de ferro com todas as suas obras com seus discípulos antes de ir embora, e a única obra que teria sobrevivido é a Metamorfose de Tendões (Yi Jin Jing), que na verdade foi escrita por um monge taoísta Zhongheng do Monte Tiantai em 1624, onde ele escreveu dois prefácios que acabou falsamente atribuído aos famosos generais Li Jing (517-649) da dinastia Tang e Niu Gao (1087-1147) da dinastia Song. Mas já foi comprovado por historiadores de artes marciais que esse livro é uma mistura de lenda e fatos históricos.

    Diante de todos esses fatos é difícil achar alguma relação dele com o Kung Fu, por exemplo. Mas é fato que ele sim esteve no Templo Shaolin para levar o Budismo Chan para a China. Além dos escritos no próprio templo tem a presença de algumas estelas (pedras com escritos) que mostram a relação do monge com o Templo Shaolin. A mais antiga é de 728 e a de 798 relata o episódio com o Huike.

    A obra Registro da Transmissão da Lâmpada do Período Jing é citada na estela de Shaolin:

    Depois que nove anos se passaram Bodhidharma quis retornar ao oeste, para a Índia. Então, ele comandou seus discípulos, dizendo: “o tempo está próximo; cada um de vocês deveria dizer que alcançou”

    Nesse momento, o discípulo Daofu respondeu: “Como eu vejo, a função do Tao consiste em não se ligar em escrituras e não ser parte das escrituras”.

    O mestre respondeu: “você alcançou a minha pele”

    A freira Zongchi disse: “Meu entendimento, agora, é de que isso é algo como a alegria de ver a terra búdica de Akshobhya: reconhecível a primeira vista, não reconhecível a segunda vista.”

    O mestre respondeu: “você alcançou a minha carne”

    Dayou disse: “Os quatro elementos são, na raiz, vazios, e os cinco skandhas não tem existência; do meu ponto de vista, não há um único darma que possa ser alcançado”

    O mestre respondeu: ” você alcançou meus ossos”.

    Finalmente, Huike, depois de fazer uma prostração, apenas permaneceu em seu lugar. O mestre falou: “Você alcançou a minha medula.”

    Segundo Shahar(2011, p.12), nesse texto a expressão “você alcançou a minha medula” foi para expressar metaforicamente que ele atingiu a essência dos ensinamentos, e que mais tarde isso ganharia uma interpretação totalmente diferente como na tentativa de associar Bodhidharma a arte marcial de Shaolin associando a “medula” com o nome de uma manual secreto – O Clássico da Limpeza da Medula (Xisui Jin) – que o Bodhidharma supostamente teria dado ao seu discípulo. Nessa obra contém as ginásticas secretas que permaneceu em segredo por mais de um milênio, e no século VII ele ressurgiu milagrosamente para influenciar as artes marciais.

    A devoção ao Bodhidharma era tão grande no mosteiro de Shaolin que em 1125, época que o budismo Chan estava ganhando mais popularidade, construíram um templo à 800 metros do mosteiro em sua homenagem. No templo você pode encontrar uma grande pedra com a imagem do monge gravada, pois acredita-se que ele ficou 9 anos meditando na caverna que sua sombra ficou impressa na pedra.

    Em resumo, Bodhidharma só esteve no Templo Shaolin para levar o Budismo Chan, o que acaba enfraquecendo a história que muitos conhecem sobre ele ter influenciado nas artes marciais. Ele pode ter influenciado de alguma forma? Pode! Quem sabe outros textos e evidências não sejam achados para nos provar o contrário? Mas eu não estou aqui para dizer o que é certo ou errado, mas sim para te mostrar o outro lado da história.

  • Taky Kimura e o Grande Legado do Jun Fan Gung Fu

    Taky Kimura e o Grande Legado do Jun Fan Gung Fu

    Recentemente recebi um comentário de um de nossos leitores aqui do nosso site, e ele perguntava o que havia acontecido com a academia e os alunos de Bruce Lee. Eu achei a pergunta muito legal, até porque acho que acabei ignorando esse fato todo esse tempo conhecendo a história de Bruce Lee. Ok, ele nasceu na China, foi para os EUA, montou a sua academia, criou seu estilo de luta, foi para o Cinema e faleceu.

    E realmente olhando para essa “ordem cronológica” existe uma ponta solta, o que aconteceu com a sua academia, o Jun Fan Gung Fu Institute, e seus alunos?

    A primeira pessoa que veio na minha cabeça foi Dan Inosanto, e de primeira foi nele que eu pensei que continuou seu legado, acho que é o nome mais conhecido na verdade. Mas na hora eu fui buscar se a escola dele tinha o mesmo nome da escola de Bruce Lee, e não tinha. Enfim, fui buscar pelo nome da escola, e já estava esperando encontrar escolas pequenas que podem ter se apropriado do nome, até para tentar vender o Jeet Kune Do “mais fácil”. Sim, tem muitas pessoas que dizem ensinar Jeet Kune Do, cuidado para não cair nessa, pesquisem bem a origem de todo esse conhecimento, até onde sei poucos no mundo são realmente certificados, enfim… vamos parar com a polêmica…

    Voltando as minhas buscas eu achei uma página no Facebook e acabei entrando no site dessa página. Lendo, vi que sim, era realmente o site da academia e, sim, ela existe! O grande responsável pela academia é o Taky Kimura.

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    Taky Kimura

    Taky Kimura nasceu em 12 de março de 1924, em Clallam Bay, Washington, EUA. Ele era descendente de japoneses, e ele e sua família logo foram colocados em campo interno durante a segunda guerra mundial, porque eles eram japoneses, mesmo ele sendo um cidadão americano.

    Nós argumentamos com eles porque o sistema educacional nos disse que somos iguais perante a constituição. Mas então (quando a guerra veio) tudo de repente mudou e fomos colocamos em campos internos, mesmo que a gente fosse cidadãos. o Serviço de seletiva  nos colocou numa categoria 4y, que era uma classificação extraterrestre , e eles nos falaram que tinham boatos que eles iam nos pegar e nos levar para uma ilha assim que eles pudessem se livrar de nós. De qualquer forma, eles nos colocaram em um campo.

    Taky Kimura

    No pós guerra, Taky conseguiu sair desse campo e foi em busca de trabalho, mas não conseguia um trabalho descente com o sentimento anti-japoneses do povo americano, isso o deixou desmoralizado e sem motivação. E foi nessa época, em 1959, que ele conheceu Bruce Lee. Ele, na época, tinha 18 anos e era cheio de energia, enquanto Taky tinha 36 anos e estava mentalmente devastado, mas Bruce começou a anima-lo, incentivando-o a comprar roupas novas para ele se sentir mais humano, uma vez que Taky ficava todo mal vestido e sem ânimo nenhum. Bruce o incentivou em tantas coisas, que Taky começou a se sentir melhor e logo se tornaram grandes amigos, tanto que ele foi padrinho de casamento de Bruce e Linda Lee.

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    Taky, Bruce e Linda Lee

    Taky assim que conheceu Bruce, já começou a treinar com ele se tornando um dos primeiros alunos de Bruce Lee nos EUA, ao lado de Jesse Glover, James DeMile, Ed Hart, Skipp Ellsworth e LeRoy Garcia. Taky foi aluno e assistente de Lee e juntos eles praticavam e treinavam muito.

    Bruce tinha um respeito muito grande por Taky, principalmente por sua moral, e desde 1964, Taky é instrutor do Jun Fan Gung Fu Institute em Seattle. Na verdade, ele foi o primeiro instrutor da academia de Lee, e foi ele que assumiu a academia quando Bruce decidiu ir para a California tentar a carreira como ator. Bruce chegou a chamá-lo para ir com ele, mas Taky decidiu ficar e se dedicar a academia.

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    Taky e Bruce

    Taky nunca aceitou alguma compensação por seu trabalho em nome do Bruce Lee, e, além de ter ter carregado o caixão após a morte de Bruce, ele cuidou muito discretamente de seu túmulo por 30 anos. Isso demonstra muito a relação muito profunda que eles tinham um pelo outro. Ele é um homem muito respeitado na comunidade de Bruce Lee, e é um exemplo muito positivo do impacto da filosofia de Bruce Lee. Tanto que Taky e mais duas pessoas no mundo foram pessoalmente certificadas por Bruce Lee para ensinar sua arte marcial, o Jun Fan Gung Fu e o Jeet Kune Do. As outras pessoas são Dan Inosanto e James Yimm Lee (Nenhuma relação com Bruce Lee).

    Infelizmente, Taky kimura morreu em sua casa dia 7 de janeiro de 2021, aos 96 anos, e deixou alguns instrutores certificados de Jun Fan Gung Fu, e um deles é seu filho Andy Kimura, que ainda dá aula no Jun Fan Gung Fu, em Seattle.

    Abaixo fica um vídeo de um mini documentário sobre Taky Kimura. E agradeço o nosso leitor pelo insight de trazer um tema diferente para o nosso site!

  • Jet Li (李连杰)

    Jet Li (李连杰)

    Jet Li, ou Li Lianjie (nome de batismo), nasceu dia 26 de Abril de 1963, em Beijing na China. Ele era o caçula de cinco filhos, e a vida de sua família não foi fácil depois da morte de seu pai, quando ele tinha dois anos.

    Em 1971, quando tinha oito anos ele se matriculou na escola Beijing Amateur Sports, onde começou a estudar Wushu em um programa de verão. Ele foi um dos poucos estudantes que continuaram o treino depois desse programa, e nessa época já era visível o talento que ele tinha para artes marciais, seus treinadores Li Junfeng e Wu bin foram os que mais se esforçaram para ajudar a aprimorar suas técnicas. Jet li atingiu um nível tão bom, que aos nove anos ele ganhou um prêmio de excelência no Campeonato Nacional de Wushu. Devido sua grande habilidade e velocidade no Wushu, seu apelido virou Jet, e que acabou dando origem ao seu nome artístico.

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    Jet Li e o Time de Wushu

    Wu Bin teve um papel importante para a vida de Li, pois após a morte do pai, ele e sua família viveram na pobreza, e Bim chegou a comprar carne para o Jet Li e para a família, até porque a alimentação era muito importante na vida de um atleta.

    Em 1974, ele ganhou seu primeiro campeonato nacional, e acabou fazendo uma turnê mundial para fazer algumas apresentações, e uma delas é muito conhecida onde ele se apresenta para o Presidente Richard Nixon, na Casa Branca dos EUA. O presidente dos EUA até o chama para ser seu guarda costas pessoal, e o pedido foi negado por Li.

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    Jet Li e Presidente dos EUA Richard Nixon

    Quando ele tinha doze anos ele sofre um pequeno acidente em um campeonato, os Jogos Nacionais da China, cortando sua cabeça com o seu Facão (Dao), mas isso não impediu que ele ficasse em primeiro lugar. Ele era muito talentoso a ponto de ganhar um título, em 1979,  de Campeão Nacional de Wushu na China.

    Meu primeiro lugar me causou uma grande sensação porque eu era muito jovem. Eu tinha 12 anos, e os outros dois medalhistas tinham entre 20 e 30 anos. Durante a cerimônia de premiação, enquanto eu estava no topo do pódio, eu era ainda pequeno do que o segundo e o terceiro lugar. Deve ter sido uma visão e tanto.

    Jet Li China’s Internet Celebrity

    Alguns estilos de wushu que o Jet Li é especialista: Chang Quan (punho longo do Norte) e Fanzinquán. Outros estilos e acabou estudando como Baguazhang, taijiquan, Xing Yi Quan, Zui Quan (Estilo do Bêbado), Ying Zhao Quan (Garra de águia)e Tanglangquan (Louva-a-deus). Ele também tem grande habilidades em algumas armas como Sanjiegun (bastão de 3 seções), Gun (Bastão longo de Wushu), Dao (Facão), jian (espada reta).

    Aos 18 anos, Jet li decidiu se aposentar do Wushu, depois de uma lesão no joelho, mas ele continuou sendo assistente de treinador do time de Beijin de Wushu por alguns anos.

    Li decide seguir sua carreira no cinema, e em 1982, saiu o filme Shaolin Temple, e foi um sucesso na China, e logo ele já virou um astro. O filme fez tanto sucesso que ele acabou filmando mais duas sequências. Em 1986, ele se aventurou em dirigir um filme, o Born to Defend (Nascido para Vencer), mas não fez muito sucesso.

    Em 1987, Jet li se casa com a estrela do filme Kids from Shaolin, e também membro o time de wushu de Beijing, Huang Qiuyan, com quem teve duas filhas, mas se divorciaram em 1990.

    Em 1988, ele decidiu ir para os EUA para tentar uma carreira de sucesso no país, mas ele conseguiu nenhum grande papel, até porque ele não tinha um inglês muito bom. Jet Li acaba indo para Hong Kong, e nessa época os filmes de  kung fu estavam no auge, e ele consegue um grande papel, em 1991, em Once Upon A Time in China (Era uma vez na China) interpretando o Wong Fei Hung e nos filmes do Fong Sai-Yuk.

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    Jet Li como Fong Sai Yuk (1993)

    Outros filmes muito conhecidos desse período foram Tai Chi Master (Batalha de Honra – 1993); Fist of Legend (Lutar ou Morrer – 1994) que foi um remake do clássico do Bruce Lee, Fist of Fury (Dragão Chinês); e claro que tem muitos outros títulos que para uma fã como eu já vi vários, mas tentei deixar os mais relevantes.

    No meio da década de 90, foi um período conturbado para o cinema chinês, essa influência negativa no cinema veio da má fase da economia asiática e também de algumas coisas da China Comunista.  Isso deixou Jet Li cansado preparado para se aposentar. Ele acabou focando bastante na sua vida espiritual estudando Budismo Tibetano, mas seu mentor disse para ele continuar no seu trabalho.

    Logo Jet Li conseguiu um papel em um filme americano, Lethal Weapon 4 (Máquina Mortífera 4), para interpretar o vilão do filme, com Mel Gibson e Danny Glover no elenco. Nessa época, ele se mudou para Los Angeles e faz um intensivo de inglês para fazer o filme. Foi o grande salto na carreira do Jet Li, que ficou muito conhecido na América, e muitos dizem que ele foi o grande destaque do filme. Seu próximo sucesso americano foi Romeo Must Die (Romeu Tem que Morrer), uma adaptação urbana da obra de Shakespeare, Romeu e Julieta. Jet Li foi muito elogiado pela revista Time, e o filme arrecadou $100 milhões.

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    Jet Li com Danny Glover e Mel Gibson em Máquina Mortífera 4 (1998)

    Em 1999, ele se casa com Nina Li, uma atriz de Hong Kong, com quem teve mais duas filhas. E em uma entrevista ele disse que recusou o papel de Li Mu Bai, que foi dado ao Chow Yun-Fat, do sucesso Crouching Tiger, Hidden Dragon (O Tigre e o Dragão), pois ele havia prometido para a sua esposa que não aceitaria nenhum trabalho quando ela engravidasse. Além desse trabalho, ele recusou outros papeis como interpretar o Seraph na trilogia de Matrix, pois ele acreditava que o papel não precisaria das suas habilidade e que o filme já era icônico e impressionante para colocar o nome dele no elenco. O nome de Li também estava no elenco do remake de The Green Hornet, para interpretar Kato, nos anos 2000, mas houve mudanças de estúdio em 2001, e quando o filme foi pra frente isso era só em 2011 e o papel já ficou com o ator Jay Chou.

    Depois do nascimento da sua filha, Jet Li já viajou para Paris para gravar Kiss of the Dragon(O Beijo do Dragão), onde ele interpreta um policial que luta contra a corrupção na polícia francesa. Esse filme foi dirigido e produzido por Luc Besson com Bridget Fonda no elenco. Foi outro grande sucesso de ação, porém Jet Li postou uma nota falando que a classificação indicativa do filme era alta e não era apropriado para crianças, e que o próximo filme, The One (O Confronto) seria mais indicado para a família.

    The One chegou em 2001 e não foi muito bem aceito pela crítica. Nesse filme Jet Li interpretava dois personagens, um era bom e outro era o “do mal”. Depois desse filme, ele volta para a China para fazer o filme Hero (Herói), que saiu em 2002, do diretor Zhang Yi Mou, interpretando o papel de um guerreiro na China antiga. O filme fez muito sucesso, chegando a ganhar $17.8 milhões na primeira semana, um record para um filme asiático. Além disso, o filme concorreu concorreu ao Oscar de Filme estrangeiro em 2003.

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    Jet Li em Herói (2002)

    Em 2003, depois do sucesso de Hero, Jet Li deu a voz e também fez algumas cenas de luta para o jogo do PlayStation 2, Rise to Honor e também participou do filme Cradle 2 the Grave (Contra o Tempo), do mesmo produtor de Romeu Must Die (Romeu tem que Morrer), e em 2005, fez o filme Unleashed (Cão de Briga).

    Jet Li é muito ligado com a espiritualidade, medita pelo menos 1 hora por dia, e ele sempre olhou seu trabalho como uma forma de mostrar a filosofia do budismo pelas artes marciais para os americanos. Mas em uma entrevista para o Men’s Health, ele disse que estava triste que as pessoas só davam importância para as lutas.

    Sempre que eu trabalho nos EUA, as pessoas mais jovem falam ‘Yeah Jet Li! Você chuta (bunda), blá, blá, blá’. Às vezes me sinto triste, porque eu só mostrei para eles que artes marciais machucam pessoas. Eu não tive a oportunidade de mostrar para eles que a coisa mais importante não é chuta (a bunda) de pessoas. Se você entende a cultura ocidental e oriental, você vai entender o equilíbrio do Yin-Yang. Talvez voce cresça. A arte marcial tem três níveis, o primeiro é físico, fazendo seu corpo uma arma; o segundo é usando a psicologia para ajudar nas batalhas; e o terceiro é alcançar a paz interior.

    Jet Li

    A espiritualidade é tão presente em Jet Li que ele chegou a passar 3 meses no Tibet estudando Budismo. E uma entrevista ele conta que não teme a morte e que pensamentos como esse fazem com que viver o presente seja mais precioso. Esse fortalecimento espiritual faz com que ele também consiga lidar bem com o sucesso e o fracasso.

    Jet Li estava nas Ilhas Maldivas quando houve uma tsunami no sul da Ásia, em dezembro de 2004. Ele e sua filha de quatro anos estavam no lobby do hotel quando a onda veio. Ele acabou machucando seu pé quando ele tentava correr para se salvarem. Logo depois ele posto uma mensagem falando que ele estava bem e incentivou as pessoas a ajudarem os sobreviventes da tsunami.

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    Jet Li em o Mestre das Armas (2006)

    Em 2006, ele foi estrela do filme Fearless (O Mestre das Armas), interpretando o famoso Huo Yuanjia e nessa época ele falou que seria seu último filme de Wushu. O filme foi um sucesso de bilheteria nos EUA chegando em segundo lugar no primeiro final de semana.

    Eu entrei no cinema de artes marciais quando eu tinha apenas 16 anos. Eu acho que eu provei minha habilidade nesse campo e não faria sentido para mim continuar por mais 5 ou 10 anos. Huo Yuanjia é a conclusão para a minha vida como uma estrela de artes marciais.

    Jet Li

    Apesar de declarar seu o seu último filme de Wushu, ele disse que continuaria fazendo filmes de outros gêneros. Ele planejou continuar atuando em filmes de artes marciais onde ele lidaria mais com questões de religião e filosofia.

    Em 2007, ele fez o filme War com o Jason Statham, mas foi um fracasso de bilheteria nos EUA, comparado com grandes sucessos como Kiss of the Dragon, Unleashed, e até mesmo Fearless. No final desse ano ele retornou para a China e participou do filme The Warlords com o Andy Lau e Takeshi Kaneshiro, um filme mais denso e dramático onde ele recebeu o prêmio de melhor ator no Hong Kong Film Award.

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    Jackie Chan e Jet Li nos bastidores de O Reino Proibido (2008)

    Jackie Chan e Jet Li finalmente fazem um filme juntos em 2008, The Forbidden Kingdom (O Reino Proibido), baseado na lenda chinesa do Rei Macaco. Também nesse ano ele fez o vilão, Imperador Han, no filme The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (A Múmia: a Tumba do dragão Imperador) ao lado de Michelle Yeoh e Brendan Fraser.

    Longe dos dos cinemas, em 2009, Jet Li lançou seu programa de exercícios físicos chamado Wuji. Esse programa é uma mistura de artes marciais, yoga e pilates. Em 2011, ele e Jack Ma criaram o Taiji Zen, um programa online combinando o Taijiquan e práticas de meditação.

    Depois de uma janela sem aparecer nos cinemas, Jet Li aparece nos cinemas com o filme The Expendables (Os Mercenários), em 2010, com um grande elenco dos filmes de ação. Esse filme ganhou sequência em 2012 e 2014. Na China, em 2011, ainda participou de algumas produções de Wuxia (um tipo de gênero de filme que envolve fantasia e artes marciais) como The Sorcerer and the White Snake e Flying Swords of Dragon Gate . Uma das suas últimas produções recentes é o Live-Action de Mulan, que estreou em 2020 na Disney, onde ele interpreta o imperador da China.

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    Jet Li (direita)

    Uma das últimas noticias que chocaram os fãs foi uma foto publicada em 2018, em que o ator parece muito debilitado e envelhecido. Na verdade ele sofre de hipertireoidismo desde 2010, uma doença que pode acelerar seu coração mesmo em repouso e mudar o metabolismo do corpo. Devido a isso ele não pode exercícios físicos excessivos. Mas, segundo ele, seu sumiço nos cinemas não foi por conta de sua doença, mas por conta de seus trabalhos filantrópicos, onde ele é muito engajado.

  • Ip Man (葉問) – 1893 – 1972

    Ip Man (葉問) – 1893 – 1972

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    Para quem não é do estilo Wing Chun, quando falamos do Ip Man (葉問) lembramos que ele foi o primeiro mestre de Kung Fu de Bruce Lee, há alguns que lembram dele dos filmes protagonizados pelo Donnie Yen, “O Grande Mestre”, como é conhecido no Brasil, ou apenas “Ip Man”.

    Mas Ip Man teve uma grande relevância na história do Kung Fu. Ele nasceu dia 1 de outubro de 1893, na província de Foshan, Guangdong, China. Ele é o terceiro filho de quatro irmãos. Sua infância não foi tão severa, sua era família rica e bem estruturada e ele estudou em uma escola tradicional chinesa.

    Começou a treinar Wing Chun aos 11 anos com o mestre Chan Wah Shun, se tornando o 16º e ultimo aluno. Ele treinou Ip Man por 3 anos até ter um derrame, em 1909. Após o derrame, seu mestre parou de treinar e Ip man ficou treinando com um dos alunos mais velhos de Chan, o Ng Chung-Sok (吳仲素). Foi com ele que Ip man aprendeu todas as suas técnicas e habilidades.

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    Leung Bik

    Após a morte do mestre Chan Wah Shun, aos 16 anos, Ip Man se mudou para Hong Kong e frequentou uma escola para famílias ricas e estrangeiras que moravam na cidade, a St. Stephen’s College. Ele era muito habilidoso no Wing Chun, e sempre estava envolvido em brigas com colegas de escola. Depois de uns 6 meses que ele estava em Hong Kong, um dos seus colegas de classe, o Lai, falou para Ip que o amigo do seu pai lutava kung fu e queria uma luta amigável com ele. Ip aceitou o desafio, pois na época ele achava que ninguém poderia derrotá-lo, uma vez que ele derrotava muito fácil seus colegas devido a sua habilidade, mas acabou perdendo a luta para Leung Bik. Ip ficou inconformado com a rapidez que foi derrotado, e o desafiou para um novo duelo, e acabou perdendo novamente. Depois dessa luta bem desanimado com a derrota e nunca mais falou que sabia kung fu, mas seu amigo falou que Leung Bik perguntou por ele após a luta, mas Ip estava com vergonha de voltar. Porém, Ip Man descobriu que Leung Bik havia elogiado muitos suas técnicas e que ele era filho de Leung Jan que treinou com o Chan Wah Shun, seu mestre. Ip Man acabou treinando com Leung Bik até 1911, quando Leung faleceu.

    Em 1917,  Ip Man voltou a Foshan, tinha 24 anos e se tornou policial. Apesar de não ter uma escola de artes marciais, ele ensinou Wing Chun para vários policiais, amigos e familiares.

    Entre seus alunos mais conhecidos estão Chow Kwong-yue (周光裕), Kwok Fu (富), Lun Kah (佳), Chan Chi-sun (新), Xu He-Wei (徐 和 威) e Lui Ying (應 應). O Chow era o melhor deles, mas acabou parando de praticar para se dedicar ao comércio e  Kwok Fu e Lun Kah lecionaram em Foshan e Guangdong.

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    Ip Man e seus alunos

    Ele se casou com a Cheung Wing-Sing, com que eles tiveram seus filhos: Ip Chun, Ip Ching, Ip Nga-Sum, Ip Nga-wun.

    Ip Man participou da Segunda Guerra Sino Japonesa, onde morou com o Kwok Fu, e só retornou a Foshan depois da guerra. Em 1949, começou a treinar seu filho Ip Ching, e no mesmo ano, mestre Ip, sua esposa e sua filha mais velha chegaram em Hong Kong, através de Macau, após o Partido Comunista Chinês vencer a Guerra Civil, uma vez que Ip era policial do partido de oposição.Sua esposa e filha chegaram a voltar a Foshan para resgatar suas identidades, mas a fronteira entre China e Hong Kong foi fechada e eles foram separados para sempre.

    Ip resolveu abrir uma escola de Wing Chun em Hong Kong. No inicio não foi muito bem, seus alunos ficavam alguns meses e saíam, ele chegou a se mudar algumas vezes. Mas com o tempo alguns alunos foram se graduando em Wing Chun, abriram suas próprias escolas e acabaram duelando com outros artistas marciais, e claro, as vitórias aumentam a fama de Ip man.

    Em 1955, Ip Man conhece Shanghai Po, com quem manteve um relacionamento e teve um filho, o Ip Siu-wah. Como ele não havia se separado de Cheung, Po era como se fosse sua amante, e mesmo Ip não a apresentou formalmente a seus filhos, em 1962, quando eles foram a Hong Kong. Cheung morreu em 1960 em decorrência de um câncer, assim como Po, em 1968.

    Em 1967,  surgiu a Associação Atlética de Ving Tsun ( Wing Chun) (詠 春 體育 會) feita por Ip e seus alunos, com o objetivo de ajudar Ip Man a enfrentar as dificuldades financeira, pois, segundo relatos, Ip havia se endividado pelo seu vício em ópio.

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    Ip Man e Bruce Lee

    Ip Man morreu em 2 de dezembro de 1972, de câncer de garganta, sete meses antes da morte de Bruce Lee. Seu grande legado sem dúvida foi o Wing Chun, deixando vários alunos de grande destaque, são eles: Leung Sheung, Lok Yiu, Chu Shong-tin, Wong Shun Leung, Siu Yuk Men, Bruce Lee, Moy Yat, Ho Kam Ming, Chow Tze Chuen, Victor Kan, seu sobrinho Lo Man Kam e Leung Ting. Em Foshan existe um museu sobre o Mestre Ip com muitos artefatos da sua vida.

    A CGTN fez uma pequena entrevista com Leung Ting confira:

  • Bruce Lee – A Revolução no Cinema das Artes Marciais

    Bruce Lee – A Revolução no Cinema das Artes Marciais

    Como vimos nos artigos anteriores, o caminho de Bruce Lee no cinema não foi fácil, principalmente uma carreira nos EUA, mas ele ainda não desistiu da vida do cinema, e seu amigo James Coburn sugeriu que ele tentasse a carreira na Ásia. Ele fechou contrato com a produtora Golden Harvest de Raymond Chow (apesar de ser o mesmo nome não tem parentesco com a Ruby Chow), e em 1971 começou a carreira de sucesso dele. Na época ele fechou contrato para fazer 3 filmes, e seu plano era emplacar no cinema asiático e depois retornar para o cinema americano e fazer um filme de grande sucesso.

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    James Coburn e Bruce Lee

    A Golden Harvest era uma produtora pequena na época, e estava começando, e como não tinha recursos suficientes, Bruce Lee acabou apostando na produtora, pois a falta de recursos foi uma vantagem, já que tinha uma grande autonomia para rodar seus filmes. Ele podia interferir na direção, edição para fazer um filme que fosse do seu gosto, valorizando principalmente as cenas de luta.

    O primeiro filme foi “The Big Boss” (1971), ou O Dragão Chinês. A história é sobre um jovem, Cheng Chao, que sai da sua terra natal e vai para para a casa de seus tios para trabalhar em uma fábrica de gelo. Porém o dono é ligado a traficantes de drogas e mulheres. Cheng Chao e seus primos tentam acabar com a quadrilha lutando kung fu.

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    Bruce Lee nos bastidores

    O filme fez muito sucesso na época, com cenas de lutas jamais vistos no cinemas. Críticas o colocavam como o maior ator de artes marciais já visto. O filme bateu recordes milionários na Tailândia, Cingapura e Hong Kong. Ele se tornou a estrela dos filmes asiáticos.

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    Bruce Lee no filme “O Dragão Chinês”
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    Bruce Lee e Linda, a direita, na estreia do filme “O Dragão Chinês”, com Raymond Chow à esquerda

    Em 1972, veio o segundo sucesso de sua carreira, “Fist of Fury”, ou A fúria do Dragão, ou Chinese Connection, nos EUA. A história se passa em Xangai, em 1908, e Bruce Lee interpreta Chen, que junto com seus amigos enfrentam os japoneses que sempre ficam os insultando. O filme era totalmente focado na rivalidade entre China e Japão. Foi sucesso de bilheteria também, e o filme conta com muitas cenas de luta, que foi o que agradou o público.

    Foi nesse filme que começaram os desentendimentos, principalmente com os produtores da Golden Harvest. Ele pedia para repetir as cenas várias vezes e chegava a orientar os atores para explicar a maneira correta, na sua visão, de como aplicar o golpe.

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    Raymond Chow e Bruce Lee discutindo idéias para um novo filme
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    Bruce Lee no filme “A Fúria do Dragão”

    Há relatos que sua fama foi tão grande que lutadores, entre amadores e profissionais, iam até o set de filmagem para pedir um duelo e dizem que ele até pedia para gravar a luta para parecer real. E eram tantos que queriam desafiá-lo, que ele chegou a andar com guarda costas. Não sabemos até que ponto isso é verídico.

    No mesmo ano de Fist of Fury, saiu “The Way of the Dragon”, Vôo do Dragão, nessa produção Bruce chegou a discutir com os produtores da Golden Harvest. Ele queria ser diretor e roteirista. Seu desejo foi cumprido e ele foi diretor do filme, criou o roteiro e coreografou todas as cenas de luta. Na história, Tang Lung (Bruce Lee) vai até Roma para ajudar um amigo que está sendo ameaçado pela máfia local.

    Bruce chamou seu aluno, Chuck Norris, para fazer o personagem Colt, que era um dos gângsters. E quis gravar “a” luta em um dos lugares mais famosos de Roma. A cena de luta foi gravada em 3 dias, mas graças a perfeição de Bruce Lee, a cena se tornou um clássico nos filmes de kung fu. A qualidade técnica de ambos era impressionante, que a cada corte eles eram muito aplaudidos.

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    Bruce Lee e Chuck Norris

    Apesar de ser sucesso na Ásia, Bruce ainda queria chegar aos cinemas americanos.  Em entrevista para o jornal The South China Post, falou que havia muitas pessoas que queria se aproveitar da imagem dele e que chegou a recusar um convite para participar da máfia chinesa.

    Ainda sem ter um espaço no cinema americano, ele começou uma nova produção “Game of Death”, Jogo da Morte, nesse filme Bruce Lee seria Billy Lo, que teria que salvar sua namorada de gângsters. Mas para salvá-la ele teria que entrar em uma torre, tipo um pagode com cinco pavimentos, cada um deles tinha um lutador diferente com tipos de lutas diferentes: karatê, wing chun e esgrima por exemplo.

    O ultimo lutador era o aluno dele e jogador de basquete Kareem Abdul – Jabbar. Devido ao perfeccionismo de Bruce, as cenas com Kareem demoraram 10 dias. O filme em si demorou meses para ser feito e acabou não sendo finalizado por Bruce devido a sua morte. Para aproveitar o tempo gravado, e também um pouco da sua fama, principalmente após a sua morte, finalizaram o filme com outros atores que se pareciam com ele, um deles foi o Yuen Biao.

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    Bruce Lee e Kareem Abdul Jabar

    Como  a fama de Bruce já estava ecoando nos EUA, dois executivos da Warner, Fred Weintraub  e Peter Heller, procuraram Bruce Lee durante as gravações de Game of Death, para um projeto em Hollywood, o “Enter the Dragon”, ou “Operação Dragão”. Bruce aceitou o trabalho, voltou para os EUA para finalmente fazer o tão sonhado filme de produção americana.

    As gravações começaram em janeiro de 1973, mas o Bruce Lee faltou duas semanas no set com a desculpa que ele estava repensando melhor no roteiro. Ele entregou para o diretor, Robert Clouse, sequencias de lutas e até a posição da câmera para registrar essas cenas.

    A história é sobre uma vingança de um lutador do Templo de Shaolin pelo assassinato de sua irmã. Ele acaba indo para uma fortaleza cheia de bandidos em uma ilha e acaba enfrentando um a um.

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    Bruce Lee nos bastidores do filme “Operação Dragão”
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    Bruce Lee foi uma peça fundamental nas filmagens, principalmente na luta dos espelhos, ele trabalhou muito no movimento das câmeras para fazer as cenas de luta. Esse filme realmente fez ele se tornar uma lenda.

    O filme rendeu 100 milhões de dólares, sendo que ele nem custou 1 milhão.

    Em abril de 1973 acabou as gravações do “Enter the Dragon”, e em 10 de maio ele começou apresentar sinais que sua saúde não estava legal, se queixava de dores de cabeça com frequência.

    Ele havia voltado para Hong Kong para terminar as gravações de Game of Death, dentro da sala de edição ele se sentiu mal e desmaiou. Foi levado para o hospital Baptist de Hong Kong e chegou a entrar em coma, mas se recuperou dias depois.

    Com a vida intenção de gravação e treinamento, ele chegou a perder 6kg, além disso fumava haxixe e tomava muitos analgésicos, pois dizia que amenizava o stress.

    Bruce fez uma bateria de exames em Los Angeles e viram que ele tinha um acúmulo de fluido no cérebro devido a uma convulsão que ele teve antes de entrar em coma e receitou um remédio para epilepsia.

    Bruce estava ansioso e bem irritado para terminar as edições do filme Enter the Dragon, a Warner já tinha planos para estreia, algumas propostas de filmes e até entrevistas na TV marcadas.

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    Bruce Lee no filme Operação Dragão

    Bruce voltou para Hong Kong para terminar as gravações de Game of Death. Em junho teve outro desmaio em um restaurante com produtores da Golden Harvest, e foi diagnosticado como stress. Ele voltou aos trabalhos vendo roteiros e coreografando cenas de luta.

    20 de julho de 1973, Bruce Lee marcou um Raymond Chow uma reunião em um restaurante e  foi ate a casa da atriz Betty Ting Pei. Havia boatos que eles tinham um caso, uma vez que sempre andavam juntos.

    Ele sentiu uma forte dor de cabeça e tomou o remedio Equagesic e resolveu se deitar. Betty tentaram acordar sem sucesso e foi levado para o Hospital Queen Elizabeth, e as 22h30 foi confirmado sua morte. A causa da morte foi edema cerebral aguda devido a uma reação alérgica ao medicamento.

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    Steve McQueen prestando condolências ao túmulo de Bruce Lee (Bettmann/Getty Images) Fonte: https://www.foxnews.com/entertainment/bruce-lee-may-have-died-from-a-heat-stroke-new-book-claims

    Sua morte foi noticiada em todos os jornais de Hong Kong, uns dando ênfase por ser jovem e estar no auge da fama, outros dando destaque por ter morrido na casa de sua suposta amante.

    Mais de 50 mil pessoas compareceram ao funeral dele em Hong Kong, mas ele foi enterrado em Seattle, EUA, no dia 31 de julho.

    A causa da morte sempre foi motivo de investigações, uns dizem que foi overdose de remédios ou drogas, como haxixe e cocaína. Outros dizem que ele foi assassinado pela mafia chinesa uma vez que ele não se juntou ao grupo, outros até associam a morte por haver muitos inimigos que não gostavam de sua postura com relação as artes marciais.

    O filme Enter the Dragon foi lançado em agosto de 1973. Esse filme foi o maior sucesso de bilheteria que o Bruce Lee teve.

  • Bruce Lee – A vida nos EUA e a busca pela fama

    Bruce Lee – A vida nos EUA e a busca pela fama

    No último artigo, vimos que Bruce foi para os EUA para um nova vida, longe das confusões nas ruas de Hong Kong.

    Mas na sua ida aos EUA, o que muitos não sabem, é que ele foi com pouco dinheiro, e para resolver esse problema ele chegou a dar aulas de Cha Cha Cha no navio, na primeira classe. Ao contrário de muitas histórias, ele não foi sozinho, ele foi com seu irmão Peter e chegou a ficar na casa da sua irmã Agnes, em São Francisco, que lhe deu casa e trabalho.

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    Bruce Lee com o uniforme do exército

    Ele chegou a se alistar no exército, mas foi reprovado no exame médico, e acabou indo para Seattle. Lá ele procurou a amiga de seu pai, Ruby Chow, e acabou trabalhando como garçom em seu restaurante.

    Como ele sempre foi muito indisciplinado nos estudos, ele acabou se matriculando no Edison Technical College, para terminar o colegial.

    Em 1961, em uma apresentação, Bruce Lee conheceu um lutador de Judo que se impressionou com as suas habilidades, Jesse Glover. Ele foi o seu primeiro aluno que não era chinês. Isso atraiu muitos alunos de várias raças e etnias.

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    Bruce treinando a primeira turma na década de 60, em Seattle

    Bruce ficou conhecido e começou a a aparecer na TV local e nos jornais. No início ele não tinha local próprio e nem uniforme, então dava aulas em uma garagem. Depois ele abriu sua própria escola de artes marciais, a Lee Jun Fan Kung Fu Institute, e também deu aulas na Universidade de Washington onde se matriculou no curso de filosofia. Ele gostava de ler e isso iria aprimorar sua bagagem como professor de kung fu.

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    Bruce e alguns alunos da Universidade de Washington

    Muitas pessoas frequentavam as aulas, e uma delas chamou a atenção dele, a Linda Emery, também estudante de filosofia, por quem ele acabou se apaixonando. Começaram a namorar em outubro de 1963.

    Na mesma época ele escreveu o primeiro Livro Chinese Kung fu, “The Philosophic Art of Self Defense“, o livro teve poucas tiragens e tinha várias formas de vários estilos de Kung fu.

    Ele queria sair do restaurante, e logo pediu Linda em casamento, a contra gosto da mãe dela, e juntaram dinheiro e foram para Oakland. Casaram em 17 de agosto de 1964.

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    Bruce e seus alunos na Jun Fan Gung Fu Institute

    Abriu uma academia na cidade que logo fez sucesso. Ele preferia dar aulas particulares e não em grupo, mas na época foi muito rentável para ele a aulas em grupo. A academia recebeu pessoas de vários tipos: negros, brancos, asiáticos, estudantes, pequenos empresários, adolescentes e idosos. Isso incomodou a comunidade chinesa do local, que defendia que não podia se ensinar uma arte milenar oriental para não chineses. Começaram a telefonar para Bruce Lee com ameaças e até abordá-lo na rua.

    Ele não ensinava o kung fu tradicional. Ele ensinava uma mistura de técnicas que envolve wing chun, boxe, jiu jitsu, karatê, boxe tailandês.

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    Demonstrando o soco de uma polegada no Campeonato do Ed Parker

    Em Agosto 1964, foi participar de um torneio de Karatê do mestre Ed Parker, em Long Beach. Ele fez a apresentação do soco de uma polegada que impressionou todo mundo.

    Mais ou menos nessa época que ocorreu a história entre Bruce Lee e Wong Jack Man, que vocês podem conferir nesse link.

    Bruce Lee ficou famoso após esse evento e foi convidado pelo produtor de TV William Dozier a assinar com o 20th Century Fox para fazer o seriado “O Filho de Charlie Chan”

    O seriado não deu certo e Bruce foi atuar do lado de Van Williams no seriado Besouro Verde. Foi um grande sucesso e ele virou astro da série com golpes “mirabolantes” de kung fu, que eram inéditas na época. Bruce e Linda mudaram para Los Angeles, onde tiveram Brandon Lee, dia 1 de fevereiro de 1965.

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    Van Williams e Bruce Lee em uma foto publicitária para Besouro Verde

    Antes o casal queria viver com o que ganhavam na academia, e a Linda até pensou em abrir franquias no país, mas o Bruce se empolgou com a vida da tv e do cinema. Porém em julho de 1967, Besouro Verde foi cancelado.

    Abriu uma academia em Los Angeles, sem placa em Chinatown. Conseguiu mais alunos devido a sua fama, e muitos alunos famosos também, como Steve Mc Queen, James Coburn, Lee Marvin e James Garner, Joe Lewis, Chuck Norris, Bob Wall. Kareem Abdul -Jabbar e Roman Polanski tiveram aulas particulares.

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    Bruce Lee como Kato em Besouro Verde

    Bruce chegou a receber uma proposta para dar aulas em uma academia chamada “Kato’s Self Defense School“, mas ele recusou. No documentário Bruce Lee in His Own Words, ele disse:

    Achava divertido fazer o personagem, mas dar aulas numa escola com esse nome seria sabotar minha arte

    Bruce teve dificuldades em conseguir papéis em programas de TV devido a sua origem. No seriado Kung Fu, ele foi fazer testes por indicação, todos gostaram muito da sua atuação, mas acabaram chamando David Carradine pois os produtores da série achavam que se colocassem um chinês para o papel, o público não se identificaria com o personagem e não teria audiência. Isso gerou uma grande revolta, e ele até cogitou a voltar para Hong Kong, onde a série Besouro Verde também fazia sucesso, mas Linda o convenceu a ficar e continuar dirigindo as 3 academias que ele tinha, em LA, Oakland e Seattle.

    Ele passou dois anos tentando entrar na TV e no cinema sem sucesso. As dívidas começaram a aumentar já que não estavam dando mais lucro, ele chegou a ficar deprimido e emagrecer.

    Em 19 de abril de 1969 nasce Shannon, a segunda filha do casal.

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    Bruce, Linda e seus dois filhos, na década de 70

    Em 1970 a situação econômica ficou ainda pior para eles. Bruce Lee resolveu voltar a treinar, mas em uma intensidade maior. Em um dos treinos machucou as costas grave mente levantando um haltere. A lesão atingiu o 4 nervo sacral.Bruce ficou 6 meses no hospital de repouso, e nessa época de reflexão que ele começou a esboçar seu estilo de luta: Jeet Kune Do

    Bruce Lee compilou todas as suas anotações, que foram feitas aos longo de sua vida, com relação a luta, condicionamento físico, além de citações filosóficas budistas, taoístas e de autoconhecimento. Infelizmente o livro “O Tao do Jeet Kune Do” só foi lançado em 1975, anos após a sua morte.

    O desejo de Bruce Lee é o que o livro fosse  um guia e um registro de sua forma de pensar. A base do estilo é aprender a lutar com simplicidade, seu livro mostra como se deve lutar de uma maneira mais funcional.

    Depois da sua recuperação, ele voltou ao ritmo de treinos intensivos. Há relatos que ele se alongava vendo TV e treinava com halteres enquanto lia um livro. Bruce chegou a pesar 63kg com 1,71m.

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    Quando Bruce se mudou para a Califórnia e estava definindo seu corpo físico

    Continua…

  • Bruce Lee – Da Infância aos EUA

    Bruce Lee – Da Infância aos EUA

    Chegou a hora de falar sobre o Bruce Lee, esse símbolo das artes marciais. A história dele é muito rica, e em poucos anos de vida ele deixou um grande legado e transformou a história das artes marciais no cinema e no mundo!

    Separamos a história da vida dele em algumas partes, e hoje falaremos sobre a infância dele até a chegada aos EUA.

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    Bruce Lee nasceu em 27 de Novembro de 1940 em São Francisco, EUA. Seu pai, Lee Hoi Chuen, era famoso ator da ópera chinesa, e ele estava em turnê pelos EUA. Seu nome em chinês era Li Jun Fan (李振藩 ).

    Porém ele teve vários nomes, primeiro um nome feminino, Sai-fon (細鳳). A mãe de Bruce Lee havia perdido o primeiro filho no nascimento, e segundo superstições é um péssimo sinal. Adotaram uma menina chamada Phoebe, e logo em seguida tiveram o primeiro bebe biológico, Peter. Com a vinda de Bruce, o segundo bebe biológico do casal, devido a superstição, deveria vir uma menina, por isso colocaram um nome feminino para despistar os deuses. Mas logo em seguida foi batizado de Li Jun Fan. O nome Bruce Lee foi dado por uma enfermeira do hospital, a Mary Glover, e foi batizado assim segundo as leis americanas. E por fim Lee Xiaolong (李小龍; Xiaolong significa “pequeno dragão”), que seria seu nome artístico.

    Aos 4 anos já acompanhava o pai nos seus trabalhos e começou a gostar de atuar. Aos 6 anos fez uma participação no filme “The Birth of a Mankind“. Aos 18 anos já tinha feito mais de 20 filmes chineses.

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    Uma das aparições de Bruce no cinema na década de 50

    Na adolescência, Bruce bagunçava muito na sala de aula, incomodava professores e gostava de uma luta com os colegas no pátio do colégio. Lutas contra alunos de outras escolas aconteciam nas ruas de Hong Kong. Várias vezes os pais de Bruce foram chamados na delegacia, mas isso não o intimidava e organizava mais lutas. Os principais rivais de Bruce eram alunos de uma escola britânica, uma vez que chineses e britânicos não se entendiam desde as guerras comerciais no século 19, quando a rainha se instalou em Hong Kong.

    Aos 13 anos, depois de ser transferido para várias escolas devido as suas confusões, resolve treinar sério com  o mestre de Wing Chun, Ip Man. O estilo tem como características movimentos rápidos e econômicos e contundentes, e com esse estilo, ele aprendeu a se defender de golpes potentes e a curta distância.

    Em entrevista a um canal de TV americano, e inserida no documentário “Bruce Lee in His Own Words“, Bruce Lee deu a seguinte declaração sobre a sua infância:

    Da infância à adolescência, fui um cara bem problemático. Era extremamente agressivo, sem paciência. Aí, aos 13 anos, depois de passar um tempo brigando contra gangues, decidi aprender como me proteger. Muito do que aprendi sobre artes marciais foi nesse período com o mestre Ip, quando comecei a moldar meu estilo de luta. Aprendi a neutralizar a energia e a força de um oponente. Tudo isso deve ser feito, me ensinou o mestre, com precisão, sem se deixar levar pela fúria e pela afobação.

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    Bruce Lee campeão de Cha Cha (1958)

    Para aprimorar o equilíbrio e os movimentos do corpo, ele começou a dançar Cha-Cha-Cha. Ele também estava interessando em uma dançarina, a  Pearl Cho. Em 1958, ele ganhou o trofeu Crow Colony Cha-Cha Dancing Championship. Também praticou Boxe e chegou a participar de um campeonato onde venceu o tri campeão Gary Elms, da escola britânica.

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    Bruce Lee indo para os EUA

    Em abril 1959, os pais de Bruce o mandaram para São Francisco, EUA, sua cidade natal, para fugir um pouco da sua vida conturbada, envolvida por brigas. Isso não deixa de ser verdade, mas também há relatos que, por ter nascido nos EUA, se ele se alistasse no exército americano, ganharia a cidadania. Como na época os EUA era um “país da oportunidade”, principalmente após a segunda guerra mundial, Bruce Lee era um homem ambicioso, e seus pais viram sua ida de uma forma bem positiva.

    Continua…

  • Huo Yuanjia (霍元甲) – 1860 – 1910

    Huo Yuanjia (霍元甲) – 1860 – 1910

    Huo é símbolo de patriotismo e nacionalismo chinês desde o inicio do século XX, por desafiar combatentes estrangeiros no momento que a china estava sendo dominada por potências imperialistas, mas não se sabe se eles de fato lutaram.

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    Huo Yuanjia

    Huo Yuanjia nasceu em 1868, na vila Xiaonanhe, que hoje é município de Tianjin, é o quarto filho de 10 filhos. Seu pai Huo Endi (霍恩第), trabalhava com agricultura e, às vezes, fazia escolta de caravanas comerciais para a Manchuria e voltava. Ele praticava o estilo Mizongquan ( 秘宗拳), mais conhecido hoje como Mizongyi (秘宗义).

    Ele era um menino fraco e propenso a pegar doenças. Há relatos que ele teve asma e contraiu icterícia. Devido a saúde frágil, seu pai não quis treiná-lo, então contratou um professor particular do Japão chamado Chen Xeng-Ho, em contra partida ele aprendeu o estilo marcial da família. Mas Huo não deixou de lado seu gosto pelas artes marciais e começou a observar o pai de dia e treinando com o Chen a noite, e acabou se tornando adepto.

    Em 1980 venceu sua primeira luta contra um lutador de Henan que desafiou sua família. Primeiro, seu irmão perdeu a luta, então Huo lutou e venceu com muita ousadia. Seu pai viu que ele estava apto a treinar, e aceitou como seu aluno que acabou superando seus irmãos em habilidade. Foi o começo da construção de uma grande reputação entre os artistas marciais.

    Há uma história que ele se juntou ao seu pai no trabalho de escolta de caravanas, e uma das escoltas de um grupo de monges, eles foram atacados por bandidos. Huo lutou contra o chefe da quadrilha e venceu. Sua vitória se espalhou e aumentou sua fama.

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    Huo Yuanjia

    Em 1896 se mudou para Tianjin, participava de lutas organizadas e fazia bicos, como porteiro, vendedor de lenha e como cobrador de um jovem comerciante Nong Jinsun (农劲荪), ele negociava ervas e medicamentos chineses. Os dois tiveram uma amizade forte e de longa data. Nesse período ele conhece seu discípulo mais famoso Liu Zhensheng (刘振声) e começa a ter contato com a política nacional.

    Há historias que, em 1898, o Huo ajudou o Wang Zhengyi (王正宜), também conhecido como Dadaowangwu (大刀 王 五), que esteve envolvido na Rebelião dos Boxers. Wang era um comerciante muçulmano especialista em artes marciais, e era amigo de Tan Sitong (谭嗣同) que, após o fracasso da reforma dos 100 dias, foi executado e sua cabeça foi colocada em exibição. Wang, por sua vez, havia fugido para Pequim na época e acabou encontrando Huo Yuanjia, que se deram muito bem imediatamente. Huo ajudou ele voltar a Pequim furtivamente para pegar a cabeça de Tan para ser enterrada de forma descente. Depois, em 1900, Wang se uniu a Rebelião dos Boxers contra as Forças da Aliança das Oito Nações e foi morto em Pequim.

    Enquanto isso, a fama de Huo se espalhou. Em 1901 (alguns lugares falam 1902), um homem forte russo estava circulando em Tianjin, desafiando combatentes chineses e os chamando de “Os doentes da Ásia”. Dizem que Huo aceitou a luta, mas o russo supostamente recuou alegando ser apenas um showman e acabou fazendo uma carta de desculpas no jornal, mas essa carta nunca foi encontrada.

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    Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) lutando contra Hercules O’Brian

    Em 1909, o boxeador inglês Hercules O’Brien, publicou insultos nos jornais de Shanghai, chamando os chineses de fracos. Huo foi para Shanghai para uma luta com o boxeador e depois negociações consideráveis sobre as regras da luta, os termos da luta foram acertados. De acordo com alguns relatos, O’Brien deixou a cidade preocupado com a reputação de Huo e, aparentemente, a luta nunca ocorreu.Outros dizem que a luta chegou a acontecer e que O’Brien perdeu a luta. Essa luta foi uma inspiração para os Chineses que começaram a questionar esse domínio imperial.

    Aproveitando a sua fama, com a ajuda de investidores, incluindo seu amigo Nong Jinsun, Huo abriu a Sociedade Atlética Jing Wu. (精 武 体操 学校 mudou mais tarde para 精 武 体育 会)com o intuito de ensinar defesa pessoal e aprimorar a saude e bem estar. Ele atraiu muitos estudantes, bem como a atenção de algumas das principais figuras da China. Ele teve apoio de amigos como Song Jiaoren e Sun Yat-sen (孙中山) que elogiou a escola e disse que “Para tornar um país forte, todos devem praticar as artes marciais.” (欲使 国 强 , 非人 人 习武) ele até enfeitou a escola com sua caligrafia (como era) inscrevendo as palavras para espírito marcial (尚武精神) e dando-a como um presente para o clube.

    Huo yuanjia morreu em 1910, aos 42 anos. E ao contrário do filme “Fearless”, com Jet Li, Huo deixou a esposa, e cinco filhos, sendo dois homens, Huo Dongzhang (霍東章) e Huo Dongge (霍東閣), e três meninas, Huo Dongru (霍東茹), Huo Dongling (霍東玲) e Huo Dongqin (霍東琴).

    Sua morte é cercada por histórias. Como Huo sofria de icterícia e tuberculose, ele começou fazer um tratamento com um médico japonês, que era membro da Associação japonesa de Judô de Shanghai. Há histórias que o médico convidou Huo para uma competição, onde seu aluno, Liu Zhensheng, competiu com um praticante de Judo. Ninguém sabe quem ganhou mas sabem que houve uma briga e que membros da equipe de Judô ficaram feridos, incluindo instrutores.

    Parece que essa confusão influenciou um pouco na morte de uma das personalidades mais importantes da China, pois, segundo o historiador e aluno de Huo, Chen Gongzhe, que depois que ele começou a fazer o tratamento com esse médico, sua saúde piorou. Foi receitado um remédio para sua saúde, mas sua saúde foi piorando. Huo foi internado no Hospital da Cruz Vermelha de Shanghai, onde morreu 2 semanas depois. A morte de Huo Yuanjia levantou especulações sobre envenenamento sendo a causa da morte.

    Em 1989, o túmulo de Huo e de sua esposa foram levados para outro lugar, e foram encontrados pontos pretos nos ossos da pélvis. Os ossos foram levados para a perícia de Tianjin que confirmaram a presença de arsênico. Mas é dificil dizer se foi por envenenamento ou se por prescrição de remédios, uma vez que o trióxido de arsênico foi usado na medicina chinesa por 2400 anos. 

    Outras versões dizem que Huo derrotou o chefe da associação japonesa na competição, e no banquete de comemoração da noite, Huo ficou doente repentinamente, tossindo muito. Logo em seguida ele foi levado a um hospital japonês, onde recebeu “um remédio errado”, que ocasionou sua morte.

    Nunca saberemos ao certo a causa da morte, mas a versão de ser envenenado por japoneses persiste entre as várias versões, tanto que foi mostrada no filme “Fearless“.

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    Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) sentindo os efeitos após ser envenenado

    A associação Jing Wu foi deixada para seus filhos, Huo Dongzhang e Huo Dongge.

    Históricamente, Huo Yuanjia teve um papel extremamente importante na China, é como se fosse um herói chinês que “bateu de frente” com as potências estrangeiras que dominavam o país, aumentando um sentimento mais patriótico, uma busca de identidade.

    Na cultura, o primeiro filme a citar Huo Yuanjia foi “Legend of a Fighter“, de 1982, com a história de um menino fraco, cujo pai recusou de ensinar kung fu devido a sua condição física. O pai, então, chama um professor japones para educar seu filho sem saber que ele é um mestre em artes marciais. O menino acaba aprendendo luta por oito anos até que ele precisa utilizar suas habilidades para defender o pai doente.

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    Cena do filme Fist of Legend

    Outro filme que tem relação com os eventos após a sua morte é o Fist of Fury (1972) de Bruce Lee e o remake Fist of Legend (1994) com Jet Li. O personagem principal é um dos alunos de Huo Yuanjia, Chen Zhen. E por fim, retratando a sua vida, o filme que Fearless (2006), já citado aqui, que conta uma parte mais fantasiosa de sua história. Algumas informações, como a morte da família de Huo, renderam algumas polêmicas e familiares processaram Jet Li e tentaram impedir sua distribuição.

    Se quiserem saber o que achamos do filme Fearless, clique aqui!