Categoria: Fundamentos e Teorias

  • Sanda: a “boxificação” do Kung fu e sua conexão com as estruturas tradicionais

    Sanda: a “boxificação” do Kung fu e sua conexão com as estruturas tradicionais

    Não são poucas as pessoas que ao se depararem com o Sanda competitivo pela primeira vez, fazem aquele olhar de que tem algo faltando (ou sobrando) por ali. Conversando com diversas dessas pessoas, ao longo do tempo, acabei identificando que o espanto ocorre por dois motivos básicos, elas esperam encontrar os vôos e os chutes mirabolantes dos filmes de kung fu, e também esperam identificar a aplicação das formas em toda a sua pompa e plasticidade. Como não encontraram esses elementos, pelo menos a olho nu, se frustram! Tal fato não é de se admirar, muito menos de se condenar, considerando que a forma pela qual a grande maioria tem contato com as artes marciais é a via materiais de qualidade histórico-científica bastante duvidosa e de baixa qualidade. Sendo assim, tentarei, obviamente, sem a mínima pretensão de encerrar um tema tão complexo, contribuir com alguma luz sobre essa questão que chamo jocosamente de “boxificação” do kung fu, e também sobre sua esportivização, a partir de dois tópicos: histórico e técnico.

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    Primeiramente, dentro da questão histórica, é preciso esclarecer que tais fenômenos não são recentes, criados para adequar o Wushu ao MMA ou para concorrer com o Muay Thai, mas é sim efeito de um processo histórico que, segundo o Sifu David Ross, em seu artigo intitulado “Kung Fu and Western Boxing”, começa antes mesmo do primeiro registro escrito sobre Boxe ocidental na China, intitulado “The Technique of western Boxing”, publicado em 1920, em Shangai. O amálgama, de acordo com o autor, começa já nos primeiros contatos do ocidente com a China, durante dinastia Qing (1644-1912). Mais tarde, dando alguns saltos na linha do tempo, durante advento da china nacionalista (1912–1949), temos o início de uma movimentação mais acentuada em direção à esportivização do Sanda. Nesse período, ocorrem em toda a China competições entre centenas de participantes em diversas regiões da China, onde os melhores colocados eram selecionados para assumirem cargos nos institutos de artes marciais locais. Esses institutos tinham como objetivo organizar as artes marciais chinesas, tornando-as patrimônio nacional. Uma das edições mais famosas do evento ocorreu na província de Hangzhou, no ano de 1929, que de acordo com Yosaku, no artigo Masters of IMA, contou com a participação de 240 lutadores. Importante salientar que era possível observar referências do Boxe ocidental em muitos desses lutadores, o que teria gerado protestos por parte de alguns participantes.

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    Prática de técnicas de combate com luvas, no famoso Instituto de Artes Marciais de Nanjing, China, 1930.

    Mais adiante, na década de 40, ocorreriam grandes combates entre lutadores chineses e estrangeiros na cidade de Shangai. Segundo Gigi Oh e Gene Ching, em um desses eventos, mestre Cai Longyun, com apenas 14 anos, ganharia destaque internacional, derrotando um lutador russo nas regras do boxe ocidental, incluindo luvas fechadas e ringue com cordas. Já entre os anos 60-80, temos o desenvolvimento e a fundação da equipe de Sanda de Beijing, pelo mestre Zhang Wenguang, que também foi responsável pelos primeiros estudos e pela organização das regras internacionais de Sanda, com características muito próximas das competições de hoje. Logo em seguida, começam as edições dos Campeonatos Mundiais de Wushu e a consolidação internacional do Sanda como a forma oficial de combate competitivo do Wushu padronizado. Importante salientar que os mestres Cai e Zhang, entre muitos outros que também construíram elos entre o Boxe ocidental e o Kung fu, eram especialistas em estilos tradicionais como Huaquan e Chanquan, alicerces do Wushu nortista contemporâneo. A importância da atuação desses professores transcendeu o tempo, permeando as escolas tradicionais e as estruturas desportivas do Wushu padronizado como um todo. Legados que ainda vivem!

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    Acima: Mestre Cai Longyun, especialista nos estilos Huaquan e Taijiquan, em uma de suas lutas em Shangai, China, década de 40. Abaixo: luta da categoria feminina no 14° Mundial de Wushu, Rússia, 2017.

    E quanto as aplicações do Taolu dentro da competição de Sanda; elas podem acontecer ou não? Bem, nessa parte vou tomar a liberdade de trazer uma opinião pessoal, embasada nas experiências que vivi ao longo desses mais de 20 anos dentro das artes marciais chinesas. As possibilidades existem, mas devido a todas as transformações sofridas ao longo de séculos, como citado anteriormente, unidas as necessidades e adaptações impostas pelas competições modernas, não são percebidas tão facilmente a olho nu e não acontecem com a frequência que os apreciadores de um bom filme de kung fu e que os praticantes mais tradicionalistas gostariam de ver. Desta forma, sintetizei de maneira bem objetiva algumas considerações que acho importante a respeito das possibilidades de aplicação tradicional dentro da estrutura do Sanda moderno. Existe uma aplicação direta, onde temos um caráter mais externo, que são as técnicas de luta propriamente ditas, podendo ser observadas, principalmente, no contexto das projeções, uma vez que o Taolu é repleto de técnicas de quedas. E existe a aplicação indireta, onde estão inseridas questões como o condicionamento físico e mental, abrangendo desde a melhoria da concentração, até a melhoria da agilidade, criatividade e resistência do lutador. Entretanto, apesar de todas as possibilidades que as formas podem oferecer no processo de preparação interna e externa do atleta, elas parecem, com o passar do tempo, ter ficado restritas aos ambientes tradicionais de ensino, e cada vez menos utilizadas pelos sistemas de graduação modernizados. Isto pode ser observado claramente nos currículos de formação de professores e alunos de diversas instituições ao redor do mundo, onde os programas são desenvolvidos sem a exigência de conhecimentos em técnicas tradicionais como o Taolu.  

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    Mestre Zhang Wenguang (no centro), fundador da equipe de Wushu Sanda de Beijing, com alguns de seus alunos, entre os anos 1979-80. Todos Especialistas em Taolu.

    Dado o exposto, podemos concluir que o Sanda como modalidade esportiva evoluiu de tal maneira que o treinamento das formas, apesar de ter o potencial de ser um diferencial no desenvolvimento do atleta, ficou restrito aos professores que optam por utilizá-lo dentro de uma didática particular. Além disso, parece que a alta demanda por atletas treinados especificamente para competições vem influenciando as graduações, as regras e o jogo do Sanda, distanciando o Wushu de suas raízes tradicionais, que devido a um longo tempo de formação, acaba por fugir dos processos dinâmicos e extremamente específicos exigidos em um treinamento esportivo moderno. Sendo assim, para aqueles que apostam em uma futura reunificação do Sanda com seus aspectos técnicos mais clássicos, como vem acontecendo com o Taolu, parece que não deve acontecer tão breve. Pelo contrário, parece se tornar algo cada vez mais distante, levando em conta a especificidade exigida para se chegar a altos patamares do esporte, contrapondo o caráter generalista dos métodos antigos. Porém, apesar da modernização do Sanda ser uma discussão polêmica, com linhas de pensamento e opiniões diversas, não se pode negar que a modalidade é mais uma das infinitas faces do Wushu, que por sua vez carrega na sua essência um histórico e constante transformar-se. Uma arte a ser repensada constantemente, como fizeram os antigos mestres. Sempre fora da zona de conforto. 

  • Estilo do Ba gua

    Estilo do Ba gua

    As origens do Ba Gua perdem-se no tempo. A referência mais antiga menciona Tung Hai Chuan de Wean Hsien, na província de Hopeh, que durante a dinastia Ching aprendeu essa arte de um taoísta nas montanhas da província de Kiangsu.

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    Postura Classica do Bagua

    A partir desse registro existe comprovação genealógica técnica que vem até nossos dias. Essa passagem parece ser do século XVIII, porém há a possibilidade de que o presumido fundador tenha feito a classificação de uma arte já bem mais antiga, antes da sua popularização.

    O mais fascinante é a história (o povo Chinês costuma ilustrar a criação dos estilos de forma romântica ou esotérica) que circula sobre o emparelhamento entre o Bagua e o Shien Yi Tchuan, Kuo-Yang-Sem, sacerdote e praticante do Shien Yi Tchuan, desafou um dia Tung, se dizendo fundador do Pakua. O combate feroz durou dois dias, após o que ninguém tinha podido tomar a vantagem. Eles então tornaram-se ótimos amigos.

    Sem dúvida não é uma maneira muito bonita de se explicar como as duas artes fundiram-se, mas o que é mais estranho é que uma tal história pudesse circular nos dois estilos. No Bagua a maioria das técnicas são executadas com a palma da mão, com um movimento suave e fascinante do pulso, os movimentos são circulares sem tocar, em um raio muito curto.

    A prática de andar em círculos é uma das características fundamentais do treinamento de base e de movimentação do bagua.

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    Os praticantes desta arte andam como que ao redor de um círculo, mantêm sua base baixa, o olhar dirigido para o centro do círculo. Periodicamente mudam a direção do movimento enquanto executam as formas características de cada “palma”.

    Os deslocamentos em torno do círculo se configuram em uma estratégia de combate que procura evitar um confronto direto de força bruta com o adversário ao escapar pelos lados ou pelas suas costas.

    Os aspectos internos do treinamento de baguazhang são parecidos com os do hsing-i chuan e do tai chi chuan, artes marciais chinesas com a mesma fundamentação nos princípios do taoísmo.

    Os diversos estilos de baguazhang têm em comum uma série de princípios básicos resumidos em um texto anônimo conhecido como Shi yao ba fa (十要八法), “As 10 Orientações” e “Os oito princípios”, expostos a seguir.

    Este estilo considerado interno (NEI CHIA), baseia-se na interpretação dos trigramas do famoso livro das mutações (I CHING) e compreende basicamente oito ângulos de defesa que são treinados progressivamente e em forma circular. Contrariamente ao Shien Yi Tchuan, que desenvolve a “força vertical”, o Ba gua coloca o acento sobre a “força horizontal”.

    O Shien Yi Tchuan é designado por alguns mestres como o “boxe da mente e do corpo”, pois quando nos propomos a exercitar uma parte de nosso corpo a intenção é que comanda a ação. O pensamento surge antes da atitude. Se adestrarmos nossa mente os movimentos tornar-se-ão fluidos e conscientes.

    O Bagua trabalha bastante a respiração (Chi Kung) que é controlada involuntariamente ou automaticamente pelo cérebro. Se durante os exercícios usarmos a nossa vontade para controlar a respiração (Chi Kung) estaremos transferindo o ato de respirar da área inconsciente para a consciente.

    Com o tempo teremos o hábito de exercer nossa vontade sobre essa função biológica essencial ao metabolismo do corpo humano. Teremos então mais saúde e controle emocional, pois em situações adversas o simples controle da respiração (Chi Kung) já proporciona redução dos riscos de colapso físico e desequilíbrio da mente. O principal nessa prática interior é direcionar a respiração (Chi Kung), controlando-a pela vontade.

    A meditação é a base da ação, até que a mente e a respiração (Chi Kung) se equilibrem em coordenação para alcançar a capacidade do espírito de controlar a energia e utilizá-la para fortalecer o corpo. O resultado obtido com essa prática é a calma, o controle dos movimentos, a força, a flexibilidade. Para deter a força bruta do adversário a calma e a maleabilidade devem ser empregadas.

    A filosofia contida nestas palavras podem ser bem ilustradas pela imagem do barbante amarrando a barra de ferro, da gota de água que fura a pedra, ou do bambu que se verga ante o vendaval para retornar a sua postura natural quando cessada a força que o impulsionou. No Brasil existem diversos representantes do estilo.

  • Estilo da Serpente Divina

    Estilo da Serpente Divina

    Após a morte do Monge Hsu estas técnicas foram aprimoradas e em homenagem ao Monge, o estilo foi batizado de Shen She Chuen, que significa “Punho da Serpente Divina”, uma vez que o Ideograma “Shen” para os chineses significa Deus.

    Consiste em defesa e trabalha movimentos ofensivos com apunhalar e movimentos de espada cortantes. Há foco na velocidade dos giros e movimentos de corpo contínuos.

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    Postura classica do estilo Serpente

    O estilo Shen She Chuen é executado com as mãos esculpindo a cabeça de uma serpente em uma mistura de “duro” e “suave”. Contando com movimentos lentos e suaves, o adversário pode surpreender-se com sua flexibilidade, velocidade e força, desde que bem concentrado chi (Energia Interior).Seu objetivo nos ataques é a busca dos pontos vitais como olhos, garganta, plexos, vão entre as côxas e abdômem.

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    O estilo chegou ao Brasil em 1980 sob supervisão do Mestre Hu Chao Tien, discipulo e filho do Mestre Hu Shi Wen. Hoje o estilo tem a supervisão do Mestre Dani Hu (Hu Chao Hsil), filho do Mestre Hu Chao Tien. “O Punho da Serpente” possui seis fases afim de desenvolver os cinco conceitos do estilo, que são:

    – Velocidade: atacar com batidas rápidas e inesperadas, usando passos rápidos, ágeis e leves;

    – Envolvimento: a curta distância, envolver os membros do oponente confundindo suas posturas e usando-as a seu favor. Quando a longa distância, aguardar a abertura de uma postura adequadamente contida;

    – Surpresa: atacar em diferentes ângulos continuamente;

    – Saltos: para trás ou para os lados, evitando ataques desnecessários e não comprometendo os membros principais para locomoção e equilíbrio;

    – Fuga: quebrando o contato e escapando quando o golpe não obtiver a penetração adequada

  • Estilo da Garça Branca

    Estilo da Garça Branca

    O sistema Pai Ho de Kung Fu(Garça Branca) foi originado na Dinastia Ming (1368-1644), por um lama Tibetano, Adato (Orddoto, Atatuojun, Ah Dat Ta, etc.), nascido em 1.426 antes de Cristo no começo do reino Hsun Chung na dinastia Ming. Adato estava meditando pacificamente no outro lado da montanha do Tibete, e durante sua meditação ele, avistou uma elegante Garça Branca, aquecendo-se ao sol quando, subitamente, um macaco selvagem apareceu da floresta próxima e atacou a Garça agarrando-a pelas asas.

    Estilo Garca Branca

    O pássaro estava assustado, mas este fugiu do ataque do macaco e vingou-se usando seu longo bico para bica-lo.Seguiu-se uma batalha violenta. O macaco que era normalmente considerado ativo e ágil não era par para a Garça. Adato observou a luta muito atentamente.

    Ele estava fascinado pela esperteza exibida pelos dois animais. A luta terminou completamente por um tempo e o macaco estava começando a demonstrar sinais de cansaço quando subitamente, como um raio, o bico da Garça golpeia um dos olhos do macaco que proferiu um grito agudo de dor enquanto o sangue fluía do olho danificado.

    O macaco começou a saltar e fugiu para o abrigo na floresta de onde havia saído.

    No início da luta, Adato apenas observou mas não pensou muito sobre ela. Porém, quando ele observou mais atentamente, começou a notar que os dois animais usavam métodos diferentes de luta e que suas técnicas eram sistemáticas e meticulosas. Os movimentos da Garça Branca eram particularmente evasivos, anulando cada movimento de ataque do macaco, não importando a velocidade em que eram desferidos.

    Depois de observar os movimentos de luta dos dois animais, Adato formou um sistema de técnicas de punhos e pernas em sua mente. Como resultado de muita experimentação e prática, o Kung Fu Garça Branca começou a se formar.

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    Após terminada a pesquisa e analise, foram criadas 8 (oito) técnicas fundamentais dos movimentos naturais da Garça Branca e adotado alguns jogos dos pés do macaco. Adato incorporou as técnicas novas ao arsenal marcial que ele havia aprendido no templo e a isto deu o nome de “O rugir do leão”, mais tarde o estilo foi renomeado para Kung Fu Pai Ho ou Pak Hok no dialeto cantonês.

    O Kung Fu da Garça Branca é conhecido como a arte Imperial durante a dinastia Ching (1644-1912), porque os guardas reais treinaram o Kung Fu Garça Branca para proteger a família real. Também é considerado como um dos mais elegantes e bonitos estilos do Kung Fu Chinês.

    Com o passar dos séculos, o Kung Fu Garça Branca teve muitos mestres famosos que o desenvolveram em vários sistemas diferentes: Lama Pai, Hop Gar, o Rugido de Leão, Pak Hok, Si Jih Hao, Garça Branca e Lama Kung Fu.

    Nos anos entre 1.850 e 1.865 durante a dinastia Ching, o grande Monge Hsing Lung Lo Jung, um dos primeiros discípulos de Adato, viajou para o sul da China com seus quatro discípulos monges Ta Chi, Ta Wei, Ta Yuan e Ta Chueh. Eles começaram a propagar as técnicas de mãos da estrela cadente e estilo do norte de Kung Fu segundo seu atual título de estilo “Pai Ho”.

    O grande Hsing Lung e seus quatro discípulos estavam enclausurados no mosteiro Lótus, na montanha Ting Hu, do distrito de Chao Ching, Kwang Tung. Foi lá que o Monge Hsing Lung aceitou quatro alunos, os quais não eram monges, e passou para eles os segredos do Kung Fu Pai Ho. Esses quatro discípulos eram Wong Yan Lam, Chan Yun, Chou Heung Yuen e Chu Chi Yiu. Depois um outro, chamado Wong Lam Hoi, se juntou aos quatro. Wong Lam Hoi era irmão de sangue de Wong Yan Lam e era de Nan Hai distrito de Kwang Tung.

    Eles foram os cinco grão-mestres que ficaram responsáveis pela propagação do Kung Fu Pai Ho no Sul da China, logo após sua criação. Os seguidores acima mencionados como os cinco grão-mestres, haviam nomeado Ng Siu Chung como o principal expoente do estilo Pai Ho.

    Uma estatueta do Buda feita de ouro foi dada juntamente por Wong Yan Lam e Chu Chi Yiu à Ng Siu Chung. Esta estatueta foi herança do estilo Pai Ho e somente o grão-mestre do estilo estava incumbido da responsabilidade de guardá-la. Naquele tempo, Ng Siu Chung tornou-se o guardião ou timoneiro do estilo Pai Ho de Kung Fu. Os grão-mestres Chan Yun e Chou Heung Yuen morreram cedo. A tarefa de propagação da arte marcial Pai Ho estava principalmente sobre Wong Yan Lam e Chu Chi Yiu.

    Chan Hak Fu (Chen Ke Fu): Um dos mestres mais famosos de Kung Fu Garça Branca, apresentou ao mundo sua organização: a Federação Internacional de Kung Fu Pak Hok (White Crane) na Austrália em 1972. Ele abriu suas escolas em Hong Kong, Macau, Austrália e vários locais nos Estados Unidos, como Nova Iorque, Califórnia, San Francisco etc.

    O monge Ah Dat Ta, eventualmente, ensinou o estilo a outro monge do templo esse monge era o grande Sing Lung o qual, mais tarde, ampliou o sistema criando as técnicas de mãos da estrela cadente (Lau Sing Kuen). Muitas técnicas dentro da forma Fei Hok Sau (mãos de garça voadora) estavam extremamente avançadas para principiantes e assim a divisão “punhos da estrela cadente” foi criada para conter as formas mais básicas.

    Elas são: Luk Lek Kuen (Forma das seis forças), Chuit Yap Bo Kuen (Forma avançar e recuar o passo), Tit Lin Kuen (Forma da cadeia de ferro), Siu Ng Ying Kuen (Forma dos cinco pequenos animais), Tin Gong Kuen (Forma da ursa maior), Lo Han Kuen (Forma de Bodhisattva, Santo Budista), Siu Kam Kongo Kuen (Forma do pequeno diamante), Tai Kam Kongo Kuen, (Forma do maior diamante), Tai Ng Ying Kuen (Forma dos cinco grandes animais), Kun Na Sau Kuen (Forma de agarramento com as mãos), Tsui Ba Hsien Kuen (Forma dos oito imortais bêbedos), Tsui Lo Han Kuen (Forma de Bodhisattva bêbedo), Lo Han Chut Dong Kuen (Forma Bodhisattva encerra a caverna), Kuai Jih Kuen (Forma do Bandoleiro), Lo Han Yi Sap Sei Jang Kuen (Forma de vinte e quatro cotovelos de Bodhisattva) e Tsui Kam Kongo Kuen (Forma de diamante bêbedo).

    Os movimentos das formas acima são principalmente circulares e muito compactos. Porém, essas são, portanto, as principais formas do estilo. As técnicas mais avançadas são as formas:

    • Mui Fa Kuen (Forma da flor de ameixa), a execução dessa forma simboliza a flor de ameixa abrindo suas pétalas, mostrando sua beleza (conhecimento) e perfume (Chi), e incorpora a essência dos movimentos da garça combinados com o Kung Fu clássico.

    Fei Hok Sau (Mão de garça voadora), essa forma foi dedicada a todo o nível fundamental das técnicas de luta do sistema Pai Ho e estava composta de ambos os golpes de punhos e técnicas de mãos abertas.

    • Nei Lah Sau, essa forma foi dedicada às técnicas de luta avançadas e estava composta de agarramento e técnicas de torções. Com especialização em combate nos pontos vitais do oponente.

    Dou Lo Sau, essa forma é fundamental no Kung Fu Pai Ho e está inclusa na forma intitulada “Agulha envolvida no algodão”.

    Min Loi Jam Kuen (Forma agulha envolvida no algodão), essa forma é um pouco do Kung Fu estático que enfatiza a função da mente. A mente controla os movimentos do corpo e membros. De modo que a forma “agulha envolvida em algodão” pode ser considerada, de certa forma, Kung Fu interno o qual é o ponto de partida para os mais altos estágios de trabalho interno chamado “trabalho interno Pai Ho”. Aquele que é bastante preparado para praticar estes trabalhos internos será capaz de usar sua mente para controlar não só a respiração mas também a circulação sangüínea e o metabolismo do corpo, executando, dessa forma, em perfeita harmonia com o universo.

    Além das formas mencionadas acima são realizados movimentos como técnicas complementares das formas do macaco (Hou Chuen), do tigre (Fu Jiao), do leopardo (Pao Ch’uan), do dragão (Long Chuen) e da serpente (She Chuen).

    O estilo Pai Ho (garça branca) também utiliza armas em suas formas. No total são mais de 10 (dez) as principais armas ensinada no estilo Pai Ho. São elas: Bastão normal (Shang Kuan Shu), Nunchaku de duas partes (Lan Tih Kuan), Facão de gume simples (Tan Tao Kuen), Faca de borboleta (Wu Tip Tao), Lança de uma ponta ou uma cabeça (Tan Tou Ch’iang), Gancho orelha ou cabeça de tigre (Hu Tou Kou), Facão em forma de meia-lua ou facão de Kwan Kun (Kuan Tao), Nunchaku de três partes (San Tih Kuan), Punhal duplo (Erh Pi Shou), Garfo de três pontas – tridente com bastão (San Ch’a Kuan) e espada simples e dupla (Chien Tao).

  • Estilo do Dragão

    Estilo do Dragão

    A origem deste estilo enigmático é freqüentemente questionado, muitos estudiosos dizem que o estilo teve origem nos anos 1750 – 1800 e foi desenvolvido pelo monge Budista tailandês – Yuk.

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    Durante um festival chamado Yue Shen, para qual vinha lutadores de Kung Fu de toda a China, Yuk conheceu Lan Yiu Kwai que fazia demonstrações neste festival. Yuk lhe diisse que o seu Kung Fu era bonito mas não tinha uso pratico. A Monja Lan ao ouvir isso ordenou que 11 estudantes o atacassem, mas os mesmos não foram capazes nem de tocar Yuk.

    Impressionada ela própria o ataca e ordenou também que seus estudantes atacassem novamente. Mas desta vez Yuk derruba todos os estudantes menos Lan. Diante desta pura demonstração de Kung Fu a monja Lan cai ao pé de Yuk e pede que a aceite como discípulo.

    Yuk aceitou e começou a ensinar a Monja que se tornou um dos “5 tigres de Cantão” e Yuk ficou conhecido como um Mestre de Dragão. Este estilo é conhecido por defesas e ataques fechados e “Mok Kiu” (entrelaçar os braços). Possui cinco formas que mostram o poder do Dragão, que são conhecidas como: NGAN (olhos), SUN, (mente), SAU ( palma), YIU (cintura), MA (posição de cavalo).

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    A performer seen during a dress rehearsal of Chun Yi: The Legend of Kung Fu, in a London theatre, Wednesday, July 29, 2009, which runs for three weeks until August 16 and has a score by composer Zheng Bing. (AP Photo/Joel Ryan)

    O praticante precisa dominar estas cinco formas que correpondem externamente a Oração, Ar, Fogo, Água e Terra e internamente ínicio, espirito, respiração(Chi), fluência e estabilidade interior.

    Quando o praticante domina estas cinco formas associadas externa e internamente ele está apto a perceber o poder do Dragão.

  • Estilo Choy Lay Fut – Origem

    Estilo Choy Lay Fut – Origem

    O Choy Lay Fut é um estilo de Kung Fu criado pelo grande mestre Chan Heung na região sul da China. Este estilo possui diversos praticantes e escolas no Brasil! Então, vamos conhecer um pouco mais de como o Choy Lay Fut foi criado?

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    Chan Heung

    Chan Heung nasceu em 1806, não há um consenso sobre o dia específico do nascimento deste grande mestre de Kung Fu. Há quem acredite que ele nasceu em Julho e há quem acredite que ele nasceu em Agosto daquele ano. Aos sete anos de idade Chan Heung começou a treinar Kung Fu com seu tio, o monge Shaolin Chan Yuen Woo, que lhe ensinou o estilo dos “Punhos da Família Budista”. O Fut Gar, estilo praticado pelo tio de Chan Heung, também é conhecido como o estilo das “Palmas de Buda”.

    Segundo os relatos, Chan Heung era muito habilidoso, absorvia rápido e executava perfeitamente o que lhe era ensinado. Logo, seu tio o encaminhou para um amigo,um companheiro de treino no Templo Shaolin e, assim, Chan Heung aprenderia outro estilo de Kung Fu. Com quinze anos de idade, Chan Heung passou a treinar com o monge e mestre Lei Yau Saan, criador do estilo de Kung Fu Lei Gar (ou,dependendo da tradução, Lay Gar, Li Gar, Lee Gar, etc).

    Aproximadamente quatro anos após começar a treinar com Lei Yau Saan, Chan Heung é orientado a procurar o outro grande mestre de Kung Fu, o monge Choy Fook. Assim, Chan Heung aprende seu terceiro estilo de Kung Fu, o Choy Gar. Após muitos anos de aprendizado, Choy Fook acredita ter ensinado tudo a seu discípulo e o orienta a voltar para sua terra natal.

    Já em sua terra natal, Chan Heung desenvolve suas técnicas e cria seu próprio estilo de Kung Fu. Para homenagear e honrar seus mestres, além de outros motivos, Chan Heung nomeia seu estilo como Choy Lay Fut. O “Estilo dos Cinco Animais”, como o Choy Lay Fut também é conhecido, ficou muito famoso pela sua efetividade em combate e, logo, se espalhou pelo sul da China. Os discípulos de Chan Heung e as gerações seguintes se encarregaram de manter o estilo vivo até os dias atuais.

    Espero que este artigo seja útil para aqueles que, assim como eu, querem saber mais sobre o Choy Lay Fut. Em breve concluirei um estudo muito mais aprofundado sobre a história do estilo de Chan Heung. Provavelmente no começo do ano que vem (2019), eu já divulgue mais sobre o meu estudo / livro. Aguardem!

  • Templo Shaolin – Origem

    Templo Shaolin – Origem

    Para entender um pouco da história do templo, podemos começar a entender o significado de seu nome. 

    Shaolin = Shao se refere ao Monte Shaoshi e Lin se refere a pequena floresta que tem em torno do templo. O nome já nos diz mais ou menos a sua localização.

    Localizado na província de Henan, o Monte Shaoshi é uma das montanhas que fazem parte do Monte Song, e que teve uma grande importância religiosa. O monte foi um local de peregrinação taoísta, e com a chegada do budismo na China, os missionários perceberam o potencial do local.

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    Monte Song

    O budismo cresceu muito no país e teve muitos financiadores. O primeiro foi Xiaowen (reinado de 471-499), em 495 d.C, que transferiu a capital da sua dinastia para Luoyang, local próximo de onde foi construído o Templo Shaolin, e deu fundos para o monge indiano Batuo, também conhecido como Fotuo, construir o templo. 

    Mas teve uma figura que se destacou nessa história, e ajudou muito a aumentar o carisma do Templo Shaolin: o monge Bodhidharma.

    Há muitas histórias a respeito dele, e apesar de ser considerado um dos fundadores e doutrinadores da escola Chan, muitos historiadores  o consideram como uma lenda. 

    Bodhidharma
    BodhidharmaUkiyo-e woodblock print by Tsukioka Yoshitoshi, 1887.

    Relatos sobre a vida e obra do Bodhidharma são muito contraditórios. Algumas obras citam que o monge teria 150 anos e que viria da Pérsia(Irã). As obras relacionadas a ele misturam muita realidade com ficção, algumas com prefácios falsamente atribuídos a generais. No geral, a maioria deles só relacionam o monge com o budismo.

    A história mais conhecida sobre o monge é que ele passou nove anos meditando em uma caverna em absoluto silêncio, e ensinou seus discípulos uma série de exercícios, o qi gong,  que contribuíram para melhorar as habilidades marciais dos monges. Porém, as obras que relacionariam o Bodhidharma às artes marciais foram escritas anos ou séculos após a sua morte.

    Agora, como as artes marciais começaram em um templo budista, podemos abordar em um próximo tópico. 

  • Estilo do Bêbado

    Estilo do Bêbado

    O estilo do bêbado exige muita habilidade, flexibilidade pois usa-se chutes, voadoras, semi-mortais, rolamentos para confundir o oponente.

    A lenda conta que existiam oito imortais que dedicavam o tempo á pratica da meditação. Combinavam as técnicas antigas de Yoga Chinesa (Kai Men / Chi Kung) obtendo habilidades extraordinárias.Com o passar do tempo eles aprenderam e desenvolveram técnicas avançadas como o estilo bêbado.Estes oito grandes mestres aprenderam a dominaram o controle da energia (Chi Kung em seu nível mais avançado).

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    Postura Classica – Estilo do Bêbado

    Dentro deste grupo havia uma monja que era hábil no manejo de todas as técnicas de pernas que se desenvolveu através da Chi Kung marcial.

    Este estilo foi levado ao templo Shaolin para ser ensinado aos alunos mais avançados. Após a destruição do Templo Shaolin vários monges escaparam e se esconderam em aldeias, e para não serem reconhecidos trocavam seus nomes e se vestiam como mendigos. Em cada aldeia deixavam ensinamentos que os aldeões os melhoravam adaptando a seus custumes e estruturas físicas. Nessas transformações surgiu o estilo do bêbado do sul da China, que não é tão vistoso e sim efetivo na luta, nesse momento nasce o bastão do mendigo do sul, nome dado em honra a um monge que caminhava pelas aldeias fazendo-se passar por mendigo cego e que manejava seu bastão com grande habilidade.

    O estilo do bêbado com o tempo foi aperfeiçoando, mas perdia sua essência por ser um estilo difícil de aprender e executar. Todos estamos aptos para esta tarefa, mesmo sendo necessária uma preparação física, mental e espiritual muito refinada.

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    Espada do Bêbado

    Este estilo se destaca pela habilidade de enganar o inimigo ultilizando o desequilíbrio, giros, saltos, esquivas e acrobacias, ultilizando a força do oponente confundindo-o.
    As técnicas são ultilizadas com energia interna desde o Tan Tien, força do abdomem, quadris e ombros, que se combinam para lançar golpes de punhos e pernas seguidos de rasteiras.

    A finalidade do estilo é manter o corpo em bom estado no plano físico para transformar e armazenar energia (Chi Kung) que é usada em níveis mais avançados.

    À prática do estilo bêbado é um conjunto de técnicas altamente refinadas, e por isso é considerada como o limite máximo do plano físico dos lutadores. No Brasil é desconhecido algum Mestre ou Professor que ensine o estilo Bêbado inteiro. Hoje possuem apenas formas (katis) técnicas ministradas em diversas escolas.

  • Estilo Garra de Tigre

    Estilo Garra de Tigre

    O estilo Hung Gar/Garra de Tigre é caracterizado com base de pernas e mãos fortes. Sua pricinpal característica é a utilização do ataques e defesas ao mesmo tempo.

    Surgiu na Dinastia Ching, no ano de 1734, época em que o imperador Yung Jing Ordenou a destruição dos Templos Shaolin .

    Garra Tigre
    Garra de Tigre

    Depois da destruição dos templos, somente cinco monges sobreviveram ao massacre, sendo eles: NQ Mui, Gee Sin, Pak Mei, Miu Hin, Fung To Tak.
    Desses sobreviventes, o monge Gee Sin teve como discípulo um rapaz de nome Hung Hei Kun, que mais tarde construiu um novo templo Shaolin onde ensinava o Kung Fu nos moldes tradicionais, sendo o seu estilo conhecido mais tarde como Hung Gar (Familia Hung).

    Nos ultimos cem anos em Cantão, região Sul da China, existiram dez mestres que se destacaram por sua habilidade inigualavel.

    Por alcançarem grande fama, chegando a ser conhecidos como os Dez Tigres de Cantão. Dentre eles, cinco eram eram mestres de Hung Gar: Tii Kiu San, Sou Rak Fuú, Wong Fei Hung.

  • Estilo do Leopardo

    Estilo do Leopardo

    Foi supostamente criado no período Song (cerca 1230 AD) pelos famosos Mestres Jue Yuan, Li Bai Yufeng e Sou também desenvolveram as habilidades de Shaolin.Jue Yuan com a ajuda de Bai Yufeng e Li Sou. Desenvolvido pelo monge Mot, o estilo do leopardo vem da família do estilo do tigre e é usado para desenvolver velocidade e força.  A ênfase do estilo leopardo é a velocidade e o ataque angular. O leopardo não domina nem depende da força, assim como o tigre, mas confia na velocidade e na superação do seu oponente. O poder do estilo deriva de sua velocidade agressiva. O praticante de leopardo vai se concentrar em cotovelos, joelhos, chutes baixos e socos em formato de garra do Leopardo. 

    Kungfu Estilo Leopardo1
    Garra de Leopardo 

    Os objetivos do estilo Leopard são, desenvolver a  velocidade e força muscular. O estilo leopardo foi fundado na observação dos criadores dos movimentos do leopardo na natureza e, portanto, os praticantes do estilo imitam esses movimentos. Ele não depende de posturas enraizadas, e só assumiria uma postura durante o ataque, a fim de lançar no oponente.