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  • O cinema e a divulgação Kung fu no mundo

    O cinema e a divulgação Kung fu no mundo

    Os filmes de ação com cenas de lutas espetaculares que vemos hoje são dessa forma graças aos filmes de Kung fu.

    Sim, os filmes de kung fu contribuíram e muito para a cultura que vemos hoje, seja nos filmes, na divulgação do kung fu pelo mundo, na própria cultura chinesa e também, segundo o documentário “Iron Fists Kung fu Kicks” (2019), contribuíram com o Hip Hop e o Parkour. Aliás, esse artigo tem uma grande base nesse documentário, que eu acho fantástico, e que vale a pena a gente detalhar um pouco mais os pontos para entender a importância dos filmes chineses.

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    Run Run Shaw, ao centro. Foto: The New York Times.

    Vamos começar lá na década de 60, em Hong Kong, quando o famoso estúdio Shaw Brothers, liderado por Run Run Shaw, começou a fazer seus filmes baseados nas famosas Óperas de Pequim, mais precisamente na Ópera Huangmei, que era um dos cinco principais gêneros de ópera chinesa. O filme The Love Eterne (1963) é basicamente uma ópera filmada. Os filmes tinham coreografias muito plásticas, a divulgação da cultura chinesa era muito forte e fazia muito sucesso. Vale destacar que atores famosos e reconhecidos como Jackie Chan, Sammo Hung, Yuen Biao são pessoas que vieram da Ópera de Pequim.

    O gênero Wuxia veio mais para frente quando o foco começou a ser filmes de ação mas, mesmo assim, as lutas eram pensadas mais na sua plasticidade do que em ser realista, tanto que você consegue ver ritmo nas lutas e acrobacias. Os arquétipos das óperas também estão presentes nos filmes, como o herói sempre aparece limpo e o vilão com uma maquiagem mais carregada ou nas poses dramáticas e trilhas sonoras com gongo, por exemplo.

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    The Love Eterne (1963). Foto: Mubi.

    A grande virada veio no final da década de 60, quando o diretor Chang Cheh, famoso por grandes clássicos como “Os 5 Venenos de Shaolin (Five Deadly Venons) – 1978“, queria deixar o filme mais realista e violento com mais sangue e deixar de lado aquelas coreografias mais “dançantes”. E também queria focar bastante no homem, na sua força e musculatura. Por isso, é muito comum ver nos filmes os treinamentos e lutas de homens sem camisa.

    Mas também vamos puxar um pouco para a história que Hong Kong passava nessa época, mais precisamente em 1967, de muita violência e dos grandes protestos contra domínio colonial britânico. Então esse sentimento de revolta e violência fomentou e casou muito com essa mudança no cinema chinês.

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    Os filmes passaram a ter mais sangue e valorizar a musculatura masculina. Filme 5 Venenos de Shaolin. Foto: Rotten Tomatoes.

    Paralelamente, na década de 60, temos Bruce Lee tentando se inserir na TV e no cinema nos EUA. Temos que destacar que o cinema nos EUA, na época, era totalmente dominado por pessoas brancas e não tinha muitos filmes de luta, uma vez que o gênero que dominava era o Faroeste. E quando havia a presença de orientais, estes eram interpretados por brancos muito estereotipados.

    Bruce Lee tentou vários papeis que foram recusados, até conseguir se inserir na série “Besouro Verde”, onde ele era o ajudante do protagonista. Apesar de ser coadjuvante, o personagem de Bruce Lee, Kato, fez muito sucesso por sua performance que nunca tinha sido vista antes. Na Ásia, o sucesso era tão grande que a série passou a se chamar “The Kato Show“. Há histórias que as câmeras não conseguiam captar a velocidade do seu movimento, logo ele tinha que fazer os movimentos mais lentos. Vale destacar que houve um “Crossover” da série Besouro Verde com a clássica série de Batman, onde eles vão para Gothan City lutar contra Batman e Robin mas, no fim, acabam se unindo.

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    Bruce Lee, à direita, como Kato. Foto: Uol.
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    Crossover de Besouro Verde e Batman. Foto: Veja.

    Voltando à trajetória de Bruce Lee, houve um fato muito importante e determinante na história que foi a série Kung fu. Bruce fez o teste para a série, foi muito elogiado mas não conseguiu o papel por ser chinês. Até porque, a série ia ser exibida no horário nobre e, infelizmente, havia um forte preconceito. Esse papel foi passado para um ator branco, David Carradine, que não tinha tido contato nenhum com as artes marciais. Segundo os produtores, ele passava uma imagem mais calma e contemplativa para um monge.

    A série, para quem não conhece, conta a história de Kwai Chang Caine (David Carradine), um monge Shaolin que, após vingar o assassinato do seu mestre, foge para o velho oeste americano atrás de seu meio irmão Danny Caine. Há histórias que a idéia da série, originalmente, foi escrita por Bruce Lee, mas os produtores da série negam. Mas anos depois a sua filha Shannon Lee, recuperou os os roteiros escritos pelo pai e produziu a série “Warrior” (2019).

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    Bruce Lee e Raymond Chow. Foto: Reprodução.

    Frustrado com Hollywood, Bruce Lee volta para Hong Kong e fecha contrato com a Golden Harvest, de Raymond Chow, que já tinha sido um executivo de confiança da Shaw Brothers. O foco das duas produtoras era bem diferente, a Shaw Brothers focava em quantidade, mas a Golden Harvest queria lançar uma estrela. Isso foi determinante para o fechamento de contrato de Bruce Lee com a produtora, pois ele teria participação nos lucros do filme, diferente do outro estúdio que os atores recebiam salário fixo sem bonificação.

    Após fechamento de contrato, a carreira de ouro de Bruce Lee começa com um filme revolucionário da época, “The Big Boss” (1971), com cenas de luta que nunca tinham sido vistas no cinema, consagrando-o como a estrela dos filmes asiáticos. Depois veio “Fist of Fury” (1972), uma grande crítica ao preconceito contra os chineses, enaltecendo o nacionalismo chinês. Os filmes de Bruce Lee conversavam com a população oprimida e isso fez com que eles fizessem cada vez mais sucesso. Foi uma mudança de filmes clássicos com coreografias muito plásticas para um estilo de luta muito mais real.

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    Bruce Lee em “The Big Boss”(1971)

    Mas o primeiro grande sucesso nos EUA não foi o filme de Bruce Lee, foi o filme “5 Dedos da morte” (1972) com Lo Lieh, com muita violência e sangue. Com esse filme, começou a despertar o interesse e curiosidade do ocidental pelas artes marciais. Só um ano depois, Bruce Lee estourou mundialmente com o filme “Operação Dragão”. Foi sucesso de bilheteria e um fenômeno global, o que levou à grande fama de Bruce Lee. Porém, infelizmente, ele faleceu seis dias antes da estreia do filme em Hong Kong e 1 mês antes da estreia nos EUA, fazendo com que ele tivesse uma fama póstuma.

    Por outro lado, esse filme fez com que o kung fu ficasse no auge mundialmente. Academias foram abertas no mundo todo e, claro, não podia ser diferente no Brasil. Graças ao filme, o kung fu foi amplamente divulgado por aqui e começamos a construir nossa história nessa época.

    O cinema ficou órfão de Bruce Lee e isso fez com que vários sósias surgissem, além de histórias bizarras que Bruce Lee tinha mudado de cara, enfim, tudo para continuar essa febre que foi Bruce Lee e o Kung Fu. E uma vertente muito importante na história foi o surgimento de filmes de artes marciais com atores negros. Como Bruce Lee era visto como símbolo de resistência contra a opressão e o sistema, a comunidade negra se sentiu muito conectada. O astro desses filmes foi Jim Kelly que treinou com Bruce Lee e também participou de Operação Dragão. Mas também tiveram outros nomes, como Ron van Clief, e protagonistas mulheres como Tamara Dobson e Jeannie Bell.

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    Jim Kelly, THREE THE HARD WAY, Allied Artists, 1974, I.V. jimkelly. Foto: IMDB

    Voltando para Hong Kong, nos anos 70 surge um nome muito importante que é Lau Kar-Leung, um grande artista marcial, ator e coreógrafo de cenas de luta. Ele quis mudar o cinema chinês e fazer filmes em que as pessoas de fato praticassem kung fu. Nessa época, surgiram grandes clássicos dos filmes que conhecemos hoje, inclusive um filme de grande sucesso que é “Câmara 36 de Shaolin” (1978), que fez Gordon Liu se tornar um ícone do gênero.

    Apesar desses filmes não retratarem uma luta, digamos que real, com coreografias muito bem encaixadas, é legal pensar na plasticidade do movimento e ver a autenticidade de cada estilo. Perceber como cada estilo se comporta em uma luta, a movimentação, os punhos. Essa é a grande magia do cinema no kung fu.

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    Gordon Liu em “Câmara 36 de Shaolin”. Foto: Reprodução.

    Em paralelo a esses filmes nascia uma estrela que é Jackie Chan. Em sua biografia, ele conta um pouco dessa trajetória, principalmente após o falecimento de Bruce Lee. E muitos produtores esperavam que ele reproduzisse o jeito de Bruce Lee, a forma de lutar e se expressar. O produtor Lo Wei , com quem ele tinha contrato, tentou essa transformação de Jackie Chan no filme “New Fist of Fury” (1976), mas foi um fracasso. Foi aí que ele foi emprestado para outro estúdio, se juntou com o diretor Yuen Woo-ping e, em 1978, fez dois grandes clássicos da sua carreira: “Snake in the Eagle’s Shadow (Punhos de Serpente)” e “Drunken Master (O Mestre Invencível)”. Foi nesses dois filmes que ele se lançou no gênero de Kung Fu Comédia. Quando o contrato com Lo Wei estava para acabar, a Golden Harvest já entrou em contato e ofereceu a Jackie Chan uma proposta para dirigir seus filmes e um orçamento gigante. E assim nasceram grandes clássicos como “Projeto A” e “Police Story“.

    Na década de 80, Jackie Chan revolucionou o cinema pelas lutas, usando objetos de cena, acrobacias e cenas perigosas que ele mesmo fazia, ou seja, ele não tinha dublê. Isso lhe rendeu muitos machucados, partes do corpo quebradas e muitas idas ao hospital. Esse novo estilo de luta que Jackie Chan trouxe e também a mudança desse cenário de estúdio fechado e cenários plásticos para um local mais urbano, fez com que a Shaw Brothers perdesse a relevância. Em 1985, ela encerra a produção de filmes focando a produção em um canal de TV, a TVB.

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    Jackie Chan em “Police Story”. Foto: Reprodução.

    Nessa época houve um boom de filmes de artes marciais. Jackie Chan, Sammo Hung, Yuen Biao, Michelle Yeoh, Chow Yun-Fat eram nomes fortes do cinema oriental, mas surgiram grandes nomes ocidentais como Cinthia Rothrock e o próprio Jean-Claude Van Damme, responsável pelo grande clássico “Bloodsport” (o Grande Dragão Branco) (1988).

    Na década de 90, houve uma crise no cinema em Hong Kong. Apesar de um nome grande, como Jet Li, surgir nessa época, aquela produção desenfreada dos filmes reduziu muito. Mas isso ocorreu por vários fatores como a repetição das fórmulas dos filmes e as produções ficaram “mais do mesmo”. Teve uma explosão de pirataria na época e também uma concorrência com Hollywood, onde os blockbusters na época estavam chamando mais atenção que o cinema local. Fora isso, em 1997 aconteceram dois fatores: uma crise financeira asiática e também a devolução de Hong Kong para a China. Nesse momento, os principais compradores de filmes, como Coreia do Sul, Taiwan e Sudestes Asiático pararam de importar filmes e houve uma instabilidade e tensão, que fez com que os astros e produtores de filmes fossem para os EUA.

    Foi aí que nasceu uma grande parceria, Yuen Woo Ping, aquele que foi diretor dos primeiros filmes de sucesso de Jackie Chan, fez a coreografia do filme Matrix (1999). Foi um filme de grande sucesso que transformou a forma de luta do cinema ocidental. Os americanos não sabiam muito bem filmar essas cenas de luta então usava-se muitos cortes rápidos para esconder que o ator não sabia fazer. Yuen Woo Ping exigiu que os atores treinassem e tivessem contato com o kung fu pelo menos 6 meses antes para que pudessem fazer a luta mais real possível. Além disso, ele levou para os EUA a técnica Wire-fu, que é a luta com cabos, onde os atores podiam “flutuar” e desferir golpes com planos mais abertos, uma herança dos filmes de Wuxia dos anos 60 e 70, da Shaw Brothers. No filme conseguimos ver algumas referências a filmes chineses como as cenas de treinamento e, principalmente, existe uma referência a Bruce Lee, quando Neo tem uma postura corporal e faz o gesto com a mão chamando Morpheus.

    Morpheus (Laurence Fishburne) e Neo (Keanu Reeves) em Matrix. Foto: Medium.

    Matrix abriu ainda mais as portas para os filmes de kung fu e, um ano depois, em 2000, veio o filme “O Tigre e o Dragão“, também coreografado por Yuen Woo Ping. Ele venceu quatro Oscars, sendo eles: Melhor filme estrangeiro, Melhor Fotografia, Melhor direção de Arte e Melhor Trilha Sonora Original. Essa foi a primeira vez na história que um filme chinês foi visto e valorizado por Hollywood.

    Depois disso, os filmes de luta e ação estão cada vez mais refinados. Muitos filmes ainda utilizam dublês e coreógrafos de Hong Kong para as cenas de lutas. Hoje em dia é muito comum ter cenas com coreografias rápidas, utilização de artigos da cena nas lutas, golpes cada vez mais agressivos e desafiadores. Mas isso, com certeza, se deve muito à trajetória do filme chinês para o mundo do cinema. E não só para o cinema, mas para a divulgação da cultura chinesa para o mundo. Toda a narrativa construída em torno do kung fu, divulgando sua história pelos filmes, fez com que o Templo Shaolin se tornasse o templo mais famoso do mundo. Não pela sua vertente religiosa, mas por ser imortalizado pela cultura pop.

  • Karate Kid Legends

    Karate Kid Legends

    Assistimos ao filme depois de muitas expectativas, até porque tinha muitas pontas soltas de como iriam conectar essas histórias, umas vez que temos o Sr. Han ( Jackie Chan) e Daniel LaRusso (Ralph Macchio) com histórias e universos diferentes. Sempre que eu vou com essa expectativa alta, muitas das vezes eu acabo saindo decepcionada, mas dessa vez foi diferente, e vou te dizer o porquê.

    Já digo que esse artigo pode conter spoilers!

    Primeiro, o filme começa já conectando as duas histórias do Karate Kid de Jackie Chan de 2010, com a grande e primeira franquia de Karate Kid com Daniel San e Sr. Miyagi (Pat Morita). Originalmente, acredito eu, que o Karate Kid de 2010 era pra ser mais um remake. Claro que com personagens e ambientes diferentes, mas a história é basicamente a mesma. Eles conectaram de uma maneira um pouco forçada, respirei fundo e deixei a história me levar.

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    A história começa em Beijing, numa escola de kung fu do próprio Sr. Han, e temos as referências do filme de 2010 do famoso “Tira casaco, bota casaco”, que virou um método de ensino dele. E ja temos a apresentação do personagem protagonista dessa história que é o Li Fong, interpretado pelo Ben Wang.

    Assim começa a mesma história que todos nós ja conhecemos e muito: um jovem que tem que se mudar e se adaptar a um novo local enfrentando o bullying, se envolvendo como uma garota e tendo a arte marcial como sua grande aliada nessa saga. Nessa história, Li Fong já tem conhecimento em artes marciais, no caso kung fu, que ele treinou com o Sr. Han. Ele vai para Nova Iorque com a sua mãe e lá ele conhece Mia (Sadie Stanley) e seu pai Victor (Joshua Jackson).

    O que me chamou a atenção nesse filme é que, apesar de você ter a presença de dois grandes nomes que é Jackie Chan e o Ralph Macchio, o tempo de tela deles é bem pequeno comparado ao do protagonista interpretado pelo Ben Wang. Apesar de sentir que a história tem suas semelhanças com os outros filmes, você consegue enxergar uma nova história que é o próprio conflito do protagonista, dele como artista marcial, e também em uma nova situação que é ele como mestre.

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    Nessa história, Li Fong vira amigo de Victor que é o dono de uma Pizzaria, antigo lutador de boxe e deve dinheiro. E a partir do momento que Li Fong o ajuda a lutar contra os cobradores dessa dívida, acaba recebendo um pedido de Victor para treiná-lo e vencer um torneio de Boxe para pagar suas dívidas. Assim como todo filme de arte marcial, temos as cenas de treinamento que eu achei mais sofisticadas e mais realistas do que “tirar o casaco” ou “pintar a cerca”.

    Um dos pontos importantes, para nós principalmente, são as cenas de luta. São impecáveis. Já na primeira luta de Li Fong eu vi claramente o estilo do Jackie Chan ali, utilizando objetos da cena na luta e as esquivas bem características dele. Com toda a certeza o Jackie Chan teve uma grande participação na coreografia dessas lutas. Isso é um ponto extremamente positivo porque, se pegamos as lutas da série Cobra Kai, elas não chegam nem aos pés desse filme. Sem contar que o ator Ben Wang é muito bom, foi uma ótima escolha tanto quanto artista marcial como ator, ele tem muito carisma.

    Agora vamos falar sobre a participação dos astros das sagas, coloco no plural porque pra mim foram dois universos. Eu acho que o filme é muito mais do Jackie Chan do que Ralph Macchio. Falo isso pelo tempo de tela, o Ralph Macchio aparece bem menos do que o Jackie Chan que aparece do começo até o fim. Acredito que seja por conta da relação dele com o próprio Li Fong. Eu senti isso no cinema, porque tinham pessoas da geração Cobra Kai que estranharam a ausência do Daniel-san, e quando ele apareceu ficaram mais aliviados.

    Achei isso um ponto positivo e negativo ao mesmo tempo, porque estamos lidando com duas gerações. As pessoas dessa geração vão muito pelo Cobra Kai (Netflix), e podem se frustrar um pouco com o filme por estar meio distante da série e, provavelmente essas pessoas não assistiram ao filme de 2010, e nem conhecem o trabalho Jackie Chan. Por outro lado, temos a geração que conhece o Jackie Chan e sabem do sucesso dos filmes dele dos anos 80 e 90 e também é a mesma geração do primeiro filme de Karate Kid. Esse é o grande lado positivo porque ele consegue unir duas gerações que curtem artes marciais e essa saga. Acredito que Cobra Kai já fez essa junção mas colocar o Jackie Chan é atrair um público mais nichado.

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    Voltando ao filme, Daniel LaRusso aparece porque Li Fong precisa participar de um campeonato de rua, digamos assim, para ajudar seu amigo Victor a pagar suas dívidas, e também lutar com seu rival no filme que é lutador de karate e, por isso, ele precisa aprender a luta. Nessa hora achei estranho, porque não ficou muito claro para mim que era um campeonato de Karate, ainda mais porque o estilo de lutar do Li Fong estava bem mesclado. Enfim, Sr. Han vai atrás do Daniel, para que ele ensine Li Fong a lutar. Nessa hora achei bem legal os treinamentos com visões diferentes de técnicas.

    Nessa hora achei tudo muito rápido. De repente Li Fong tem que lutar, as cenas de treinamento são rápidas, já vem o campeonato e o filme acaba! Nessa hora, a minha reação foi: “mas já?”. Eu fiquei com aquele “gostinho de quero mais”. Acho que por isso tive a sensação que Ralph Macchio apareceu pouco.

    Mas, no geral, o filme é muito bom, é nostálgico pelos atores e pelas pequenas referências que o filme traz. Ao mesmo tempo é uma trama que envolve porque ele sai um pouco do óbvio da franquia e traz novos conflitos. Fora as lutas que são muito boas e essa puxada para o lado do kung fu me cativou muito (risos). Não sei se terá continuações, o filme se resolve e não deixa pontas soltas. E espero que eles não repitam o mesmo erro que fizeram na última temporada de Cobra Kai, de tentar fazer um filme colocando elementos que não tem nada a ver com a história.

    Para quem ainda não viu o filme segue o trailer para ficarem com vontade de assistir.

  • Cobra Kai – 6ª Temporada

    Cobra Kai – 6ª Temporada

    Eu resolvi juntar as três partes para dar um veredito geral, porque quando assisti às duas primeiras partes eu confesso que me decepcionei um pouco, mas a última parte conseguiu salvar o fechamento dessa série.

    Bom, vamos “começar pelo começo”… E já deixo bem claro que contém alguns spoilers.

    Quando eu fiz minha crítica a respeito da 5ª temporada, eu achava que o final já havia dado um desfecho para a história, e que se houvesse uma nova temporada, eles tinham que me surpreender. Infelizmente, achei que a 6ª temporada estragou um pouco tudo que eles construíram até então.

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    Acho que começou mal, fugiu totalmente do que as outras temporadas mostraram. Primeiro eles contaram essa história da personagem da Kim Da-Eun (Alicia Hannah-Kim), que conheceu o John Kreese (Martin Kove) quando era pequena, e colocam um mestre que parece o Pai Mei de Kill Bill. Nessa hora achei que forçaram demais. Entendo que a proposta era ter um novo núcleo pra entrar em combate com o Miyagi-Do, uma vez que Cobra Kai em teoria acabou. Mas achei meio esquisito, porque para mim remeteu mais ao Tae Kwon Do do que o Karatê, não que eu seja expert no assunto das duas artes marciais, mas pra mim remeteu a isso. Me lembrou até o filme que fizeram do Karate Kid com o Jackie Chan, o título era karatê mas falavam de kung fu. Enfim…

    Colocaram um torneio mundial de karatê, o Sekai Taikai, para movimentar a trama. Eles tinham que unir a equipe de Daniel San e da Kim com o Kreese de alguma forma, porque sem isso não tem o que desenvolver, uma vez que o Cobra Kai acabou e todos os personagens estavam se dando bem.

    Chegamos ao torneio, que se passa em Barcelona e, com ele vieram os problemas. Primeiro, o torneio veio com umas provas para acumular pontos sem pé nem cabeça. É como se disputassem provas com luta, achei que não teve muito sentido, saiu um pouco fora dos torneios de luta. E uma coisa que eu quero destacar é que existe uma equipe brasileira nesse torneio e eles mesclaram os movimentos de Karatê e Capoeira, acho que não precisavam fazer isso.

    Outro ponto é o enredo do Daniel San (Ralph Macchio) descobrindo que o Sr. Miyagi já participou do torneio e da suposta conduta do seu mestre. Isso é algo que não me convenceu, não é a primeira vez que Daniel questiona seu Mestre e seus ensinamentos, e repetir esse assunto a cada temporada que passa se tornou muito cansativo, assim como a crise que a personagem Tory Nichols (Peyton List) de ficar com Miyagi-do ou Cobra Kai.

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    Acho que o pior ponto é o retorno do Terry Silver (Thomas Ian Griffith). Na penultima temporada, Terry foi preso e o desfecho dele foi muito claro. Mas nessa temporada ele volta com a desculpa que conseguiu sair da prisão para tentar uma vingança que, para mim, ficou muito batido.

    Agora vamos começar a ver o lado bom da história…

    Houve a apresentação de personagens novos, mesmo que breves, mas que renderam boas coreografias, como a personagem de Zara (Rayna Vallandingham) e o Kwon (Brandon H. Lee). E também teve um ator que eu gosto muito e que está sempre nos filmes de artes marciais que é o Lewis Tan, que faz o Sensei Wolf.

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    Mas a parte boa não se resumiu somente a esses personagens, acredito que o que salvou a temporada sem dúvida foi a última parte da série que coloca Johnny Lawrence (William Zabka) em evidência. Afinal, a série é basicamente sobre ele e o Cobra Kai.

    Em resumo, a série fez uma confusão toda para deixar que o Johnny Lawrence fizesse uma luta final contra o Sensei Wolf. Ficou claro que é um momento de libertação e reconciliação com o próprio passado de Johnny. Como se ele voltasse para aquela luta, em 1984, em que perde para o Daniel LaRusso. É possível perceber como a autoestima dele é muito abalada com relação a esse evento. Nos últimos capítulos, conseguiram construir uma narrativa que a gente entende que foi muito traumático e como o karatê era importante pra ele.

    A parte legal é o Johnny chamar o próprio Daniel para treiná-lo. Foi um momento de muito respeito dos dois e reconhecimento que seu rival do passado poderia ajudá-lo a enfrentar seu inimigo sem perder a essência dele. E claro que já sabemos o resultado final. Foi um ótimo desfecho para o personagem, que merecia essa libertação do passado que ele carregou durante todas essas temporadas.

    E sobre os outros personagens, foi basicamente mais do mesmo. Os mesmos dramas e conflitos sem muitas novidades.

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    No geral, acho que eles poderiam ter parado na quinta temporada tranquilamente. Achei que as outras temporadas me deixaram com mais expectativas de saber o que ia acontecer com a história.

    A série acaba, mas em breve um filme do Karatê Kid será lançado com o Jackie Chan e o Ralph Macchio. Até achei que iam dar algum gancho na série, mas pelo visto vai ser algo independente. Será que vem uma nova saga? Como eles irão conectar esses dois personagens? Será que eles irão acertar mais do que o último filme que falava de kung fu e o título era karatê?

    Isso saberemos em breve.

  • Bons Companheiros

    Bons Companheiros

    Depois de um bom tempo longe dos cinemas brasileiros, Jackie Chan volta com um novo filme, carregado de drama, comédia e muitas homenagens.

    Bons Companheiros (Ride On) traz a história do Mestre Luo, interpretado pelo Jackie Chan, que é um dublê que já teve muito sucesso na sua carreira, e hoje, digamos, é fracassado e cheio de dívidas. Além disso, Luo se vê numa situação em que ele pode perder seu cavalo para um leilão para cobrir uma de suas dívidas. Ele acaba recorrendo à sua filha, uma jovem estudante de Direito, que ele não via há 6 anos. Mas sua vida muda quando ele e seu cavalo de estimação acabam viralizando na internet com uma luta que os dois se envolvem com cobradores de dívidas.

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    Fonte: IMDB

    Vendo sua carreira crescer novamente e sua filha se reaproximando, Luo terá que escolher entre sua carreira como dublê ou sua família.

    Se você está procurando um filme para chorar, essa é a melhor escolha! Brincadeiras a parte é um filme muito emocionante. Primeiro porque tem o drama familiar do personagem de Jackie Chan, e segundo porque tem o drama dele e do cavalo de estimação, mostrando uma grande sensibilidade e carinho entre os dois.

    Mas acredito que seja ainda mais emocionante para quem é fã do ator, porque o filme relembra muito a carreira de Jackie Chan. Eu senti uma mistura de ficção com a vida real dele. No filme são mostradas cenas de filmes reais do Jackie Chan, como sendo cenas de filmes onde o personagem atuou como dublê. As cenas pós créditos do filme, com os erros de gravação, ele se machucando, enfim, são mostradas no filme e o personagem se emociona muito.

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    Fonte: IMDB

    Isso pra mim, como fã, pesou muito porque mostrou como ele era muito bom no que fazia, o quanto ele se doou para o filme, e isso foi uma verdadeira homenagem. Sem contar que o filme tem vários Easter Eggs de muitos trabalhos que ele já fez. Alguns deles são do Mestre Invencível (Drunken Master – 1978), First Strike (1996), O Grande Desafio (Gorgeous – 1999), Operação Condor (1991), Quem sou eu? (1998), entre outros.

    O filme também conta com grande atores que já trabalharam com o Jackie em outros filmes como o Wu Jing, Yu Rongguang, Shi Yanneng, Andy On.

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    Wu Jing à direita. Fonte: IMDB

    Apesar do filme ter muito drama, tem sua parte de comédia e lutas no estilo Jackie Chan, que é uma grande característica nos filmes do ator. As lutas continuam com pessoas voando, cadeiras e mesas sendo utilizadas, mas não têm mais aquela emoção como antigamente até porque o Jackie Chan já tem idade e não tem mais condições de fazer altas cenas de luta.

    No final mostra que o filme foi feito como uma homenagem aos dublês, mas pra mim, além disso, foi uma grande homenagem à carreira de Jackie Chan.

    O filme estreia nos cinemas brasileiros dia 12 de outubro de 2023.

  • Police Story

    Police Story

    Eu não poderia deixar de escrever esse artigo a respeito de um dos filmes mais famosos do Jackie Chan: Police Story.

    Esse filme fez com que o Jackie Chan fosse visto e reconhecido no mundo inteiro por conta do seu estilo “Jackie Chan” de fazer filmes. Fez tanto sucesso que, pra quem é da década de 80/90, com certeza, assistiu o filme várias vezes na Sessão da Tarde, da Rede Globo.

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    Fonte: Sato Company

    Jackie Chan é o protagonista do filme fazendo o papel do policial Chan Ka Kui, ou como foi traduzido no ocidente, Jackie Chan, que consegue prender um dos grandes traficantes da China, o Mr. Chu (Chor Yuen). Porém Jackie acaba indo dos seus momentos de glória para momentos de fim de carreira quando os traficantes querem se vingar dele.

    Além dos traficantes, Jackie tem que lidar com o seu relacionamento com a Mei (Maggie Cheung) que acaba sendo abalado nessa história por um suposto envolvimento com uma testemunha chave, a Selina Fong (Brigitte Lin).

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    Meggie Cheung e Brigitte Lin. Fonte: Sato Company

    Contando dessa forma parece que o filme é um pouco “pesado”, ainda mais por ser uma história de policiais versus traficantes mas, acredite se quiser, tem muita comédia dentro do filme, o que deixa ele mais leve. Comédia e ação são marcas registradas do Jackie Chan.

    Falando em marcas registradas, muitos atores acabam sempre fazendo os filmes de Jackie Chan. Nesse filme contamos com a presença de dois atores muito conhecidos: o Mars que faz o papel do policial Kim, e o famoso Bill Tung que faz o papel, também de outro policial, Bill Wong.

    Como um filme policial dos anos 80, a história não tem grandes altos e baixos, mas prende bastante principalmente pelas cenas de luta. Aliás, os filmes do Jackie Chan são muito famosos pelas cenas de luta porque ele não utiliza dublês, e são muito impressionantes com coreografias de lutas fora do normal, com pessoas voando, quebramentos de mesas e cadeiras, etc.

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    Fonte: Sato Company

    No livro biográfico do Jackie Chan, Never Grow Up (2015), ele conta o quão insana foi a gravação da cena final. Pra quem não assistiu o filme, o final se passa em um shopping, e eles abusaram nas cenas com vidros. Tem um momento em que Jackie tem que descer numa especie de um poste cheio de luzes de natal e cabos e ele cai em um lugar com muito vidro (cenográfico claro!).

    Em seu livro, ele conta o quão demorado foi para a montagem, a quantidade de pessoas que estavam ali para gravar aquela cena e a pressão que ele teve para fazer isso em um único take. Até porque ele também estava gravando outro filme, Heart of Dragon, dirigido pelo Sammo Hung, e ele tinha que sair de lá para outra gravação. Fora o horário do funcionamento do Shopping que não podia ser alterado por conta das gravações, ou seja, tinha que dar certo!

    Naquele dia de gravação, ele conta que tudo deu muito errado, até mesmo o momento exato de gravar foi errado. Nessa hora ele não teve escapatória e ele teve medo de morrer. A cena foi feita e ele conta que na decida a mão dele queimava no atrito com o poste e chegou a ficar dormente!

    A adrenalina foi tanta que ele caiu no chão e já levantou rapidamente batendo nas pessoas e logo a equipe mandou ele parar desesperadamente. Quando ele olha em volta, ele vê a equipe chorando, principalmente as atrizes Maggie Cheung e Brigitte Lin e, mesmo vendo a cara de desespero de todos, ele não se deu conta que ele estava com a mão toda cortada, sangrando e cheia de cacos de vidro.

    Ele desesperadamente pega o carro e pede para o motorista levá-lo para a gravação do outro filme e ele apaga de tanta adrenalina. Ele só se deu conta do estado dele quando ele não conseguiu abrir a porta do carro sozinho.

    Em resumo, acho que é um dos melhores filmes do Jackie Chan, pela história, pelo enredo, e claro, pelas ótimas e mais insanas cenas de ação do filme. Aqui no Brasil, a distribuição do filme é de responsabilidade da Sato Company e está disponível no Prime Video.

    Trailer:

    Referências: CHAN, Jackie; MO, Zhu. Never Grow Up. New York: Gallery Books, 2018.

  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Pensei muito se colocaria esse filme aqui como um review, por um lado sim vale a pena pelas lutas por outro eu já entro em um campo de falar do filme em sua profundidade, que é o que faz o filme ser tão bom e grandioso. Mas como eu sempre venho aqui jogar um pouco de reflexões aos meus leitores, resolvi publicar esse artigo afim de abrir a mente para esse filme que não é um blockbuster, e segue um pouco mais essa linha independente, e claro não deixar de falar sobre as lutas.

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    Fonte: Columbus Monthly – https://tinyurl.com/msjxayxp

    Esse filme é um pouco complexo e qualquer informação adicional eu fico com receio de dar spoilers do filme. No geral é uma história que tem como personagem principal a Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma chinesa, que deixou seus pais para trás e foi viver nos EUA junto com seu marido, Waymond (Ke Huy Quan). Nos EUA, eles abrem uma lavanderia e tem uma filha a Joy (Stephanie Hsu). Além disso, o filme também conta com a grande atuação de Jamie Lee Curtis de Halloween (1978) e True Lies (1994).

    Mas você deve estar se perguntando “por que um enredo tão simples faz o filme ser tão grandioso?”, e é aí que o filme começa. A grande sacada do filme é que eles abordam o conceito do multiverso, mas não é aquele multiverso que vemos nos filmes da Marvel, por exemplo, mas o filme usa desse recurso para trazer novos caminhos para a narrativa e criar um lugar que tudo é possível e pode acontecer. Isso causa um certo estranhamento no começo, mas depois você entende que tudo isso tem um significado mais profundo e dá mais densidade a narrativa. É um filme que traz uma montanha russa de emoções, um filme que você ri e se emociona o tempo inteiro.

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    Fonte: BuzzFeed.News – https://tinyurl.com/2chyrxx2

    Acredito que eu consegui explicar o filme sem dar muitos spoilers. E onde entra a luta nisso tudo?

    Bom nessa loucura de multiversos, claro que não podia deixar de lado o kung fu tendo a Michelle Yeoh como protagonista, sem contar que o ator que interpreta seu marido na trama, Ke Huy Quan, é coordenador de dublê, seria um grande desperdício não usar dois grandes talentos.

    As cenas de luta lembram demais os filmes do Jackie Chan, muito bem sincronizadas e também utilizam objetos de cena no meio da luta, tem umas cenas que até tem referência a Matrix (1999). Mas não podemos deixar de mencionar os grandes coreógrafos do filme: Andy Le e Brian Le, que além de terem coreografado as cenas de ação, protagonizaram as principais lutas com a Michelle Yeoh.

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    Brian Le, Michelle Yeoh e Andy Le
    Fonte: Entertainment – https://tinyurl.com/3r89b4sr

    Andy e Brian são dublês e tem um projeto chamado Martial Club, onde eles gravam muitas cenas de lutas, às vezes com muito bom humor, coreografadas por eles mesmos inspirados em clássicos dos filmes de kung fu. Para quem não sabe Andy esteve recentemente no filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis interpretando o Agente da Morte (Death Dealer).

    Depois de ter colocado várias informações do filme vamos para as minhas considerações finais: Eu particularmente adorei o filme e recomendo muito. Inicialmente eu fui assistir o filme por conta da Michelle Yeoh, do Andy e do Brian Le, até porque eu já acompanho o trabalho deles há algum tempo, mas o filme me surpreendeu pela sua densidade e até em aspectos cinematográficos (isso é papo para outro lugar hahahaha) que a luta acaba sendo usada como um grande pano de fundo para o que a narrativa propõe.

    Eu assisti esse filme no cinema e na época já tinha poucas sessões, ainda mais que ele não veio pra ser um grande blockbuster, mas em breve acredito que ele vai estar em algum streaming. De qualquer forma fica o trailer para vocês sentirem um pouco o filme.

  • Jet Li (李连杰)

    Jet Li (李连杰)

    Jet Li, ou Li Lianjie (nome de batismo), nasceu dia 26 de Abril de 1963, em Beijing na China. Ele era o caçula de cinco filhos, e a vida de sua família não foi fácil depois da morte de seu pai, quando ele tinha dois anos.

    Em 1971, quando tinha oito anos ele se matriculou na escola Beijing Amateur Sports, onde começou a estudar Wushu em um programa de verão. Ele foi um dos poucos estudantes que continuaram o treino depois desse programa, e nessa época já era visível o talento que ele tinha para artes marciais, seus treinadores Li Junfeng e Wu bin foram os que mais se esforçaram para ajudar a aprimorar suas técnicas. Jet li atingiu um nível tão bom, que aos nove anos ele ganhou um prêmio de excelência no Campeonato Nacional de Wushu. Devido sua grande habilidade e velocidade no Wushu, seu apelido virou Jet, e que acabou dando origem ao seu nome artístico.

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    Jet Li e o Time de Wushu

    Wu Bin teve um papel importante para a vida de Li, pois após a morte do pai, ele e sua família viveram na pobreza, e Bim chegou a comprar carne para o Jet Li e para a família, até porque a alimentação era muito importante na vida de um atleta.

    Em 1974, ele ganhou seu primeiro campeonato nacional, e acabou fazendo uma turnê mundial para fazer algumas apresentações, e uma delas é muito conhecida onde ele se apresenta para o Presidente Richard Nixon, na Casa Branca dos EUA. O presidente dos EUA até o chama para ser seu guarda costas pessoal, e o pedido foi negado por Li.

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    Jet Li e Presidente dos EUA Richard Nixon

    Quando ele tinha doze anos ele sofre um pequeno acidente em um campeonato, os Jogos Nacionais da China, cortando sua cabeça com o seu Facão (Dao), mas isso não impediu que ele ficasse em primeiro lugar. Ele era muito talentoso a ponto de ganhar um título, em 1979,  de Campeão Nacional de Wushu na China.

    Meu primeiro lugar me causou uma grande sensação porque eu era muito jovem. Eu tinha 12 anos, e os outros dois medalhistas tinham entre 20 e 30 anos. Durante a cerimônia de premiação, enquanto eu estava no topo do pódio, eu era ainda pequeno do que o segundo e o terceiro lugar. Deve ter sido uma visão e tanto.

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    Alguns estilos de wushu que o Jet Li é especialista: Chang Quan (punho longo do Norte) e Fanzinquán. Outros estilos e acabou estudando como Baguazhang, taijiquan, Xing Yi Quan, Zui Quan (Estilo do Bêbado), Ying Zhao Quan (Garra de águia)e Tanglangquan (Louva-a-deus). Ele também tem grande habilidades em algumas armas como Sanjiegun (bastão de 3 seções), Gun (Bastão longo de Wushu), Dao (Facão), jian (espada reta).

    Aos 18 anos, Jet li decidiu se aposentar do Wushu, depois de uma lesão no joelho, mas ele continuou sendo assistente de treinador do time de Beijin de Wushu por alguns anos.

    Li decide seguir sua carreira no cinema, e em 1982, saiu o filme Shaolin Temple, e foi um sucesso na China, e logo ele já virou um astro. O filme fez tanto sucesso que ele acabou filmando mais duas sequências. Em 1986, ele se aventurou em dirigir um filme, o Born to Defend (Nascido para Vencer), mas não fez muito sucesso.

    Em 1987, Jet li se casa com a estrela do filme Kids from Shaolin, e também membro o time de wushu de Beijing, Huang Qiuyan, com quem teve duas filhas, mas se divorciaram em 1990.

    Em 1988, ele decidiu ir para os EUA para tentar uma carreira de sucesso no país, mas ele conseguiu nenhum grande papel, até porque ele não tinha um inglês muito bom. Jet Li acaba indo para Hong Kong, e nessa época os filmes de  kung fu estavam no auge, e ele consegue um grande papel, em 1991, em Once Upon A Time in China (Era uma vez na China) interpretando o Wong Fei Hung e nos filmes do Fong Sai-Yuk.

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    Jet Li como Fong Sai Yuk (1993)

    Outros filmes muito conhecidos desse período foram Tai Chi Master (Batalha de Honra – 1993); Fist of Legend (Lutar ou Morrer – 1994) que foi um remake do clássico do Bruce Lee, Fist of Fury (Dragão Chinês); e claro que tem muitos outros títulos que para uma fã como eu já vi vários, mas tentei deixar os mais relevantes.

    No meio da década de 90, foi um período conturbado para o cinema chinês, essa influência negativa no cinema veio da má fase da economia asiática e também de algumas coisas da China Comunista.  Isso deixou Jet Li cansado preparado para se aposentar. Ele acabou focando bastante na sua vida espiritual estudando Budismo Tibetano, mas seu mentor disse para ele continuar no seu trabalho.

    Logo Jet Li conseguiu um papel em um filme americano, Lethal Weapon 4 (Máquina Mortífera 4), para interpretar o vilão do filme, com Mel Gibson e Danny Glover no elenco. Nessa época, ele se mudou para Los Angeles e faz um intensivo de inglês para fazer o filme. Foi o grande salto na carreira do Jet Li, que ficou muito conhecido na América, e muitos dizem que ele foi o grande destaque do filme. Seu próximo sucesso americano foi Romeo Must Die (Romeu Tem que Morrer), uma adaptação urbana da obra de Shakespeare, Romeu e Julieta. Jet Li foi muito elogiado pela revista Time, e o filme arrecadou $100 milhões.

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    Jet Li com Danny Glover e Mel Gibson em Máquina Mortífera 4 (1998)

    Em 1999, ele se casa com Nina Li, uma atriz de Hong Kong, com quem teve mais duas filhas. E em uma entrevista ele disse que recusou o papel de Li Mu Bai, que foi dado ao Chow Yun-Fat, do sucesso Crouching Tiger, Hidden Dragon (O Tigre e o Dragão), pois ele havia prometido para a sua esposa que não aceitaria nenhum trabalho quando ela engravidasse. Além desse trabalho, ele recusou outros papeis como interpretar o Seraph na trilogia de Matrix, pois ele acreditava que o papel não precisaria das suas habilidade e que o filme já era icônico e impressionante para colocar o nome dele no elenco. O nome de Li também estava no elenco do remake de The Green Hornet, para interpretar Kato, nos anos 2000, mas houve mudanças de estúdio em 2001, e quando o filme foi pra frente isso era só em 2011 e o papel já ficou com o ator Jay Chou.

    Depois do nascimento da sua filha, Jet Li já viajou para Paris para gravar Kiss of the Dragon(O Beijo do Dragão), onde ele interpreta um policial que luta contra a corrupção na polícia francesa. Esse filme foi dirigido e produzido por Luc Besson com Bridget Fonda no elenco. Foi outro grande sucesso de ação, porém Jet Li postou uma nota falando que a classificação indicativa do filme era alta e não era apropriado para crianças, e que o próximo filme, The One (O Confronto) seria mais indicado para a família.

    The One chegou em 2001 e não foi muito bem aceito pela crítica. Nesse filme Jet Li interpretava dois personagens, um era bom e outro era o “do mal”. Depois desse filme, ele volta para a China para fazer o filme Hero (Herói), que saiu em 2002, do diretor Zhang Yi Mou, interpretando o papel de um guerreiro na China antiga. O filme fez muito sucesso, chegando a ganhar $17.8 milhões na primeira semana, um record para um filme asiático. Além disso, o filme concorreu concorreu ao Oscar de Filme estrangeiro em 2003.

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    Jet Li em Herói (2002)

    Em 2003, depois do sucesso de Hero, Jet Li deu a voz e também fez algumas cenas de luta para o jogo do PlayStation 2, Rise to Honor e também participou do filme Cradle 2 the Grave (Contra o Tempo), do mesmo produtor de Romeu Must Die (Romeu tem que Morrer), e em 2005, fez o filme Unleashed (Cão de Briga).

    Jet Li é muito ligado com a espiritualidade, medita pelo menos 1 hora por dia, e ele sempre olhou seu trabalho como uma forma de mostrar a filosofia do budismo pelas artes marciais para os americanos. Mas em uma entrevista para o Men’s Health, ele disse que estava triste que as pessoas só davam importância para as lutas.

    Sempre que eu trabalho nos EUA, as pessoas mais jovem falam ‘Yeah Jet Li! Você chuta (bunda), blá, blá, blá’. Às vezes me sinto triste, porque eu só mostrei para eles que artes marciais machucam pessoas. Eu não tive a oportunidade de mostrar para eles que a coisa mais importante não é chuta (a bunda) de pessoas. Se você entende a cultura ocidental e oriental, você vai entender o equilíbrio do Yin-Yang. Talvez voce cresça. A arte marcial tem três níveis, o primeiro é físico, fazendo seu corpo uma arma; o segundo é usando a psicologia para ajudar nas batalhas; e o terceiro é alcançar a paz interior.

    Jet Li

    A espiritualidade é tão presente em Jet Li que ele chegou a passar 3 meses no Tibet estudando Budismo. E uma entrevista ele conta que não teme a morte e que pensamentos como esse fazem com que viver o presente seja mais precioso. Esse fortalecimento espiritual faz com que ele também consiga lidar bem com o sucesso e o fracasso.

    Jet Li estava nas Ilhas Maldivas quando houve uma tsunami no sul da Ásia, em dezembro de 2004. Ele e sua filha de quatro anos estavam no lobby do hotel quando a onda veio. Ele acabou machucando seu pé quando ele tentava correr para se salvarem. Logo depois ele posto uma mensagem falando que ele estava bem e incentivou as pessoas a ajudarem os sobreviventes da tsunami.

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    Jet Li em o Mestre das Armas (2006)

    Em 2006, ele foi estrela do filme Fearless (O Mestre das Armas), interpretando o famoso Huo Yuanjia e nessa época ele falou que seria seu último filme de Wushu. O filme foi um sucesso de bilheteria nos EUA chegando em segundo lugar no primeiro final de semana.

    Eu entrei no cinema de artes marciais quando eu tinha apenas 16 anos. Eu acho que eu provei minha habilidade nesse campo e não faria sentido para mim continuar por mais 5 ou 10 anos. Huo Yuanjia é a conclusão para a minha vida como uma estrela de artes marciais.

    Jet Li

    Apesar de declarar seu o seu último filme de Wushu, ele disse que continuaria fazendo filmes de outros gêneros. Ele planejou continuar atuando em filmes de artes marciais onde ele lidaria mais com questões de religião e filosofia.

    Em 2007, ele fez o filme War com o Jason Statham, mas foi um fracasso de bilheteria nos EUA, comparado com grandes sucessos como Kiss of the Dragon, Unleashed, e até mesmo Fearless. No final desse ano ele retornou para a China e participou do filme The Warlords com o Andy Lau e Takeshi Kaneshiro, um filme mais denso e dramático onde ele recebeu o prêmio de melhor ator no Hong Kong Film Award.

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    Jackie Chan e Jet Li nos bastidores de O Reino Proibido (2008)

    Jackie Chan e Jet Li finalmente fazem um filme juntos em 2008, The Forbidden Kingdom (O Reino Proibido), baseado na lenda chinesa do Rei Macaco. Também nesse ano ele fez o vilão, Imperador Han, no filme The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (A Múmia: a Tumba do dragão Imperador) ao lado de Michelle Yeoh e Brendan Fraser.

    Longe dos dos cinemas, em 2009, Jet Li lançou seu programa de exercícios físicos chamado Wuji. Esse programa é uma mistura de artes marciais, yoga e pilates. Em 2011, ele e Jack Ma criaram o Taiji Zen, um programa online combinando o Taijiquan e práticas de meditação.

    Depois de uma janela sem aparecer nos cinemas, Jet Li aparece nos cinemas com o filme The Expendables (Os Mercenários), em 2010, com um grande elenco dos filmes de ação. Esse filme ganhou sequência em 2012 e 2014. Na China, em 2011, ainda participou de algumas produções de Wuxia (um tipo de gênero de filme que envolve fantasia e artes marciais) como The Sorcerer and the White Snake e Flying Swords of Dragon Gate . Uma das suas últimas produções recentes é o Live-Action de Mulan, que estreou em 2020 na Disney, onde ele interpreta o imperador da China.

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    Jet Li (direita)

    Uma das últimas noticias que chocaram os fãs foi uma foto publicada em 2018, em que o ator parece muito debilitado e envelhecido. Na verdade ele sofre de hipertireoidismo desde 2010, uma doença que pode acelerar seu coração mesmo em repouso e mudar o metabolismo do corpo. Devido a isso ele não pode exercícios físicos excessivos. Mas, segundo ele, seu sumiço nos cinemas não foi por conta de sua doença, mas por conta de seus trabalhos filantrópicos, onde ele é muito engajado.

  • Documentário – “Iron Fists and Kung Fu Kicks”

    Documentário – “Iron Fists and Kung Fu Kicks”

    Eu sempre fico em busca de noticias e artigos sobre Kung Fu, e também só sigo coisas relacionadas ao assunto no Instagram, Facebook, Youtube, enfim, tudo isso para que eu possa estar sempre atualizada e também acrescentar um pouco mais de conhecimento no meu repertório.

    Não sei se já perceberam, mas a internet tem uns “robozinhos” que sabem nossos interesses, e acabam nos mostrando links relacionados. Um desses links foi um perfil no Instagram chamado “kungfukicksfilm”. Abri o perfil e vi que era sobre um documentário de filmes de kung fu.

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    Cinco Venenos de Shaolin (1978) Lo Meng, à direita

    Eu que amo os filmes do gênero, já fiquei interessada no que poderia ter, ainda mais que no documentário apareceriam nomes como Sammo Hung (“Enter the Fat Dragon“), Lo Meng (“Five Deadly Venons“), Ju Ju Chan (“Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny“), Chin Siu-Ho (“Tai Chi Master“), enfim…Só nomes de peso. Ia ter uma Premiere na Australia em Agosto (2019), mas como sou uma reles mortal, claro que eu não conseguiria ir. Então resolvi esperar porque uma hora esse documentário ia chegar em algum lugar ou no Youtube.

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    Tai Chi Master (1993) – Chin Siu-Ho e Jet Li

    Agora em dezembro, quando estava vendo se colocaram mais filmes de kung fu no catálogo da Netflix, apareceu esse documentário. No começo achei que não era o mesmo, mas sim, era o documentário que eu havia visto no Instagram por acaso.

    Comecei a assistir e, como não tinha visto o trailer, achei que fosse um documentário sobre os principais filmes de Kung Fu e suas produções. Porém estava extremamente enganada, o filme me surpreendeu, e ele mostra o quanto esse gênero de filme influenciou desde os filmes de hoje até na cultura de outros países como na dança do Hip Hop e no Parkour.

    O documentário começa com um contexto econômico da China na década de 60 e de como o cinema foi importante para a China, uma vez que era uma colônia britânica, e coloca a Shaw Brothers Studio como precursora desse gênero, mas também não deixa de lado a importância que o estúdio Golden Harvest teve.

    E claro, não podemos de deixar de dar destaque ao Bruce Lee. No filme mostra a importância que ele teve para os filmes de artes marciais assim como ele acabou divulgando uma arte que até então ninguém no ocidente conhecia. Um dos trechos do filme mostra que o próprio David Carradine não sabia o que era Kung Fu antes de fazer a série “Kung Fu“.

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    Bruce Lee

    Além do Bruce Lee, outro ator fundamental para a revolução no cinema, sem dúvidas, foi o Jackie Chan, introduzindo uma nova era com cenas de ação extremamente arriscadas e perigosas. O documentário traz também alguns filmes americanos que foram importantes trouxeram o Kung Fu a tona, após ter uma pequena crise no gênero na década de 90, como Matrix e o Tigre e o Dragão.

    Em linhas gerais, esse documentário é ótimo para mostrar como os filmes de kung fu fazem sucesso até hoje. Ele te dá um contexto histórico tanto da China quanto do mundo e consegue te dar um panorama de como esse gênero influenciou e ainda influencia a cultura no mundo todo.

    Obs: agora em 2026, esse documentário já saiu do catálogo da Netflix, e está no PrimeVideo. Mas de tempos em tempos isso pode mudar!

    Assista o Trailer:

  • COBRA KAI – 1ª e 2ª Temporada

    COBRA KAI – 1ª e 2ª Temporada

    Sim, nosso site é sobre kung fu, e sim, esse seriado é sobre karatê, mas como amantes das artes marciais, não podemos ignorar o fato que o filme “Karatê Kid” foi um clássico dos anos 80.

    Qual filme que transforma um menino que sofria bullying em um grande lutador de Karatê, ainda mais ensinado por um Mestre pouco convencional? Qual mestre que ensina seu discípulo a lutar encerando o chão ou pintando a cerca? Pois bem, é por essas pequenas coisas que acho que esse filme marcou tanto, principalmente pelo golpe final.

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    Luta Final – Karatê Kid (1984)

    Após esse filme, vieram mais três continuações não tão boas quanto o primeiro, sendo dois deles com o Ralph Macchio, o Daniel LaRusso, e o último Karatê Kid foi com, além do Mestre Miyagi (Pat Morita), Hilary Swank, que seria uma “sucessora” do Daniel – San, mas a sua audiência não foi muito boa.

    Continuações são muito difíceis, tem que ser algo muito planejado que iguale ao nível ou supere o anterior. Isso também acontece com o reboot, no caso do Karatê Kid de 2010, com o Jackie Chan. Foi muito legal porque tinha a ver com Kung Fu, mas também foi muita gafe colocar o nome de Karatê Kid se no filme todo o que é falado é sobre Kung Fu. Talvez nem considero muito esse filme como um reboot, apesar da história ser muito parecida.

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    Reboot – Karatê Kid (2010)

    Mas, Cobra Kai veio para quebrar todas essas continuações e reboots. Confesso que eu fui sem expectativas nenhuma e sem dúvida foi melhor do que eu esperava.

    A história se passa 30 anos após a luta entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), e como aquele torneio de karatê de All Valley, em 1984, impactou na vida de cada um deles de alguma forma. A relação de ambos fica mais “estremecida” com a volta de Cobra Kai, e isso sem dúvidas se reflete em todas as pessoas ao redor.

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    Johnny Lawrence e Daniel LaRusso em Cobra Kai

    Alguns elementos interessantes da série no geral é a introdução de novos personagens e o aprofundamento das relações entre eles, o ponto de vista de Johnny Lawrence sobre os fatos e o mais legal são os ensinamentos e filosofias das duas escolas. Tem muitos flashbacks na série, isso já da uma grande nostalgia, além das músicas terem uma “pegada” mais anos 80, mesmo sendo uma série bem atual.

    A primeira temporada foca muito nos personagens, na apresentação e no contexto nos dias de hoje, mas também tem sua porcentagem de luta, que não deixa a desejar, é muito boa e muito bem coreografada por sinal! A segunda temporada vem 100% focado na rivalidade entre Daniel LaRusso e Johnny Lawrence e no karatê. É uma temporada carregada de ótimas lutas e muito treinamento!

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    No geral Cobra Kai é, sem dúvidas, a melhor continuação que Karatê Kid poderia ter! Conseguiram construir uma história que te prende a cada episódio e que não é cansativa. Os flashbacks aparecem no tempo certo e ver Daniel e Johnny como os “Senseis” e ver a dificuldade de ensinar e não ter a mesma expertise que seus respectivos professores, foi uma ótima sacada.

    E claro, a segunda temporada termina com várias pontas abertas e muita vontade de saber o que vai acontecer na terceira temporada, já confirmada e prevista para 2020.

    Para quem tiver interesse, a primeira e segunda temporada está disponível na Netflix.

  • O Mestre Invencível

    O Mestre Invencível

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    Wong Fei Hung, interpretado pelo Jackie Chan, é um jovem desobediente e indisciplinado. Como punição, Wong Fei Hung é enviado pelo seu pai para ser treinado pelo seu tio So Hi, um mestre conhecido por incapacitar seus alunos.

    Porém,Wong Fei Hung mal sabe que seu tio é um velho bêbado. No começo ele não dá muito crédito ao ele, mas depois a história vai desenrolando em uma grande relação entre os dois, até que Wong aprende uma grande técnica milenar, o estilo do bêbado.

    Com o mesmo elenco do grande sucesso “O Punho de Serpente”, o Mestre Invencível alavancou a carreira do Jackie Chan, principalmente por apresentar uma grande habilidade nas artes marciais e por seu lado cômico. Um filme de grande sucesso, que abordou muito a relação do mestre com o seu discípulo, que inspirou outros filmes de artes marciais americanos, como foi o grande clássico, Karatê Kid.

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    É um ótimo filme para quem gosta do kung fu clássico, sem efeitos. Quando eu digo sem efeitos, é sem pessoas voando ou magia. Apesar de ser uma comédia, é um filme gostoso de ver, com ótima cenas de luta, coreografadas por Woo-ping. Por mais que sejam combinadas, as lutas são muito bem encaixadas, e nos abrem portas para pensarmos em outras possibilidades de utilizar as técnicas e sair um poucos dos socos e chutes tradicionais. Claro! Filme é ficção, mas nos inspira a treinar de um modo diferente. 🙂

    As cenas dos treinamentos, para mim, é uma das melhores partes do filme. É de inspirar qualquer professor kung fu a fazer o mesmo com seus alunos (rs). Poucos filmes de kung fu tem cenas de treinamento como esses. Pensando bem, os filmes mais clássicos do Jackie Chan tem um pouco essa característica de mostrar os treinamentos.

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    E por fim, não menos importante… na verdade o mais importante, é o filme nos mostrar o Estilo do Bêbado. Um estilo que exige flexibilidade, caracterizado pela imprevisibilidade e pelas acrobacias. E até onde eu sei, só tem alguns taolus (ou katis) difundidos em algumas academias aqui no Brasil, para quem se interessar.


    Confira o Trailer:

    FICHA TÉCNICA:
    Título: O Mestre Invencível
    Título Original: Drunken Master
    Ano: 1978
    Diretor: Woo-ping Yuen
    Elenco: Jackie Chan, Siu Tien Yuen, Jang Lee Hwang, Kau Lam, Dean Shek
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Comédia