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  • Bastão de Shaolin

    Bastão de Shaolin

    Temos certeza que os monges de Shaolin são especialistas na arte do bastão, mas suas informações e registros vem em forma de lendas.

    A primeira lenda é sobre os rebeldes, conhecidos como “Turbantes Vermelhos” (紅巾起義), tentaram atacar o Mosteiro de Shaolin, mas foram impedidos de atacar pelo Jinnaluo, ou em sânscrito Vajrapani, que tornou-se um gigante armado com um bastão, que acabou espantando os rebeldes.

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    Estela de Vajrapani (Narayana) de 1517 pelo abada Wenzai. O guerreiro está segurando um bastão.

    Vajrapani é um Bodhidattva protetor de Buda, que segundo a lenda, estava reencarnado em um modesto monge que trabalhava nos fornos carregando lenha. Existe várias versões sobre essa história, e a mais antiga registrada é a estela de 1517, com autoria do abade de Wenzai (1454 – 1524), A Divindade Narayana Protege a Lei e Expõe Sua Natureza Divina (Naluoyan shen hufa shiji):

    No vigésimo-sexto dia do terceiro mês do décimo-primeiro ano (xinmao) do período Zhizheng (22 de abril de 1351), na hora si (entre 9 e 11 horas da manhã), quando o levante dos Turbantes Vermelhors  (Hongjin) em Yingzhou [na atual Anhui ocidental] acabara de se iniciar, uma multidão de saqueadores chegou no mosteiro. Havia um santo (shengxian) em Shaolin, que até então tinha trabalhado na cozinha do mosteiro. Por vários anos, ele dedicadamente carregara lenha e conduzira o fogão. Seu cabelo era desgrenhado e ele estava sempre descalço. Vestia apenas suas calças e seu tronco estava sempre descoberto. Da manhã até a noite dificilmente pronunciava uma palavra, nunca chamando atenção de seus irmãos monges. Seu sobrenome era o nome de seu local de nascimento e seu primeiro nome era desconhecido. Ele cultivava constantemente todas as atividades de iluminação (wan xing).

    No dia que os Turbantes Vermelhos chegaram no mosteiro, o bodisatva empunhava um atiçador de fogo (huogun) e se manteve magistralmente sozinho no topo do destacado da colina. Os Turbantes Vermelhos ficaram horrorizados com sua imagem e fugiram, quando, então, ele desapareceu. As pessoas procuraram por ele, mas nunca mais foi visto. Apenas, então, as pessoas se deram conta de que era um Bodisatva expondo sua natureza divina. Desde então, se tornou o protetor das leis de Shaolin (hufa) e ocupou o lugar do “espírito guardião” do mosteiro (qielan shen).

    SHAHAR, 2008, p.121
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    Vajrapani sobre o Monte Song. Acima está o Bodisatva Avalokitesvara, de quem ele é considerado a reencarnação.

    Porém, essa versão é contestada pelo historiador Tang Hao, em Shaolin quanshu mijue kaozheng (p.55-62.), em que ele conta que o ataque aconteceu em 1356, e não em 1351, e que o mosteiro foi saqueado e parcialmente destruído. Esse fato é confirmado no em duas inscrições do século XIV, onde é comemorado a reconstrução do mosteiro nos primeiros anos da dinastia Ming e também há registros de dois epitáfios de 1373, sobre dois monges de Shaolin que viveram nesse período.

    Segundo Shahar (2008, p.132), os monges budistas impunham suas técnicas de combate às divindades budistas, pois ampliava o prestígio das técnicas de combate de Shaolin. Afirmar que certo método de combate possui origem divina, equivale a garantir-lhe a existência como objeto de veneração. Shahar (2008, p.132) também destaca para o fato que as divindades marciais como o Vajrapani livram os monges de suas responsabilidades pela criação de técnicas militares. Suas lendas, em relação a tal questão, poderiam ser lidas como apologias budistas à prática da violência pelos monges.

    Mas há estudiosos que reconhecem a característica defensiva do bastão, e como seu propósito não é de ferir ou matar ninguém, eles acabam justificando a arma como preferida dos monges budistas. Segundo Shahar (2008, p.149), isso é exemplificado por Cheng Dali:

    O bastão não é um instrumento afiado e, além disso, é feito de madeira. Seu poder de matar ou ferir é muito menor que o do facão, da espada e de outras armas afiadas de metal. Evidentemente, o uso do bastão de madeira é relativamente apropriado à condição de discípulos budistas, para quem o uso das artes marciais é permitido apenas visando objetivos limitados.

    Zhongguo Wushu, p.96

    Esse argumento acaba perdendo força em algumas literaturas militares, ficções e dramas, quando os bastões passaram a ser produzidos com ferro, se tornando uma arma letal, que era capaz de levar a morte. Esses bastões foram usados até por monges budistas em operações militares, que foi descrito por Wu Shu (1611-1695) em Registro de Armas (Shoubi lu, 1678).

    A forma de bastão não era limitado somente ao mosteiro, mas o exército do período Ming tardio já via a importância da arma para o treinamento militar. O general Yu Dayou utilizava o treinamento do bastão também para introdução de outros meios de combate, como facão e lança, por exemplo.

    Há relatos que por volta de 1560, Yu Dayou fez uma visita no Templo Shaolin para avaliar as técnicas de bastão pelos monges. Foi feita uma apresentação por 10 monges, e no final o general ficou descontente com o que viu e chegou a fazer uma demonstração com a sua técnica. Os monges pediram para que ele ensinasse suas técnicas, mas ele disse que precisaria de anos para aprender. Dois monges, Zongqing e Pucong, acabaram acompanhando o general e depois de três anos retornaram para o templo para passar seus conhecimentos.

    O bastão não era só de domínio dos monges budistas, mas a literatura ficcional e as lendas populares acabaram associando isso a eles, o que não significa que eles são os únicos que dominavam a técnica na época.

    Um dos primeiros registros sobre as técnicas de combate no templo Shaolin, foi o Livro da Disciplina Eficaz (Ji Xiao Xin Shu, c. 1562) escrito no século XVI. O contexto desse registro era na época que chineses e japoneses estavam atacando o leste da China, onde o general Qi Jiguang (1528-1588) escreveu os métodos de combate mais eficientes de formas de mãos livres e armas, onde ele cita sobre o bastão de Shaolin, que acabou não desenvolvendo muito sobre elas, e acabou dando ênfase as técnicas do General Yu Dayou. Nesse manual, Qi não fala de mais nenhuma técnica de mãos livres de Shaolin, e segundo Acevedo, Gutiérrez e Cheung (2011, p.48), na opinião de Stanley E. Henning, esse fato pode ser explicado de diversas maneiras: o templo de Shaolin não havia desenvolvido técnicas de combate sem armas dignas de ser mencionadas; Qi não considerou as técnicas de luta de mãos vazias de Shaolin fossem eficazes; ou ainda as técnicas de lutas sem armas de Shaolin eram as mesmas que se praticava fora do templo.

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    khakkhara

    Antes mesmo do bastão ser utilizado como arma, ele era um objeto obrigatório dos monges budistas. Porém ele era um pouco diferente, pois tinham argolas em suas pontas. Seu nome em sânscrito é khakkhara, em chinês foi traduzido como xizhang. Segundo Shahar (2008, p.150), a palavra “xi”, que significa estanho ou latão, talvez se refira ao metal com o qual as argolas eram feitas, ou uma onomatopéia referente ao som que as argolas produziam.

    Fayun (1088-1158) fez uma análise sobre o nome xizhang, e percebeu a importância do som, que seria, primeiro para ajudar a espantar animais peçonhentos, segundo para avisar o proprietário de uma casa sobre a presença de um monge, e por ultimo o bastão pode somente servir como apoio a monges velhos e doentes em suas jornadas.

    No geral, é difícil apontar suas origens, mas pode-se dizer que por ser um utensílio obrigatório de um monge, eles abaram o transformando em uma arma, mas não podemos negar que ele teve um papel muito importante na história de Shaolin e acabou influenciando várias lendas a seu respeito.

  • Ip Man (葉問) – 1893 – 1972

    Ip Man (葉問) – 1893 – 1972

    Para quem não é do estilo Wing Chun, quando falamos do Ip Man (葉問) lembramos que ele foi o primeiro mestre de Kung Fu de Bruce Lee, há alguns que lembram dele dos filmes protagonizados pelo Donnie Yen, “O Grande Mestre”, como é conhecido no Brasil, ou apenas “Ip Man”.

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    Mas Ip Man teve uma grande relevância na história do Kung Fu. Ele nasceu dia 1 de outubro de 1893, na província de Foshan, Guangdong, China. Ele é o terceiro filho de quatro irmãos. Sua infância não foi tão severa, sua era família rica e bem estruturada e ele estudou em uma escola tradicional chinesa.

    Começou a treinar Wing Chun aos 11 anos com o mestre Chan Wah Shun, se tornando o 16º e ultimo aluno. Ele treinou Ip Man por 3 anos até ter um derrame, em 1909. Após o derrame, seu mestre parou de treinar e Ip man ficou treinando com um dos alunos mais velhos de Chan, o Ng Chung-Sok (吳仲素). Foi com ele que Ip man aprendeu todas as suas técnicas e habilidades.

    Após a morte do mestre Chan Wah Shun, aos 16 anos, Ip Man se mudou para Hong Kong e frequentou uma escola para famílias ricas e estrangeiras que moravam na cidade, a St. Stephen’s College. Ele era muito habilidoso no Wing Chun, e sempre estava envolvido em brigas com colegas de escola. Depois de uns 6 meses que ele estava em Hong Kong, um dos seus colegas de classe, o Lai, falou para Ip que o amigo do seu pai lutava kung fu e queria uma luta amigável com ele. Ip aceitou o desafio, pois na época ele achava que ninguém poderia derrotá-lo, uma vez que ele derrotava muito fácil seus colegas devido a sua habilidade, mas acabou perdendo a luta para Leung Bik. Ip ficou inconformado com a rapidez que foi derrotado, e o desafiou para um novo duelo, e acabou perdendo novamente. Depois dessa luta bem desanimado com a derrota e nunca mais falou que sabia kung fu, mas seu amigo falou que Leung Bik perguntou por ele após a luta, mas Ip estava com vergonha de voltar. Porém, Ip Man descobriu que Leung Bik havia elogiado muitos suas técnicas e que ele era filho de Leung Jan que treinou com o Chan Wah Shun, seu mestre. Ip Man acabou treinando com Leung Bik até 1911, quando Leung faleceu.

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    Leung Bik

    Em 1917,  Ip Man voltou a Foshan, tinha 24 anos e se tornou policial. Apesar de não ter uma escola de artes marciais, ele ensinou Wing Chun para vários policiais, amigos e familiares.

    Entre seus alunos mais conhecidos estão Chow Kwong-yue (周光裕), Kwok Fu (富), Lun Kah (佳), Chan Chi-sun (新), Xu He-Wei (徐 和 威) e Lui Ying (應 應). O Chow era o melhor deles, mas acabou parando de praticar para se dedicar ao comércio e  Kwok Fu e Lun Kah lecionaram em Foshan e Guangdong.

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    Ip Man e seus alunos

    Ele se casou com a Cheung Wing-Sing, com que eles tiveram seus filhos: Ip Chun, Ip Ching, Ip Nga-Sum, Ip Nga-wun.

    Ip Man participou da Segunda Guerra Sino Japonesa, onde morou com o Kwok Fu, e só retornou a Foshan depois da guerra. Em 1949, começou a treinar seu filho Ip Ching, e no mesmo ano, mestre Ip, sua esposa e sua filha mais velha chegaram em Hong Kong, através de Macau, após o Partido Comunista Chinês vencer a Guerra Civil, uma vez que Ip era policial do partido de oposição.Sua esposa e filha chegaram a voltar a Foshan para resgatar suas identidades, mas a fronteira entre China e Hong Kong foi fechada e eles foram separados para sempre.

    Ip resolveu abrir uma escola de Wing Chun em Hong Kong. No inicio não foi muito bem, seus alunos ficavam alguns meses e saíam, ele chegou a se mudar algumas vezes. Mas com o tempo alguns alunos foram se graduando em Wing Chun, abriram suas próprias escolas e acabaram duelando com outros artistas marciais, e claro, as vitórias aumentam a fama de Ip man.

    Em 1955, Ip Man conhece Shanghai Po, com quem manteve um relacionamento e teve um filho, o Ip Siu-wah. Como ele não havia se separado de Cheung, Po era como se fosse sua amante, e mesmo Ip não a apresentou formalmente a seus filhos, em 1962, quando eles foram a Hong Kong. Cheung morreu em 1960 em decorrência de um câncer, assim como Po, em 1968.

    Em 1967,  surgiu a Associação Atlética de Ving Tsun ( Wing Chun) (詠 春 體育 會) feita por Ip e seus alunos, com o objetivo de ajudar Ip Man a enfrentar as dificuldades financeira, pois, segundo relatos, Ip havia se endividado pelo seu vício em ópio.

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    Ip Man e Bruce Lee

    Ip Man morreu em 2 de dezembro de 1972, de câncer de garganta, sete meses antes da morte de Bruce Lee. Seu grande legado sem dúvida foi o Wing Chun, deixando vários alunos de grande destaque, são eles: Leung Sheung, Lok Yiu, Chu Shong-tin, Wong Shun Leung, Siu Yuk Men, Bruce Lee, Moy Yat, Ho Kam Ming, Chow Tze Chuen, Victor Kan, seu sobrinho Lo Man Kam e Leung Ting. Em Foshan existe um museu sobre o Mestre Ip com muitos artefatos da sua vida.

    A CGTN fez uma pequena entrevista com Leung Ting confira:

  • Bruce Lee – A vida nos EUA e a busca pela fama

    Bruce Lee – A vida nos EUA e a busca pela fama

    No último artigo, vimos que Bruce foi para os EUA para um nova vida, longe das confusões nas ruas de Hong Kong.

    Mas na sua ida aos EUA, o que muitos não sabem, é que ele foi com pouco dinheiro, e para resolver esse problema ele chegou a dar aulas de Cha Cha Cha no navio, na primeira classe. Ao contrário de muitas histórias, ele não foi sozinho, ele foi com seu irmão Peter e chegou a ficar na casa da sua irmã Agnes, em São Francisco, que lhe deu casa e trabalho.

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    Bruce Lee com o uniforme do exército

    Ele chegou a se alistar no exército, mas foi reprovado no exame médico, e acabou indo para Seattle. Lá ele procurou a amiga de seu pai, Ruby Chow, e acabou trabalhando como garçom em seu restaurante.

    Como ele sempre foi muito indisciplinado nos estudos, ele acabou se matriculando no Edison Technical College, para terminar o colegial.

    Em 1961, em uma apresentação, Bruce Lee conheceu um lutador de Judo que se impressionou com as suas habilidades, Jesse Glover. Ele foi o seu primeiro aluno que não era chinês. Isso atraiu muitos alunos de várias raças e etnias.

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    Bruce treinando a primeira turma na década de 60, em Seattle

    Bruce ficou conhecido e começou a a aparecer na TV local e nos jornais. No início ele não tinha local próprio e nem uniforme, então dava aulas em uma garagem. Depois ele abriu sua própria escola de artes marciais, a Lee Jun Fan Kung Fu Institute, e também deu aulas na Universidade de Washington onde se matriculou no curso de filosofia. Ele gostava de ler e isso iria aprimorar sua bagagem como professor de kung fu.

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    Bruce e alguns alunos da Universidade de Washington

    Muitas pessoas frequentavam as aulas, e uma delas chamou a atenção dele, a Linda Emery, também estudante de filosofia, por quem ele acabou se apaixonando. Começaram a namorar em outubro de 1963.

    Na mesma época ele escreveu o primeiro Livro Chinese Kung fu, “The Philosophic Art of Self Defense“, o livro teve poucas tiragens e tinha várias formas de vários estilos de Kung fu.

    Ele queria sair do restaurante, e logo pediu Linda em casamento, a contra gosto da mãe dela, e juntaram dinheiro e foram para Oakland. Casaram em 17 de agosto de 1964.

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    Bruce e seus alunos na Jun Fan Gung Fu Institute

    Abriu uma academia na cidade que logo fez sucesso. Ele preferia dar aulas particulares e não em grupo, mas na época foi muito rentável para ele a aulas em grupo. A academia recebeu pessoas de vários tipos: negros, brancos, asiáticos, estudantes, pequenos empresários, adolescentes e idosos. Isso incomodou a comunidade chinesa do local, que defendia que não podia se ensinar uma arte milenar oriental para não chineses. Começaram a telefonar para Bruce Lee com ameaças e até abordá-lo na rua.

    Ele não ensinava o kung fu tradicional. Ele ensinava uma mistura de técnicas que envolve wing chun, boxe, jiu jitsu, karatê, boxe tailandês.

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    Demonstrando o soco de uma polegada no Campeonato do Ed Parker

    Em Agosto 1964, foi participar de um torneio de Karatê do mestre Ed Parker, em Long Beach. Ele fez a apresentação do soco de uma polegada que impressionou todo mundo.

    Mais ou menos nessa época que ocorreu a história entre Bruce Lee e Wong Jack Man, que vocês podem conferir nesse link.

    Bruce Lee ficou famoso após esse evento e foi convidado pelo produtor de TV William Dozier a assinar com o 20th Century Fox para fazer o seriado “O Filho de Charlie Chan”

    O seriado não deu certo e Bruce foi atuar do lado de Van Williams no seriado Besouro Verde. Foi um grande sucesso e ele virou astro da série com golpes “mirabolantes” de kung fu, que eram inéditas na época. Bruce e Linda mudaram para Los Angeles, onde tiveram Brandon Lee, dia 1 de fevereiro de 1965.

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    Van Williams e Bruce Lee em uma foto publicitária para Besouro Verde

    Antes o casal queria viver com o que ganhavam na academia, e a Linda até pensou em abrir franquias no país, mas o Bruce se empolgou com a vida da tv e do cinema. Porém em julho de 1967, Besouro Verde foi cancelado.

    Abriu uma academia em Los Angeles, sem placa em Chinatown. Conseguiu mais alunos devido a sua fama, e muitos alunos famosos também, como Steve Mc Queen, James Coburn, Lee Marvin e James Garner, Joe Lewis, Chuck Norris, Bob Wall. Kareem Abdul -Jabbar e Roman Polanski tiveram aulas particulares.

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    Bruce Lee como Kato em Besouro Verde

    Bruce chegou a receber uma proposta para dar aulas em uma academia chamada “Kato’s Self Defense School“, mas ele recusou. No documentário Bruce Lee in His Own Words, ele disse:

    Achava divertido fazer o personagem, mas dar aulas numa escola com esse nome seria sabotar minha arte

    Bruce teve dificuldades em conseguir papéis em programas de TV devido a sua origem. No seriado Kung Fu, ele foi fazer testes por indicação, todos gostaram muito da sua atuação, mas acabaram chamando David Carradine pois os produtores da série achavam que se colocassem um chinês para o papel, o público não se identificaria com o personagem e não teria audiência. Isso gerou uma grande revolta, e ele até cogitou a voltar para Hong Kong, onde a série Besouro Verde também fazia sucesso, mas Linda o convenceu a ficar e continuar dirigindo as 3 academias que ele tinha, em LA, Oakland e Seattle.

    Ele passou dois anos tentando entrar na TV e no cinema sem sucesso. As dívidas começaram a aumentar já que não estavam dando mais lucro, ele chegou a ficar deprimido e emagrecer.

    Em 19 de abril de 1969 nasce Shannon, a segunda filha do casal.

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    Bruce, Linda e seus dois filhos, na década de 70

    Em 1970 a situação econômica ficou ainda pior para eles. Bruce Lee resolveu voltar a treinar, mas em uma intensidade maior. Em um dos treinos machucou as costas grave mente levantando um haltere. A lesão atingiu o 4 nervo sacral.Bruce ficou 6 meses no hospital de repouso, e nessa época de reflexão que ele começou a esboçar seu estilo de luta: Jeet Kune Do

    Bruce Lee compilou todas as suas anotações, que foram feitas aos longo de sua vida, com relação a luta, condicionamento físico, além de citações filosóficas budistas, taoístas e de autoconhecimento. Infelizmente o livro “O Tao do Jeet Kune Do” só foi lançado em 1975, anos após a sua morte.

    O desejo de Bruce Lee é o que o livro fosse  um guia e um registro de sua forma de pensar. A base do estilo é aprender a lutar com simplicidade, seu livro mostra como se deve lutar de uma maneira mais funcional.

    Depois da sua recuperação, ele voltou ao ritmo de treinos intensivos. Há relatos que ele se alongava vendo TV e treinava com halteres enquanto lia um livro. Bruce chegou a pesar 63kg com 1,71m.

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    Quando Bruce se mudou para a Califórnia e estava definindo seu corpo físico

    Continua…

  • Bruce Lee – Da Infância aos EUA

    Bruce Lee – Da Infância aos EUA

    Chegou a hora de falar sobre o Bruce Lee, esse símbolo das artes marciais. A história dele é muito rica, e em poucos anos de vida ele deixou um grande legado e transformou a história das artes marciais no cinema e no mundo!

    Separamos a história da vida dele em algumas partes, e hoje falaremos sobre a infância dele até a chegada aos EUA.

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    Bruce Lee nasceu em 27 de Novembro de 1940 em São Francisco, EUA. Seu pai, Lee Hoi Chuen, era famoso ator da ópera chinesa, e ele estava em turnê pelos EUA. Seu nome em chinês era Li Jun Fan (李振藩 ).

    Porém ele teve vários nomes, primeiro um nome feminino, Sai-fon (細鳳). A mãe de Bruce Lee havia perdido o primeiro filho no nascimento, e segundo superstições é um péssimo sinal. Adotaram uma menina chamada Phoebe, e logo em seguida tiveram o primeiro bebe biológico, Peter. Com a vinda de Bruce, o segundo bebe biológico do casal, devido a superstição, deveria vir uma menina, por isso colocaram um nome feminino para despistar os deuses. Mas logo em seguida foi batizado de Li Jun Fan. O nome Bruce Lee foi dado por uma enfermeira do hospital, a Mary Glover, e foi batizado assim segundo as leis americanas. E por fim Lee Xiaolong (李小龍; Xiaolong significa “pequeno dragão”), que seria seu nome artístico.

    Aos 4 anos já acompanhava o pai nos seus trabalhos e começou a gostar de atuar. Aos 6 anos fez uma participação no filme “The Birth of a Mankind“. Aos 18 anos já tinha feito mais de 20 filmes chineses.

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    Uma das aparições de Bruce no cinema na década de 50

    Na adolescência, Bruce bagunçava muito na sala de aula, incomodava professores e gostava de uma luta com os colegas no pátio do colégio. Lutas contra alunos de outras escolas aconteciam nas ruas de Hong Kong. Várias vezes os pais de Bruce foram chamados na delegacia, mas isso não o intimidava e organizava mais lutas. Os principais rivais de Bruce eram alunos de uma escola britânica, uma vez que chineses e britânicos não se entendiam desde as guerras comerciais no século 19, quando a rainha se instalou em Hong Kong.

    Aos 13 anos, depois de ser transferido para várias escolas devido as suas confusões, resolve treinar sério com  o mestre de Wing Chun, Ip Man. O estilo tem como características movimentos rápidos e econômicos e contundentes, e com esse estilo, ele aprendeu a se defender de golpes potentes e a curta distância.

    Em entrevista a um canal de TV americano, e inserida no documentário “Bruce Lee in His Own Words“, Bruce Lee deu a seguinte declaração sobre a sua infância:

    Da infância à adolescência, fui um cara bem problemático. Era extremamente agressivo, sem paciência. Aí, aos 13 anos, depois de passar um tempo brigando contra gangues, decidi aprender como me proteger. Muito do que aprendi sobre artes marciais foi nesse período com o mestre Ip, quando comecei a moldar meu estilo de luta. Aprendi a neutralizar a energia e a força de um oponente. Tudo isso deve ser feito, me ensinou o mestre, com precisão, sem se deixar levar pela fúria e pela afobação.

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    Bruce Lee campeão de Cha Cha (1958)

    Para aprimorar o equilíbrio e os movimentos do corpo, ele começou a dançar Cha-Cha-Cha. Ele também estava interessando em uma dançarina, a  Pearl Cho. Em 1958, ele ganhou o trofeu Crow Colony Cha-Cha Dancing Championship. Também praticou Boxe e chegou a participar de um campeonato onde venceu o tri campeão Gary Elms, da escola britânica.

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    Bruce Lee indo para os EUA

    Em abril 1959, os pais de Bruce o mandaram para São Francisco, EUA, sua cidade natal, para fugir um pouco da sua vida conturbada, envolvida por brigas. Isso não deixa de ser verdade, mas também há relatos que, por ter nascido nos EUA, se ele se alistasse no exército americano, ganharia a cidadania. Como na época os EUA era um “país da oportunidade”, principalmente após a segunda guerra mundial, Bruce Lee era um homem ambicioso, e seus pais viram sua ida de uma forma bem positiva.

    Continua…

  • Estilo Mizongyi (迷蹤藝)

    Estilo Mizongyi (迷蹤藝)

    Vimos na matéria sobre Huo Yuanjia, que sua família praticava o estilo Mizongyi, e ele mesmo popularizou o estilo em 1901, no período em que a China estava sendo dominada por tropas imperialistas. Mas como é esse estilo? Quais suas características?

    Mizongyi (迷蹤藝), também conhecido como Mizongquan (迷蹤拳) ou Yanqingquan (燕青拳), é um estilo de kung fu que traz muita agilidade, mobilidade e movimentos que enganam o oponente, com pés que se entrelaçam com chutes variados e muitos saltos.

    É um estilo externo com influências do estilo interno. No aspecto externo, tem características da família dos Punhos Longos e do Shaolin do Norte, no aspecto interno, tem influencias do Tai Chi Chuan e Baguazhang.

    É possível identificar a influencia do estilo Shaolin do Norte na versatilidade dos seus ataques. A grande mobilidade do estilo gasta muita energia, e com a influencia dos estilos internos ele consegue compensar isso.

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    A técnica mais conhecida do Mizongyi é o Fa Jing, que é uma descarga de energia explosiva que vem do estilo interno de Hsing I ao estilo Chen de Tai Chi combinado com o encaixe do estilo externo de Punhos Longos de Shaolin. Essa combinação traz a capacidade de gerar força rápida e flexível a qualquer distancia através de uma produção de energia eficiente de vários lugares do corpo. Os chutes e socos são rápidos no impacto, que trazem força e potência. Esse estilo não é recomendado para quem tem problemas cardíacos, e recomenda-se que o praticante tenha um nível técnico intermediário para aprender o estilo em sua essência.

    Além de ser ume estilo com auto defesa muito eficaz, muitos utilizam o aprendizado do estilo para fortalecer o sistema imunológico, uma vez que que ele tem vários benefícios medicinais.

    O estilo se popularizou a partir de 1901, com o Mestre Huo Yuanjia. Dizem que seu pai, Huo Endi, era sucessor da 6ª geração do estilo. Nos dias atuais, o estilo se tornou raro e não tão popular como os outros estilos, mas foi mostrado brevemente no filme “Fearless”(2006), do Jet Li, onde conta a história de Huo Yuanjia.

    O Grão mestre Ye Yu Ting comandou o estilo no século XX até sua morte em 1962, aos 70 anos. Na década de 60, seus alunos, Chi Hung Marr, Raymond K. Wong e Johnny Lee foram para os EUA, Hawaii e Canadá para ensinar o sistema.

    Na Inglaterra, o sistema continuou sendo ensinado como base em alguns estilos como Hsing I Ch’uan dentro da tradição Yue Jia Ba Shao. Nessa linhagem o estilo Mizong era ensinado mais para as crianças, pois os aspectos técnicos internos são menos sofisticados, ou mais externos, do que o Hsing I.

    Sobre quem fundou o estilo, há registro que foi criado por Yue Fei, mas pesquisando sobre o assunto não achei evidências que ele foi o criador do estilo.

    Não se sabe ao certo de onde veio, mas todas as versões aqui colocadas são apenas algumas das várias histórias que tentam explicar a sua origem. Porém, as pessoas que montam a várias linhagens chegam em um ponto em comum: Mestre Sun Tong, nascido na província de Shandong, em 1722.

    Uma das histórias, dizem que o estilo Mizongyi foi criado por um monge no Templo Shaolin chamado Lu Junyi, que uniu as técnicas de Shaolin com o Neigong. Diz a lenda que o monge era muito habilidoso, mas em contra partida ele não queria treinar nenhum discípulo. Porém um jovem, Yan Qing, foi trabalhar na casa de Lu e começou a espioná-lo e treinar secretamente. Até que um dia durante o trabalho, ele e seus companheiros foram atacados por bandidos, e Yu teve que defender a todos. Depois do episódio, Lu acabou o aceitando como discípulo. Esse estilo acabou sendo chamado de Yanquinquan, em sua homenagem, pelos vários seguidores que ele conseguiu. Mas logo mudaram o nome para Mizongquan, ou seita secreta do boxe, quando viram que Lu Junyi e Yan Quan estavam sendo perseguidos pelas autoridades. Nesta fuga, há relatos que, para não serem capturados, eles levaram as tropas em labirintos e trilhas falsas. Devido a esse evento que surgiu o nome Mizongyi, que significa “Punho da Trilha Perdida”, mas também tem uma alusão das características do estilo, que tem movimentos que enganam o oponente.

    Outra versão diz que o monge shaolin Qin Naluo observou uma luta entre macaquinhos e se impressionou com a fluidez dos movimentos, chamando o estilo de Nizong Quan “punho tribais de animais”, e acabou se tornando Mizong Quan devido a pronuncia.

    Outra lenda diz que dois guerreiros da dinastia Tang chamados de Yan Qing, que não é o mesmo da história anterior, e Chen Zhijing, foram parar o templo Shaolin e dentro do mosteiro desenvolveram o estilo que chamaram de Mizong Quan, ou “seita secreta do Boxe”

    Atualmente, um dos principais nomes do estilo é Huo Jinghong. Ela começou a praticar com cinco anos de idade, e é bisneta de Huo Yuanjia. Um texto interessante sobre a vida da Huo Jinghong está neste link.

    A TV chinesa CGTN publicou em maio de 2019 uma breve matéria sobre ela, que vocês podem conferir em texto aqui ou no vídeo abaixo.

    Não leu a matéria sobre o mestre Huo Yuanjia? Clique na matéria abaixo que ela pode te interessar!

    HUO YUANJIA (霍元甲) – 1860 – 1910

  • Huo Yuanjia (霍元甲) – 1868 – 1910

    Huo Yuanjia (霍元甲) – 1868 – 1910

    Huo é símbolo de patriotismo e nacionalismo chinês desde o inicio do século XX, por desafiar combatentes estrangeiros no momento que a china estava sendo dominada por potências imperialistas, mas não se sabe se eles de fato lutaram.

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    Huo Yuanjia

    Huo Yuanjia nasceu em 1868, na vila Xiaonanhe, que hoje é município de Tianjin, é o quarto filho de 10 filhos. Seu pai Huo Endi (霍恩第), trabalhava com agricultura e, às vezes, fazia escolta de caravanas comerciais para a Manchuria e voltava. Ele praticava o estilo Mizongquan ( 秘宗拳), mais conhecido hoje como Mizongyi (秘宗义).

    Ele era um menino fraco e propenso a pegar doenças. Há relatos que ele teve asma e contraiu icterícia. Devido a saúde frágil, seu pai não quis treiná-lo, então contratou um professor particular do Japão chamado Chen Xeng-Ho, em contra partida ele aprendeu o estilo marcial da família. Mas Huo não deixou de lado seu gosto pelas artes marciais e começou a observar o pai de dia e treinando com o Chen a noite, e acabou se tornando adepto.

    Em 1880 venceu sua primeira luta contra um lutador de Henan que desafiou sua família. Primeiro, seu irmão perdeu a luta, então Huo lutou e venceu com muita ousadia. Seu pai viu que ele estava apto a treinar, e aceitou como seu aluno que acabou superando seus irmãos em habilidade. Foi o começo da construção de uma grande reputação entre os artistas marciais.

    Há uma história que ele se juntou ao seu pai no trabalho de escolta de caravanas, e uma das escoltas de um grupo de monges, eles foram atacados por bandidos. Huo lutou contra o chefe da quadrilha e venceu. Sua vitória se espalhou e aumentou sua fama.

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    Huo Yuanjia

    Em 1896 se mudou para Tianjin, participava de lutas organizadas e fazia bicos, como porteiro, vendedor de lenha e como cobrador de um jovem comerciante Nong Jinsun (农劲荪), ele negociava ervas e medicamentos chineses. Os dois tiveram uma amizade forte e de longa data. Nesse período ele conhece seu discípulo mais famoso Liu Zhensheng (刘振声) e começa a ter contato com a política nacional.

    Enquanto isso, a fama de Huo se espalhou. Em 1901 (alguns lugares falam 1902), um homem forte russo estava circulando em Tianjin, desafiando combatentes chineses e os chamando de “Os doentes da Ásia”. Dizem que Huo aceitou a luta, mas o russo supostamente recuou alegando ser apenas um showman e acabou fazendo uma carta de desculpas no jornal, mas essa carta nunca foi encontrada.

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    Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) lutando contra Hercules O’Brian

    Em 1909, o boxeador inglês Hercules O’Brien, publicou insultos nos jornais de Shanghai, chamando os chineses de fracos. Huo foi para Shanghai para uma luta com o boxeador e depois negociações consideráveis sobre as regras da luta, os termos da luta foram acertados. De acordo com alguns relatos, O’Brien deixou a cidade preocupado com a reputação de Huo e, aparentemente, a luta nunca ocorreu.Outros dizem que a luta chegou a acontecer e que O’Brien perdeu a luta. Essa luta foi uma inspiração para os Chineses que começaram a questionar esse domínio imperial.

    Aproveitando a sua fama, com a ajuda de investidores, incluindo seu amigo Nong Jinsun, Huo abriu a Sociedade Atlética Jingwu. (精 武 体操 学校 mudou mais tarde para 精 武 体育 会)com o intuito de ensinar defesa pessoal e aprimorar a saude e bem estar. Ele atraiu muitos estudantes, bem como a atenção de algumas das principais figuras da China. Ele teve apoio de amigos como Song Jiaoren e Sun Yat-sen (孙中山) que elogiou a escola e disse que “Para tornar um país forte, todos devem praticar as artes marciais.” (欲使 国 强 , 非人 人 习武) ele até enfeitou a escola com sua caligrafia (como era) inscrevendo as palavras para espírito marcial (尚武精神) e dando-a como um presente para o clube.

    Huo yuanjia morreu em 1910, aos 42 anos. E ao contrário do filme “Fearless”, com Jet Li, Huo deixou a esposa, e cinco filhos, sendo dois homens, Huo Dongzhang (霍東章) e Huo Dongge (霍東閣), e três meninas, Huo Dongru (霍東茹), Huo Dongling (霍東玲) e Huo Dongqin (霍東琴).

    Sua morte é cercada por histórias. Como Huo sofria de icterícia e tuberculose, ele começou fazer um tratamento com um médico japonês, que era membro da Associação japonesa de Judô de Shanghai. Há histórias que o médico convidou Huo para uma competição, onde seu aluno, Liu Zhensheng, competiu com um praticante de Judo. Ninguém sabe quem ganhou mas sabem que houve uma briga e que membros da equipe de Judô ficaram feridos, incluindo instrutores.

    Parece que essa confusão influenciou um pouco na morte de uma das personalidades mais importantes da China, pois, segundo o historiador e aluno de Huo, Chen Gongzhe, que depois que ele começou a fazer o tratamento com esse médico, sua saúde piorou. Foi receitado um remédio para sua saúde, mas sua saúde foi piorando. Huo foi internado no Hospital da Cruz Vermelha de Shanghai, onde morreu 2 semanas depois. A morte de Huo Yuanjia levantou especulações sobre envenenamento sendo a causa da morte.

    Em 1989, o túmulo de Huo e de sua esposa foram levados para outro lugar, e foram encontrados pontos pretos nos ossos da pélvis. Os ossos foram levados para a perícia de Tianjin que confirmaram a presença de arsênico. Mas é dificil dizer se foi por envenenamento ou se por prescrição de remédios, uma vez que o trióxido de arsênico foi usado na medicina chinesa por 2400 anos. 

    Outras versões dizem que Huo derrotou o chefe da associação japonesa na competição, e no banquete de comemoração da noite, Huo ficou doente repentinamente, tossindo muito. Logo em seguida ele foi levado a um hospital japonês, onde recebeu “um remédio errado”, que ocasionou sua morte.

    Nunca saberemos ao certo a causa da morte, mas a versão de ser envenenado por japoneses persiste entre as várias versões, tanto que foi mostrada no filme “Fearless“.

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    Cena do filme Fearless: Huo Yuanjia (Jet Li) sentindo os efeitos após ser envenenado

    A associação Jingwu foi deixada para seus filhos, Huo Dongzhang e Huo Dongge.

    Históricamente, Huo Yuanjia teve um papel extremamente importante na China, é como se fosse um herói chinês que “bateu de frente” com as potências estrangeiras que dominavam o país, aumentando um sentimento mais patriótico, uma busca de identidade.

    Na cultura, o primeiro filme a citar Huo Yuanjia foi “Legend of a Fighter“, de 1982, com a história de um menino fraco, cujo pai recusou de ensinar kung fu devido a sua condição física. O pai, então, chama um professor japones para educar seu filho sem saber que ele é um mestre em artes marciais. O menino acaba aprendendo luta por oito anos até que ele precisa utilizar suas habilidades para defender o pai doente.

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    Cena do filme Fist of Legend

    Outro filme que tem relação com os eventos após a sua morte é o Fist of Fury (1972) de Bruce Lee e o remake Fist of Legend (1994) com Jet Li. O personagem principal é um dos alunos de Huo Yuanjia, Chen Zhen. E por fim, retratando a sua vida, o filme que Fearless (2006), já citado aqui, que conta uma parte mais fantasiosa de sua história. Algumas informações, como a morte da família de Huo, renderam algumas polêmicas e familiares processaram Jet Li e tentaram impedir sua distribuição.

    Se quiserem saber o que achamos do filme Fearless, clique aqui!

    Prefere conteúdo em vídeo? Assista o vídeo abaixo para um resumo visual deste artigo.

  • Documentário – “Iron Fists and Kung Fu Kicks”

    Documentário – “Iron Fists and Kung Fu Kicks”

    Eu sempre fico em busca de noticias e artigos sobre Kung Fu, e também só sigo coisas relacionadas ao assunto no Instagram, Facebook, Youtube, enfim, tudo isso para que eu possa estar sempre atualizada e também acrescentar um pouco mais de conhecimento no meu repertório.

    Não sei se já perceberam, mas a internet tem uns “robozinhos” que sabem nossos interesses, e acabam nos mostrando links relacionados. Um desses links foi um perfil no Instagram chamado “kungfukicksfilm”. Abri o perfil e vi que era sobre um documentário de filmes de kung fu.

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    Cinco Venenos de Shaolin (1978) Lo Meng, à direita

    Eu que amo os filmes do gênero, já fiquei interessada no que poderia ter, ainda mais que no documentário apareceriam nomes como Sammo Hung (“Enter the Fat Dragon“), Lo Meng (“Five Deadly Venons“), Ju Ju Chan (“Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny“), Chin Siu-Ho (“Tai Chi Master“), enfim…Só nomes de peso. Ia ter uma Premiere na Australia em Agosto (2019), mas como sou uma reles mortal, claro que eu não conseguiria ir. Então resolvi esperar porque uma hora esse documentário ia chegar em algum lugar ou no Youtube.

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    Tai Chi Master (1993) – Chin Siu-Ho e Jet Li

    Agora em dezembro, quando estava vendo se colocaram mais filmes de kung fu no catálogo da Netflix, apareceu esse documentário. No começo achei que não era o mesmo, mas sim, era o documentário que eu havia visto no Instagram por acaso.

    Comecei a assistir e, como não tinha visto o trailer, achei que fosse um documentário sobre os principais filmes de Kung Fu e suas produções. Porém estava extremamente enganada, o filme me surpreendeu, e ele mostra o quanto esse gênero de filme influenciou desde os filmes de hoje até na cultura de outros países como na dança do Hip Hop e no Parkour.

    O documentário começa com um contexto econômico da China na década de 60 e de como o cinema foi importante para a China, uma vez que era uma colônia britânica, e coloca a Shaw Brothers Studio como precursora desse gênero, mas também não deixa de lado a importância que o estúdio Golden Harvest teve.

    E claro, não podemos de deixar de dar destaque ao Bruce Lee. No filme mostra a importância que ele teve para os filmes de artes marciais assim como ele acabou divulgando uma arte que até então ninguém no ocidente conhecia. Um dos trechos do filme mostra que o próprio David Carradine não sabia o que era Kung Fu antes de fazer a série “Kung Fu“.

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    Bruce Lee

    Além do Bruce Lee, outro ator fundamental para a revolução no cinema, sem dúvidas, foi o Jackie Chan, introduzindo uma nova era com cenas de ação extremamente arriscadas e perigosas. O documentário traz também alguns filmes americanos que foram importantes trouxeram o Kung Fu a tona, após ter uma pequena crise no gênero na década de 90, como Matrix e o Tigre e o Dragão.

    Em linhas gerais, esse documentário é ótimo para mostrar como os filmes de kung fu fazem sucesso até hoje. Ele te dá um contexto histórico tanto da China quanto do mundo e consegue te dar um panorama de como esse gênero influenciou e ainda influencia a cultura no mundo todo.

    Obs: agora em 2026, esse documentário já saiu do catálogo da Netflix, e está no PrimeVideo. Mas de tempos em tempos isso pode mudar!

    Assista o Trailer:

  • Wu Assassins – 1ª Temporada

    Wu Assassins – 1ª Temporada

    A Netflix veio com uma proposta de fazer uma série onde envolve misticismo, artes marciais e máfia chinesa. E realmente cumpriram com a proposta!

    Diferente de todos os gêneros da plataforma, “Wu Assassins” trouxe uma história que se passa em Chinatown de São Francisco. Um chef de cozinha, Kai Jin, interpretado por Iko Uwais (Star Wars – O Despertar da Força), foi escolhido para ser um Wu Assassin, ou um assassino de Wu. Diz a historia que cinco pessoas foram corrompidas pelos poderes elementais de Wu Xing, que são representados pelo fogo, água, terra, madeira e metal. Eles lutaram contra a China deixando milhares de mortos. Até que 1000 monges se sacrificaram para dar o poder para um escolhido para conseguir detê-los. Esse poder foi colocado em uma peça chamada fragmento dos monges.

    Assim começa a história, uma busca para destruir os portadores do Wu Xing, e paralelamente a isso, Kai conta com um grupo de amigos que de alguma forma estão envolvidos com a Máfia Chinesa chamada de Tríade, liderada pelo Uncle Six, interpretado por Byron Mann.

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    Ying Ying (Celia Au) e Kai (Iko Uwais )

    Contando a história dessa maneira, parece tudo muito confuso, e é sim muito confuso! Falando da história, é tudo muito “raso”. As coisas acontecem de repente, como a mentora Ying Ying, interpretada pela Celia Au, vir do nada e falar que o Kai é o escolhido, sem contar que ela não me convenceu pela sua interpretação. Talvez ela queria passar uma imagem de durona, autoritária, para dar aquela idéia que ele tem que cumprir essa missão, mas não me convenceu.

    A maneira como foi mostrada sobre a origem do Wu Assassins e sobre os Wu Xings foi bem raso. Isso tudo poderia ser contado de outra forma, e a mentora, para mim, não foi relevante. Tanto que chegou em um ponto da série que saber sobre a existência dos Wu Xings não me incomodava, até aparecer a mentora, essa parte achei desnecessário na trama. Muitos elementos da história apareciam e iam embora sem muita explicação.

    Em um certo ponto da história, o misticismo e a máfia acabam se juntando e há grandes reviravoltas na trama, isso fez com que eu continuasse a ver a série

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    Falando sobre luta, o filme não deixa a desejar! O primeiro episódio já começa com um “tapa na cara” de muita ação, com cenas de luta muito bem coreografadas. O ator que interpreta o Kai luta muito bem e sua agilidade impressiona. No lado feminino, contamos com a Ju Ju Chan que não deixa a desejar, ela dá um show em habilidade e agilidade. Na série, o termo “homem não luta com mulher”, não existe. Teve muita luta, sim, de homens contra mulheres, e não deixaram a desejar, foi de igual pra igual.

    No geral, a Netflix entrega o proposto, como eu falei no começo um filme de artes marciais com misticismo e máfia chinesa. O mais legal do filme é o elenco principal em sua maioria ser de origem asiática em solo americano. Tem uma parte que fala muito do estereótipo, como por exemplo, chineses só comerem comidas chinesas, e também fala do reconhecimento de outros povos como americanos. E claro, não podemos deixar de falar que a série conta com a participação de Mark Dacascos, um ator e artista marcial, que ficou muito conhecido pelos seus filme de ação na década de 90.

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    O final da série dá a entender que pode ter uma possível segunda temporada, mas se não for renovada pela Netflix, a história teve seu desfecho. Se tiver a segunda espero que melhorem no quesito roteiro.

    Pra quem gosta de muita ação, Wu Assassins entrega o prometido, e não fica um capítulo sem lutas. No geral, é uma série divertida, mas não espere muito dela. Para quem interessar, a primeira temporada está disponível na Netflix.

    Trailer:

  • Sanda: a “boxificação” do Kung fu e sua conexão com as estruturas tradicionais

    Sanda: a “boxificação” do Kung fu e sua conexão com as estruturas tradicionais

    Não são poucas as pessoas que ao se depararem com o Sanda competitivo pela primeira vez, fazem aquele olhar de que tem algo faltando (ou sobrando) por ali. Conversando com diversas dessas pessoas, ao longo do tempo, acabei identificando que o espanto ocorre por dois motivos básicos, elas esperam encontrar os vôos e os chutes mirabolantes dos filmes de kung fu, e também esperam identificar a aplicação das formas em toda a sua pompa e plasticidade. Como não encontraram esses elementos, pelo menos a olho nu, se frustram! Tal fato não é de se admirar, muito menos de se condenar, considerando que a forma pela qual a grande maioria tem contato com as artes marciais é a via materiais de qualidade histórico-científica bastante duvidosa e de baixa qualidade. Sendo assim, tentarei, obviamente, sem a mínima pretensão de encerrar um tema tão complexo, contribuir com alguma luz sobre essa questão que chamo jocosamente de “boxificação” do kung fu, e também sobre sua esportivização, a partir de dois tópicos: histórico e técnico.

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    Primeiramente, dentro da questão histórica, é preciso esclarecer que tais fenômenos não são recentes, criados para adequar o Wushu ao MMA ou para concorrer com o Muay Thai, mas é sim efeito de um processo histórico que, segundo o Sifu David Ross, em seu artigo intitulado “Kung Fu and Western Boxing”, começa antes mesmo do primeiro registro escrito sobre Boxe ocidental na China, intitulado “The Technique of western Boxing”, publicado em 1920, em Shangai. O amálgama, de acordo com o autor, começa já nos primeiros contatos do ocidente com a China, durante dinastia Qing (1644-1912). Mais tarde, dando alguns saltos na linha do tempo, durante advento da china nacionalista (1912–1949), temos o início de uma movimentação mais acentuada em direção à esportivização do Sanda. Nesse período, ocorrem em toda a China competições entre centenas de participantes em diversas regiões da China, onde os melhores colocados eram selecionados para assumirem cargos nos institutos de artes marciais locais. Esses institutos tinham como objetivo organizar as artes marciais chinesas, tornando-as patrimônio nacional. Uma das edições mais famosas do evento ocorreu na província de Hangzhou, no ano de 1929, que de acordo com Yosaku, no artigo Masters of IMA, contou com a participação de 240 lutadores. Importante salientar que era possível observar referências do Boxe ocidental em muitos desses lutadores, o que teria gerado protestos por parte de alguns participantes.

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    Prática de técnicas de combate com luvas, no famoso Instituto de Artes Marciais de Nanjing, China, 1930.

    Mais adiante, na década de 40, ocorreriam grandes combates entre lutadores chineses e estrangeiros na cidade de Shangai. Segundo Gigi Oh e Gene Ching, em um desses eventos, mestre Cai Longyun, com apenas 14 anos, ganharia destaque internacional, derrotando um lutador russo nas regras do boxe ocidental, incluindo luvas fechadas e ringue com cordas. Já entre os anos 60-80, temos o desenvolvimento e a fundação da equipe de Sanda de Beijing, pelo mestre Zhang Wenguang, que também foi responsável pelos primeiros estudos e pela organização das regras internacionais de Sanda, com características muito próximas das competições de hoje. Logo em seguida, começam as edições dos Campeonatos Mundiais de Wushu e a consolidação internacional do Sanda como a forma oficial de combate competitivo do Wushu padronizado. Importante salientar que os mestres Cai e Zhang, entre muitos outros que também construíram elos entre o Boxe ocidental e o Kung fu, eram especialistas em estilos tradicionais como Huaquan e Chanquan, alicerces do Wushu nortista contemporâneo. A importância da atuação desses professores transcendeu o tempo, permeando as escolas tradicionais e as estruturas desportivas do Wushu padronizado como um todo. Legados que ainda vivem!

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    Acima: Mestre Cai Longyun, especialista nos estilos Huaquan e Taijiquan, em uma de suas lutas em Shangai, China, década de 40. Abaixo: luta da categoria feminina no 14° Mundial de Wushu, Rússia, 2017.

    E quanto as aplicações do Taolu dentro da competição de Sanda; elas podem acontecer ou não? Bem, nessa parte vou tomar a liberdade de trazer uma opinião pessoal, embasada nas experiências que vivi ao longo desses mais de 20 anos dentro das artes marciais chinesas. As possibilidades existem, mas devido a todas as transformações sofridas ao longo de séculos, como citado anteriormente, unidas as necessidades e adaptações impostas pelas competições modernas, não são percebidas tão facilmente a olho nu e não acontecem com a frequência que os apreciadores de um bom filme de kung fu e que os praticantes mais tradicionalistas gostariam de ver. Desta forma, sintetizei de maneira bem objetiva algumas considerações que acho importante a respeito das possibilidades de aplicação tradicional dentro da estrutura do Sanda moderno. Existe uma aplicação direta, onde temos um caráter mais externo, que são as técnicas de luta propriamente ditas, podendo ser observadas, principalmente, no contexto das projeções, uma vez que o Taolu é repleto de técnicas de quedas. E existe a aplicação indireta, onde estão inseridas questões como o condicionamento físico e mental, abrangendo desde a melhoria da concentração, até a melhoria da agilidade, criatividade e resistência do lutador. Entretanto, apesar de todas as possibilidades que as formas podem oferecer no processo de preparação interna e externa do atleta, elas parecem, com o passar do tempo, ter ficado restritas aos ambientes tradicionais de ensino, e cada vez menos utilizadas pelos sistemas de graduação modernizados. Isto pode ser observado claramente nos currículos de formação de professores e alunos de diversas instituições ao redor do mundo, onde os programas são desenvolvidos sem a exigência de conhecimentos em técnicas tradicionais como o Taolu.  

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    Mestre Zhang Wenguang (no centro), fundador da equipe de Wushu Sanda de Beijing, com alguns de seus alunos, entre os anos 1979-80. Todos Especialistas em Taolu.

    Dado o exposto, podemos concluir que o Sanda como modalidade esportiva evoluiu de tal maneira que o treinamento das formas, apesar de ter o potencial de ser um diferencial no desenvolvimento do atleta, ficou restrito aos professores que optam por utilizá-lo dentro de uma didática particular. Além disso, parece que a alta demanda por atletas treinados especificamente para competições vem influenciando as graduações, as regras e o jogo do Sanda, distanciando o Wushu de suas raízes tradicionais, que devido a um longo tempo de formação, acaba por fugir dos processos dinâmicos e extremamente específicos exigidos em um treinamento esportivo moderno. Sendo assim, para aqueles que apostam em uma futura reunificação do Sanda com seus aspectos técnicos mais clássicos, como vem acontecendo com o Taolu, parece que não deve acontecer tão breve. Pelo contrário, parece se tornar algo cada vez mais distante, levando em conta a especificidade exigida para se chegar a altos patamares do esporte, contrapondo o caráter generalista dos métodos antigos. Porém, apesar da modernização do Sanda ser uma discussão polêmica, com linhas de pensamento e opiniões diversas, não se pode negar que a modalidade é mais uma das infinitas faces do Wushu, que por sua vez carrega na sua essência um histórico e constante transformar-se. Uma arte a ser repensada constantemente, como fizeram os antigos mestres. Sempre fora da zona de conforto. 

  • Os Cinco Venenos de Shaolin

    Os Cinco Venenos de Shaolin

    Os 5 venenos de Shaolin conta uma história de um mestre, do “Clã dos cinco venenos”, que treinou 5 pessoas que não se conheciam, cada uma com um estilo diferente, sendo eles: Centopéia, Cobra, Escorpião, Lagarto e Sapo.

    Como ele está muito doente e prestes a morrer, ele pede para que o último discípulo dele descubra quem são essas pessoas, pois eles foram treinados com máscaras, e elimine quem está utilizando o estilo para o mal.

    Como sempre, a Shaw Brother consegue fazer um filme com ótimas cenas de luta, aquele velho estilo de sempre, ataques e defesas muito bem encaixados e sincronizados, perfeitos até demais, mas é legal de ver como são bem coreografadas. Porém, senti o filme com cenas mais violentas que o de costume. Quando eu digo violentas, é violentas para a época.

    Além das boas coreografias da época, que são marca dos filmes da Shaw Brothers, o filme conta com um diferencial, você se envolve com a trama do filme. Ele constrói uma narrativa, onde você tem vontade de ver e desvendar quem são as 5 pessoas e quais delas querem fazer o mal. Fora isso, eles desenvolvem mais os personagens e constroem uma relação entre eles durante o filme. Diferente dos demais filmes que é sempre o mestre que treina o discípulo que está em busca de vingança.

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    No geral, “Os Cinco Venenos de Shaolin” consegue explicar o porquê ele é um clássico no gênero e consegue atingir os amantes de filmes de artes marciais e os que estão apenas afim de ver uma boa história.

    Uma curiosidade para quem gosta do filme e do Kill Bill, Quentin Tarantino usou como grande referência este filme para criar o grupo “Deadly Viper Assassination Squad”.

    FICHA TÉCNICA:
    Título: Os Cinco Venenos de Shaolin
    Título Original: The Five Venons/ The Five Deadly Venons
    Ano: 1978
    Diretor: Chang Cheh
    Elenco: Chiang Sheng, Sun Chien, Philip Kwok, Lo Mang, Wei Pei, Lu Feng, Wang Lung-Wei, Ku Feng
    Gênero: Artes Marciais, Ação, Drama