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  • O cinema e a divulgação Kung fu no mundo

    O cinema e a divulgação Kung fu no mundo

    Os filmes de ação com cenas de lutas espetaculares que vemos hoje são dessa forma graças aos filmes de Kung fu.

    Sim, os filmes de kung fu contribuíram e muito para a cultura que vemos hoje, seja nos filmes, na divulgação do kung fu pelo mundo, na própria cultura chinesa e também, segundo o documentário “Iron Fists Kung fu Kicks” (2019), contribuíram com o Hip Hop e o Parkour. Aliás, esse artigo tem uma grande base nesse documentário, que eu acho fantástico, e que vale a pena a gente detalhar um pouco mais os pontos para entender a importância dos filmes chineses.

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    Run Run Shaw, ao centro. Foto: The New York Times.

    Vamos começar lá na década de 60, em Hong Kong, quando o famoso estúdio Shaw Brothers, liderado por Run Run Shaw, começou a fazer seus filmes baseados nas famosas Óperas de Pequim, mais precisamente na Ópera Huangmei, que era um dos cinco principais gêneros de ópera chinesa. O filme The Love Eterne (1963) é basicamente uma ópera filmada. Os filmes tinham coreografias muito plásticas, a divulgação da cultura chinesa era muito forte e fazia muito sucesso. Vale destacar que atores famosos e reconhecidos como Jackie Chan, Sammo Hung, Yuen Biao são pessoas que vieram da Ópera de Pequim.

    O gênero Wuxia veio mais para frente quando o foco começou a ser filmes de ação mas, mesmo assim, as lutas eram pensadas mais na sua plasticidade do que em ser realista, tanto que você consegue ver ritmo nas lutas e acrobacias. Os arquétipos das óperas também estão presentes nos filmes, como o herói sempre aparece limpo e o vilão com uma maquiagem mais carregada ou nas poses dramáticas e trilhas sonoras com gongo, por exemplo.

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    The Love Eterne (1963). Foto: Mubi.

    A grande virada veio no final da década de 60, quando o diretor Chang Cheh, famoso por grandes clássicos como “Os 5 Venenos de Shaolin (Five Deadly Venons) – 1978“, queria deixar o filme mais realista e violento com mais sangue e deixar de lado aquelas coreografias mais “dançantes”. E também queria focar bastante no homem, na sua força e musculatura. Por isso, é muito comum ver nos filmes os treinamentos e lutas de homens sem camisa.

    Mas também vamos puxar um pouco para a história que Hong Kong passava nessa época, mais precisamente em 1967, de muita violência e dos grandes protestos contra domínio colonial britânico. Então esse sentimento de revolta e violência fomentou e casou muito com essa mudança no cinema chinês.

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    Os filmes passaram a ter mais sangue e valorizar a musculatura masculina. Filme 5 Venenos de Shaolin. Foto: Rotten Tomatoes.

    Paralelamente, na década de 60, temos Bruce Lee tentando se inserir na TV e no cinema nos EUA. Temos que destacar que o cinema nos EUA, na época, era totalmente dominado por pessoas brancas e não tinha muitos filmes de luta, uma vez que o gênero que dominava era o Faroeste. E quando havia a presença de orientais, estes eram interpretados por brancos muito estereotipados.

    Bruce Lee tentou vários papeis que foram recusados, até conseguir se inserir na série “Besouro Verde”, onde ele era o ajudante do protagonista. Apesar de ser coadjuvante, o personagem de Bruce Lee, Kato, fez muito sucesso por sua performance que nunca tinha sido vista antes. Na Ásia, o sucesso era tão grande que a série passou a se chamar “The Kato Show“. Há histórias que as câmeras não conseguiam captar a velocidade do seu movimento, logo ele tinha que fazer os movimentos mais lentos. Vale destacar que houve um “Crossover” da série Besouro Verde com a clássica série de Batman, onde eles vão para Gothan City lutar contra Batman e Robin mas, no fim, acabam se unindo.

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    Bruce Lee, à direita, como Kato. Foto: Uol.
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    Crossover de Besouro Verde e Batman. Foto: Veja.

    Voltando à trajetória de Bruce Lee, houve um fato muito importante e determinante na história que foi a série Kung fu. Bruce fez o teste para a série, foi muito elogiado mas não conseguiu o papel por ser chinês. Até porque, a série ia ser exibida no horário nobre e, infelizmente, havia um forte preconceito. Esse papel foi passado para um ator branco, David Carradine, que não tinha tido contato nenhum com as artes marciais. Segundo os produtores, ele passava uma imagem mais calma e contemplativa para um monge.

    A série, para quem não conhece, conta a história de Kwai Chang Caine (David Carradine), um monge Shaolin que, após vingar o assassinato do seu mestre, foge para o velho oeste americano atrás de seu meio irmão Danny Caine. Há histórias que a idéia da série, originalmente, foi escrita por Bruce Lee, mas os produtores da série negam. Mas anos depois a sua filha Shannon Lee, recuperou os os roteiros escritos pelo pai e produziu a série “Warrior” (2019).

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    Bruce Lee e Raymond Chow. Foto: Reprodução.

    Frustrado com Hollywood, Bruce Lee volta para Hong Kong e fecha contrato com a Golden Harvest, de Raymond Chow, que já tinha sido um executivo de confiança da Shaw Brothers. O foco das duas produtoras era bem diferente, a Shaw Brothers focava em quantidade, mas a Golden Harvest queria lançar uma estrela. Isso foi determinante para o fechamento de contrato de Bruce Lee com a produtora, pois ele teria participação nos lucros do filme, diferente do outro estúdio que os atores recebiam salário fixo sem bonificação.

    Após fechamento de contrato, a carreira de ouro de Bruce Lee começa com um filme revolucionário da época, “The Big Boss” (1971), com cenas de luta que nunca tinham sido vistas no cinema, consagrando-o como a estrela dos filmes asiáticos. Depois veio “Fist of Fury” (1972), uma grande crítica ao preconceito contra os chineses, enaltecendo o nacionalismo chinês. Os filmes de Bruce Lee conversavam com a população oprimida e isso fez com que eles fizessem cada vez mais sucesso. Foi uma mudança de filmes clássicos com coreografias muito plásticas para um estilo de luta muito mais real.

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    Bruce Lee em “The Big Boss”(1971)

    Mas o primeiro grande sucesso nos EUA não foi o filme de Bruce Lee, foi o filme “5 Dedos da morte” (1972) com Lo Lieh, com muita violência e sangue. Com esse filme, começou a despertar o interesse e curiosidade do ocidental pelas artes marciais. Só um ano depois, Bruce Lee estourou mundialmente com o filme “Operação Dragão”. Foi sucesso de bilheteria e um fenômeno global, o que levou à grande fama de Bruce Lee. Porém, infelizmente, ele faleceu seis dias antes da estreia do filme em Hong Kong e 1 mês antes da estreia nos EUA, fazendo com que ele tivesse uma fama póstuma.

    Por outro lado, esse filme fez com que o kung fu ficasse no auge mundialmente. Academias foram abertas no mundo todo e, claro, não podia ser diferente no Brasil. Graças ao filme, o kung fu foi amplamente divulgado por aqui e começamos a construir nossa história nessa época.

    O cinema ficou órfão de Bruce Lee e isso fez com que vários sósias surgissem, além de histórias bizarras que Bruce Lee tinha mudado de cara, enfim, tudo para continuar essa febre que foi Bruce Lee e o Kung Fu. E uma vertente muito importante na história foi o surgimento de filmes de artes marciais com atores negros. Como Bruce Lee era visto como símbolo de resistência contra a opressão e o sistema, a comunidade negra se sentiu muito conectada. O astro desses filmes foi Jim Kelly que treinou com Bruce Lee e também participou de Operação Dragão. Mas também tiveram outros nomes, como Ron van Clief, e protagonistas mulheres como Tamara Dobson e Jeannie Bell.

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    Jim Kelly, THREE THE HARD WAY, Allied Artists, 1974, I.V. jimkelly. Foto: IMDB

    Voltando para Hong Kong, nos anos 70 surge um nome muito importante que é Lau Kar-Leung, um grande artista marcial, ator e coreógrafo de cenas de luta. Ele quis mudar o cinema chinês e fazer filmes em que as pessoas de fato praticassem kung fu. Nessa época, surgiram grandes clássicos dos filmes que conhecemos hoje, inclusive um filme de grande sucesso que é “Câmara 36 de Shaolin” (1978), que fez Gordon Liu se tornar um ícone do gênero.

    Apesar desses filmes não retratarem uma luta, digamos que real, com coreografias muito bem encaixadas, é legal pensar na plasticidade do movimento e ver a autenticidade de cada estilo. Perceber como cada estilo se comporta em uma luta, a movimentação, os punhos. Essa é a grande magia do cinema no kung fu.

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    Gordon Liu em “Câmara 36 de Shaolin”. Foto: Reprodução.

    Em paralelo a esses filmes nascia uma estrela que é Jackie Chan. Em sua biografia, ele conta um pouco dessa trajetória, principalmente após o falecimento de Bruce Lee. E muitos produtores esperavam que ele reproduzisse o jeito de Bruce Lee, a forma de lutar e se expressar. O produtor Lo Wei , com quem ele tinha contrato, tentou essa transformação de Jackie Chan no filme “New Fist of Fury” (1976), mas foi um fracasso. Foi aí que ele foi emprestado para outro estúdio, se juntou com o diretor Yuen Woo-ping e, em 1978, fez dois grandes clássicos da sua carreira: “Snake in the Eagle’s Shadow (Punhos de Serpente)” e “Drunken Master (O Mestre Invencível)”. Foi nesses dois filmes que ele se lançou no gênero de Kung Fu Comédia. Quando o contrato com Lo Wei estava para acabar, a Golden Harvest já entrou em contato e ofereceu a Jackie Chan uma proposta para dirigir seus filmes e um orçamento gigante. E assim nasceram grandes clássicos como “Projeto A” e “Police Story“.

    Na década de 80, Jackie Chan revolucionou o cinema pelas lutas, usando objetos de cena, acrobacias e cenas perigosas que ele mesmo fazia, ou seja, ele não tinha dublê. Isso lhe rendeu muitos machucados, partes do corpo quebradas e muitas idas ao hospital. Esse novo estilo de luta que Jackie Chan trouxe e também a mudança desse cenário de estúdio fechado e cenários plásticos para um local mais urbano, fez com que a Shaw Brothers perdesse a relevância. Em 1985, ela encerra a produção de filmes focando a produção em um canal de TV, a TVB.

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    Jackie Chan em “Police Story”. Foto: Reprodução.

    Nessa época houve um boom de filmes de artes marciais. Jackie Chan, Sammo Hung, Yuen Biao, Michelle Yeoh, Chow Yun-Fat eram nomes fortes do cinema oriental, mas surgiram grandes nomes ocidentais como Cinthia Rothrock e o próprio Jean-Claude Van Damme, responsável pelo grande clássico “Bloodsport” (o Grande Dragão Branco) (1988).

    Na década de 90, houve uma crise no cinema em Hong Kong. Apesar de um nome grande, como Jet Li, surgir nessa época, aquela produção desenfreada dos filmes reduziu muito. Mas isso ocorreu por vários fatores como a repetição das fórmulas dos filmes e as produções ficaram “mais do mesmo”. Teve uma explosão de pirataria na época e também uma concorrência com Hollywood, onde os blockbusters na época estavam chamando mais atenção que o cinema local. Fora isso, em 1997 aconteceram dois fatores: uma crise financeira asiática e também a devolução de Hong Kong para a China. Nesse momento, os principais compradores de filmes, como Coreia do Sul, Taiwan e Sudestes Asiático pararam de importar filmes e houve uma instabilidade e tensão, que fez com que os astros e produtores de filmes fossem para os EUA.

    Foi aí que nasceu uma grande parceria, Yuen Woo Ping, aquele que foi diretor dos primeiros filmes de sucesso de Jackie Chan, fez a coreografia do filme Matrix (1999). Foi um filme de grande sucesso que transformou a forma de luta do cinema ocidental. Os americanos não sabiam muito bem filmar essas cenas de luta então usava-se muitos cortes rápidos para esconder que o ator não sabia fazer. Yuen Woo Ping exigiu que os atores treinassem e tivessem contato com o kung fu pelo menos 6 meses antes para que pudessem fazer a luta mais real possível. Além disso, ele levou para os EUA a técnica Wire-fu, que é a luta com cabos, onde os atores podiam “flutuar” e desferir golpes com planos mais abertos, uma herança dos filmes de Wuxia dos anos 60 e 70, da Shaw Brothers. No filme conseguimos ver algumas referências a filmes chineses como as cenas de treinamento e, principalmente, existe uma referência a Bruce Lee, quando Neo tem uma postura corporal e faz o gesto com a mão chamando Morpheus.

    Morpheus (Laurence Fishburne) e Neo (Keanu Reeves) em Matrix. Foto: Medium.

    Matrix abriu ainda mais as portas para os filmes de kung fu e, um ano depois, em 2000, veio o filme “O Tigre e o Dragão“, também coreografado por Yuen Woo Ping. Ele venceu quatro Oscars, sendo eles: Melhor filme estrangeiro, Melhor Fotografia, Melhor direção de Arte e Melhor Trilha Sonora Original. Essa foi a primeira vez na história que um filme chinês foi visto e valorizado por Hollywood.

    Depois disso, os filmes de luta e ação estão cada vez mais refinados. Muitos filmes ainda utilizam dublês e coreógrafos de Hong Kong para as cenas de lutas. Hoje em dia é muito comum ter cenas com coreografias rápidas, utilização de artigos da cena nas lutas, golpes cada vez mais agressivos e desafiadores. Mas isso, com certeza, se deve muito à trajetória do filme chinês para o mundo do cinema. E não só para o cinema, mas para a divulgação da cultura chinesa para o mundo. Toda a narrativa construída em torno do kung fu, divulgando sua história pelos filmes, fez com que o Templo Shaolin se tornasse o templo mais famoso do mundo. Não pela sua vertente religiosa, mas por ser imortalizado pela cultura pop.

  • O Tigre e o Dragão

    O Tigre e o Dragão

    Aproveitando que há rumores de uma possível série do universo do Tigre e o Dragão, nada melhor do que escrever o que achamos do filme dirigido por Ang Lee.

    O filme começa com o Mestre Li Mu Bai (Chow Yun-Fat) encontrando a Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) anunciando a sua aposentadoria e pedindo para que ela presenteie um grande amigo dele, Sr. Te (Sihung Lung) com a espada Destino Verde, que acompanhou toda a jornada de Li Mu Bai. É importante destacar que é uma espada totalmente poderosa com um corte extremamente afiado. Logo que a espada chega nas mãos do Sr. Te, ela já é roubada, e assim começa a saga de Li Mu Bai e Yu Shu Lien para descobrir quem roubou e, assim, recuperar a espada.

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    O que faz o filme fascinante são os cenários lindos e a fotografia consegue explorar muito bem isso. Os locais escolhidos para produzir grande cenários como o deserto, a floresta de bambu, a montanha de Wudang, até mesmo a reprodução dos palácios em Beijing, nos dão a dimensão do quão grande e diversificada é a China. A riqueza de detalhes que caracterizam uma China antiga, a arquitetura e até mesmo o figurino fazem toda a diferença.

    E o principal: as lutas são muito boas e muito bem coreografadas. O legal desse filme é que mostra, bem por cima, que existem estilos de kung fu, e o mais legal é que as lutas não ficam só com a espada; eles diversificam com facão, lança e até armas, digamos que, mais exóticas como o Pudao e Espada Orelha de Tigre.

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    Além disso, a trama conta com a história de amor entre os protagonistas do filme, no caso Li Mu Bai e Yu Shu Lien. Acho interessante como eles abordam esse romance nas pequenas conversas que eles têm e nos olhares. É tudo muito sutil e leve, o que torna a história mais poética.

    Outro ponto a se destacar é a atriz Zhang Ziyi, que faz o papel de Jen na trama. Ela tem um papel muito importante e também faz uma grande atuação, uma vez que ela fez pouquíssimos trabalhos antes do filme, diferente de Chow Yun-Fat e Michelle Yeoh, que são grandes nomes do cinema chinês. Esse filme, com certeza, deu uma grande visibilidade à atriz para outros filmes como Hora do Rush 2, Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Memórias de uma Gueixa.

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    A história parece ser bem simples, mas o enredo combinado com com os cenários, lutas e até a trilha sonora fazem você se envolver com o filme. Não é à toa que ele venceu quatro categorias no Oscar de 2001, sendo eles: Melhor filme estrangeiro, Melhor Fotografia, Melhor direção de Arte e Melhor Trilha Sonora Original.

    É muito legal um filme do gênero Wuxia ser reconhecido internacionalmente abrindo muitas portas para o cinema chinês. Para quem não sabe, esse gênero significa justamente histórias com artes marciais, fantasia e heroísmo.

    Em resumo, O Tigre e o Dragão é um ótimo filme, talvez um dos melhores que eu já vi desse gênero. Para quem ainda não assistiu e ficou curioso, fica aqui o trailer do filme.

  • Karate Kid Legends

    Karate Kid Legends

    Assistimos ao filme depois de muitas expectativas, até porque tinha muitas pontas soltas de como iriam conectar essas histórias, umas vez que temos o Sr. Han ( Jackie Chan) e Daniel LaRusso (Ralph Macchio) com histórias e universos diferentes. Sempre que eu vou com essa expectativa alta, muitas das vezes eu acabo saindo decepcionada, mas dessa vez foi diferente, e vou te dizer o porquê.

    Já digo que esse artigo pode conter spoilers!

    Primeiro, o filme começa já conectando as duas histórias do Karate Kid de Jackie Chan de 2010, com a grande e primeira franquia de Karate Kid com Daniel San e Sr. Miyagi (Pat Morita). Originalmente, acredito eu, que o Karate Kid de 2010 era pra ser mais um remake. Claro que com personagens e ambientes diferentes, mas a história é basicamente a mesma. Eles conectaram de uma maneira um pouco forçada, respirei fundo e deixei a história me levar.

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    A história começa em Beijing, numa escola de kung fu do próprio Sr. Han, e temos as referências do filme de 2010 do famoso “Tira casaco, bota casaco”, que virou um método de ensino dele. E ja temos a apresentação do personagem protagonista dessa história que é o Li Fong, interpretado pelo Ben Wang.

    Assim começa a mesma história que todos nós ja conhecemos e muito: um jovem que tem que se mudar e se adaptar a um novo local enfrentando o bullying, se envolvendo como uma garota e tendo a arte marcial como sua grande aliada nessa saga. Nessa história, Li Fong já tem conhecimento em artes marciais, no caso kung fu, que ele treinou com o Sr. Han. Ele vai para Nova Iorque com a sua mãe e lá ele conhece Mia (Sadie Stanley) e seu pai Victor (Joshua Jackson).

    O que me chamou a atenção nesse filme é que, apesar de você ter a presença de dois grandes nomes que é Jackie Chan e o Ralph Macchio, o tempo de tela deles é bem pequeno comparado ao do protagonista interpretado pelo Ben Wang. Apesar de sentir que a história tem suas semelhanças com os outros filmes, você consegue enxergar uma nova história que é o próprio conflito do protagonista, dele como artista marcial, e também em uma nova situação que é ele como mestre.

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    Nessa história, Li Fong vira amigo de Victor que é o dono de uma Pizzaria, antigo lutador de boxe e deve dinheiro. E a partir do momento que Li Fong o ajuda a lutar contra os cobradores dessa dívida, acaba recebendo um pedido de Victor para treiná-lo e vencer um torneio de Boxe para pagar suas dívidas. Assim como todo filme de arte marcial, temos as cenas de treinamento que eu achei mais sofisticadas e mais realistas do que “tirar o casaco” ou “pintar a cerca”.

    Um dos pontos importantes, para nós principalmente, são as cenas de luta. São impecáveis. Já na primeira luta de Li Fong eu vi claramente o estilo do Jackie Chan ali, utilizando objetos da cena na luta e as esquivas bem características dele. Com toda a certeza o Jackie Chan teve uma grande participação na coreografia dessas lutas. Isso é um ponto extremamente positivo porque, se pegamos as lutas da série Cobra Kai, elas não chegam nem aos pés desse filme. Sem contar que o ator Ben Wang é muito bom, foi uma ótima escolha tanto quanto artista marcial como ator, ele tem muito carisma.

    Agora vamos falar sobre a participação dos astros das sagas, coloco no plural porque pra mim foram dois universos. Eu acho que o filme é muito mais do Jackie Chan do que Ralph Macchio. Falo isso pelo tempo de tela, o Ralph Macchio aparece bem menos do que o Jackie Chan que aparece do começo até o fim. Acredito que seja por conta da relação dele com o próprio Li Fong. Eu senti isso no cinema, porque tinham pessoas da geração Cobra Kai que estranharam a ausência do Daniel-san, e quando ele apareceu ficaram mais aliviados.

    Achei isso um ponto positivo e negativo ao mesmo tempo, porque estamos lidando com duas gerações. As pessoas dessa geração vão muito pelo Cobra Kai (Netflix), e podem se frustrar um pouco com o filme por estar meio distante da série e, provavelmente essas pessoas não assistiram ao filme de 2010, e nem conhecem o trabalho Jackie Chan. Por outro lado, temos a geração que conhece o Jackie Chan e sabem do sucesso dos filmes dele dos anos 80 e 90 e também é a mesma geração do primeiro filme de Karate Kid. Esse é o grande lado positivo porque ele consegue unir duas gerações que curtem artes marciais e essa saga. Acredito que Cobra Kai já fez essa junção mas colocar o Jackie Chan é atrair um público mais nichado.

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    Voltando ao filme, Daniel LaRusso aparece porque Li Fong precisa participar de um campeonato de rua, digamos assim, para ajudar seu amigo Victor a pagar suas dívidas, e também lutar com seu rival no filme que é lutador de karate e, por isso, ele precisa aprender a luta. Nessa hora achei estranho, porque não ficou muito claro para mim que era um campeonato de Karate, ainda mais porque o estilo de lutar do Li Fong estava bem mesclado. Enfim, Sr. Han vai atrás do Daniel, para que ele ensine Li Fong a lutar. Nessa hora achei bem legal os treinamentos com visões diferentes de técnicas.

    Nessa hora achei tudo muito rápido. De repente Li Fong tem que lutar, as cenas de treinamento são rápidas, já vem o campeonato e o filme acaba! Nessa hora, a minha reação foi: “mas já?”. Eu fiquei com aquele “gostinho de quero mais”. Acho que por isso tive a sensação que Ralph Macchio apareceu pouco.

    Mas, no geral, o filme é muito bom, é nostálgico pelos atores e pelas pequenas referências que o filme traz. Ao mesmo tempo é uma trama que envolve porque ele sai um pouco do óbvio da franquia e traz novos conflitos. Fora as lutas que são muito boas e essa puxada para o lado do kung fu me cativou muito (risos). Não sei se terá continuações, o filme se resolve e não deixa pontas soltas. E espero que eles não repitam o mesmo erro que fizeram na última temporada de Cobra Kai, de tentar fazer um filme colocando elementos que não tem nada a ver com a história.

    Para quem ainda não viu o filme segue o trailer para ficarem com vontade de assistir.

  • Irmãos Sun

    Irmãos Sun

    Viramos o ano de 2024 com uma feliz estreia na Netflix. Estamos falando da nova série estrelada por ninguém menos que Michelle Yeoh, Irmãos Sun (The Brothers Sun). E só por essa pequena introdução, vocês já entenderam que gostamos da série e vamos falar o porquê.

    A história aborda o universo das gangues de Taiwan, mais especificamente de Taipei. Após um atentado contra a vida de um dos chefes de uma gangue, o seu filho Charles (Justin Chien) vai até Los Angeles proteger sua mãe, Eileen (Michelle Yeoh), e seu irmão, Bruce (Sam Song Li).

    Bruce é um estudante de medicina que quer muito trabalhar com Stand up e improvisos e, por sair de Taiwan muito criança, ele não tem idéia que sua família, na verdade, é uma família de gangsters até seu irmão chegar.

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    Bruce (Sam Song Li) e Eileen (Michelle Yeoh)

    Ao longo da série você acompanha a saga de Bruce nesse novo mundo que ele acaba descobrindo, e é muito interessante porque a história é conduzida de forma cômica mas, em contrapartida ela tem sim seus momentos de tensão, luta (muito bem coreografadas) e sangue. Esse equilíbrio deixa a série gostosa de assistir.

    Outro ponto muito legal é o elenco! A produção da série contou com um elenco 100% asiático e achei isso muito legal. Para uma produção americana, fazer uma série sem estereotipar a comunidade asiática é um ponto muito positivo. Claro que conta muito a proposta que a série traz, mas essa preocupação com o elenco e até com os coadjuvantes serem asiáticos é um grande diferencial.

    Um destaque importante é a atuação de Michelle Yeoh. Eu particularmente sou muito fã da atriz e, claro, ela está nos holofotes do mundo depois de ganhar o Oscar. E o melhor: ela foi a primeira mulher asiática a ganhar o Oscar de melhor atriz. Atuação como sempre impecável, o seu papel é muito importante e conduz bem a história, então não tem como não falar dela.

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    Michelle Yeoh

    Em todo filme ou série de luta, eu presto muito atenção em como ele foi coreografado e não tenha dúvidas de como a revolução de filmes de kung fu nos anos 80/90 serviu como referência pra essa série. E claro assistir a série deu muita nostalgia para filmes dos anos 80 de máfias chinesas, por isso me agradou muito.

    Ainda falando em luta, tenho que destacar a participação de dois atores/dublês que eu gosto muito que são o Andy Le e o seu irmão Brian Le. Eles tiveram uma participação muito grande no filme vencedor do Oscar, Tudo em todo lugar ao mesmo tempo (2022), também estrelado pela Michelle Yeoh. Os dois atores são muito bons de luta, porém é uma pena que a participação deles seja muito curta na série.

    Agora, fazendo um pequeno comparativo, hoje em dia é difícil ter uma série de luta com um elenco asiático tão bom. Uma série que tem a mesma qualidade, seja de coreografia de ação ou elenco, que Irmãos Sun é a série Warrior. Porém, apesar de cada uma ter seu contexto e linguagens diferentes, ainda acho que a série Irmãos Sun é mais gostosa de assistir, a história te envolve mais e é muito mais dinâmica.

    Irmãos Sun foi um grande acerto da Netflix, os personagens são cativantes, a história é envolvente com muitos plot twists e, claro, com muita ação. A série também deixou algumas pontas no final e, se tiver uma segunda temporada, com certeza será bem-vinda.

    Para quem tiver interesse a primeira temporada, ela já está disponível no streaming.

  • Bons Companheiros

    Bons Companheiros

    Depois de um bom tempo longe dos cinemas brasileiros, Jackie Chan volta com um novo filme, carregado de drama, comédia e muitas homenagens.

    Bons Companheiros (Ride On) traz a história do Mestre Luo, interpretado pelo Jackie Chan, que é um dublê que já teve muito sucesso na sua carreira, e hoje, digamos, é fracassado e cheio de dívidas. Além disso, Luo se vê numa situação em que ele pode perder seu cavalo para um leilão para cobrir uma de suas dívidas. Ele acaba recorrendo à sua filha, uma jovem estudante de Direito, que ele não via há 6 anos. Mas sua vida muda quando ele e seu cavalo de estimação acabam viralizando na internet com uma luta que os dois se envolvem com cobradores de dívidas.

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    Fonte: IMDB

    Vendo sua carreira crescer novamente e sua filha se reaproximando, Luo terá que escolher entre sua carreira como dublê ou sua família.

    Se você está procurando um filme para chorar, essa é a melhor escolha! Brincadeiras a parte é um filme muito emocionante. Primeiro porque tem o drama familiar do personagem de Jackie Chan, e segundo porque tem o drama dele e do cavalo de estimação, mostrando uma grande sensibilidade e carinho entre os dois.

    Mas acredito que seja ainda mais emocionante para quem é fã do ator, porque o filme relembra muito a carreira de Jackie Chan. Eu senti uma mistura de ficção com a vida real dele. No filme são mostradas cenas de filmes reais do Jackie Chan, como sendo cenas de filmes onde o personagem atuou como dublê. As cenas pós créditos do filme, com os erros de gravação, ele se machucando, enfim, são mostradas no filme e o personagem se emociona muito.

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    Fonte: IMDB

    Isso pra mim, como fã, pesou muito porque mostrou como ele era muito bom no que fazia, o quanto ele se doou para o filme, e isso foi uma verdadeira homenagem. Sem contar que o filme tem vários Easter Eggs de muitos trabalhos que ele já fez. Alguns deles são do Mestre Invencível (Drunken Master – 1978), First Strike (1996), O Grande Desafio (Gorgeous – 1999), Operação Condor (1991), Quem sou eu? (1998), entre outros.

    O filme também conta com grande atores que já trabalharam com o Jackie em outros filmes como o Wu Jing, Yu Rongguang, Shi Yanneng, Andy On.

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    Wu Jing à direita. Fonte: IMDB

    Apesar do filme ter muito drama, tem sua parte de comédia e lutas no estilo Jackie Chan, que é uma grande característica nos filmes do ator. As lutas continuam com pessoas voando, cadeiras e mesas sendo utilizadas, mas não têm mais aquela emoção como antigamente até porque o Jackie Chan já tem idade e não tem mais condições de fazer altas cenas de luta.

    No final mostra que o filme foi feito como uma homenagem aos dublês, mas pra mim, além disso, foi uma grande homenagem à carreira de Jackie Chan.

    O filme estreia nos cinemas brasileiros dia 12 de outubro de 2023.

  • Police Story

    Police Story

    Eu não poderia deixar de escrever esse artigo a respeito de um dos filmes mais famosos do Jackie Chan: Police Story.

    Esse filme fez com que o Jackie Chan fosse visto e reconhecido no mundo inteiro por conta do seu estilo “Jackie Chan” de fazer filmes. Fez tanto sucesso que, pra quem é da década de 80/90, com certeza, assistiu o filme várias vezes na Sessão da Tarde, da Rede Globo.

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    Fonte: Sato Company

    Jackie Chan é o protagonista do filme fazendo o papel do policial Chan Ka Kui, ou como foi traduzido no ocidente, Jackie Chan, que consegue prender um dos grandes traficantes da China, o Mr. Chu (Chor Yuen). Porém Jackie acaba indo dos seus momentos de glória para momentos de fim de carreira quando os traficantes querem se vingar dele.

    Além dos traficantes, Jackie tem que lidar com o seu relacionamento com a Mei (Maggie Cheung) que acaba sendo abalado nessa história por um suposto envolvimento com uma testemunha chave, a Selina Fong (Brigitte Lin).

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    Meggie Cheung e Brigitte Lin. Fonte: Sato Company

    Contando dessa forma parece que o filme é um pouco “pesado”, ainda mais por ser uma história de policiais versus traficantes mas, acredite se quiser, tem muita comédia dentro do filme, o que deixa ele mais leve. Comédia e ação são marcas registradas do Jackie Chan.

    Falando em marcas registradas, muitos atores acabam sempre fazendo os filmes de Jackie Chan. Nesse filme contamos com a presença de dois atores muito conhecidos: o Mars que faz o papel do policial Kim, e o famoso Bill Tung que faz o papel, também de outro policial, Bill Wong.

    Como um filme policial dos anos 80, a história não tem grandes altos e baixos, mas prende bastante principalmente pelas cenas de luta. Aliás, os filmes do Jackie Chan são muito famosos pelas cenas de luta porque ele não utiliza dublês, e são muito impressionantes com coreografias de lutas fora do normal, com pessoas voando, quebramentos de mesas e cadeiras, etc.

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    Fonte: Sato Company

    No livro biográfico do Jackie Chan, Never Grow Up (2015), ele conta o quão insana foi a gravação da cena final. Pra quem não assistiu o filme, o final se passa em um shopping, e eles abusaram nas cenas com vidros. Tem um momento em que Jackie tem que descer numa especie de um poste cheio de luzes de natal e cabos e ele cai em um lugar com muito vidro (cenográfico claro!).

    Em seu livro, ele conta o quão demorado foi para a montagem, a quantidade de pessoas que estavam ali para gravar aquela cena e a pressão que ele teve para fazer isso em um único take. Até porque ele também estava gravando outro filme, Heart of Dragon, dirigido pelo Sammo Hung, e ele tinha que sair de lá para outra gravação. Fora o horário do funcionamento do Shopping que não podia ser alterado por conta das gravações, ou seja, tinha que dar certo!

    Naquele dia de gravação, ele conta que tudo deu muito errado, até mesmo o momento exato de gravar foi errado. Nessa hora ele não teve escapatória e ele teve medo de morrer. A cena foi feita e ele conta que na decida a mão dele queimava no atrito com o poste e chegou a ficar dormente!

    A adrenalina foi tanta que ele caiu no chão e já levantou rapidamente batendo nas pessoas e logo a equipe mandou ele parar desesperadamente. Quando ele olha em volta, ele vê a equipe chorando, principalmente as atrizes Maggie Cheung e Brigitte Lin e, mesmo vendo a cara de desespero de todos, ele não se deu conta que ele estava com a mão toda cortada, sangrando e cheia de cacos de vidro.

    Ele desesperadamente pega o carro e pede para o motorista levá-lo para a gravação do outro filme e ele apaga de tanta adrenalina. Ele só se deu conta do estado dele quando ele não conseguiu abrir a porta do carro sozinho.

    Em resumo, acho que é um dos melhores filmes do Jackie Chan, pela história, pelo enredo, e claro, pelas ótimas e mais insanas cenas de ação do filme. Aqui no Brasil, a distribuição do filme é de responsabilidade da Sato Company e está disponível no Prime Video.

    Trailer:

    Referências: CHAN, Jackie; MO, Zhu. Never Grow Up. New York: Gallery Books, 2018.

  • Warrior  – 3ª Temporada

    Warrior – 3ª Temporada

    Depois de 2 anos de espera, saiu a 3ª Temporada da série Warrior, que agora está sendo produzido e exibido oficialmente pela HBO Max, depois que a Cinemax abriu mão dos direitos da série.

    Confesso que eu comecei a assistir e fiquei meio confusa com algumas coisas na história. Tive que rever a série inteira para recapitular alguns detalhes, e foi bom! Parece que a série me prendeu muito mais do que na primeira vez que assisti.

    É uma série que, apesar de ter muita luta, ela puxa um contexto histórico gigante da Chinatown de São Francisco na Califórnia, mas claro, tem muita ficção envolvida.

    Mas vamos ao que interessa, 3ª Temporada! (Contém muitos spoilers!)

    Achei uma ótima temporada, que me prendeu de verdade. Todos os personagens tiveram uma construção e um crescimento muito significativo.

    Primeiro, o nosso personagem principal Ah Sahm (Andrew Koji) finalmente foi colocado à prova de qual lado ele está nessa guerra entre as Tongs. Além disso, é um personagem que cresce muito como lutador e isso acaba colocando ele como uma pessoa de destaque em Chinatown. Isso com certeza abala o ego do novo líder dos Hop Wei, o Young Jun, interpretado por Jason Tobin.

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    créditos: https://tinyurl.com/a8r9eu63

    Young Jun passa por alguns momentos de crise nessa temporada, pois ele quer se mostrar líder depois que ele “tirou” seu pai do poder, se assim podemos dizer, mas ao mesmo tempo ele não se sente à altura de ser o sucessor do seu pai. Isso gerou também uma insegurança perante seu amigo e subordinado, Ah Sahm, que acaba tendo uma maior confiança e respeito de todos de Chinatown, ainda mais após o episódio da invasão irlandesa no bairro. Além disso, Young Jun passa a ter uma desconfiança principalmente depois de descobrir que Ah Sahm e Mai Ling (Dianne Doan), líder da Tong rival, são irmãos.

    As coisas também não ficam fáceis para Mai Ling, que é uma mulher extremamente ambiciosa, e quer expandir os negócios da Tong Long Zii, mas o que ela consegue é só mais desconfiança por parte dos conselheiros dos Long Zii.

    Uma grande supresa foi o Mark Dacascos no elenco de Warrior com o personagem Kong Pak. Um clássico ator de artes marciais tinha que estar no elenco dessa série. Ele integra a história como líder de uma Tong que se funde com os Long Zii, fazendo com que ele faça parte do conselho. E claro, ele entrega grande cenas de luta na série.

    Além da entrada de Kong Pak, tivemos dois novos personagens muito relevantes para a história: o policial Benjamin Atwood (Neels Clasen) e o Douglas Strickland (Adam Rayner). O policial Atwood tem um papel importante no contexto da xenofobia com relação aos asiáticos, que vem muito forte nessa temporada, sem contar que ele vira uma grande pedra no sapato do Sargento Bill O’Hara (Kieran Bew). Já o Strickland se utiliza de seu grande poder para manipular políticos, Dan Leary (Dean S. Jagger) e também a Ah Toy (Olivia Cheng) e Nellie Davenport (Miranda Raison), que acaba movimentando muito a história.

    E claro, não poderia deixar de comentar que a filha de Bruce Lee, Shannon Lee, além de produtora executiva da série, também fez uma participação especial no episódio 6. Foi uma breve participação, porém, foi até que relevante para o desfecho do episódio.

    Achei interessante ver como a política acaba interferindo em interesses e também em ideais, como foi o caso do Dan Leary. Depois de ver que ele não consegue muita coisa na força, Leary acaba indo pelo caminho da política, mas até nesse caminho ele descobre o quanto é difícil atender os seus interesses sem ter que abrir mão de algumas coisas e até mesmo passar por cima do próprio ego. Isso fez com que muitos dos seus apoiadores o questionassem se ele estava realmente a favor de seu povo.

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    créditos: https://tinyurl.com/yt5f6jhj

    Um tema que ficou claro foi a fragilidade da força feminina nessa época. Isso foi mostrado com as personagens de Ah Toy, Nellie Davenport e Mai Ling que foram, de certa forma, prejudicadas e silenciadas por homens que foram atrás dos seus interesses e, claro, foram beneficiados pela justiça.

    Falando das mulheres, e a Penny Blake (Joanna Vanderham)? Ela e sua irmã, Sophie Mercer (Céline Buckens), não aparecem nessa temporada deixando uma ponta solta na história. Porém são tantos acontecimentos que não imagino ainda algo que elas pudessem ser úteis nessa temporada.

    Se fosse para resumir essa temporada em uma palavra seria: Acordo.

    Querendo ou não, todos os personagens se sustentaram e sobreviveram, por assim dizer, dentro da trama por meio de acordos feitos durante a temporada. E chega a ser engraçado como todos os personagens tem o “rabo preso” com alguém.

    E as cenas de luta? Continuam muito boas e muito bem coreografadas. Achei que nessa temporada as cenas de quebramentos, cortes com facas e mortes estão mais explicitas. Isso faz com que eu elogie ainda mais os efeitos especiais.

    A série continua mantendo o seu nível com ótimas cenas de luta e também com um contexto histórico e político muito rico, fora a cenografia e figurino que deixam a série ainda melhor. Mas vai ter continuação? Até a publicação desse artigo não temos nenhuma confirmação, mas o fim da série deixa algumas pontas soltas principalmente com o destino de Ah Sahm e sua irmã, Mai Ling.

    Assista o trailer:

  • A Filosofia do Kung Fu

    A Filosofia do Kung Fu

    É muito comum quando se fala em kung fu, ou qualquer outra arte marcial, que além de ensinar a luta, ela desenvolve muito a disciplina. Isso não deixa de ser verdade, pois a grande maioria das artes marciais tem seus princípios filosóficos.

    No kung fu, por exemplo, falamos sobre o Wude, termo muito comum para nos referirmos aos princípios e ética marcial, entre eles estão respeito, disciplina, humildade, honestidade, paciência, entre outros. Mas para chegar nesses princípios, devemos entender que isso vem de uma grande influência de filosofias que predominavam a China na época. Confucionismo, Taoismo, Budismo são alguns nomes fortes que influenciaram muito o pensamento chinês, alguns chegam até colocar o Maoismo nessa influencia, mas como estamos falando de kung fu e ele nasceu bem antes da era de Mao Tse-Tung (1893-1976), nem vou comentar muito sobre ele.

    Entender essas três linhas filosóficas, Confucionismo, Taoismo e Budismo, vai ficar muito claro visualizar a sua influência no Kung fu.

    Budismo

    O budismo surgiu com o o Sidarta Gautama(Buda), na Índia, no século V a.c, com ele veio o conceito do que é sofrimento que está nas Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo que é basicamente o caminho para cessar esse sofrimento. Em linhas gerais, são condutas corretas como: Compreensão correta, Pensamento Correto, Palavra Correta, Ação correta, Meio de vida correto, Esforço correto, Plena atenção correta, concentração correta.

    É no Nobre Caminho Óctuplo que vemos sua grande influência na filosofia do kung fu. Assuntos como compaixão, “não prejudicar o outro”, “não mentir”, “não matar e não roubar”, “obter o controle da mente”, “sabedoria e serenidade”, não são assuntos estranhos para quem é praticante, e podemos dizer que essa influência veio em peso com budismo.

    Taoismo

    A grande base da filosofia do Taoismo é o Tao. Sua tradução literal é o caminho, e segundo a Oldstone- Moore (2010), o Tao se refere a um poder anônimo, sem forma e que tudo permeia, que cria todas as coisas e reverte-as ao estado de não ser em um ciclo eterno.

    Para os taoístas, seguir o caminho, seria seguir de acordo com o que é natural, com o fluxo da natureza, ou “como as coisas são”. Esse pensamento levou a busca da imortalidade do homem, por isso foi uma época de métodos de muita cura espiritual e física, dando destaque para o I-Ching (oráculo taoista), e o Tai Chi Chuan e Qi Gong, que surgiram nessa época como forma de cura física.

    Confucionismo

    O Confucionismo começou na China, e como o próprio nome já diz, seu fundador foi Confúcio. Ele viveu e cresceu em uma época de muita miséria devido às guerras que ocorriam nesse período. Isso foi uma grande fonte de inspiração para que ele criasse a própria filosofia em que pudesse mudar o conceito de sociedade. O ideal é que os governantes passassem governar para todos e não para si próprios.

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    Confúcio. Autor desconhecido (c. 1770)

    Sua filosofia tem muitos conceitos de generosidade, virtude e amor pela humanidade. No kung fu, por exemplo, o confucionismo está presente em algumas virtudes como honra, respeito e sinceridade e até mesmo em meios de treinamento como “estar centrado” durante uma luta, achar o seu centro, algo que Confúcio falava que todos os seres humanos deviam achar.

    A prática constante dos Taolus (ou Katis) também é uma forma de pensar de Confúcio. Para ele, a prática é um meio de alcançar a perfeição, a essência. O senso de justiça que aprendemos no kung fu, de quando usar o que sabemos, e utilizar somente para defesa, vem também dessa filosofia.

    E por último, essa ideia de que nunca aprenderemos tudo do kung fu que sempre tem algo que temos que aprender e aperfeiçoar, também é uma visão confucionista. Atingir a perfeição e maestria depende de muitos anos de prática e estudos. E kung fu não é só socos e chutes, tem todo um estudo de saber aplicar a técnica de forma perfeita, saber aliar a técnica a força, potência, agilidade, ritmo, etc. E fora tudo isso, toda uma filosofia, uma história, um estudo para entender toda essa arte marcial. E vamos concordar, não é em 2 anos que você adquire tudo isso.

    O kung fu definitivamente não é só forma ou só luta, mas puxando toda a sua história a sua construção de movimentos a partir de animais, por exemplo, e vendo o quão profundo é a sua filosofia, vemos como é complexo e rico essa arte marcial.

  • O Grande Dragão Branco

    O Grande Dragão Branco

    Finalmente chagamos a época de ouro dos filmes de artes marciais, onde grandes atores de artes marciais foram revelados. Sim! Estamos falando da década de 80 e um dos grandes nomes da época foi Jean Claude Van Damme.

    Hoje não vou falar do filme que o revelou como um ator de filmes de artes marciais, mas sim de um grande sucesso, e sou muito suspeita de falar desse filme, que é “O Grande Dragão Branco”, ou “Bloodsport“, de 1988.

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    Jean Claude Van Damme – Fonte: IMDB

    Esse filme é baseado em fatos reais da vida de Frank Dux, interpretado pelo Van Damme, que é um militar americano que decide disputar um torneio super secreto e ilegal em Hong Kong, o Kumite. Esse torneio reúne os maiores lutadores de todo o mundo e a regra é que “não há regras”. Nesse torneio tudo pode, até a morte.

    Nessa trama toda nos deparamos com personagens chaves, que são os policiais que estão atrás do Dux que acabou fugindo do exército para participar do torneio. A repórter que quer tirar informações do evento para escrever sua matéria. Temos também o mestre de Dux, o Sr. Tanaka, que protagoniza uma das melhores partes do filme, na minha opinião. E claro, o grande vilão do filme o Chong Li, interpretado por ninguém menos que o Bolo Yeung, quem não se lembra dele no filme Operação Dragão com o Bruce Lee? Ah! E temos o Jackson, o amigo que o Frank Dux fez no torneio, é relevante? é…. mas eu particularmente não gosto dele.

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    Bolo Yeung – Fonte: IMDB

    Bom, história e personagens apresentados… agora vamos para as partes relevantes!

    Primeiro de tudo temos que destacar os filmes de artes marciais dessa época são totalmente “raiz”. Por que? Porque são realmente os atores que estão fazendo as cenas de luta sem efeito especial nenhum. E o mais importante sem pessoas voando e nenhuma “magia”, como está tendo nos filmes de hoje. E claro que temos que destacar que o Jean Claude Van-Damme vem do Karatê e do Kickboxing e a gente consegue ver isso no filme pela sua postura, pela sua habilidade em fazer os movimentos e os próprios chutes dele que são bem característicos, bem marcados e definidos. Bolo Yeung também tem sua experiencia em artes marciais, isso é fato, só foi meio difícil descobrir o que ele praticou mas é bem provável que seja Kung Fu.

    Como todo filme de artes marciais dos anos 70/80 temos as cenas de treinamento clássicas, e como eu sempre falo, são as melhores! Frank Dux protagoniza ótimas cenas com seu Sensei, Mr. Tanaka. Como sempre é naquele cenário no fundo da casa do mestre, onde o aluno apanha pra caramba e a gente consegue ver a grande evolução. E é claro que não podia deixar de faltar a cena para mostrar o alongamento em espacate que o Van Damme sempre tem. É clichê, mas é um clássico.

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    Fonte: IMDB

    No quesito lutas, acho que elas são muito bem coreografadas, até demais, mas isso não me incomoda, eu enxergo a luta nesses filmes mais fiéis ao real do que muitos filmes de hoje em dia que tem as pessoas voando, por exemplo. Eu sou um pouco suspeita, na verdade muito suspeita, porque eu gosto do estilo de filme dessa época. Como falei anteriormente, foi uma época importante para os filmes de artes marciais, tanto que realmente deu um boom nesse gênero. E quem ocidentalizou isso nos anos 70 foi o Bruce Lee, então considero esse período muito importante para a construção desse gênero de filme e que reflete até os dias de hoje.

    O Grande Dragão Branco pode não ter o melhor roteiro ou as melhores atuações mas pra mim ele é um filme excelente, um clássico que eu ja vi milhões de vezes e não canso. Gosto do Van Damme, gosto das lutas, gosto da trilha sonora e claro que toda a ambientação em Hong Kong junto com a trilha sonora nos anos 80 é muito nostálgico e realmente me remete aos filmes de Bruce Lee.

    Atualmente o filme se encontra na Apple Tv e na Amazon Prime somente para locação. Abaixo está o trailer para vocês sentirem o gostinho de como é o filme.

  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

    Pensei muito se colocaria esse filme aqui como um review, por um lado sim vale a pena pelas lutas por outro eu já entro em um campo de falar do filme em sua profundidade, que é o que faz o filme ser tão bom e grandioso. Mas como eu sempre venho aqui jogar um pouco de reflexões aos meus leitores, resolvi publicar esse artigo afim de abrir a mente para esse filme que não é um blockbuster, e segue um pouco mais essa linha independente, e claro não deixar de falar sobre as lutas.

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    Fonte: Columbus Monthly – https://tinyurl.com/msjxayxp

    Esse filme é um pouco complexo e qualquer informação adicional eu fico com receio de dar spoilers do filme. No geral é uma história que tem como personagem principal a Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma chinesa, que deixou seus pais para trás e foi viver nos EUA junto com seu marido, Waymond (Ke Huy Quan). Nos EUA, eles abrem uma lavanderia e tem uma filha a Joy (Stephanie Hsu). Além disso, o filme também conta com a grande atuação de Jamie Lee Curtis de Halloween (1978) e True Lies (1994).

    Mas você deve estar se perguntando “por que um enredo tão simples faz o filme ser tão grandioso?”, e é aí que o filme começa. A grande sacada do filme é que eles abordam o conceito do multiverso, mas não é aquele multiverso que vemos nos filmes da Marvel, por exemplo, mas o filme usa desse recurso para trazer novos caminhos para a narrativa e criar um lugar que tudo é possível e pode acontecer. Isso causa um certo estranhamento no começo, mas depois você entende que tudo isso tem um significado mais profundo e dá mais densidade a narrativa. É um filme que traz uma montanha russa de emoções, um filme que você ri e se emociona o tempo inteiro.

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    Fonte: BuzzFeed.News – https://tinyurl.com/2chyrxx2

    Acredito que eu consegui explicar o filme sem dar muitos spoilers. E onde entra a luta nisso tudo?

    Bom nessa loucura de multiversos, claro que não podia deixar de lado o kung fu tendo a Michelle Yeoh como protagonista, sem contar que o ator que interpreta seu marido na trama, Ke Huy Quan, é coordenador de dublê, seria um grande desperdício não usar dois grandes talentos.

    As cenas de luta lembram demais os filmes do Jackie Chan, muito bem sincronizadas e também utilizam objetos de cena no meio da luta, tem umas cenas que até tem referência a Matrix (1999). Mas não podemos deixar de mencionar os grandes coreógrafos do filme: Andy Le e Brian Le, que além de terem coreografado as cenas de ação, protagonizaram as principais lutas com a Michelle Yeoh.

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    Brian Le, Michelle Yeoh e Andy Le
    Fonte: Entertainment – https://tinyurl.com/3r89b4sr

    Andy e Brian são dublês e tem um projeto chamado Martial Club, onde eles gravam muitas cenas de lutas, às vezes com muito bom humor, coreografadas por eles mesmos inspirados em clássicos dos filmes de kung fu. Para quem não sabe Andy esteve recentemente no filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis interpretando o Agente da Morte (Death Dealer).

    Depois de ter colocado várias informações do filme vamos para as minhas considerações finais: Eu particularmente adorei o filme e recomendo muito. Inicialmente eu fui assistir o filme por conta da Michelle Yeoh, do Andy e do Brian Le, até porque eu já acompanho o trabalho deles há algum tempo, mas o filme me surpreendeu pela sua densidade e até em aspectos cinematográficos (isso é papo para outro lugar hahahaha) que a luta acaba sendo usada como um grande pano de fundo para o que a narrativa propõe.

    Eu assisti esse filme no cinema e na época já tinha poucas sessões, ainda mais que ele não veio pra ser um grande blockbuster, mas em breve acredito que ele vai estar em algum streaming. De qualquer forma fica o trailer para vocês sentirem um pouco o filme.